A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conclui nesta sexta-feira, 24 de abril, sua 53ª Assembleia Geral, que reuniu temas de grande relevância para a vida da Igreja Católica na tarefa missionária de anunciar, a todos, o Evangelho de Jesus Cristo. Durante a Assembleia, a CNBB - força da Igreja Católica de reconhecida credibilidade a serviço do povo brasileiro - elegeu a sua nova presidência para o quadriênio 2015-2018. Um competente corpo de presidentes de comissões episcopais levará adiante projetos e programas de evangelização. Os trabalhos serão desenvolvidos com o apoio de assessorias eficientes, em diálogo permanente com os segmentos diversos da sociedade. Em cooperação, busca-se construir uma sociedade mais justa e solidária.
Especialmente nesse tempo de Assembleia, compartilhamos ricas experiências e reforçamos o compromisso de sempre buscar o diálogo, a inovação interna e, permanentemente, caminhar com o povo, particularmente ao lado dos mais pobres. Deste modo, investimos para ser sempre uma “Igreja em saída”, conforme orienta o Papa Francisco. Essas importantes metas estão desenhadas pelo horizonte das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas durante a Assembleia. As Diretrizes orientam o caminhar da Igreja na realidade sociocultural diversificada da sociedade brasileira. As definições de projetos, programas e planos de pastoral, em cada lugar do país com a presença da Igreja, têm nestas Diretrizes ricos parâmetros e efetivas linhas de ação.
Ao definir seus planejamentos, a Igreja está consciente de que para além de aspectos técnicos, são fundamentais o testemunho e a disponibilidade para o encontro. Como diz o Papa Francisco, é imprescindível a coragem de ser uma Igreja “acidentada” e, até, “enlameada”, jamais autocentrada. No horizonte desse desafio, a Assembleia Geral da CNBB analisou a complexidade da realidade social e política que interpela a fé cristã a dar a sua indispensável contribuição. Por isso, foi incluído um segundo passo no Projeto Pensando o Brasil, criado em 2014 no contexto das eleições. A Igreja Católica olha, com preocupação e apreensão, a realidade da desigualdade social no país. Os avanços e conquistas alcançados até hoje não são suficientes para apaziguar o coração de cada cidadão brasileiro. É uma situação grave e a sociedade brasileira será julgada pelo modo como trata os mais pobres.
O tratamento equivocado imposto aos mais pobres traz consequências lamentáveis como a perda da indispensável humanização. Certo é que não se pode acostumar e acomodar-se com as situações de desigualdades e injustiças sociais. A Igreja sabe que a fé vivida e testemunhada tem força para remover esses espectros desoladores do contexto social. A paz verdadeira só se efetivará quando a cidadania e a fé impulsionarem novas posturas, sensíveis ao clamor dos pobres, que respeitem o direito dos povos. Daí nascerá a paz verdadeira. A condição humana e o exercício da cidadania precisam ser reconfigurados por meio de densa espiritualidade e mística fecunda. Por isso, os bispos do Brasil aprofundaram o estudo e o planejamento de ações determinantes no âmbito da fé vivida e testemunhada.
O grande dom da fé é o tesouro da Igreja, com as riquezas inesgotáveis de conceitos e conteúdos, particularmente presentes na Palavra de Deus e na Tradição. Esse tesouro desafia permanentemente a Igreja a revitalizar suas instituições, dinâmicas e funcionamentos, para se alcançar novas respostas. Nesta perspectiva, a Liturgia é o sustentáculo da ação evangelizadora. A Igreja, quando transmite a fé, ajuda a humanidade a abrir-se ao amor inesgotável de Deus, fonte da sabedoria necessária para reequilibrar a vida e encontrar as saídas urgentes para as crises em curso na sociedade.
A vivência dessa tarefa tem como horizonte inspirador e esperançoso a convocação feita pelo Papa Francisco ao anunciar a celebração do Ano da Misericórdia. Um momento especial, promovido pela Igreja, que interpela a sociedade a compreender e a viver mais intensamente o amor de Deus. Será um jubileu, tempo de graça, de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016. A sociedade, pelo testemunho e anúncio da Igreja, precisa conhecer mais Jesus Cristo, o rosto misericordioso de Deus, a misericórdia encarnada. Vivenciar, de modo profundo, a espiritualidade do perdão, da justiça e da misericórdia pode ser contraponto à vigente cultura hedonista e materialista que retarda avanços. A sociedade precisa de qualificação que não é meramente técnica. A misericórdia é um saber vivencial e experiencial imprescindível.
De modo coerente com essa perspectiva, a CNBB renovou em sua Assembleia Geral o compromisso de trabalhar para construir uma sociedade mais justa e solidária, sem medo dos desafios e pronta a dialogar com o pluralismo de ideias. Assim, está decidida a inovar-se para anunciar com autenticidade o Evangelho, sempre a serviço da vida do povo.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
terça-feira, 21 de abril de 2015
Dom Sérgio da Rocha é o novo presidente da CNBB
Arcebispo de Brasília (DF), Dom Sérgio da Rocha vai comandar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Logo na primeira votação, com 215 votos, Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília (DF), foi eleito o novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta segunda-feira, 20.
“Meu agradecimento, meu sentimento de ação de graças a Deus porque tudo é dom e graça de Deus, embora seja uma tarefa muito exigente, mas é sinal da sua misericórdia”. Estas foram as primeiras palavras do novo presidente da CNBB, Dom Sérgio.
Ele também agradeceu ao episcopado brasileiro pelos votos, que considerou como sinais de bondade e confiança. Destacou que o presidente da Conferência Episcopal não governa sozinho, mas conta com apoio dos conselhos de pastoral e permanente, assim como, com a própria Assembleia Geral.
Dom Sérgio disse ainda que, como “servidor da CNBB”, pretende colocar em prática o que vem sendo decidido pela Conferência, inclusive na 53ª AG. “Farei o máximo que posso, mas é claro que confio acima de tudo na graça de Deus e conto com o apoio dos nossos bispos que acabaram de dar essa demonstração bonita de apoio fraterno, mas também de bondade imensa e de confiança em Deus”, disse Dom Sérgio.
E completou: “a Igreja no Brasil é conduzida por Deus. O presidente da CNBB, assim como as outras funções, é apenas servidor da Igreja procurando fazer o melhor possível aquilo que a própria Conferência Episcopal solicitar”.
Biografia
Dom Sergio da Rocha nasceu na cidade de Matão (Dobrada/SP), em 17 de outubro de 1959, filho de Rubens (+ 2000) e Aparecida Veronezi da Rocha. Foi ordenado diácono na Igreja de Santa Cruz de Matão (SP), em 18 de agosto de 1984, e presbítero na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão (SP), Diocese de São Carlos, em 14 de dezembro de 1984.
Ele é mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, e doutor também em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana, da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, desde 1997. A formação de Dom Sergio o permitiu assumir a função de presidente da Comissão Episcopal para Doutrina da Fé da CNBB.
Agora, aos 54 anos de idade, Dom Sergio é o 11º bispo a assumir a Conferência. Como presidente, ele tem a missão de manter a comunhão com a Santa Sé e as Igrejas particulares do Brasil, o diálogo e a cooperação apostólica com as demais Conferências Episcopais e a responsabilidade patrimonial e financeira da CNBB.
De padre a arcebispo
Como seminarista, Dom Sergio estudou filosofia no Seminário de São Carlos e teologia na Pontifícia Universidade de Campinas, ambos em São Paulo. A ordenação veio em 14 de dezembro de 1984, dia de São João da Cruz, na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, na diocese de São Carlos, também em São Paulo.
A nomeação como bispo veio pelas mãos de São João Paulo II, em 13 de junho de 2001. A sagração aconteceu em 11 de agosto do mesmo ano. Na ocasião, Dom Sergio escolheu como lema Omnia in Caritate – Tudo na caridade – inspirado na primeira carta de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 16,14).
A missão de epíscopo começou na Arquidiocese de Fortaleza (CE), como bispo auxiliar, e titular da Alba (Itália). Em 31 de janeiro de 2007 foi designado por Bento XVI como arcebispo coadjuntor da Arquidiocese de Teresina (PI), iniciando os trabalhos em 30 de março. Pouco tempo depois, em 3 de setembro de 2008, se tornou bispo metropolitano da mesma Arquidiocese.
Arquidiocese de Brasília
Brasília recebeu Dom Sergio como arcebispo metropolitano em 6 de agosto de 2011. A nomeação foi feita por Bento XVI, em 15 de junho do mesmo ano. Na missa de posse, realizada na Catedral Nossa Senhora Aparecida, Dom Sergio sublinhou a necessidade de construir uma Igreja missionária:
“Queridos irmão e irmãs, vivemos um tempo privilegiado, especial de renovação missionária da Igreja animada pelo espírito de Deus, motivada especialmente pelo Santo Padre, pela Conferência de Aparecida, pelas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Nós queremos ser igreja missionária conforme afirma o Documento de Aparecida: ‘Não podemos ficar tranquilos à espera passiva em nossos templos, mas é urgente ir a todas as direções, necessitamos sair ao encontro das pessoas’, nas comunidades, para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Jesus. O mandato de Jesus missionário continua a ecoar e se renova na vida desta Igreja de Brasília’”
Com o auxílio de quatro bispos auxiliares, as principais atividades de Dom Sergio em quase quatro anos à frente da Arquidiocese de Brasília foram:
- Visitas pastorais missionárias em cada um dos 15 setores territoriais da Igreja local
- Elaboração do Diretório Pastoral dos Sacramentos
- Reconhecimento pelo Ministério da Educação da Faculdade de Teologia da Arquidiocese (Fateo)
- Implantação da Pastoral do Povo de Rua
- Realização da V Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, que elaborou o Plano Arquidiocesano de Pastoral, inspirado nas Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil da CNBB.
Em missa, Dom Odilo destaca Concílio Vaticano II como tarefa atual da Igreja
O arcebispo de São Paulo e presidente do regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Odilo Pedro Scherer, presidiu a missa desta terça-feira, 21, em ação de graças aos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II. A celebração eucarística foi concelebrada pelo arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires, e pelo bispo emérito de Iguatu (CE), dom José Mauro Santiago, que foram padres conciliares.
Na homilia, cardeal Odilo Scherer recordou os mártires dos dias atuais ao lembrar o exemplo de Estevão. “Com palavras fortes, Estevão chamou à fé aqueles que não queriam crer em Jesus Cristo diante de todos os sinais da ressurreição. Os mártires de hoje proclamam, diante de tanto sofrimento, a mesma fé de Estevão”, disse.
Ao falar sobre o Concilio Vaticano II, o arcebispo de São Paulo ressaltou que este foi o maior acontecimento eclesial do século XX. “Celebramos hoje, em ação de graças pelo Concílio. Quantos frutos produziu”, acrescentou.
Para dom Odilo, o Concílio não deve ser lembrado como um fato do passado, como se fosse um momento histórico que vai se distanciando. “Permanece como uma tarefa sempre atual. É nossa constante tarefa acolher, assimilar, interpretar de maneira criativa o Concílio diante da nova realidade cinquenta anos depois. Não estivemos lá, mas somos herdeiros do Concílio e de sua tarefa confiada à Igreja”, afirmou.
“Somos nós os herdeiros desta bênção”, falou referindo-se ao encerramento das comemorações dos 50 anos do Concílio. “Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos fortaleça para manter viva a esperança que o Concílio trouxe. Que saibamos suscitar abundantes frutos para a vida da Igreja e do mundo”, concluiu.
Na homilia, cardeal Odilo Scherer recordou os mártires dos dias atuais ao lembrar o exemplo de Estevão. “Com palavras fortes, Estevão chamou à fé aqueles que não queriam crer em Jesus Cristo diante de todos os sinais da ressurreição. Os mártires de hoje proclamam, diante de tanto sofrimento, a mesma fé de Estevão”, disse.
Ao falar sobre o Concilio Vaticano II, o arcebispo de São Paulo ressaltou que este foi o maior acontecimento eclesial do século XX. “Celebramos hoje, em ação de graças pelo Concílio. Quantos frutos produziu”, acrescentou.
Para dom Odilo, o Concílio não deve ser lembrado como um fato do passado, como se fosse um momento histórico que vai se distanciando. “Permanece como uma tarefa sempre atual. É nossa constante tarefa acolher, assimilar, interpretar de maneira criativa o Concílio diante da nova realidade cinquenta anos depois. Não estivemos lá, mas somos herdeiros do Concílio e de sua tarefa confiada à Igreja”, afirmou.
“Somos nós os herdeiros desta bênção”, falou referindo-se ao encerramento das comemorações dos 50 anos do Concílio. “Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos fortaleça para manter viva a esperança que o Concílio trouxe. Que saibamos suscitar abundantes frutos para a vida da Igreja e do mundo”, concluiu.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Catequese: Qual a importância da ação de graças após a Comunhão?
A Igreja nos ensina que após receber a Sagrada Hóstia, Presença real de Jesus: corpo, sangue, alma e divindade; Ele está substancialmente presente em nós até que nosso organismo consuma as espécies do trigo; isto pode levar cerca de 15 minutos. Depois disso, Jesus passa a estar em nossa alma pela ação do Espírito Santo e de Sua graça.
O grande São Pedro Julião Eymard, em seu livro FLORES DA EUCARISTIA (Ed. Palavra Viva, Sede Santos!, Distribuidora Loyola, pgs 131-135), nos ensina a importância da Ação de Graças. Transcrevo aqui alguns de seus ensinamentos para a sua meditação:
“O momento mais solene de vossa vida é o da Ação de Graças, em que possuis o Rei da Terra de do Céu, vosso Salvador e Juiz, disposto a vos conceder tudo o que Lhe pedirdes”.
“A Ação de Graças é de imprescindível necessidade, a fim de evitar que a Santa Comunhão degenere num simples hábito piedoso.”
“Nosso Senhor permanece pouco tempo em nossos corações, após a Santa Comunhão, porém os efeitos de Sua Presença se prolongam. As santas espécies são como que um invólucro, o qual se rompe e desaparece para que o remédio produza seus salutares efeitos no organismo. A alma se torna então como um vaso que recebeu um perfume precioso.”
“Consagrai à Ação de Graças meia hora se for possível, ou, pelo menos, um rigoroso quarto de hora (15 minutos). Dareis prova de não ter coração e de não saber apreciar devidamente o que é a Comunhão, se, após haver recebido Nosso Senhor, nada sentísseis e não Lhe soubésseis agradecer.”
“Deixai, se quiserdes, que a Santa Hóstia permaneça um momento sobre a vossa língua a fim de que Jesus, verdade e santidade, a purifique e santifique. Introduza-a depois em vosso peito, no trono do vosso coração, e, adorando em silêncio, começai a Ação de Graças” (pg. 131).
“Adorai Jesus sobre o trono de vosso coração, apoiando-vos sobre o Dele, ardente de amor. Exaltai-Lhe o poder… proclamai-o Senhor vosso, confessai–vos ser feliz servo, disposto a tudo para Lhe dar prazer.”
“Agradecei-Lhe a honra que vos fez, o amor que vos testemunhou, e o muito que vos deu nesta Comunhão! Louvai a Sua bondade e o seu amor para convosco, que sois tão pobre, tão imperfeito, tão infiel! Convidai os anjos, os santos, a Imaculada Mãe de Deus para louvá-Lo e agradecer-Lhe por vós. Uni-vos às ações de graças amantes e perfeitas da Santíssima Virgem.”
“Agradeçamos por meio de Maria, pois quando um filho pequeno recebe alguma coisa cabe à mãe agradecer por ele. A Ação de Graças identificada com a de Maria Santíssima será perfeita e bem aceita pelo Coração de Jesus.”
“Na Ação de Graças de Comunhão, chorai os vossos pecados aos pés de Jesus com Madalena (Jo 12,3), prometei-lhe fidelidade e amor, fazei-Lhe o sacrifício de vossas ações desregradas, de vossa tibieza, de vossa indolência em empreender o que vos custa. Pedi-Lhe a graça de não mais O ofender, professar-Lhe que preferis a morte ao pecado.”
“Pedi tudo o que quiserdes; é o momento da graça, e Jesus está disposto a vos dar o próprio Reino. É um prazer que Lhe proporcionamos, oferecer-Lhe ocasião de distribuir seus benefícios.”
“Pedi-lhe o reinado da santidade em vós, em vossos irmãos, e que a sua caridade abrase todos os corações.”
Na Ação de Graças podemos e devemos orar pela Igreja, pelas necessidades, intenções e saúde do Papa e de nossos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, coordenadores de comunidades, missionários, catequistas, vocações sacerdotais e religiosas, etc.
É o momento privilegiado para pedir a Jesus, pelo Seu Sacrifício, o sufrágio das almas do Purgatório (dizendo-Lhe os nomes), de pedir por cada pessoa de nossa família e de todos os que se recomendaram às nossas orações e por todos aqueles por quem somos mais obrigados a rezar. E supliquemos a Jesus todas as graças necessárias para podermos cumprir bem a missão que Ele nos deu nesse mundo, seja familiar, profissional ou apostólica. É também o momento de nossa cura interior, pelo Sangue de Jesus.
Não nos esqueçamos nunca do que Ele disse: “Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira” (Jo 15, 1-6). É melhor não Comungar do que Comungar mal.
O grande São Pedro Julião Eymard, em seu livro FLORES DA EUCARISTIA (Ed. Palavra Viva, Sede Santos!, Distribuidora Loyola, pgs 131-135), nos ensina a importância da Ação de Graças. Transcrevo aqui alguns de seus ensinamentos para a sua meditação:
“O momento mais solene de vossa vida é o da Ação de Graças, em que possuis o Rei da Terra de do Céu, vosso Salvador e Juiz, disposto a vos conceder tudo o que Lhe pedirdes”.
“A Ação de Graças é de imprescindível necessidade, a fim de evitar que a Santa Comunhão degenere num simples hábito piedoso.”
“Nosso Senhor permanece pouco tempo em nossos corações, após a Santa Comunhão, porém os efeitos de Sua Presença se prolongam. As santas espécies são como que um invólucro, o qual se rompe e desaparece para que o remédio produza seus salutares efeitos no organismo. A alma se torna então como um vaso que recebeu um perfume precioso.”
“Consagrai à Ação de Graças meia hora se for possível, ou, pelo menos, um rigoroso quarto de hora (15 minutos). Dareis prova de não ter coração e de não saber apreciar devidamente o que é a Comunhão, se, após haver recebido Nosso Senhor, nada sentísseis e não Lhe soubésseis agradecer.”
“Deixai, se quiserdes, que a Santa Hóstia permaneça um momento sobre a vossa língua a fim de que Jesus, verdade e santidade, a purifique e santifique. Introduza-a depois em vosso peito, no trono do vosso coração, e, adorando em silêncio, começai a Ação de Graças” (pg. 131).
“Adorai Jesus sobre o trono de vosso coração, apoiando-vos sobre o Dele, ardente de amor. Exaltai-Lhe o poder… proclamai-o Senhor vosso, confessai–vos ser feliz servo, disposto a tudo para Lhe dar prazer.”
“Agradecei-Lhe a honra que vos fez, o amor que vos testemunhou, e o muito que vos deu nesta Comunhão! Louvai a Sua bondade e o seu amor para convosco, que sois tão pobre, tão imperfeito, tão infiel! Convidai os anjos, os santos, a Imaculada Mãe de Deus para louvá-Lo e agradecer-Lhe por vós. Uni-vos às ações de graças amantes e perfeitas da Santíssima Virgem.”
“Agradeçamos por meio de Maria, pois quando um filho pequeno recebe alguma coisa cabe à mãe agradecer por ele. A Ação de Graças identificada com a de Maria Santíssima será perfeita e bem aceita pelo Coração de Jesus.”
“Na Ação de Graças de Comunhão, chorai os vossos pecados aos pés de Jesus com Madalena (Jo 12,3), prometei-lhe fidelidade e amor, fazei-Lhe o sacrifício de vossas ações desregradas, de vossa tibieza, de vossa indolência em empreender o que vos custa. Pedi-Lhe a graça de não mais O ofender, professar-Lhe que preferis a morte ao pecado.”
“Pedi tudo o que quiserdes; é o momento da graça, e Jesus está disposto a vos dar o próprio Reino. É um prazer que Lhe proporcionamos, oferecer-Lhe ocasião de distribuir seus benefícios.”
“Pedi-lhe o reinado da santidade em vós, em vossos irmãos, e que a sua caridade abrase todos os corações.”
Na Ação de Graças podemos e devemos orar pela Igreja, pelas necessidades, intenções e saúde do Papa e de nossos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, coordenadores de comunidades, missionários, catequistas, vocações sacerdotais e religiosas, etc.
É o momento privilegiado para pedir a Jesus, pelo Seu Sacrifício, o sufrágio das almas do Purgatório (dizendo-Lhe os nomes), de pedir por cada pessoa de nossa família e de todos os que se recomendaram às nossas orações e por todos aqueles por quem somos mais obrigados a rezar. E supliquemos a Jesus todas as graças necessárias para podermos cumprir bem a missão que Ele nos deu nesse mundo, seja familiar, profissional ou apostólica. É também o momento de nossa cura interior, pelo Sangue de Jesus.
Não nos esqueçamos nunca do que Ele disse: “Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira” (Jo 15, 1-6). É melhor não Comungar do que Comungar mal.
Prof. Felipe Aquino
quinta-feira, 16 de abril de 2015
CNBB:Bispos abordam Eleições, Diretrizes e Reforma Política
O arcebispo de Campo Grande (MS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, acolheu os jornalistas que farão a cobertura da 53ª Assembleia Geral (AG) CNBB, nesta quarta-feira, 15, durante entrevista coletiva. Na ocasião, dom Dimas, que também é porta-voz da Assembleia, lembrou as palavras do papa Francisco ao dizer que o bom jornalismo se nutre de uma "sincera paixão pelo comum e pela verdade".
Participaram da coletiva o arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Jaime Spengler; o arcebispo de Vitória da Conquista (BA), dom Luís Gonzaga Pepeu; e o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Mol.
Na oportunidade, dom Jaime falou sobre a atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). “A cada quatro anos a Assembleia é convidada a rever as Diretrizes. Ano passado, foi manifestado, com relação às Diretrizes em vigor, o desejo de haver apenas uma atualização que considerasse o magistério mais recente da Igreja, do papa Francisco, e principalmente da Evangelii Gaudium”, recordou. As Diretrizes são tema central desta edição da AG.
Eleições
Os detalhes do processo eleitoral, outro aspecto importante desta Assembleia, que é eletiva, foi abordado por dom Luís Gonzaga Pepeu. O arcebispo de Vitória da Conquista explicou explicou que em meio a assuntos importantes como o Ano da Paz, o Ano da Vida Consagrada e os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, ocorrem também as eleições para a Presidência e as doze comissões da CNBB.
De acordo com dom Pepeu, as eleições devem ter início na próxima segunda-feira, 20, quando atingido o quórum de dois terços dos votos. “Todos os eleitos são para o serviço, assim como trabalha a Campanha da Fraternidade 2015, com o lema ‘Eu vim para servir’. Se eleito, o bispo é questionado se aceita esse serviço”, afirmou.
São eleitores e também candidatos à presidência e vice-presidência todos os bispos diocesanos, enquanto os bispos auxiliares e coadjutores podem disputar apenas a vaga de secretário geral. Caso os primeiros dois escrutínios não alcancem os dois terços necessários, o terceiro escrutínio pode decidir por maioria absoluta. Se a maioria absoluta também não for alcançada, o quarto e quinto escrutínios elegem os dois mais votados.
Reforma Política
O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para o Acompanhamento da Reforma Política, dom Joaquim Mol, ressaltou o importante papel da imprensa na formação e esclarecimento da sociedade civil. Em seguida, falou sobre a necessidade imediata da reforma política. “Temos frequentemente assistido manifestações das quais não constam na pauta a reforma política. É uma pena, pois só por meio dela podemos melhorar o quadro político do país, eliminando a corrupção, a barganha, e outras práticas ruins da política, responsáveis por deixar grande parte da população na miséria”, afirmou.
“É claro que a reforma política não resolve tudo, diante do grave quadro em que se encontra a política do país. Mas ela é um passo necessário e indispensável”, disse dom Mol. Em seguida, o bispo ressaltou que a Conferência não é filiada a nenhum partido político, mas integrante da sociedade civil organizada, e que tem o compromisso de contribuir para que o Brasil seja um país melhor.
Na oportunidade, dom Jaime falou sobre a atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). “A cada quatro anos a Assembleia é convidada a rever as Diretrizes. Ano passado, foi manifestado, com relação às Diretrizes em vigor, o desejo de haver apenas uma atualização que considerasse o magistério mais recente da Igreja, do papa Francisco, e principalmente da Evangelii Gaudium”, recordou. As Diretrizes são tema central desta edição da AG.
Eleições
Os detalhes do processo eleitoral, outro aspecto importante desta Assembleia, que é eletiva, foi abordado por dom Luís Gonzaga Pepeu. O arcebispo de Vitória da Conquista explicou explicou que em meio a assuntos importantes como o Ano da Paz, o Ano da Vida Consagrada e os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, ocorrem também as eleições para a Presidência e as doze comissões da CNBB.
De acordo com dom Pepeu, as eleições devem ter início na próxima segunda-feira, 20, quando atingido o quórum de dois terços dos votos. “Todos os eleitos são para o serviço, assim como trabalha a Campanha da Fraternidade 2015, com o lema ‘Eu vim para servir’. Se eleito, o bispo é questionado se aceita esse serviço”, afirmou.
São eleitores e também candidatos à presidência e vice-presidência todos os bispos diocesanos, enquanto os bispos auxiliares e coadjutores podem disputar apenas a vaga de secretário geral. Caso os primeiros dois escrutínios não alcancem os dois terços necessários, o terceiro escrutínio pode decidir por maioria absoluta. Se a maioria absoluta também não for alcançada, o quarto e quinto escrutínios elegem os dois mais votados.
Reforma Política
O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para o Acompanhamento da Reforma Política, dom Joaquim Mol, ressaltou o importante papel da imprensa na formação e esclarecimento da sociedade civil. Em seguida, falou sobre a necessidade imediata da reforma política. “Temos frequentemente assistido manifestações das quais não constam na pauta a reforma política. É uma pena, pois só por meio dela podemos melhorar o quadro político do país, eliminando a corrupção, a barganha, e outras práticas ruins da política, responsáveis por deixar grande parte da população na miséria”, afirmou.
“É claro que a reforma política não resolve tudo, diante do grave quadro em que se encontra a política do país. Mas ela é um passo necessário e indispensável”, disse dom Mol. Em seguida, o bispo ressaltou que a Conferência não é filiada a nenhum partido político, mas integrante da sociedade civil organizada, e que tem o compromisso de contribuir para que o Brasil seja um país melhor.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
1º de abril: um dia para falar a verdade
O folclórico dia da mentira tem sua origem na confusão de um calendário
O fato ocorreu por volta do século XV, quando o então rei da França Carlos IX decretou o início do ano corrente como 1º de janeiro, seguindo o calendário gregoriano.
Alguns camponeses e povoados mais distantes do rei não acreditaram no decreto e continuaram a celebrar o início do ano em 1º de abril. Isso fez com que passassem a ser ridicularizados pelo restante da população com brincadeiras de notícias mentirosas. Essas peças passaram a fazer parte da celebração do dia 1º de abril que, ao longo do tempo, tomou conta de toda a França e do mundo, ora com o nome de dia da mentira, ora como o dia dos tolos.
Hoje, o dia da mentira é tido como uma brincadeira. Com a globalização, a data ganhou destaque em importantes meios de comunicação e, com o advento da internet, agências de notícias famosas fizeram circular notícias bizarras como forma de celebração desse dia.
Brincadeiras e folclore à parte, a verdade é que mentira pode provocar consequências desastrosas para um país, para uma família, uma empresa, uma pessoa. Como dizia Gandhi: assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.
No Brasil, por exemplo, sofremos há anos as consequências da falta de transparência de nossos governantes. A mentira está a serviço da corrupção, que é a maior vilã de nossa sociedade. Os princípios que regem a mentira, o juízo falso de valores e o engano proposital são os geradores de grande parte das mazelas sociais que os brasileiros já testemunharam. A impunidade, a violência, principalmente nas cidades de porte médio, antes locais seguros, só têm crescido na última década, ao mesmo tempo em que os investimentos na saúde pública são ainda desproporcionais à demanda, e a educação não é vista como prioridade para o desenvolvimento do país.
A nossa sociedade está sofrendo também as consequências do abandono e do esquecimento da verdade e dos valores cristãos. No dia da mentira, é verdade que não temos mais tempo para nossos filhos, é verdade que não nos reunimos em família, não temos tempo para ir à Igreja, é verdade também que a dignidade e o direito mais básico, o de viver, já não faz tanto sentido. De fato, temos aqui muitos motivos para, neste 1º de abril, lamentar as consequências da mentira em nossa vida.
Mesmo que no dia 1º de abril contemos alguma mentira para não deixar passar em branco essa brincadeira, a verdade é que temos sede de sinceridade, queremos a confiança, queremos reciprocidade, queremos nos manifestar tal como somos, pois não aguentamos por muito tempo a dissimulação, a falsidade e a corrupção. Algo dentro de nós grita pelo verdadeiro e autêntico. No fundo, todo homem anseia viver em comunidade para partilhar a verdade e a justiça.
Jesus disse: E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará (João 8, 32). Aprendamos que só a verdade nos torna pessoas livres, o bem mais precioso para o homem. É na liberdade que começa e termina todos os nossos caminhos, ela é a pérola do nosso querer.
No dia da mentira, precisamos redescobrir a nossa vocação de testemunhar e comunicar a verdade. Não suportamos mais o que o Papa Bento XVI classificou como a ditadura do relativismo, queremos mesmo é a liberdade que vem pela verdade. Vivemos tempos de desconfiança e opressão pela mentira, ora lá, ora cá, perguntamo-nos se não estamos sendo enganados, pois quem sabe nos acostumamos com o falso…
No dia da mentira só me resta dizer: Brasil, lute pela verdade!
Semana Santa: Clame pelo Sangue de Jesus
Aqueles que clamam pelo Sangue de Jesus têm a vitória sobre si
“O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, que tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.” (Êxodo 12,5-8-13).
O verbo “imolar” significa “matar”. Foi assim que o Senhor mandou fazer. Ele queria que o povo escolhesse um cordeiro sem mancha, sem nenhum defeito, para ser imolado e todo seu sangue derramado.
Hoje, nosso Cordeiro é Jesus, e o Sangue d’Ele foi todo derramado por nós. Precisamos passar o Sangue de Jesus em nossas portas, casas e, principalmente, em nosso coração, para que o anjo exterminador não entre. Foi assim que aconteceu na leitura: o exterminador passou pelas casas que haviam sido marcadas pelo sangue do cordeiro, mas não atingiu aqueles que nelas moravam, pois obedeceram ao Senhor.
Neste tempo de misericórdia, Deus está dando a graça de uma segunda conversão àqueles que já Lhe pertenceram, mas que, por mil razões, acabaram deixando sua fé esfriar. O mais importante é marcarmos a nossa porta com o Sangue do Cordeiro. Jesus quer derramar sobre nós o Seu Sangue, e nós precisamos saber do poder que isso tem. O demônio tem medo do Sangue de Jesus, por isso se afasta de nós, assim como o anjo exterminador.
Precisamos ser marcados por esse Sangue. É um direito nosso! O inimigo não pode tocar em nossa saúde e nos trazer doenças. Ele não tem o direito de tocar em nosso casamento nem em nossos filhos. Se ele tem feito isso, é porque nós temos sido bobos. O inimigo é como um cachorro. Se você deixá-lo fazer o que quiser, ele entrará em sua casa, subirá no colo das pessoas e no sofá.
Buscamos favores com o demônio quando vamos a adivinhos e benzedeiras, quando aceitamos convites para ir a centros espíritas ou buscamos casamentos e empregos com pessoas que “leem a sorte” nos búzios. Em muitos lugares, chama-se o demônio de “cão”, porque ele é, realmente, como um cão quando nós não usamos de autoridade com ele.
Uma vez batizados, Jesus já derramou sobre nós o Seu Sangue. Somos uma nova criatura. Jesus já nos libertou das garras do demônio, da escravidão. Mas nós, muitas vezes, não usamos os nossos direitos e deixamos o inimigo fazer um estrago em nosso casamento. A princípio, muitos acham normal o marido “perder a cabeça” e trair a esposa, mas ele foi pecador, foi infiel. E quem esteve no meio de tudo isso foi o inimigo. No entanto, ele não tem o direito de pôr a mão no nosso casamento. É verdade ou não que damos muita “entrada” para ele?
Se você passou anos no relaxamento, deixando o “cachorro” entrar e fazer o que quisesse na sua vida, pode, agora, mandá-lo embora. Você pode e precisa assumir o Sangue de Jesus sobre você, sobre a sua vida e seu casamento!
A Palavra de Deus diz que se um dos cônjuges for santo, acabará santificando o outro. Peça a misericórdia do Senhor e assuma a autoridade d’Ele no seu casamento, na sua casa. O Senhor quer libertar você do inimigo, Ele quer lhe dar a graça da confissão, da simplicidade no seu casamento. Se você se arrependeu dos erros que cometeu, faça um ato de contrição e peça perdão do fundo do seu coração.
Em nome de Jesus, que os espíritos imundos não tenham mais nenhuma autoridade sobre a vida dos casados nem retornem mais à casa deles, porque Jesus é o Senhor na Terra e no inferno!
Homens e mulheres, por amor a Deus e por amor a sua família, sejam faxineiros, façam uma limpeza na sua vida. Se vocês erraram, arrependam-se! Não admitam sujeira no leito conjugal.
Reze:
“Eu renuncio a satanás, às coisas que o diabo acabou me ensinando. Eu me arrependo das coisas que fiz e Lhe peço perdão, Senhor. Eu aceito o Sangue de Jesus na minha vida e na minha casa. Amém.”
domingo, 29 de março de 2015
Não existe humildade sem humilhação, diz Papa Francisco neste domingo
Neste Domingo de Ramos, 29, Papa Francisco cita que o verdadeiro caminho de Deus é o da humildade e que não há outra estrada de Jesus a não ser essa
Neste Domingo de Ramos, 29, que marca o início da Semana Santa, o Papa Francisco presidiu à celebração eucarística na Praça São Pedro, com a participação de milhares de fiéis. A cerimônia teve início com a bênção dos ramos, que recordam a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, seguida da procissão.O Papa citou em sua homilía um trecho do hino da Carta aos Filipenses, que diz “Humilhou-Se a Si mesmo”. Para Francisco, esta palavra desvenda o estilo de Deus e do cristão: a humildade.
“Um estilo que nunca deixará de nos surpreender e pôr em crise: jamais nos habituaremos a um Deus humilde! Humilhar-se é, antes de mais nada, o estilo de Deus. Deus humilha-Se para caminhar com o seu povo, para suportar as suas infidelidades.”
O Pontífice acrescenta dizendo que esta Semana que nos leva à Páscoa só será Santa se caminharmos por esta estrada da humilhação de Jesus.
“Nestes dias, ouviremos o desprezo dos chefes do seu povo e as suas intrigas para O fazerem cair. Assistiremos à traição de Judas. Veremos o Senhor ser preso, condenado à morte, flagelado e ultrajado. Ouviremos que Pedro, a “rocha” dos discípulos, O negará três vezes. Ouviremos os gritos da multidão, que pedirá a Sua crucificação. E O veremos coroado de espinhos.”
Francisco prossegue observando que este é o caminho de Deus, o caminho da humildade e que não há outra estrada de Jesus a não ser essa. “Não existe humildade sem humilhação”.
O Santo Padre explica ainda que humildade quer dizer serviço, significa dar espaço a Deus despojando-se de si mesmo, esvaziando-se. “Esta é a maior humilhação.”
O caminho do mundanismo
Francisco frisou que o mundanismo é o caminho contrário ao de Cristo. “O mundanismo oferece-nos o caminho da vaidade, do orgulho, do sucesso. É o outro caminho. O maligno o propôs também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto, mas Ele rejeitou-o sem hesitação. Com Cristo, também nós podemos vencer esta tentação, não só nas grandes ocasiões mas também nas circunstâncias ordinárias da vida.”
O Papa deu como exemplo tantos homens e mulheres que cada dia, no silêncio e escondidos, renunciam a si mesmos para servir um familiar doente, um idoso sozinho ou uma pessoa deficiente.
Ao finalizar sua reflexão, o Santo Padre citou a humilhação daquelas pessoas que, por sua conduta fiel ao Evangelho, são discriminadas e perseguidas, definindo-as os mártires de hoje, pois suportam com dignidade insultos e ultrajes para não renegar Jesus.
“Com eles, emboquemos também decididamente esta estrada, com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força e onde Ele estiver, estaremos também nós”, conclui.
O Papa deu como exemplo tantos homens e mulheres que cada dia, no silêncio e escondidos, renunciam a si mesmos para servir um familiar doente, um idoso sozinho ou uma pessoa deficiente.
Ao finalizar sua reflexão, o Santo Padre citou a humilhação daquelas pessoas que, por sua conduta fiel ao Evangelho, são discriminadas e perseguidas, definindo-as os mártires de hoje, pois suportam com dignidade insultos e ultrajes para não renegar Jesus.
“Com eles, emboquemos também decididamente esta estrada, com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força e onde Ele estiver, estaremos também nós”, conclui.
sábado, 28 de março de 2015
Coleta do Domingo de Ramos será destinada a Coleta Nacional da Solidariedade
No próximo domingo, 29 de março, todas as comunidades celebram o Domingo de Ramos, fazendo memória da entrada de Jesus em Jerusalém. Nesta data, a Igreja no Brasil assume como gesto concreto da Campanha da Fraternidade a Coleta Nacional da Solidariedade.
Todas as doações são divididas entre o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) e o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS). Para o FDS ficam 60% dos recursos, que são destinados ao apoio de projetos sociais da própria comunidade diocesana. Os 40% restantes compõem o FNS, revertidos no fortalecimento da solidariedade entre as diferentes regiões do país.
Ao percorrermos o itinerário da Campanha durante o tempo quaresmal e participarmos desse gesto concreto de partilha, possamos continuar seguindo Cristo, caminho, verdade e vida (Cf. Jo 14,6).
Participe da Coleta Nacional da Solidariedade e contribua para a promoção e o apoio a projetos em todo o país.
Todas as doações são divididas entre o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) e o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS). Para o FDS ficam 60% dos recursos, que são destinados ao apoio de projetos sociais da própria comunidade diocesana. Os 40% restantes compõem o FNS, revertidos no fortalecimento da solidariedade entre as diferentes regiões do país.
Ao percorrermos o itinerário da Campanha durante o tempo quaresmal e participarmos desse gesto concreto de partilha, possamos continuar seguindo Cristo, caminho, verdade e vida (Cf. Jo 14,6).
Participe da Coleta Nacional da Solidariedade e contribua para a promoção e o apoio a projetos em todo o país.
sexta-feira, 27 de março de 2015
Semana Santa: mistério central de nossa fé
A Semana Santa é o grande momento litúrgico do ano, quando celebramos o mistério central de nossa fé: a Ressurreição de Jesus. Para isso, temos um tempo muito especial e com celebrações profundas. No fundo é um grande retiro espiritual das comunidades eclesiais, convidando os cristãos à conversão e renovação de vida. Ela se inicia com o Domingo de Ramos e se estende até o Domingo da Páscoa. É a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
A celebração do Domingo de Ramos lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, aonde vai para completar sua missão, que culminará com a morte na cruz. Os evangelhos relatam que muitas pessoas homenagearam a Jesus, estendendo mantos pelo chão e aclamando-O com ramos de árvores. Por isso, hoje os fiéis carregam ramos, recordando o acontecimento. Imitando o gesto do povo em Jerusalém, querem exprimir que Jesus é o único mestre e Senhor.
Nos primeiros dias da Semana Santa, a Liturgia apresenta textos bíblicos que enfocam a missão redentora de Cristo. Nesses dias não há nenhuma celebração litúrgica especial, mas nas comunidades paroquiais é costume realizarem procissões, vias-sacras, celebrações penitenciais e outras, procurando realçar o sentido da Semana. São tradicionais os sermões do depósito, do encontro de Nosso Senhor com Maria Santíssima no caminho do Calvário, e o Sermão de Nossa Senhora das Dores.
O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal (ou Tríduo Sacro), que se inicia com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com a Vigília Pascal, no Sábado Santo. Os três dias formam uma só celebração, que resume todo o mistério da Páscoa. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira à tarde não se dá a bênção final; ela só será dada, solenemente, no final da Vigília Pascal.
Na Quinta-feira Santa de manhã (ou em outro dia que as necessidades pastorais aconselharem) celebra-se a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. A Eucaristia é o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento espiritual. Pela manhã só há uma celebração, a assim chamada Missa do Crisma que, em nossa Arquidiocese, será celebrada na Catedral Metropolitana, na Avenida Chile, quando todos os sacerdotes irão renovar seus compromissos presbiterais. Nesta Missa do Crisma acontece a bênçãos dos óleos dos catecúmenos e enfermos. E há também a consagração do óleo do Crisma. Ao final, entregaremos um frasco aos presbíteros para que os levem às suas paróquias, para a utilização na celebração dos sacramentos neste ano.
Na quinta-feira à noite acontece a celebração solene da Missa em que se faz memória da instituição da Eucaristia, do mandato do amor ao próximo e do Sacerdócio ministerial. Nessa missa, realiza-se a Cerimônia do Lava-pés, em que o celebrante recorda o gesto de Cristo, que lavou os pés dos seus apóstolos. Esse gesto procura transmitir a mensagem de que o cristão deve ser humilde e servidor.
Nessa celebração também se recorda o mandamento novo que Jesus deixou: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei”. Comungar o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia implica a vivência do amor fraterno e do serviço. Essa é a lição da celebração.
Na Sexta-feira Santa a Igreja contempla o mistério do grande amor de Deus pelos homens. Ela se recolhe no silêncio, na oração e na escuta da Palavra Divina, procurando entender o significado profundo da morte do Senhor. Neste dia não há missa. À tarde acontece a Celebração da Paixão e Morte de Jesus, com a proclamação da Palavra, a oração universal, a adoração da cruz e a distribuição da Sagrada Comunhão. Na primeira parte, são proclamados um texto do profeta Isaías sobre o Servo Sofredor, figura de Cristo, outro da Carta aos Hebreus que ressalta a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai, e o relato da paixão e morte de Cristo, do evangelista João. São três textos muito ricos e que se completam, ressaltando a missão salvadora de Jesus Cristo. O segundo momento é a Oração Universal, compreendendo diversas preces pela Igreja e pela humanidade. Aos pés do Redentor imolado, a Igreja faz as suas súplicas confiantes. Depois segue-se o momento solene e profundo da apresentação da Cruz, convidando todos a adorarem o Salvador nela pregado: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. – Vinde adoremos”. E o quarto momento é a comunhão. Todos revivem a morte do Senhor e querem receber seu corpo e sangue; é a proclamação da fé no Cristo que morreu, mas ressuscitou. Nesse dia a Igreja pede o sacrifício do jejum e da abstinência de carne como ato de homenagem e gratidão a Cristo, para ajudar-nos a viver mais intensamente esse mistério, e como gesto de solidariedade com tantos irmãos que não têm o necessário para viver.
A Semana Santa não se encerra com a sexta-feira, mas no dia seguinte, quando se celebra a vitória de Jesus. Só há sentido em celebrar a cruz quando se vive a certeza da ressurreição.
Sábado Santo é dia de silêncio e de oração. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. Durante o dia não há missa, batizado, casamento, enfim nenhuma celebração de sacramentos.
À noite, a Igreja celebra a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, revivendo a ressurreição de Cristo, a vitória sobre o pecado e a morte. A cerimônia é carregada de ricos simbolismos, que nos lembram a ação de Deus, a luz e a vida nova que brotam da ressurreição de Cristo.
Então o tempo se abre para a Páscoa! Após termos retomado os vários símbolos e rezado solenemente a liturgia, partimos para as alegrias pascais, prolongadas pela oitava e celebradas nos 50 dias desse belíssimo tempo, convidando-nos a ser suas testemunhas até os confins da terra!
A celebração do Domingo de Ramos lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, aonde vai para completar sua missão, que culminará com a morte na cruz. Os evangelhos relatam que muitas pessoas homenagearam a Jesus, estendendo mantos pelo chão e aclamando-O com ramos de árvores. Por isso, hoje os fiéis carregam ramos, recordando o acontecimento. Imitando o gesto do povo em Jerusalém, querem exprimir que Jesus é o único mestre e Senhor.
Nos primeiros dias da Semana Santa, a Liturgia apresenta textos bíblicos que enfocam a missão redentora de Cristo. Nesses dias não há nenhuma celebração litúrgica especial, mas nas comunidades paroquiais é costume realizarem procissões, vias-sacras, celebrações penitenciais e outras, procurando realçar o sentido da Semana. São tradicionais os sermões do depósito, do encontro de Nosso Senhor com Maria Santíssima no caminho do Calvário, e o Sermão de Nossa Senhora das Dores.
O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal (ou Tríduo Sacro), que se inicia com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com a Vigília Pascal, no Sábado Santo. Os três dias formam uma só celebração, que resume todo o mistério da Páscoa. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira à tarde não se dá a bênção final; ela só será dada, solenemente, no final da Vigília Pascal.
Na Quinta-feira Santa de manhã (ou em outro dia que as necessidades pastorais aconselharem) celebra-se a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. A Eucaristia é o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento espiritual. Pela manhã só há uma celebração, a assim chamada Missa do Crisma que, em nossa Arquidiocese, será celebrada na Catedral Metropolitana, na Avenida Chile, quando todos os sacerdotes irão renovar seus compromissos presbiterais. Nesta Missa do Crisma acontece a bênçãos dos óleos dos catecúmenos e enfermos. E há também a consagração do óleo do Crisma. Ao final, entregaremos um frasco aos presbíteros para que os levem às suas paróquias, para a utilização na celebração dos sacramentos neste ano.
Na quinta-feira à noite acontece a celebração solene da Missa em que se faz memória da instituição da Eucaristia, do mandato do amor ao próximo e do Sacerdócio ministerial. Nessa missa, realiza-se a Cerimônia do Lava-pés, em que o celebrante recorda o gesto de Cristo, que lavou os pés dos seus apóstolos. Esse gesto procura transmitir a mensagem de que o cristão deve ser humilde e servidor.
Nessa celebração também se recorda o mandamento novo que Jesus deixou: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei”. Comungar o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia implica a vivência do amor fraterno e do serviço. Essa é a lição da celebração.
Na Sexta-feira Santa a Igreja contempla o mistério do grande amor de Deus pelos homens. Ela se recolhe no silêncio, na oração e na escuta da Palavra Divina, procurando entender o significado profundo da morte do Senhor. Neste dia não há missa. À tarde acontece a Celebração da Paixão e Morte de Jesus, com a proclamação da Palavra, a oração universal, a adoração da cruz e a distribuição da Sagrada Comunhão. Na primeira parte, são proclamados um texto do profeta Isaías sobre o Servo Sofredor, figura de Cristo, outro da Carta aos Hebreus que ressalta a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai, e o relato da paixão e morte de Cristo, do evangelista João. São três textos muito ricos e que se completam, ressaltando a missão salvadora de Jesus Cristo. O segundo momento é a Oração Universal, compreendendo diversas preces pela Igreja e pela humanidade. Aos pés do Redentor imolado, a Igreja faz as suas súplicas confiantes. Depois segue-se o momento solene e profundo da apresentação da Cruz, convidando todos a adorarem o Salvador nela pregado: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. – Vinde adoremos”. E o quarto momento é a comunhão. Todos revivem a morte do Senhor e querem receber seu corpo e sangue; é a proclamação da fé no Cristo que morreu, mas ressuscitou. Nesse dia a Igreja pede o sacrifício do jejum e da abstinência de carne como ato de homenagem e gratidão a Cristo, para ajudar-nos a viver mais intensamente esse mistério, e como gesto de solidariedade com tantos irmãos que não têm o necessário para viver.
A Semana Santa não se encerra com a sexta-feira, mas no dia seguinte, quando se celebra a vitória de Jesus. Só há sentido em celebrar a cruz quando se vive a certeza da ressurreição.
Sábado Santo é dia de silêncio e de oração. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. Durante o dia não há missa, batizado, casamento, enfim nenhuma celebração de sacramentos.
À noite, a Igreja celebra a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, revivendo a ressurreição de Cristo, a vitória sobre o pecado e a morte. A cerimônia é carregada de ricos simbolismos, que nos lembram a ação de Deus, a luz e a vida nova que brotam da ressurreição de Cristo.
Então o tempo se abre para a Páscoa! Após termos retomado os vários símbolos e rezado solenemente a liturgia, partimos para as alegrias pascais, prolongadas pela oitava e celebradas nos 50 dias desse belíssimo tempo, convidando-nos a ser suas testemunhas até os confins da terra!
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
quinta-feira, 26 de março de 2015
Ramos na mão e no coração
“Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Marcos 11,10).
É a expressão do povo inchado de alegria à passagem do Rei pobre, montado num jumentinho e entrando na capital do país. Os ramos e mantos foram lançados à sua passagem. Que rei é esse que não tem carruagem nem faz a propaganda de seu reinado?! É um rei diferente. Não é político de algum partido. Ele veio unir e não partir ou dividir. Seu comando não é para súditos interessados em propinas ou benesses. Sua riqueza prometida vale mais. É a riqueza da dignidade humana, do ideal de altivez de caráter, de olhar para o ser humano com a ação do bom samaritano, da ovelha perdida, do pai do filho pródigo, do perdão à pecadora pública, da água prometida à samaritana do poço de Jacó, do perdão aos carrascos lá do alto da cruz...
Esse rei pobre sabe “dizer palavras de conforto à pessoa abatida” (Isaías 50, 4). Ele oferece o próprio corpo para ser batido e não se afasta de quem lhe dá bofetada (Cf. Isaías 50, 8). Vai ao matadouro sem fazer resistência e ainda diz, do alto da cruz: “Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que estão fazendo”(Lucas 23,33). Colocam inscrição na haste superior da cruz, caracterizando que Ele é rei! Quem o julgou e condenou pensava, talvez, que era superior a quem ele estava condenando! Mal sabia que o condenado, se quisesse, poderia aniquilá-lo. Mas o reino de Jesus é justamente o da misericórdia, do perdão, do retorno à condição de justo a toda pessoa que se arrepende e aceita o reinado de Deus.
Ainda bem que Deus não é vingativo nem quer tirar proveito do ser humano. Ele não precisa disso. Mas recompensa a cada um por sua vida e suas ações. Eis a necessidade de aceitarmos o senhorio divino. Com ele nos humanizamos, a ponto de nosso coração ser como verdadeiro ramo de aclamação do domínio do amor de Deus em nós. Tornamo-nos, assim, pessoas livres de todo o egoísmo e apego aos “reis” que nos escravizam, com as “propinas” das ilusões que nos fazem colocar a matéria acima da dignidade humana, da ética, da fraternidade, do ideal de amar e servir o semelhante.
Nossa religiosidade apenas de fachada e consumo social, ou de atos religiosos que nos apresentam como pessoas de fé. Sem o compromisso de colocar em prática os preceitos divinos, ela não representa a verdadeira fé transformadora da vida, em que deixamos os ditames do Filho de Deus nortearem nossa vida. Na forma verdadeira da fé teremos a força necessária para fazermos a sociedade ter o reino do entendimento, do diálogo, da lisura moral, da família constituída com os valores humanos e cristãos, bem como da política de verdadeira promoção do bem comum, a partir da inclusão social dos marginalizados.
Dentro dessa perspectiva e prática de vida, caminhamos confiantes, sabendo que Deus está conosco, como nosso Rei. O profeta traduz bem o ânimo de quem vive assim: “ Não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado” (Isaías 50, 7).
Esse rei pobre sabe “dizer palavras de conforto à pessoa abatida” (Isaías 50, 4). Ele oferece o próprio corpo para ser batido e não se afasta de quem lhe dá bofetada (Cf. Isaías 50, 8). Vai ao matadouro sem fazer resistência e ainda diz, do alto da cruz: “Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que estão fazendo”(Lucas 23,33). Colocam inscrição na haste superior da cruz, caracterizando que Ele é rei! Quem o julgou e condenou pensava, talvez, que era superior a quem ele estava condenando! Mal sabia que o condenado, se quisesse, poderia aniquilá-lo. Mas o reino de Jesus é justamente o da misericórdia, do perdão, do retorno à condição de justo a toda pessoa que se arrepende e aceita o reinado de Deus.
Ainda bem que Deus não é vingativo nem quer tirar proveito do ser humano. Ele não precisa disso. Mas recompensa a cada um por sua vida e suas ações. Eis a necessidade de aceitarmos o senhorio divino. Com ele nos humanizamos, a ponto de nosso coração ser como verdadeiro ramo de aclamação do domínio do amor de Deus em nós. Tornamo-nos, assim, pessoas livres de todo o egoísmo e apego aos “reis” que nos escravizam, com as “propinas” das ilusões que nos fazem colocar a matéria acima da dignidade humana, da ética, da fraternidade, do ideal de amar e servir o semelhante.
Nossa religiosidade apenas de fachada e consumo social, ou de atos religiosos que nos apresentam como pessoas de fé. Sem o compromisso de colocar em prática os preceitos divinos, ela não representa a verdadeira fé transformadora da vida, em que deixamos os ditames do Filho de Deus nortearem nossa vida. Na forma verdadeira da fé teremos a força necessária para fazermos a sociedade ter o reino do entendimento, do diálogo, da lisura moral, da família constituída com os valores humanos e cristãos, bem como da política de verdadeira promoção do bem comum, a partir da inclusão social dos marginalizados.
Dentro dessa perspectiva e prática de vida, caminhamos confiantes, sabendo que Deus está conosco, como nosso Rei. O profeta traduz bem o ânimo de quem vive assim: “ Não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado” (Isaías 50, 7).
Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)
quarta-feira, 25 de março de 2015
Anuário Estatístico revela crescimento estável da Igreja
O número de católicos no mundo e o número de sacerdotes e diáconos permanentes cresceram ligeiramente em 2013, enquanto o número de homens e mulheres nas ordem religiosas diminuiu, revelam as mais recentes estatísticas do Vaticano. Pelo segundo ano seguido, o número de vocações também caiu.
Os dados estão no Anuário Estatístico da Igreja, cuja última edição foi completada em fevereiro, publicada neste mês e que reúne os números da Igreja no mundo inteiro até 31 de dezembro de 2013.
População católica
No final de 2013, a população católica mundial passou a marca de 1,253 bilhões, um crescimento de aproximadamente 25 milhões ou 2%, superando a taxa de crescimento da população global que, em 2013, foi estimada em 1%. Portanto, os católicos representam cerca de 17,7% da população global.
Assim como foi apresentado em anos anteriores, o Anuário estima que cerca de 4,8 milhões de católicos não foram incluídos nas estatísticas porque vivem em países que não fornecem relatórios ao Vaticano como, por exemplo, China e Coreia do Norte.
As Américas concentram a maior porcentagem de católicos entre a população: 63,3%, seguidas pela Europa, com 39,9%. A Ásia tem a menor prevalência: 3,2%.
Em 2013 mais de 16 milhões de crianças e adultos foram batizados, revela o Anuário, que demonstra ainda uma tendência de queda no número de crianças batizadas como consequência das baixas taxas de natalidade na maioria dos países. “A proporção de crianças batizadas abaixo dos 7 anos em comparação ao número de católicos tem diminuído em todos os continentes desde 2008”, destaca um trecho do relatório.
Religiosos
Sobre o número de bispos, foram 40 a mais no período, cujo total subiu para 5,173. O número total de sacerdotes – diocesanos ou de ordens religiosas – no mundo inteiro cresceu de 414,313 para 415,348, com um crescimento estável dos sacerdotes diocesanos presentes na África, na Ásia e nas Américas – na Europa, todavia, este número continua a cair.
O número de diáconos permanentes – 43,195 – teve um incremento de mais de 1.000 em relação ao ano anterior. O número de irmãos religiosos caiu ligeiramente de um total de 55,314 no final de 2012 para 55,253 no final de 2013.
O número de mulheres em ordens religiosas segue a tendência de queda. O total de 693,575 irmãs e freiras, temporária ou permanentemente professas, registrado em 2013 sofreu um decréscimo de 1,2% no último ano, 6,1% desde 2008. A maior queda neste período de cinco anos foi verificada na América do Norte, com uma queda de 16,6%, seguida pela Europa, com um decréscimo de 12,6%.
O número de candidatos ao sacerdócio – em seminários diocesanos e ordens religiosas – que iniciaram os estudos de filosofia e teologia segue em linha decrescente.
O número de seminaristas caiu de 118,251 no final de 2013 quando comparado aos 120,051 do mesmo período de 2012. O número de seminaristas registra ligeira tendência de aumento a cada ano a partir de 2003 até 2011, quando eram 120,616 os vocacionados.
Os dados estão no Anuário Estatístico da Igreja, cuja última edição foi completada em fevereiro, publicada neste mês e que reúne os números da Igreja no mundo inteiro até 31 de dezembro de 2013.
População católica
No final de 2013, a população católica mundial passou a marca de 1,253 bilhões, um crescimento de aproximadamente 25 milhões ou 2%, superando a taxa de crescimento da população global que, em 2013, foi estimada em 1%. Portanto, os católicos representam cerca de 17,7% da população global.
Assim como foi apresentado em anos anteriores, o Anuário estima que cerca de 4,8 milhões de católicos não foram incluídos nas estatísticas porque vivem em países que não fornecem relatórios ao Vaticano como, por exemplo, China e Coreia do Norte.
As Américas concentram a maior porcentagem de católicos entre a população: 63,3%, seguidas pela Europa, com 39,9%. A Ásia tem a menor prevalência: 3,2%.
Em 2013 mais de 16 milhões de crianças e adultos foram batizados, revela o Anuário, que demonstra ainda uma tendência de queda no número de crianças batizadas como consequência das baixas taxas de natalidade na maioria dos países. “A proporção de crianças batizadas abaixo dos 7 anos em comparação ao número de católicos tem diminuído em todos os continentes desde 2008”, destaca um trecho do relatório.
Religiosos
Sobre o número de bispos, foram 40 a mais no período, cujo total subiu para 5,173. O número total de sacerdotes – diocesanos ou de ordens religiosas – no mundo inteiro cresceu de 414,313 para 415,348, com um crescimento estável dos sacerdotes diocesanos presentes na África, na Ásia e nas Américas – na Europa, todavia, este número continua a cair.
O número de diáconos permanentes – 43,195 – teve um incremento de mais de 1.000 em relação ao ano anterior. O número de irmãos religiosos caiu ligeiramente de um total de 55,314 no final de 2012 para 55,253 no final de 2013.
O número de mulheres em ordens religiosas segue a tendência de queda. O total de 693,575 irmãs e freiras, temporária ou permanentemente professas, registrado em 2013 sofreu um decréscimo de 1,2% no último ano, 6,1% desde 2008. A maior queda neste período de cinco anos foi verificada na América do Norte, com uma queda de 16,6%, seguida pela Europa, com um decréscimo de 12,6%.
O número de candidatos ao sacerdócio – em seminários diocesanos e ordens religiosas – que iniciaram os estudos de filosofia e teologia segue em linha decrescente.
O número de seminaristas caiu de 118,251 no final de 2013 quando comparado aos 120,051 do mesmo período de 2012. O número de seminaristas registra ligeira tendência de aumento a cada ano a partir de 2003 até 2011, quando eram 120,616 os vocacionados.
Maravilhoso dom de Deus: Sacramento da Misericórdia
Estamos vivendo o tempo litúrgico da quaresma, em que continuamente soam em nossos ouvidos o chamado a um caminho cada vez mais concreto de conversão.
Mudança, transformação, vida diferente, marcada por um coração capaz de amar sem medida. Para tomar consciência do que realmente precisa mudar, temos a oportunidade de celebrar a confissão pessoal das nossas faltas.
Na semana passada o papa Francisco disse: “A confissão não deve ser uma tortura ou um interrogatório pesado, mas um encontro libertador que manifesta a misericórdia infinita de Deus. Não esqueçamos nunca, tanto como penitentes que como confessores: não existe pecado algum que Deus não possa perdoar! Nenhum! Só o que é subtraído à divina misericórdia não pode ser perdoado, como quem se subtrai do sol não pode ser iluminado nem aquecido”.
À luz deste maravilhoso dom de Deus o papa salientou três exigências: viver o sacramento como meio para educar à misericórdia; deixar-se educar por aquilo que celebramos; e manter o olhar sobrenatural.
Viver o sacramento como meio para educar à misericórdia, significa ajudar os nossos irmãos a fazer experiência de paz e compreensão humana e cristã, reiterando que a Confissão não deve ser uma "tortura", mas que todos deveriam deixar o confessionário com a felicidade no coração, com o rosto radiante de esperança, embora por vezes também molhado pelas lágrimas da conversão e da alegria que dela deriva.
Ao recordar a exigência de se deixar educar por aquilo que celebramos, o papa, dirigindo-se aos confessores, convidou-os a se deixarem educar pelo Sacramento da Reconciliação, pois por vezes acontece de ouvir confissões que nos edificam, irmãos e irmãs que vivem uma autêntica comunhão pessoal e eclesial com o Senhor e um amor sincero para com os irmãos; almas simples, almas de pobres em espírito, que se abandonam totalmente ao Senhor.
Francisco também acrescentou: “Quanto podemos aprender da conversão e do arrependimento dos nossos irmãos! Eles nos encorajam a fazer também nós um exame de consciência: eu, sacerdote, amo assim o Senhor, que me fez ministro da sua misericórdia? Eu, confessor, estou dispostos para a mudança, a conversão, como este penitente, ao serviço do qual fui chamado?”
Todos nós fomos constituídos ministros da reconciliação por pura graça de Deus, gratuitamente e por o amor, ou melhor, precisamente por misericórdia. Somos ministros da misericórdia graças à misericórdia de Deus; nunca devemos perder este olhar sobrenatural, que nos torna realmente humildes, acolhedores e misericordiosos para com cada irmão e irmã que pede para se confessar”.
No sacramento da confissão ou penitência, tanto um como outro, somos beneficiados pela graça misericordiosa de Deus, através do sinal sacramental que é a confissão. Não existe melhor estado de espírito do que sentir-se perdoado, pois para Deus não existe pecado que não tenha perdão. E como não recordar uma bela expressão do papa: “Deus nunca se cansa de perdoar, mas nós nos cansamos de pedir perdão”. Por isso que Francisco anunciou o “Ano Santo extraordinário da Misericórdia”, de 08 de dezembro 2015 a 20 de novembro 2016. Anunciar ao mundo que a misericórdia de Deus é o caminho da paz e da harmonia.
Mudança, transformação, vida diferente, marcada por um coração capaz de amar sem medida. Para tomar consciência do que realmente precisa mudar, temos a oportunidade de celebrar a confissão pessoal das nossas faltas.
Na semana passada o papa Francisco disse: “A confissão não deve ser uma tortura ou um interrogatório pesado, mas um encontro libertador que manifesta a misericórdia infinita de Deus. Não esqueçamos nunca, tanto como penitentes que como confessores: não existe pecado algum que Deus não possa perdoar! Nenhum! Só o que é subtraído à divina misericórdia não pode ser perdoado, como quem se subtrai do sol não pode ser iluminado nem aquecido”.
À luz deste maravilhoso dom de Deus o papa salientou três exigências: viver o sacramento como meio para educar à misericórdia; deixar-se educar por aquilo que celebramos; e manter o olhar sobrenatural.
Viver o sacramento como meio para educar à misericórdia, significa ajudar os nossos irmãos a fazer experiência de paz e compreensão humana e cristã, reiterando que a Confissão não deve ser uma "tortura", mas que todos deveriam deixar o confessionário com a felicidade no coração, com o rosto radiante de esperança, embora por vezes também molhado pelas lágrimas da conversão e da alegria que dela deriva.
Ao recordar a exigência de se deixar educar por aquilo que celebramos, o papa, dirigindo-se aos confessores, convidou-os a se deixarem educar pelo Sacramento da Reconciliação, pois por vezes acontece de ouvir confissões que nos edificam, irmãos e irmãs que vivem uma autêntica comunhão pessoal e eclesial com o Senhor e um amor sincero para com os irmãos; almas simples, almas de pobres em espírito, que se abandonam totalmente ao Senhor.
Francisco também acrescentou: “Quanto podemos aprender da conversão e do arrependimento dos nossos irmãos! Eles nos encorajam a fazer também nós um exame de consciência: eu, sacerdote, amo assim o Senhor, que me fez ministro da sua misericórdia? Eu, confessor, estou dispostos para a mudança, a conversão, como este penitente, ao serviço do qual fui chamado?”
Todos nós fomos constituídos ministros da reconciliação por pura graça de Deus, gratuitamente e por o amor, ou melhor, precisamente por misericórdia. Somos ministros da misericórdia graças à misericórdia de Deus; nunca devemos perder este olhar sobrenatural, que nos torna realmente humildes, acolhedores e misericordiosos para com cada irmão e irmã que pede para se confessar”.
No sacramento da confissão ou penitência, tanto um como outro, somos beneficiados pela graça misericordiosa de Deus, através do sinal sacramental que é a confissão. Não existe melhor estado de espírito do que sentir-se perdoado, pois para Deus não existe pecado que não tenha perdão. E como não recordar uma bela expressão do papa: “Deus nunca se cansa de perdoar, mas nós nos cansamos de pedir perdão”. Por isso que Francisco anunciou o “Ano Santo extraordinário da Misericórdia”, de 08 de dezembro 2015 a 20 de novembro 2016. Anunciar ao mundo que a misericórdia de Deus é o caminho da paz e da harmonia.
Que Deus te abençoe. Uma abençoada semana para você e sua família!
Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)
sexta-feira, 20 de março de 2015
Por que rezar a Via-Sacra? O Papa Francisco dá 8 motivos
A Via-Sacra é uma antiga tradição da Igreja Católica que remonta ao século IV, quando os cristãos se dirigiam em peregrinação à Terra Santa.
Como muitas das nossas tradições católicas, a Via-Sacra pode ser rica, profunda e repleta de sentido, mas, ao mesmo tempo, podemos perder a visão do que ela significa e de como relacioná-la com a nossa vida cotidiana.
O Papa Francisco nos apresenta a seguir, oito motivos pelos quais, segundo ele, deveríamos rezar a Via-Sacra:
“Na Cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, está a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Confiemos em Jesus, abandonemo-nos a Ele, porque nunca desilude ninguém! Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos a salvação e a redenção.”
“E você qual destes quer ser? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria? Agora Jesus está olhando para você e lhe diz: Quer ajudar-me a carregar a Cruz? Irmãos e irmãs, com toda a sua força jovem, que lhe respondem?”
“Na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida."
“Mas a Cruz de Cristo convida também a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; a Cruz nos convida a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão.”
“[A Cruz] revela um julgamento: Deus, ao nos julgar, nos ama. Lembremos disso: Deus nos julga amando-nos. Se eu aceito seu amor, então sou salvo; se o rejeito, então me condeno. Não é Ele que me condena, sou eu mesmo, porque Deus nunca condena, Ele só ama e salva.”
“A Cruz é a palavra por meio da qual Deus respondeu ao mal no mundo. Algumas vezes, parece que Deus não reage diante do mal, parece que fica em silêncio. No entanto, Deus falou, respondeu, e sua resposta é a Cruz de Cristo: uma palavra que é amor, misericórdia, perdão.”
“O que a Cruz deu aos que olharam para ela, aos que a tocaram? O que a Cruz deixou em cada um de nós? Ela nos dá um tesouro que ninguém mais pode dar: a certeza do amor fiel que Deus tem por nós.”
“Ó Jesus, guiai-nos da Cruz à Ressurreição, e ensinai-nos que o mal não tem a última palavra, mas sim o amor, a misericórdia e o perdão. Ó Cristo, ajudai-nos a exclamar outra vez: 'Ontem fui crucificado com Cristo, hoje sou glorificado com Ele. Ontem morri com Ele, hoje vivo com Ele. Ontem fui enterrado com Ele, hoje ressuscito com Ele'.”
Como muitas das nossas tradições católicas, a Via-Sacra pode ser rica, profunda e repleta de sentido, mas, ao mesmo tempo, podemos perder a visão do que ela significa e de como relacioná-la com a nossa vida cotidiana.
O Papa Francisco nos apresenta a seguir, oito motivos pelos quais, segundo ele, deveríamos rezar a Via-Sacra:
1. A Via-Sacra nos ajuda a colocar nossa confiança em Deus
“Na Cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, está a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Confiemos em Jesus, abandonemo-nos a Ele, porque nunca desilude ninguém! Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos a salvação e a redenção.”
2. A Via-Sacra nos mostra nosso lugar na história
“E você qual destes quer ser? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria? Agora Jesus está olhando para você e lhe diz: Quer ajudar-me a carregar a Cruz? Irmãos e irmãs, com toda a sua força jovem, que lhe respondem?”
3. A Via-Sacra nos recorda que Jesus sofre conosco
“Na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida."
4. A Via-Sacra nos convida à ação
“Mas a Cruz de Cristo convida também a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; a Cruz nos convida a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão.”
5. A Via-Sacra nos ajuda a tomar uma decisão a favor de (ou contra) Jesus
“[A Cruz] revela um julgamento: Deus, ao nos julgar, nos ama. Lembremos disso: Deus nos julga amando-nos. Se eu aceito seu amor, então sou salvo; se o rejeito, então me condeno. Não é Ele que me condena, sou eu mesmo, porque Deus nunca condena, Ele só ama e salva.”
6. A Via-Sacra revela a resposta de Deus ao mal no mundo
“A Cruz é a palavra por meio da qual Deus respondeu ao mal no mundo. Algumas vezes, parece que Deus não reage diante do mal, parece que fica em silêncio. No entanto, Deus falou, respondeu, e sua resposta é a Cruz de Cristo: uma palavra que é amor, misericórdia, perdão.”
7. A Via-Sacra nos dá a certeza do amor de Deus por nós
“O que a Cruz deu aos que olharam para ela, aos que a tocaram? O que a Cruz deixou em cada um de nós? Ela nos dá um tesouro que ninguém mais pode dar: a certeza do amor fiel que Deus tem por nós.”
8. A Via-Sacra nos guia da cruz à Ressurreição
“Ó Jesus, guiai-nos da Cruz à Ressurreição, e ensinai-nos que o mal não tem a última palavra, mas sim o amor, a misericórdia e o perdão. Ó Cristo, ajudai-nos a exclamar outra vez: 'Ontem fui crucificado com Cristo, hoje sou glorificado com Ele. Ontem morri com Ele, hoje vivo com Ele. Ontem fui enterrado com Ele, hoje ressuscito com Ele'.”
(Discurso na Via-Sacra da JMJ 2013)
terça-feira, 3 de março de 2015
Entenda como é o mundo sobrenatural dos anjos
Que nossos olhos se abram para ver os anjos. “Não tenhas medo! Os que estão conosco são em maior número do que os que estão com eles” (2Rs 6,16). Todas as vezes que oramos ou cantamos em línguas, somos rodeados por miríades e miríades de anjos. Para entender melhor, vamos ler um trecho do Segundo Livro dos Reis, que fala a respeito de Eliseu. O rei de Aram estava em guerra contra Israel, e cada vez que ele deliberava com seus oficiais a colocação de uma emboscada, o homem de Deus mandava alguém avisar ao rei de Israel:
“Cuidado! Não passes por aquele lugar, pois os arameus estão ali emboscados”. O rei de Israel enviava então gente ao lugar acerca do qual o homem de Deus o avisara e ficava espreitando. Isso aconteceu nem uma nem duas, mas várias vezes. (cf. 2Rs 6,8-10) Ora, o rei da Síria estava enfurecido contra o povo de Deus e queria exterminá-lo. Começa, então, a armar ciladas.
Eliseu ia e avisava o rei de Israel: “Não vá por aquele lugar, pois o rei da Síria armou uma cilada”. O povo de Israel obedecia o que o Senhor falava pelo profeta, e o rei sírio fazia papel de bobo. Perturbado diante de tantas tentativas frustradas, mandou chamar seus servos e disse-lhes: “Há algum traidor em nosso meio. Toda emboscada que eu armo contra o povo de Deus é desfeita: o povo de Israel não passa por lá. Há alguém nos traindo aqui, porque eu não conto a ninguém os meus planos; apenas mando realizar as emboscadas, e o povo de Israel acaba sabendo”. Os servos explicaram: “Não, meu Senhor, não se trata de nenhum traidor; mas é o homem de Deus, Eliseu, que sabe todas essas coisas. O Deus de Israel lhe revela, e ele conta ao rei. Será inútil lutar contra eles, porque tem, em seu meio, o homem de Deus”.
O rei, em vez de se render diante da ação do Senhor, ficou mais enfurecido ainda e esbravejou: “Vamos cercar esse tal homem de Deus, Eliseu”. Então, ordenou que seus guerreiros procurassem pelo profeta e o cercassem. Isso, segundo o rei, deveria ser feito à noite, para que ninguém o soubesse. No dia seguinte, iniciaram o ataque. A Escritura nos conta assim: “Mandou para lá cavalos e carros e a parte mais forte do exército. Chegaram à noite e cercaram a cidade. Levantando-se ao amanhecer, o criado do homem de Deus saiu e viu o exército cercando a cidade, e os cavalos e os carros, e comunicou lhe: ‘Ai, meu senhor, o que faremos?’ Ele respondeu: ‘Não tenhas medo. Os que estão conosco são em maior número do que os que estão com eles’. Eliseu orou: ‘Senhor, abre-lhe os olhos para que veja’. E o Senhor abriu os olhos do criado, de modo que ele viu a montanha cheia de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu. (2Rs 6,14-17)
O que vemos aqui relatado não é uma exceção, é regra! Quando o povo é do Senhor, invoca-O e é fiel a Ele, acontece o mesmo que aconteceu com o profeta Eliseu. O que ele disse a seu servo, hoje o Senhor diz a nós: “Não tenhas medo! Os que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles”.
Devemos saber que as forças do mal estão a nosso redor e o que querem é acabar conosco, atingir nossas famílias, desviar nossos filhos, destruir nossos casamentos e nossas comunidades. É um jogo sujo: o demônio semeia discórdia – um fala uma coisa, o outro entende ao contrário. Astuto, ele assim cria confusão e nos divide.
O diabo e seus anjos decaídos agem como o rei da Síria. Não fazem guerra, mas guerrilha; armam ciladas. Ninguém pode ser ingênuo. Covardemente, o inimigo atinge nossa família ou a nós mesmos em pontos fracos que, infelizmente, possuímos. Se seu ponto fraco é o “pavio curto”, você facilmente perde a paciência e se encoleriza. Se é a fragilidade no campo da pureza, da castidade, ele vai rastejar por aí até jogar você no chão. Porém, “Não tenhas medo! Os que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles”. Guardemos essa certeza no coração.
Quem está conosco são os anjos de Deus. Enquanto os anjos malignos estão a nosso redor, querendo destruir-nos, assediando nossas casas e famílias, assediando-nos na rua, no trânsito, em nosso serviço e nos colocando em perigo, graças a Deus os que estão conosco, e em número maior, são os anjos de Deus. Veja como se deu o fato: percebendo que seu servo não estava tendo a visão espiritual e sentia medo, Eliseu pediu a Deus: “Abre-lhes os olhos, e que ele veja”. O Senhor abriu os olhos do servo e este viu um número imenso de carros de fogo e cavalos na montanha, ao redor de Eliseu. Se tivéssemos visão espiritual, iríamos nos ver rodeados de anjos, louvando a Deus, intercedendo e lutando a nosso favor.
Infelizmente, fomos os primeiros a relaxar e começamos a pensar que os anjos são coisas de criança. No momento em que deixamos de contar com eles a ponto de desacreditar de sua existência, abrimos espaço para a tentação, que entra para dominar e mentir. É urgente o resgate de nossa fé a respeito dos anjos.
O céu não é um lugar, mas é onde Deus está. E onde Ele está, os anjos e os santos estão próximos a nós. Nosso físico foi criado para viver num ambiente envolvido de oxigênio. Sem ele, começamos a nos sentir mal, perdemos forças, não temos mais reflexos. Igualmente, fomos feitos para viver num ambiente espiritual, respirando o “oxigênio espiritual”. Se não tomarmos posse dessa atmosfera sobrenatural, que está a nosso redor, daremos ao inimigo toda liberdade de usar falsificações.
Nossa própria sede das realidades espirituais – que foi posta em nós por Deus – acaba nos levando a procurar, em lugares errados, o sobrenatural de que necessitamos. É por isso que muita gente acaba se “bandeando” para o espiritismo em todas as suas formas, para as religiões afro, para o ocultismo e todo o tipo de práticas esotéricas.
“Cuidado! Não passes por aquele lugar, pois os arameus estão ali emboscados”. O rei de Israel enviava então gente ao lugar acerca do qual o homem de Deus o avisara e ficava espreitando. Isso aconteceu nem uma nem duas, mas várias vezes. (cf. 2Rs 6,8-10) Ora, o rei da Síria estava enfurecido contra o povo de Deus e queria exterminá-lo. Começa, então, a armar ciladas.
Eliseu ia e avisava o rei de Israel: “Não vá por aquele lugar, pois o rei da Síria armou uma cilada”. O povo de Israel obedecia o que o Senhor falava pelo profeta, e o rei sírio fazia papel de bobo. Perturbado diante de tantas tentativas frustradas, mandou chamar seus servos e disse-lhes: “Há algum traidor em nosso meio. Toda emboscada que eu armo contra o povo de Deus é desfeita: o povo de Israel não passa por lá. Há alguém nos traindo aqui, porque eu não conto a ninguém os meus planos; apenas mando realizar as emboscadas, e o povo de Israel acaba sabendo”. Os servos explicaram: “Não, meu Senhor, não se trata de nenhum traidor; mas é o homem de Deus, Eliseu, que sabe todas essas coisas. O Deus de Israel lhe revela, e ele conta ao rei. Será inútil lutar contra eles, porque tem, em seu meio, o homem de Deus”.
O rei, em vez de se render diante da ação do Senhor, ficou mais enfurecido ainda e esbravejou: “Vamos cercar esse tal homem de Deus, Eliseu”. Então, ordenou que seus guerreiros procurassem pelo profeta e o cercassem. Isso, segundo o rei, deveria ser feito à noite, para que ninguém o soubesse. No dia seguinte, iniciaram o ataque. A Escritura nos conta assim: “Mandou para lá cavalos e carros e a parte mais forte do exército. Chegaram à noite e cercaram a cidade. Levantando-se ao amanhecer, o criado do homem de Deus saiu e viu o exército cercando a cidade, e os cavalos e os carros, e comunicou lhe: ‘Ai, meu senhor, o que faremos?’ Ele respondeu: ‘Não tenhas medo. Os que estão conosco são em maior número do que os que estão com eles’. Eliseu orou: ‘Senhor, abre-lhe os olhos para que veja’. E o Senhor abriu os olhos do criado, de modo que ele viu a montanha cheia de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu. (2Rs 6,14-17)
O que vemos aqui relatado não é uma exceção, é regra! Quando o povo é do Senhor, invoca-O e é fiel a Ele, acontece o mesmo que aconteceu com o profeta Eliseu. O que ele disse a seu servo, hoje o Senhor diz a nós: “Não tenhas medo! Os que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles”.
Devemos saber que as forças do mal estão a nosso redor e o que querem é acabar conosco, atingir nossas famílias, desviar nossos filhos, destruir nossos casamentos e nossas comunidades. É um jogo sujo: o demônio semeia discórdia – um fala uma coisa, o outro entende ao contrário. Astuto, ele assim cria confusão e nos divide.
O diabo e seus anjos decaídos agem como o rei da Síria. Não fazem guerra, mas guerrilha; armam ciladas. Ninguém pode ser ingênuo. Covardemente, o inimigo atinge nossa família ou a nós mesmos em pontos fracos que, infelizmente, possuímos. Se seu ponto fraco é o “pavio curto”, você facilmente perde a paciência e se encoleriza. Se é a fragilidade no campo da pureza, da castidade, ele vai rastejar por aí até jogar você no chão. Porém, “Não tenhas medo! Os que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles”. Guardemos essa certeza no coração.
Quem está conosco são os anjos de Deus. Enquanto os anjos malignos estão a nosso redor, querendo destruir-nos, assediando nossas casas e famílias, assediando-nos na rua, no trânsito, em nosso serviço e nos colocando em perigo, graças a Deus os que estão conosco, e em número maior, são os anjos de Deus. Veja como se deu o fato: percebendo que seu servo não estava tendo a visão espiritual e sentia medo, Eliseu pediu a Deus: “Abre-lhes os olhos, e que ele veja”. O Senhor abriu os olhos do servo e este viu um número imenso de carros de fogo e cavalos na montanha, ao redor de Eliseu. Se tivéssemos visão espiritual, iríamos nos ver rodeados de anjos, louvando a Deus, intercedendo e lutando a nosso favor.
Infelizmente, fomos os primeiros a relaxar e começamos a pensar que os anjos são coisas de criança. No momento em que deixamos de contar com eles a ponto de desacreditar de sua existência, abrimos espaço para a tentação, que entra para dominar e mentir. É urgente o resgate de nossa fé a respeito dos anjos.
O céu não é um lugar, mas é onde Deus está. E onde Ele está, os anjos e os santos estão próximos a nós. Nosso físico foi criado para viver num ambiente envolvido de oxigênio. Sem ele, começamos a nos sentir mal, perdemos forças, não temos mais reflexos. Igualmente, fomos feitos para viver num ambiente espiritual, respirando o “oxigênio espiritual”. Se não tomarmos posse dessa atmosfera sobrenatural, que está a nosso redor, daremos ao inimigo toda liberdade de usar falsificações.
Nossa própria sede das realidades espirituais – que foi posta em nós por Deus – acaba nos levando a procurar, em lugares errados, o sobrenatural de que necessitamos. É por isso que muita gente acaba se “bandeando” para o espiritismo em todas as suas formas, para as religiões afro, para o ocultismo e todo o tipo de práticas esotéricas.
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