sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O cristão pode participar do Halloween?

O cristão pode participar dela ou trata-se apenas de uma prática cultural inofensiva?

O Halloween é uma festa comemorada no dia 31 de outubro, véspera do Dia de Todos os Santos. Ela é realizada em grande parte nos países ocidentais, sendo mais forte nos Estados Unidos, para onde foi levada por imigrantes irlandeses em meados do século XIX. Na valorização da cultura americana, especialmente nas escolas de inglês e nos filmes de Hollywood, essa festa tem se espalhado pelo mundo.

A prática do Halloween vem do povo celta, o qual acreditava que, no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saíam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos, visitar as famílias e levar as pessoas ao mundo dos mortos. Sacerdotes druístas (religião celta) atuavam como médiuns evocando os mortos. Parece que, para espantar esses fantasmas, os celtas tinham o costume de colocar objetos assustadores nas casas, como caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros. O termo “Halloween” surge mais tarde, no contato da cultura celta com o Cristianismo. Da contração do termo escocês “Allhallow-eve” (véspera do Dia de Todos os Santos), que era a noite das bruxas, surge o “Halloween”.

É aí que surge a dúvida: hoje essa festa tem algum significado espiritual? O cristão pode participar dela ou trata-se apenas de uma prática cultural inofensiva?

São Paulo diz: “Não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef 6,12). O apóstolo também exorta: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1Pd 5,8). Embora não os vejamos, os espíritos malignos são seres inteligentes que agem tentando perder as almas. Não os vemos, mas sofremos suas investidas. Isso é Doutrina da Igreja Católica.

Será que uma festa pagã, que praticava um ato abominável por Deus – a evocação dos mortos (Dt 18,10-11) –, enculturada hoje, não tem significado espiritual nenhum? É difícil que não tenha! Mas onde está o maligno nessa brincadeira de criança? Nós não o vemos, assim como não vemos o vírus ebola que começa a apavorar o mundo hoje. Você faria uma festa numa região que pode estar contaminada com esse vírus? Uma doença que pode roubar sua vida temporal? Eu não! Da mesma forma, e com muito mais razão, é questionável envolver-se numa festa que possa nos deixar sujeitos a um “vírus” que pode roubar nossa vida eterna. Na dúvida, eu me resguardo. Bem, mas essa é uma reflexão para quem tem fé católica e procura ser coerente com ela.

Outra pergunta que me faço é se o contato e a identificação com imagens horríveis de bruxas e monstros não tem significado algum na formação dos jovens. Desconsiderando a expressão de um satanismo evidente, mas indo para reflexão mais cultural, aí também não acredito que o Halloween seja tão inofensivo.

O ser humano é chamado a contemplar o belo, porque é manifestação da harmonia de tudo que é bom e verdadeiro. Deus é belo, mas o ser humano tem uma estranha atração pelo mórbido, o oculto e suas expressões naquilo que tem de horrível. Não tenha dúvida que educar uma pessoa humana significa, dentre tantas outras coisas, ensinar a apreciar, valorizar e identificar o belo com o bom. Não seria o Halloween mais uma forma, dentre tantas outras hoje em dia, de roubar a referência do belo, do verdadeiro, do bom e do honesto? Será que o mal e o monstruoso, quando viram brincadeira, são tão inofensivos à cultura e aos valores do ser humano?

Até o “doces ou travessuras” não surgiu de forma muito pura. Parece que sua origem está na época em que os países anglo-saxônicos se tornaram protestantes, e as crianças protestantes iam às casas das famílias católicas, oprimidas pelo governo, impor suas exigências. Em um mundo onde os jovens diariamente curtem nas roupas, nos filmes e nas festas o mórbido das caveiras e dos zumbis, o horrível dos monstros e das bruxas, é fácil entender uma sociedade tão pobre em cultura e tão abundante em violência e promiscuidade. Se a expressão do mal é brincadeira e moda, que mal faz torná-lo coisa séria?

Voltando ao lado religioso, é curioso que o Halloween se avizinhe da festa católica de Todos os Santos. Não parece que alguém, tão incomodado com os santos, resolveu festejar os demônios?

Não se trata de supervalorizar do mal em detrimento do bem. Menos ainda de uma visão puritana das coisas deste mundo. O mundo é maravilhoso, a vida é bela. O cristão precisa saber acolher essa maravilha, valorizar a vida do homem e cultivar a alegria da criança e do jovem. Contudo, para semear a vida e colher a alegria é preciso saber: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma” (1Cor 6,12).

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Papa Francisco: o diabo não é mito e deve ser combatido com a verdade

A vida cristã é um “combate” contra o demônio, o mundo e as paixões da carne. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 30, na Casa Santa Marta. Comentando um trecho da Carta de São Paulo aos Efésios, o Santo Padre reiterou que o diabo existe e é preciso lutar contra ele com a armadura da verdade.

Força e coragem. A homilia do Pontífice se concentrou nas palavras de São Paulo que, dirigindo-se aos Efésios, desenvolve em uma “linguagem militar” a vida cristã. Francisco destacou a necessidade de defender a vida em Deus para levá-la adiante e, para isso, é preciso ter força e coragem para resistir e anunciar.

Para seguir adiante na vida espiritual, disse, é preciso combater. E não se trata de um simples confronto, mas de um combate contínuo. O Papa citou os três inimigos da vida cristã: o demônio, o mundo e a carne. Ele recordou que a salvação dada por Jesus é gratuita, mas há o chamado para defendê-la.

“De quem devo me defender? O que devo fazer? ‘Vestir a armadura de Deus’, nos diz Paulo, isto é, aquilo que é de Deus nos ajuda a resistir às armadilhas do diabo. Não se pode pensar em uma vida espiritual, em uma vida cristã sem resistir às tentações, sem lutar contra o diabo, sem vestir essa armadura do Senhor, que nos dá forças e nos defende.”

São Paulo destaca que a batalha do homem não é contra coisas pequenas, mas contra o diabo e os seus. O Santo Padre explicou que fizeram muitas gerações acreditar que o inimigo fosse um mito, uma ideia do mal, mas ele existe e é preciso lutar contra ele. E a armadura de Deus, que deve ser usada nesse combate, à qual São Paulo se refere, é a verdade.

O diabo é mentiroso, disse o Papa, então, precisamos ter ao nosso lado a verdade, nos vestirmos com a couraça da justiça. O que ajudaria nesse processo, segundo Francisco, é cada um se perguntar sobre a própria crença, pois sem fé não se pode seguir adiante. Todos precisam desse escudo da fé. O Pontífice pediu, então, que os fiéis peguem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e rezem constantemente.

“A vida é uma milícia, a vida cristã é uma luta belíssima. Quando o Senhor vence, em cada passo da nossa vida, dá-nos uma alegria, uma felicidade grande: aquela alegria que o Senhor venceu em nós, com a Sua gratuidade de salvação. Mas, sim, todos somos um pouco preguiçosos na luta, e nos deixamos levar adiante pela paixão, por algumas tentações. É porque somos pecadores, todos! Mas não desanimemos! Coragem e força, porque o Senhor está conosco”.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Papa Francisco recorda exemplo de São João Paulo II e fala sobre unidade da Igreja

A Igreja Católica celebra nesta quarta-feira, 22, pela primeira vez, a memória litúrgica de São João Paulo II (1920-2005), o pontífice polaco canonizado em abril deste ano, no Vaticano.

“Hoje celebramos a memória litúrgica de São João Paulo II, o qual convidou todos a abrir as portas a Cristo. Na sua primeira visita à vossa pátria, invocou o Espírito Santo para que descesse a renovar a terra da Polônia. Recordou em todo o mundo o mistério da Divina Misericórdia”, lembrou Papa Francisco na catequese semanal na Praça de São Pedro.

“Que a sua herança espiritual não seja esquecida, mas nos leve à reflexão e ao agir concreto pelo bem da Igreja, da família e da sociedade”, sublinhou.

A data assinala o dia de início de pontificado de Karol Wojtyla, em 1978, pouco depois de ter sido eleito Papa. Entre os seus principais documentos, contam-se 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas e 45 cartas apostólicas.

A Igreja Corpo de Cristo
A catequese do Papa neste dia foi centrada no tema “A Igreja Corpo de Cristo” e frisou a unidade entre os seus membros.

Papa Francisco explicou que o corpo é um bom exemplo para demonstrar a unidade de vários elementos, e que a partir de São Paulo Apóstolo essa expressão foi aplicada à Igreja e reconhecida como o seu “traço distintivo mais profundo e mais belo”.

“Hoje, então, podemos perguntar: em que sentido a Igreja forma um corpo? E por que é que é definida ‘Corpo de Cristo’”?, indagou propondo uma reflexão.

Francisco destacou então a passagem bíblica da visão do Profeta Ezequiel, quando diante de ossos ressequidos e espalhados recebeu a ordem de Deus, para invocar sobre estes, o Espírito do Senhor para que eles formassem um corpo cheio de vida. Com esse relato, o Santo Padre identificou a ação do Espírito Santo que infunde em cada pessoa a “vida nova do Ressuscitado” e que os une em um só “corpo edificado na comunhão e no amor”.

“Assim é a Igreja, um corpo vivificado pelo Espírito Santo que infunde em cada batizado a vida nova de Jesus Ressuscitado. Ele constantemente nos cobre com o seu amor e nos faz participantes da sua Paixão redentora. Por isso, podemos estar certos de que nada nem ninguém nos pode separar de Cristo”, enfatizou

Por fim, o Santo Padre afirmou que a certeza do amor de Cristo pela sua Igreja faz crescer nos cristãos o desejo de corresponder a esse amor, superando divisões, invejas e incompreensões que ferem o Corpo do Senhor.

domingo, 12 de outubro de 2014

Dom Roberto Francisco Ferreria divulga artigo sobre 2º Turno das eleições para governador

Eleições 2014, segundo turno no Rio de Janeiro 
Uma questão de tolerância 

Analisando o segundo turno das eleições 2014, desde a perspectiva da educação, desponta claramente diante dos dois projetos vencedores no primeiro turno, uma questão de tolerância. Isto significa que face a uma sociedade pluralista, democrática e laica (porém não laicista), não há lugar para o discurso exclusivista e intolerante que é representado pelo candidato da Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo Marcelo Crivella. Muito embora ele argumente que existe separação de Igreja e Estado desde o diploma 19 A de 1891, sabemos que esta agrupação religiosa tem confessadas intenções de dirigir o Estado como atesta nitidamente o livro do fundador Edir Macedo sobre a política. Mais, conselhos tutelares, presídios, e obras assistenciais tem sido usadas como aparelho desta instituição. Não é casual que quando no Brasil se fala de intolerância vem imediatamente a data do 21 de janeiro (dia nacional de luta contra a intolerância religiosa), dia que morreu a Babalorixá Gilda, após ter o seu retrato estampado na Folha da Igreja Universal de 02 de outubro de 1999, com o título: macumbeiros que exploram o povo; fato que levou a depredação total do seu terreiro na Bahia. Todos vimos também quando no dia 12 de outubro de 1995 o Bispo da IURD, Von Helde chutou 22 vezes a imagem de Nossa Senhora Aparecida, sendo punido por este ato. O ministério público federal da Bahia requisitou o livro de Edir Macedo sobre orixás e caboclos por demonizar os cultos afro-brasileiros, e incitar a violência contra as religiões africanas. Além destes casos quantos irmãos brasileiros tiveram guias arrancadas pela força, imagens quebradas, Igrejas pichadas, Terreiros depredados? O próprio candidato mostra sua incapacidade de juízo independente quando defende que todos os homosexuais pelo fato de sê-lo estão em situação de pecado. A educação afirmava Paulo Freire, visa a verdadeira tolerância que se constrói no diálogo e reconhecimento das diferenças, na esperança cristã, e no amor incondicional a dignidade da pessoa humana. Uma educação integral do ser humano tem que ter uma janela para o transcendente, impulsionando o respeito, a liberdade religiosa e uma autêntica laicidade que promova um relacionamento de autonomia e colaboração entre a Igreja e o Estado. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz 

Bispo Diocesano de Campos 

Campos dos Goytacazes, 10 de Outubro de 2014.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Catequese: O significado de cada parte da Ave-Maria

Cada parte da oração da Ave-Maria tem um significado baseado nas Sagradas Escrituras e na Tradição

A Ave-Maria é uma das orações mais queridas do povo católico. É a mais antiga oração que conhecemos dirigida a Nossa Senhora, nossa Mãe, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja. Ela está na própria Bíblia, revelação de Deus.

Na Anunciação, o Anjo a saudou: “Ave, cheia de graça”. Maria foi a única que achou graça diante de Deus, porque foi a única “concebida sem o pecado original”. Nas aparições a Santa Catarina Labouré, na França, em 1830, ela pediu que fosse cunhada o que ficou sendo chamada de “Medalha milagrosa”. Em letras de ouro, Catarina viu escrita a bela frase: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!”.

“O Senhor é convosco”, disse-lhe o Arcanjo Gabriel. Maria tem uma intimidade profunda com Deus. Diz o nosso Catecismo que “desde toda eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, ‘uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria’ (Lc 1,26-27)”. Ela é Filha do Pai, é a Mãe do Filho, e é a Esposa do Espírito Santo. Está em plena unidade com a Santíssima Trindade. Numa única mulher Deus tem Mãe, Filha e Esposa.

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Foi assim que Santa Isabel saudou a Virgem, “em alta voz” e “cheia do Espírito Santo”. E o menino João Batista estremeceu em seu seio. Isabel deixou claro por que Maria é “bendita entre todas as mulheres”: “Donde me vem a honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?” (v.43). E Isabel completa: “Bem-aventurada és tu que creste…” (v.44).

O bendito fruto do seu ventre é o próprio Deus, Filho de Deus, encarnado em seu seio virginal: Jesus. Ela é a Mãe de Deus. Quando o herege Nestório, patriarca de Constantinopla, quis negar essa verdade, o povo se revoltou, e o Concílio de Nicéia, em 431, confirmou a maternidade divina de Maria: (Theotókos). “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48), por isso a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão.

Depois de saudar a Virgem Maria, Mãe de Deus, com essas palavras que desceram do céu, a oração da Ave-Maria nos leva a implorar as graças do Senhor pela intercessão daquela a quem Deus nada pode negar.

“Santa Maria, Mãe de Deus”. O que não consegue a Mãe do Altíssimo? O que não pode conseguir, diante do trono da graça, aquela que é Sua Mãe, Esposa e Filha? O milagre das Bodas de Caná (João 2) diz tudo, mostra o grande poder intercessor da Mãe diante do Filho. Por isso, a Igreja sempre nos ensinou: “Peça à Mãe que o Filho atende!”. O bom filho nada nega à sua mãe, por isso São Bernardo de Claraval, doutor da Igreja, a chamava de “Onipotência suplicante”. Consegue tudo, por graça, o que Deus pode por natureza.

E nós pecadores lhe imploramos: “Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”. Consegue do Rei os grandes benefícios aqueles que estão perto d’Ele, aqueles que têm intimidade com Ele. Quem mais do que Maria tem intimidade com Deus? Quantas pessoas me pedem para mediar um pedido junto a monsenhor Jonas Abib, porque sabem que tenho intimidade com ele! O mesmo acontece com Deus. Esse é o poder da intercessão.

A Mãe Santíssima diante do seu Filho roga por nós sem cessar. Disse o Concílio Vaticano II que “assunta aos céus (…), por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (…) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora e medianeira.” (n.969).

“A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (…) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, baseia-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força.” (n.970)

A nossa Mãe roga por nós a cada momento, mesmo que não tenhamos consciência disso; especialmente protege aqueles que lhe são consagrados fervorosamente. De modo especial, defende-nos na hora da morte. Quantas almas a Virgem Maria salva na hora da morte! Especialmente aqueles que lhe são consagrados. São Bernardo dizia que não é possível que se perca um bom filho de Maria. Por isso, pedimos insistentemente que ela rogue por nós, sobretudo na hora decisiva de nossa morte. Quando rezamos o Santo Rosário, a ela oferecemos rosas espirituais que ela leva a Deus por nós. Ela não as retém para si, pois o rosário é a meditação de toda a vida de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Recordar os pecados na oração é glorificar Deus, diz Papa Francisco

Santo Padre falou da necessidade de fazer memória da história de aliança com Deus

Francisco diz que é preciso fazer memória da história de aliança com Deus
Quando rezamos, não esquecemos nossa história, disse o Papa Francisco, na Missa desta terça-feira, 7, na Casa Santa Marta. Ele convidou os fiéis a não se deixarem levar pelas distrações do cotidiano, o que acaba fazendo a pessoa se esquecer de rezar.

Recordando que Deus escolheu o Seu povo e sempre o acompanhou, o Santo Padre se concentrou na Primeira Leitura, em que São Paulo faz memória da sua vida sem esconder os seus pecados. Segundo Francisco, o fato de o cristão ter sido escolhido é uma graça de amor, e Paulo faz memória dessa realidade, reconhecendo-se pecador.

“Esse hábito de fazer memória da nossa vida não é muito comum entre nós. Esquecemos as coisas, vivemos no momento e depois esquecemos a história. E cada um de nós tem uma história de graça, de pecado, de caminho, tantas coisas… E faz bem rezar com a nossa história. Paulo faz isso, conta um pedaço da sua vida, mas, em geral, diz: ‘Ele me escolheu! Ele me chamou! Ele me salvou! Ele foi meu companheiro de caminho’”.

Francisco destacou ainda que fazer memória da própria vida e dos próprios pecados é dar glória a Deus. Por isso São Paulo diz que se vangloria apenas de duas coisas: dos seus pecados e da graça de Deus Crucificado. Paulo reconheceu seus pecados e admitiu que foi Cristo quem o salvou. Essa é a recordação que os cristãos são convidados a fazer.

“Quando Jesus diz a Marta: ‘Você se aflige e se agita por muitas coisas. Maria escolheu a melhor parte’. O que é? Ouvir o Senhor e fazer memória. Não se pode rezar todos os dias como se nós não tivéssemos história. Cada um de nós tem a sua. E com ela no coração, seguimos na oração como Maria. Mas tantas vezes somos distraídos, como Marta, pelo trabalho, pelo cotidiano, por fazer as coisas que devemos, e esquecemos nossa história”.

A relação do homem com Deus, segundo o Papa, não começa no dia do batismo – aí ela é selada –, mas no coração de Deus, quando Ele, da eternidade, olhou para o homem e o escolheu. Então, é preciso lembrar-se dessa escolha, desse caminho de aliança.

O Papa concluiu a homilia com o convite a rezarmos o Salmo 138: “Senhor, vós me perscrutais e me conheceis. Sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos”.

“Isto é rezar, é fazer memória diante de Deus da nossa história, porque esta é a história do seu amor para conosco”.

Façamos da nossa família uma Igreja Doméstica

São Lucas Evangelista é minucioso ao narrar a história de Jesus Cristo antes de Sua vida pública. Quando o Senhor começou Sua vida pública, Ele já havia estado no Templo diversas vezes, pois é um costume dos judeus ir, pelo menos, três vezes por ano a Jerusalém. São Lucas retrata que Maria e José educaram Cristo na fé.

A Sagrada Família é "sacra", ou seja, "sagrada", porque ela era fiel a Deus. A exemplo dela, devemos fazer da nossa família uma Igreja Doméstica.

A criança aprende a rezar desde pequena. Os avós têm de zelar pela fé de seus netos desde cedo. Temos levado nossos filhos para a catequese, o crisma, para uma intimidade com Deus? Os padrinhos têm a função de continuar o papel dos pais e conduzir seus afilhados nos caminhos do Senhor. Muitas famílias têm o desejo de imitar a Sagrada Família, porém não querem se comprometer com uma vida de oração e intimidade com Deus.

O que vivemos em nossa casa conjugalmente José e Maria também viveram. Imaginemos o desespero deles ao perceber que Jesus não estava na caravana que o conduzia de volta para casa após visitarem o Templo. Com toda certeza, muitas coisas passaram na cabeça desses pais: “O Menino sumiu. E agora? Como não vimos que Ele sumiu?” ou “Você não estava olhando Jesus?”. Nesse instante, a humanidade de José e Maria deve ter falado mais alto.

Por que eles foram procurar o Menino no Templo? Porque, quando educamos nossos filhos no caminhos de Deus, sabemos onde eles estão. O que aprendemos na nossa infância fica para sempre em nosso coração.

Jesus estava no Templo, e quando Seus pais O viram, ficaram comovidos. Cristo, Filho de Deus, era obediente a Seus pais, e voltou com junto com eles para Nazaré. Quantos são desobedientes dentro de suas casas! Alguns acham que só porque já constituíram uma família não devem respeito a seus pais.

Quando vivemos no regaço acolhedor de uma mãe, queremos sempre voltar ao seu colo. A idade nos amadurece, e não podemos olhar para traz e nos culpar pelas coisas que aconteceram. Os pais também têm esse mesmo sentimento, pois com o passar dos anos, eles percebem que determinadas atitudes não seriam repetidas. Tenhamos a coragem de nos levantar e seguir em frente. 

Que a Sagrada Família visite todos os lares, levando benção a todas as famílias. Que, pela intercessão de São José, todos os homens sejam tocados por Jesus Cristo, e que, por meio desse toque, o senhor mude o coração desses homens e os ensine a amar suas famílias. Que Maria Santíssima toque no coração de todas as mulheres e transforme sua maneira de ser mãe, esposa, filha e avó. Que o Menino Deus vá ao encontro de todos os filhos que não tiveram carinho, de todos os órfãos de pai e de mãe, que tiveram de amadurecer antes do tempo, crianças que tiveram sua infância roubada.

Senhor, abençoe nossas famílias pela intercessão da Sagrada Família de Nazaré!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Encontram-se abertas as inscrições para o Reino de Deus!

Em todas as celebrações eucarísticas ouvimos a proclamação da Igreja, que ressoa a Escritura: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor” (Cf. Ap19, 9). E é grande a alegria por saber que o chamado de Deus quer incluir a todos. Na oração do Rosário, o terceiro mistério luminoso nos faz contemplar justamente o chamado à conversão, que ocorre com o anúncio do Reino de Deus. É que da parte do Senhor existe a clara vontade de salvar a todos, envolvendo as diversas gerações e situações humanas. Ao se tratar de uma grande consolação, resulta igualmente provocante a responsabilidade entregue à liberdade humana, pois Deus não impõe, mas convoca e convida. Conversando com um jovem em recuperação na “Fazenda da Esperança”, Comunidade Terapêutica presente em tantas partes de nosso país e do mundo, ouvi uma afirmação surpreendente. Dizia ele que seu drama maior era uma porteira aberta, por saber que, se quisesse, poderia ir embora. Sabia que o maior presente dado por Deus era entrar pelos umbrais da liberdade que o conduziam, pela estrada do Evangelho, a uma vida nova!

Jesus estabeleceu contato com todas as classes de pessoas, pelo que escandalizava a muitos. Era uma multidão de estropiados, rejeitados da sociedade, doentes de toda ordem, gente solitária, publicanos, pecadores de qualquer classificação. O Evangelho apenas permite entrever os dramas humanos que se apresentavam ao Senhor. Não muito diferente das imagens oferecidas ao vivo e a cores em nossos dias, com pessoas sofrendo toda espécie de miséria. As guerras localizadas ou espalhadas por nossas cidades pela violência e a miséria mostram um mundo machucado e desorientado, carente de encontrar aberta a porta do Reino de Deus! Que seja uma imensa procissão em busca de Deus! Que a meta seja o regaço misericordioso daquele que veio para os pecadores!

Também nossa história pessoal é repleta de idas e vindas, marcadas pelo mistério do pecado, malgrado o desejo de acertar esteja presente, pela própria vontade de Deus que nos criou. Muitas vezes damos nossa resposta positiva aos apelos de Deus e depois seguimos por outra estrada, cedendo ao egoísmo, turrões, cabeças duras que pretendem ser donas da verdade. Podemos ser também como o filho pirracento do primeiro momento que depois se converte e obedece ao Pai. “Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de atitude e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu:‘ Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi” (Mt 21, 28-30). Cada pessoa sabe de sua aventura humana de liberdade, quedas, arrependimento, coragem para recomeçar, pedidos de perdão aos milhares, encontros com a misericórdia de Deus. Escute a palavra de Deus: “Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e faz o que é direito e justo, conservará a própria vida. Arrependendo-se de todos os crimes que cometeu, ele certamente viverá, não morrerá” (Ez 18, 27-28)

O contato de Jesus com as pessoas é marcado pelo chamado constante à conversão. O início de sua pregação resume a proposta que faz à humanidade: “Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia, proclamando a Boa Nova de Deus: Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc 1, 14-15). Os cobradores de impostos convertidos e as prostitutas que acreditaram em Jesus, mudando radicalmente sua vida, são referências da possibilidade de transformação inscrita por Deus no coração humano (Cf. Mt 21, 28-32).

Os publicanos, cobradores de impostos, traidores do povo por trabalharem para os romanos, manipulavam a fonte permanente de tentação para o ser humano, o dinheiro! A malversação das verbas públicas e as torneiras abertas, pelas quais passam milhões e bilhões, ainda estão expostas diante de nossos olhos, nos dias que vivemos. Multiplicam-se os escândalos, revelam-se operações fraudulentas, mas o “deus dinheiro” continua atraindo as pessoas, traindo-as mesmo quando, confrontadas com acusações e provas dizem não saber de nada. A conversão passa pelo bolso, pois exige um uso dos bens segundo o plano de Deus, fundamentado na partilha e na comunhão. Chamem-se Mateus ou Zaqueu, ou quem sabe estejam no templo orando ao lado de um fariseu, é possível e desejável que os homens e mulheres, todos nós, mudemos o modo de usar os bens da terra!

Outro campo delicado é o da afetividade e da sexualidade e a degradação do uso de tais realidades, sob o título de prostituição. O corpo continua a ser vendido, não só nas zonas de prostituição de nossas cidades. Há outras formas de negociá-lo! Até se enfeita mais este comércio, justificando-o com a falsa liberdade de expor a intimidade das pessoas. Entretanto, o Evangelho de todos os tempos dará nome de Mulher adúltera, ou Samaritana, Prostituta ou outros qualificativos e profissões, a muitas pessoas que creem em Jesus Salvador e a Ele se convertem, mesmo depois de uma vida de miséria e sofrimento.

Com os publicanos e as prostitutas, amplie-se o horizonte para se sentirem envolvidos no chamado à conversão todos os homens e mulheres de nosso tempo, cada um de nós em primeiro lugar, seja qual for o nosso currículo! Encontram-se abertas as portas e as inscrições! Para entrar no Reino de Deus, as condições são o reconhecimento sincero da condição de pecadores, a coragem do arrependimento, a força para recomeçar quantas vezes for necessário, a sinceridade do olhar que se encontra com a misericórdia de Deus. Vale ainda olhar ao nosso redor e fazer festa com aqueles muitos que, também pecadores, são nossos companheiros, irmãos e irmãs que peregrinam na estrada da conversão, sem julgá-los ou pretender excluí-los.

É tempo de pedir com sinceridade: “Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais”.

Que os Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael intercedam por nós

Os três Arcanjos, que celebramos hoje, nos convidam a refletir sobre o modo como Deus intervém em nossa vida e como nós precisamos desses companheiros para a nossa caminhada!


“Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (João 1, 51).

A Igreja nos dá hoje a alegria de celebrar a festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Na verdade, esses arcanjos são os grandes mensageiros da ordem divina, da vontade de Deus para a humanidade. Os anjos são presenças amorosas de Deus na nossa vida e para toda a humanidade! Os três arcanjos, que celebramos hoje, nos convidam a refletir sobre o modo como Deus intervém em nossa vida e como nós precisamos desses companheiros para a nossa caminhada!

O primeiro deles é Miguel: “Quem como Deus”, é o grande batalhador e vencedor do maligno e das forças do mal. Nós, que, muitas vezes, vemos o mal triunfar, vencer e entrar em nossa casa, como precisamos da força, da luz, da graça, da intercessão de São Miguel Arcanjo, o grande arcanjo divino, para que ele nos ajude a combater as forças do demônio.

Deixe-me dizer a você: onde São Miguel Arcanjo guarda, o inimigo não tem vez nem voz! Ele tem o poder divino, a graça divina para vencer as artimanhas do inimigo, para vencer os deboches do diabo e do inferno; é ele quem nos guarda. Por isso, se quisermos vencer o mal em nossa vida, precisaremos nos tornar amigos de São Miguel Arcanjo e invocar a sua intercessão sobre nós, sobre nossas casas e sobre nossas famílias.

O Anjo Gabriel: “A força de Deus” ou o grande comunicador de Deus. É ele quem revela os grandes planos divinos, é ele quem falou para Zacarias sobre o nascimento de João Batista, e é ele quem visitou Maria para anunciar a Boa Nova, que é o nascimento de Jesus Cristo.

Muitos males na humanidade, em nossa vida, em nossas convivências, acontecem infelizmente porque faltam e falham as comunicações entre nós. Precisamos primeiro estabelecer a comunicação entre nós e depois deixar que Deus nos comunique o Seu amor, a Sua bondade. E, aonde nós não conseguimos chegar, nós precisamos desse auxílio de São Gabriel. Que Ele realmente nos traga força para comunicar a mensagem de Deus para o mundo!

São Rafael: “Deus cura”, a cura de Deus, a proteção de Deus para os males, para as enfermidades, para as doenças, está no Arcanjo São Rafael. Invocado nas grandes epidemias, pandemias, o arcanjo veio ao mundo como poderoso auxílio divino para salvar a humanidade de tantos males.

Eu especialmente tenho pedido a São Rafael que ajude a medicina; ilumine os nossos médicos, ilumine os profissionais da saúde, da pesquisas científicas, para que encontrem realmente a cura para tantos males, doenças, que infelizmente atormentam a humanidade, como é o caso do câncer. Como nós precisamos de um avanço na medicina para combater o câncer, para ajudar no tratamento de tantas pessoas que sofrem deste mal!

No entanto, nós não podemos pedir a intercessão de Deus só quando alguém aparece enfermo ou doente, não! A humanidade inteira padece de tantos males, doenças, enfermidades e outros “cânceres”. O que nós precisamos é invocar a força de São Rafael, para que venha iluminar a humanidade e trazer a cura de Deus para o meio de nós.

Que a proteção dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael ilumine os nossos caminhos!

Deus abençoe você!

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate!

Houve então uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão

Talvez entre os três arcanjos, Rafael, Gabriel e Miguel, este último seja o mais invocado pelos cristãos. Existe até mesmo a devoção da “Quaresma de São Miguel”, com início no dia 15 de agosto, Dia da Assunção de Nossa Senhora, e término em 28 de setembro, véspera da festa dos santos arcanjos.

O Arcanjo Miguel sempre foi muito amado e venerado pelo povo de Deus. Diante de algumas passagens da Sagrada Escritura a Igreja foi entendendo melhor o papel e a missão que ele tem, junto ao Senhor, em favor dos homens, como, por exemplo, no Livro do Profeta Daniel: “Naquele dia vai prevalecer Miguel, o grande comandante, sempre de pé ao lado do teu povo” (Dn 12, 1). Daí sabemos que o Senhor o constituiu guarda e protetor da Igreja.

A tradição o vê também como guardião dos agonizantes, aquele que leva as almas ao Trono de Deus para o julgamento, invocado como nosso advogado na vida e na hora da morte (cf. Jd 1, 9).

Nas artes, ele é representado vestindo armadura, de espada em punho e atacando o diabo, que está derrotado aos seus pés. Praticamente visualizamos esta imagem em suas palavras ao demônio: “Que o Senhor te repreenda” na Epístola de São Judas 1, 9, e em Apocalipse 12, 7-8: “Houve então uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou, juntamente com seus anjos, mas foi derrotado, e eles perderam seu lugar no céu”.

Contudo, sua maior virtude vem da decisão e atitude anterior a todos esses feitos e exercícios ministeriais, em que diante da loucura de uma criatura que desejava ser comparada ao Senhor, Miguel declara: “Quem como Deus?”. Seu nome é uma alusão ao alto grau de convicção e fidelidade que este arcanjo tem ao Altíssimo. “Miguel” significa “Quem como Deus?”, exatamente na forma de pergunta, dada em resposta à arrogância de satanás.

“Deus resiste aos soberbos, mas concede a graça aos humildes” (Tg 4, 6). A força do arcanjo Miguel vem desta sua certeza e docilidade ao Senhor, por isso ele vence a serpente orgulhosa.

Num mundo tão competitivo, muitas vezes, não percebemos o quanto estamos impregnados de arrogância quando queremos defender nossos direitos, nossa vez e voz e exaltamos a nós mesmos numa luta ferrenha por reconhecimento.

Palavras que significam pecados e também a pretensão de superioridade para com outras pessoas, como “ostentação”, “ambição” e “vaidade”, se tornaram sinônimos de “coisas boas”, estão na moda e nós as absorvemos em nossas atitudes.

Talvez a grande graça que devamos pedir ao Arcanjo Miguel e o que mais podemos aprender dele seja derrotar todo resquício de altivez em nós.

A humildade atrai o favor do Senhor e nos torna agradáveis ao Seu coração. “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3). A soberba é a raiz de todos os pecados e pode nos privar do destino de eterna felicidade “para não acontecer que se ensoberbeça e incorra na mesma condenação que atingiu o diabo” (I Tm 3, 6).

Que pela intercessão de Maria, “a mais humilde das criaturas” (cf. CIC n. 722), e de São Miguel – aliados não somente no Dia da Assunção, 15 de agosto, mas para sempre no Reino de Deus – possamos nos esforçar e chegar ao nosso lugar no céu vivendo a virtude da humildade aqui nesta terra.

Rezemos: Levanta-se Deus pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, de São Miguel Arcanjo, e de todas as milícias celestes, que sejam dispersos seus inimigos e fujam de Sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

São Miguel Arcanjo, rogai por nós!

Papa destaca proteção dos anjos ao homem na luta contra o mal

Francisco destacou que o demônio sempre quer destruir o homem, mas que os anjos defendem o ser humano nessa luta contra o mal

O Papa Francisco celebrou a Missa na Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 29, destacando na homilia a luta dos anjos contra o mal. Segundo Francisco, satanás nos apresenta coisas como se fossem boas, mas sua intenção é destruir o homem. Os anjos, porém, defendem o homem nessa luta.

Francisco focou-se nessa reflexão no dia em que a Igreja celebra a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. As leituras do dia apresentam imagens fortes, disse o Papa, como a visão da glória de Deus contada pelo profeta Daniel e a luta do arcanjo Miguel e seus anjos contra o diabo.

Em sua homilia o Santo Padre concentrou-se na luta que é travada entre o demônio e Deus, o que aconteceu depois que satanás tentou destruir a mulher que estava para dar à luz seu filho. E explicou que satanás sempre procura destruir o homem.

“Desde o início, a Bíblia nos fala disto: desta sedução de satanás para nos destruir. Talvez por inveja. Nós lemos no Salmo 8: ‘Tu fizeste o homem superior aos anjos’, e aquela inteligência tão grande do anjo não podia levar nos ombros esta humilhação, que uma criatura inferior fosse feita superior a ele; por isso procurava destruí-lo”.

O Pontífice destacou que os muitos projetos de desumanização do homem, exceto os próprios pecados, são obras de satanás, simplesmente porque ele odeia o homem. Citando o livro de Gênesis, o Papa recordou que satanás é astuto; apresenta as coisas como se fossem boas, no entanto, sua única intenção é a nossa destruição. E que o homem pode contar com o auxílio dos anjos.

“Os anjos nos defendem. Defendem o homem e defendem o Homem-Deus, o Homem superior, Jesus Cristo, que é a perfeição da humanidade. Por isso a Igreja honra os anjos, porque são aqueles que estarão na glória de Deus – estão na glória de Deus – porque defendem o grande mistério oculto de Deus, isto é, o Verbo que veio em carne”.

A tarefa do povo de Deus, segundo o Papa Francisco, é proteger em si o homem Jesus, porque é o homem que dá vida a todos os demais. Em vez disso, satanás inventa, em seus projetos de destruição, explicações humanistas que vão contra o homem, contra a humanidade de Deus.

A luta é uma realidade cotidiana na vida cristã, reconheceu o Pontífice, mas ele lembrou que Deus deu um ofício principal aos anjos: lutar e vencer. Francisco convidou os fiéis a rezarem aos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael para que continuem a lutar para defender o maior mistério da humanidade: o Verbo que se fez Homem, morreu e ressuscitou. “Este é o nosso tesouro. Rezemos para que eles continuem a lutar para protegê-lo”.

sábado, 27 de setembro de 2014

É em nossa fraqueza que Deus vem em nosso auxilio com a sua graça

É em nossa fraqueza que Deus vem em nosso auxilio com a sua graça. Basta-te a minha graça!



São Paulo teve uma experiência impressionante com Jesus. Ele relata na segunda Carta aos coríntios. Primeiro começa dizendo que “foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. Depois, relata o seguinte: “para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”. (2 Cor 12,4-10).

Ninguém sabe ao certo o que era “esse espinho na carne” de São Paulo, mas certamente era algo que muito o incomodava. Alguns dizem que era uma doença nas vistas, outros dizem que ele tinha contraído malária; enfim, era algo que o fazia sofrer.

O mais interessante é que Paulo pediu a Jesus que retirasse dele esse espinho, mas o Senhor disse: Não! E ele entendeu porquê: para que “a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho”, uma vez que ele tinha sido “arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. Paulo podia ficar vaidoso, então o Senhor o impedia com o espinho na carne. Conosco também acontece o mesmo, especialmente quem se destaca.

Certamente cada um de nós tem esse espinho na carne, que pode ser de fundo físico ou espiritual. Certa vez eu experimentei um espinho desses, na alma, é pior do que no corpo. Sentia-me com uma brasa na alma ou uma flecha no coração. Roguei também ao Senhor, insistentemente, que me livrasse daquele espinho, mas Ele não me livrou. Então comecei a procurar a causa do Senhor me manter naquela situação. Deixei minha alma em silêncio, para tentar ouvir a Sua voz.

No silêncio da dor da alma, parece que uma voz falava no meu intimo: “Quanto maior for o sofrimento oferecido a Deus, com amor, mais nós o agradamos, mais temos méritos diante Dele e mais se apressa a nossa santificação”. Então entendi que o Senhor providenciava a minha salvação. Deixava-me naquele purgatório terreno, o tempo que for necessário, para me purificar.

Lembrei-me do Eclesiástico: “prepara a tua alma para a provação, humilha teu coração, espera com paciência, sofre as demoras de Deus, não te perturbes no tempo da infelicidade. Na dor permanece firme, na humilhação tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho da humilhação” (Eclo 2,1-6).

E a voz continuava a me dizer: “A prata e o ouro só ficam purificados no fogo quando começam a refletir neles o Rosto do ourives”.

Entendi que nossa purificação só termina quando o Rosto de Deus brilha em nossa alma; antes as escórias têm de serem queimadas.

Mas, muitas delas não as vemos; e por isso achamos que não as temos, mas Deus as vê, e quer remove-las de nós. Paciência!
São Paulo disse aos romanos que “Deus nos predestinou para sermos conforme a imagem do Seu Filho” (Rom 8,29). É a meta de Deus para cada filho, ver o Rosto de Jesus em nós. Então, nossa purificação só terminará – como o ouro e a prata – quando Jesus estiver formado em nós. Isto começa aqui e pode ser concluído na eternidade, no Purgatório.

Não desanimemos e nem desesperemos, é uma grande e bela obra de Deus. Todos os santos passaram por isso para chegar ao céu. No silêncio da meditação Deus me ensinava que é na paciência com este espinho na carne que temos a oportunidade de rezar mais.

Como disse João Paulo II, “quanto mais se sofre, mais é necessário rezar”. Além disso, é uma grande oportunidade de oferecer a dor pelos outros: a saúde e a salvação dos entes queridos, o sufrágio das almas do Purgatório, as lutas da Igreja, a santificação do clero, etc. É nisso que Deus nos liberta de nós mesmos, de nossos egoísmos, vanglória, apegos desordenados, busca de prazeres, maledicências, iras, invejas…

Entendendo a importância disso, São Paulo disse aos coríntios: “de mim mesmo não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,5).

É em nossa fraqueza que Deus vem em nosso auxilio com a sua graça. Basta-te a minha graça! Não entendemos bem porque Ele permite esse espinho em nossa carne; mas Ele nos conhece e nos ama, sabe qual é o remédio que nossa alma precisa.

É o Médico que deve prescrever o remédio, e não o doente.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

É preciso carregar a cruz para entender Jesus, diz Papa Francisco

Francisco destacou que, para entender Jesus, é preciso estar disposto a levar a cruz com Ele

Um cristão não pode entender o Cristo Redentor sem a cruz, sem que esteja disposto a levá-la com Ele, disse o Papa Francisco na homilia desta sexta-feira, 26, na Casa Santa Marta.

A fé, segundo Francisco, está nessa identificação da pertença a Cristo relacionada à Sua cruz. Do contrário, percorre-se um caminho aparentemente “bom”, mas não “verdadeiro”. As reflexões do Santo Padre se pautaram no Evangelho do dia, no qual Cristo pergunta aos discípulos o que o povo dizia sobre Ele.

O episódio, conforme observou o Papa, se enquadra no contexto do Evangelho que vê Jesus proteger de forma especial a Sua verdadeira identidade de Filho de Deus. Isso para que o povo não se equivocasse e pensasse no Messias como um líder que veio para expulsar os romanos. Somente aos doze apóstolos o Senhor fez essa revelação.

Jesus, como Ele mesmo disse, veio ao mundo para sofrer, morrer e ressuscitar; este é o caminho da libertação: a Paixão, a cruz. Embora os apóstolos não quisessem entender essa explicação, esta era a pedagogia de Jesus, enfatizou o Papa Francisco, usada para preparar o coração dos discípulos e do povo para entender este mistério de Deus.

“É tanto amor de Deus, é tão ruim o pecado, que Ele nos salva assim: com esta identidade na cruz. Não se pode entender Jesus Cristo Redentor sem a cruz: não se pode entender! Podemos até chegar a pensar que é um grande profeta, faz coisas boas, é um santo. Mas o Cristo Redentor sem a cruz, não podemos entendê-Lo. Mas o coração dos discípulos e do povo não estava preparado para entendê-Lo. Não tinham entendido as profecias d’Ele, não tinham entendido que Ele era o próprio Cordeiro para o sacrifício. Não estavam preparados”.

Somente no Domingo de Ramos, observou o Papa, que Cristo permitiu que o povo dissesse, mais ou menos, Sua identidade, como aquele “Bendito o que vem em nome do Senhor”. E somente após a morte, Sua identidade apareceu em plenitude e a primeira confissão foi do centurião romano.

O Papa Francisco concluiu dizendo que Jesus prepara o ser humano para entendê-Lo bem e para acompanhá-Lo com suas cruzes no caminho para a ressurreição. “Prepara-nos para sermos cirineus para ajudá-lo a levar a cruz. E a nossa vida cristã sem isso não é cristã. É uma vida espiritual, boa…Também a nossa identidade de cristãos deve ser protegida e não acreditar que ser cristão é um mérito, é um caminho espiritual de perfeição. Não é um mérito, é pura graça”.

Conheça a missão de São Rafael Arcanjo

Quem é este arcanjo que convive, por um tempo, com um homem?

Este arcanjo revela que ele é “um dos sete anjos santos que assistem diante da claridade do Senhor e estão em Sua presença” (Tb 12, 15). O nome “Rafael” significa “Deus cura”.

São Rafael nos é apresentado, sobretudo, no Livro de Tobias, no qual se operam duas curas significativas através de sua intercessão: a restauração de duas pessoas, uma em sua dimensão física e a outra em sua dimensão espiritual.

Conta-nos a Sagrada Escritura que Tobit, homem honrado, piedoso e temente a Deus, ficou cego e devido a esta enfermidade não podia mais trabalhar, então lembrou-se de um dinheiro que tinha depositado com Gabael, em Rages, cidade da Média, vinte anos antes (cf. Tb 5, 4). Ele contou o fato ao filho Tobias e o enviou a essa cidade para recebê-lo (cf. Tb 4, 1ss). Contudo, Tobias que morava em Nínive na Assíria, por não conhecer o caminho (cf. Tb 1, 10) até a Média, entra em comum acordo com seu pai para procurarem alguém de confiança que lhe indicasse o caminho. Encontra Rafael e acerta os detalhes da viagem com ele, mas sem saber que este era um anjo (cf. Tb 5, 4).

Durante a viagem os dois acampam às margens do Rio Tigre e capturam um peixe que lhes serve de alimento para aquela noite. Rafael pede a Tobias que guarde o fel, o coração e o fígado do peixe para que essas substâncias sirvam de remédio (cf. Tb 6, 5-9).

Ao entrarem na Média, São Rafael conduz o filho de Tobit antes à cidade de Ecbátana, para encontrar Ragüel e a sua filha Sara, ambos familiares do jovem, pois, segundo a tradição da época, Tobias teria o direito de se casar com Sara por ser o parente mais próximo dela. No entanto, Tobias questiona o arcanjo: “Ouvi dizer que ela já foi dada em casamento a sete homens, e todos morreram de noite, […] quando estavam para se aproximar dela, morriam” (Tb 6, 14).

Rafael o tranquiliza, mandando-o queimar sobre as brasas do incenso o fígado e o coração do peixe para que o cheiro afugente o demônio que matava os maridos da moça (cf. Tb 6, 17-22).

Durante as núpcias de Tobias e Sara, o arcanjo persegue o demônio, expulsando-o de vez da vida de Sara (cf. Tb 8, 3), e depois vai à casa de Gabael resgatar o dinheiro para Tobias (cf. Tb 9, 5). Quando Tobias, Sara e São Rafael voltam à presença de Tobit na Assíria, o anjo diz a Tobias que unte os olhos do pai com o fel do peixe e este é finalmente curado de sua cegueira (cf. Tb 11). Somente após esses acontecimentos São Rafael revela sua identidade angelical (cf. Tb 12).

Em tudo isso, podemos notar que a presença de São Rafael traz:
- Cura física (dos olhos de Tobit);
- Cura espiritual e libertadora (em Sara);
- A manifestação da Divina Providência: no âmbito material e natural (resgate do dinheiro de Tobit e indicação do caminho certo), e também no âmbito sobrenatural (protege-os dos perigos), propicia graças além das nossas pobres expectativas (Tobias não imaginava que encontraria Sara na viagem e que se casaria com ela).


Por isso tudo, São Rafael Arcanjo é considerado o portador da Cura de Deus, e também é reconhecido como o chefe dos anjos da guarda, padroeiro dos viajantes, anjo da providência, que zela pela humanidade. Algo interessante também de se notar é que Rafael é o único anjo que convive algum tempo com os homens.

Peçamos a São Rafael Arcanjo a cura de nossas cegueiras, sejam elas físicas ou espirituais, a restauração de nossa saúde e a libertação de toda obra do maligno em nossas vidas e tudo o mais de que necessitamos. E estejamos preparados para tudo o mais que o Altíssimo tem reservado para nós. Onde este servo do Senhor atua há sempre conversões, transformação e vidas entregues a Deus.

São Rafael Arcanjo, rogai por nós!

Leia a Bíblia com eficácia e sabedoria

Devemos compreender que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita para os homens e pelos homens; logo, ela apresenta duas faces: a divina e a humana. Logo, para poder interpretá-la bem é necessário o reconhecimento da sua face humana, para depois, compreender a sua mensagem divina.

Não se pode interpretar a Sagrada Escritura só em nome da “mística”, pois muitas vezes podemos ser levados por ideias religiosas pré-concebidas, ou mesmo podemos cair no subjetivismo. Por outro lado, não se pode querer usar apenas os critérios científicos (linguística, arqueologia, história, …); é necessário, após o exame científico do texto, buscar o sentido teológico.

A Bíblia não é um livro caído do céu, ela não foi ditada mecanicamente por Deus e escrita pelo autor bíblico (=hagiógrafo), mas é um Livro que passou pela mente de judeus e gregos, numa faixa de tempo que vai do séc. XIV aC. ao século I dC. É por causa disto que é necessário usar uma tradução feita a partir de originais e com seguros critérios científicos.

Os escritos bíblicos foram inspirados a certos homens; isto é, o Espírito Santo iluminou a mente do hagiógrafo a fim de que ele, com sua cultura religiosa e profana, pudesse transmitir uma mensagem fiel à vontade de Deus. A Bíblia é portanto um livro humano-divino, todo de Deus e todo do homem, transmite o pensamento de Deus, mas de forma humana. É como o Verbo encarnado, Deus e homem verdadeiro. É importante dizer que a inspiração bíblica é estritamente religiosa; isto é, não devemos querer buscar verdades científicas na Bíblia, mas verdades religiosas, que ultrapassam a razão humana: o plano da salvação do mundo, a sua criação, o sentido do homem, do trabalho, da vida, da morte, etc.

Não há oposição entre a Bíblia e as ciências naturais; ao contrário, os exegetas (estudiosos da Bíblia) usam das línguas antigas, da história, da arqueologia e outras ciências para poderem compreender melhor o que os autores sagrados quiseram nos transmitir.

Mas é preciso ficar claro que a revelação de Deus através da Bíblia não tem uma garantia científica de tudo o que nela está escrito. É inútil pedir à Bíblia uma explicação dos seis dias da criação, ou da maneira como podiam falar os animais, como no caso da jumenta de Balaão. Esses fatos não são revelações, mas tradições que o autor sagrado usou para se expressar.

A própria história contida na Bíblia não deve ser tomada como científica. O que importa é a “verdade religiosa” que Deus quis revelar, e que às vezes é apresentada embutida em uma parábola, ou outra figura de linguagem.

O mais importante é entender que a verdadeira leitura bíblica deve sempre ter em vista a finalidade principal de toda a Sagrada Escritura que é a de anunciar Jesus Cristo e dar testemunho de sua pessoa. Para aqueles que viviam no Antigo Testamento, se tratava apenas de um Salvador desconhecido, que viria. Mas para nós, se trata do Salvador que “habitou no meio de nós”, e que ressuscitado está no meio de nós até o fim dos tempos, quando voltará visível e glorioso para encerrar a história.

Por ser Palavra de Deus, a Bíblia nunca fica velha, nem caduca; ela fala-nos hoje como para além dos séculos.

Cristo é o centro da Sagrada Escritura. O Antigo Testamento o anuncia em figuras e na esperança; o Novo Testamento o apresenta como modelo vivo.

O Catecismo nos ensina que “Deus, na condescendência de sua bondade, para revelar-se aos homens, fala-lhes em palavras humanas” (§101).

“Através de todas as palavras da Sagrada Escritura, Deus pronuncia uma só Palavra, seu Verbo único, no qual se expressa por inteiro” (§102).

“Com efeito, as palavras de Deus, expressas por linguagem humana, tal como outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo assumido a carne da fraqueza humana, se fez semelhante aos homens” (Dei Verbum,13).

Santo Agostinho ensinava que:
“É uma mesma Palavra de Deus que se ouve em todas as Escrituras, é um mesmo Verbo que ressoa na boca de todos os escritores sagrados, ele que, sendo no início Deus, junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, por não estar submetido ao tempo”(Salmos 103,4,1).

Somente as palavras originais com as quais a Bíblia foi escrita (hebraico, aramaico e grego) foram inspiradas; as traduções não gozam do mesmo carisma da inspiração; é por isso que a Igreja sempre teve muito cuidado com as traduções, pois podem conter algum sentido que não foi da vontade do autor e de Deus. As traduções devem ser fiéis aos originais; e isto não é fácil.