terça-feira, 4 de agosto de 2015

Namoro: Um ensaio para o futuro

O namoro é, então, um ensaio, para que o casal esteja preparado para um futuro matrimônio

O namoro é uma das fases mais importantes da vida de um jovem, isso porque, nesse período, eles descobrem as alegrias e tristezas de um relacionamento a dois. O namoro é, então, um ensaio, para que o casal esteja preparado para um futuro matrimônio. Esse ”preparo” inclui a ideia de aceitar o outro de forma completa, de respeitar, inclusive, aquilo que não é agradável, mas que, em consequência do compromisso, foi assumido um tolerar e perdoar.

Isso significa que, além de ser maduro o suficiente para conviver e superar nossas falhas, também nos comprometemos a conviver e superar as falhas de quem quis trilhar esse caminho conosco. Se a vida do cristão é uma constante mudança para que nos pareçamos cada vez mais com Jesus, então, por qual razão nosso namoro não poderia fazer o mesmo? O maior problema dos namoros de hoje é que eles não têm um amadurecimento cristão e saudável; pelo contrário, têm destruído de maneira gritante a castidade, a pureza e a humildade, até mesmo o silêncio santo, as virtudes das quais a Virgem Maria é exemplo. E essas virtudes estão sendo esquecidas e transformadas em desgastes emocionais, que geram cicatrizes profundas na vida das pessoas. Muitas famílias não dão certo, não chegam a cumprir as promessas dos primeiros dias do casamento, pela falta de Jesus na vida do casal, pelo esquecimento dos votos que fizeram no altar; pois se isso tivesse sido bem firmado no namoro, haveria um amor mais sólido e duradouro.

Assumir um compromisso vai muito além das fotos a dois e das legendas de amor eterno; é necessário carinho, respeito, perdão, muita paciência e, principalmente, oração no cotidiano.

Muitos jovens sonham com um namoro surreal, aquele em que tudo é lindo e florido, cheio de encontros perfeitos com trilhas sonoras ao fundo. A realidade, meus irmãos, passa um pouco longe dessa fantasia.

Já dizia São Padre Pio de Pietrelcina: ” Quando amar, prepare-se para sofrer”. Essa máxima desse grande santo faz todo o sentido, pois o amor tem forte relação com o sofrimento. Fomos redimidos por um Homem do alto da cruz, que nos amou e sofreu por nós. Se Jesus sofreu, por que nós humanos errantes queremos nos privar disso? Amar exige sacrifícios, e se você não ama alguém a ponto de se sacrificar por essa pessoa, nem que for uma pequena parte do seu dia por ela, não leve esse relacionamento adiante. Jesus é a verdade e, por causa disso, a verdade sempre deve prevalecer, ou seja, se você está se deparando com um namoro destrutivo que o faz atuar, fingir e mentir, ser um personagem na vida do outro, logo não vale a pena continuar insistindo no mesmo ponto.

Lembrar que devemos ter esse pensamento no nosso namoro, para que não façamos opções equivocadas e venhamos a falhar com nossa futura família, seria portanto, uma forma simples de se evitar uma destruição maior dentro de um casamento, que é uma esfera muito mais sagrada, um sacramento.

Escolhas erradas geram histórias frustradas. Não se frustre! Lembre-se sempre de que todo o namoro nasceu para o término, ou seja, ou ele terminará no altar, dando lugar à vida sacramental do matrimônio, ou antes disso. É uma realidade dura, mas a verdade mais pura de se dizer.

Por fim, existem duas saídas: lutar pelo seu namoro, para que ele se transforme em uma aliança firme com Deus, seguindo o exemplo da Virgem Maria e de São José, ou ter de renunciar essa vida a dois, para que você possa aprender primeiramente a buscar a santidade como filho do Criador, para depois fazer o mesmo como casal. Se você conseguir colocar em prática o amor de Deus no seu namoro, sem dúvida o seu casamento terá grandes chances de perpetuar.
Fernando Henrique de Aguiar Souza

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vocação Matrimonial: Alicerce do amor e construção de valores

Assim como Jesus abençoa um Sacerdote com um Sacramento especial, assim também abençoa o homem e a mulher que se unem para formar uma família. Para isso, Jesus instituiu o Sacramento do Matrimônio. Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne (Gn 2,24).

O matrimônio expressa o amor de Deus por seu povo. Assim como Cristo se entregou em sacrifício por amor à Igreja e permanece eternamente fiel a ela, do mesmo modo os esposos se entregam um ao outro totalmente, imitando o amor de Cristo. Ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, Deus concedeu a eles o dom de constituírem uma unidade a ponto de se tornarem uma só carne, ou seja, realizarem-se como pessoas na dinâmica da doação recíproca. É o chamado que Deus faz ao homem e a mulher para constituírem uma comunhão geradora de vida.

A partir de Cristo, o amor dos casais é elevado à graça de sacramento, isto é, se transforma em fonte de santificação e de salvação, um grande bem para a família, para os filhos e para toda a comunidade cristã.

A família, dentro do plano de Deus, é o lugar privilegiado para semear no coração do homem e da mulher os valores perenes, sejam eles espirituais ou civis. A vida e a história demonstram que é na família cristã que também se inicia a educação para o valor da vida humana.

A família, dentro do plano de Deus, é lugar privilegiado para semear no coração do homem e da mulher os valores perenes
“Os dois bens mais preciosos da humanidade, chamam-se: Família e matrimônio. Por isso, o futuro da humanidade passa pela família”. Papa João Paulo II

De 16 a 23 de agosto, acompanhe a 46ª Semana Vocacional pela Rede Aparecida de Comunicação.

Carlos Emílio 
Comunidade Católica Shalom

domingo, 2 de agosto de 2015

Catequese: A importância do Ofertório na Santa Missa

O Ofertório é um momento de grande importância da participação dos fiéis na Santa Missa


O ofertório, na sua totalidade, é uma oração feita por palavras ou por ações sacrificais. Pelo “Oremos” a Igreja convida os fiéis a se unirem – em oração e ao acompanhar as ações litúrgicas – ao presidente da Celebração Eucarística. Este reza e atua em nome do povo de Deus e convida a assembléia a rezar por si mesma a fim de crer na fé professada no símbolo apostólico (Credo), de modo a ser constante nela e a se oferecer em holocausto.

O canto do ofertório tem a função de acompanhar e solenizar a procissão na qual os fiéis apresentam as oferendas, pois Deus ama quem dá com alegria.

O canto deve se prolongar pelo menos até que os dons tenham sido colocados sobre o altar. Pode utilizar-se a antífona com o respectivo salmo, que vem no Gradual Romano ou no Gradual simples, ou outro cântico apropriado à ação sagrada e ao caráter do dia ou do tempo litúrgico, cujo texto tenha a aprovação da Conferência Episcopal. O rito do ofertório pode ser sempre acompanhado de canto.

sábado, 1 de agosto de 2015

Agosto: Mês Vocacional

O mês de agosto foi instituído pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na sua 19ª Assembleia Geral de 1981 como o mês vocacional. Oportunidade para tratar e rezar por todas as categorias de vocações da vida cristã; criar consciência vocacional e despertar todos os cristãos para suas responsabilidades na Igreja.

O termo vocação vem do verbo em latim vocare que significa chamar. Somos todos nós vocacionados, chamados por Deus à santidade. E a resposta a este chamado que Deus faz a cada um é dada através de vocações específicas. Dizemos que o vocacionado é uma pessoa que discerniu em si a vontade de Deus. É uma inclinação interna, que supõe um seguimento, uma resposta concreta de ação e vida.

No primeiro domingo, dedicamos ao ministério ordenado (bispos, padres e diáconos). Essa comemoração se deve ao fato de celebrarmos o dia de Santo Cura d’Ars, São João Maria Vianney, no dia 04, patrono dos padres, e, o dia de São Lourenço, diácono e mártir, no dia 10, patrono dos diáconos.

No segundo domingo, celebramos o Dia dos Pais, a vocação matrimonial. Junto com a esposa, o pai tem a missão de levar os filhos a Deus por meio da oração, ensinamento e vivência do Evangelho. Vivemos a Semana Nacional da Família e em alguns municípios a Semana Municipal da Família por iniciativa de Câmaras Municipais de Vereadores. A família é verdadeiramente um ‘Santuário de Vida’.

No terceiro domingo, recordamos a vocação à vida consagrada: religiosos, religiosas, consagradas e consagrados nos vários institutos e comunidades de vida apostólica e hoje também nas novas comunidades, motivados pela festa da Assunção de Maria ao céu, modelo de todos aqueles que dizem sim ao chamado de Deus para uma entrega total.

O quarto domingo de agosto é o Dia do Catequista, daí a comemoração do dia da vocação do cristão leigo na Igreja, tanto na sua presença interna na Igreja como também em seu testemunho nos vários ambientes de trabalho e vida. Todos nós recordamos com gratidão os nossos catequistas. Rezemos para que neste tempo de implementação da catequese de iniciação cristã de inspiração catecumenal tenhamos animados(as) catequistas discípulos(as) missionários(as) do Senhor. O dia do cristão leigo voltará a ser comemorado no último domingo do ano litúrgico, festa de Cristo Rei.

Lembramos o ano em que o mês de agosto tiver cinco domingos, no quarto domingo são recordados todos os ministérios leigos e, no quinto, o dia do catequista.
Na Igreja, louvamos a Deus por todas as vocações! Percebemos a mão e a voz de Deus a nos chamar e conduzir. Que o Senhor nos ajude e ilumine e que cada um de nós descubra cada vez mais a beleza da vida cristã e do chamado que Deus nos faz para as diversas vocações e, em especial, para sermos santos! E que todos se unam às suas comunidades para orar por vocações ao longo do mês de agosto, cumprindo o mandato de Jesus: “Pedi ao Senhor da Messe que mande operários para a sua Vinha” (Mt 9,38). Trabalhemos na grande vinha do Senhor!

Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena 
Bispo de Guarabira (PB)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

15 ensinamentos dos santos sobre a amizade

Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro!

Pode ser que muitos de nós sejamos ricos e ainda não nos demos conta. A Palavra de Deus já nos ensinava desde o Antigo Testamento: “Amigo fiel é proteção poderosa, e quem o encontrar, terá encontrado um tesouro. Amigo fiel não tem preço, e o seu valor é incalculável. Amigo fiel é remédio que cura, e os que temem ao Senhor o encontrarão” (Eclo 6, 14-16).

Se Jesus, que é Deus, quis precisar de amigos para seguir sua caminhada neste mundo; imagine nós? O ser humano não pode viver como uma ilha. É como afirmou São João Bosco em sua famosa frase: “Deus nos colocou no mundo para os outros”. Uma grande verdade! Inclusive, podemos dizer até que a partir de Cristo, a amizade tomou um novo sentido, o amigo é aquele que descobriu o valor e a dignidade do irmão, à luz do Evangelho. Essa sincera amizade, no verdadeiro sentido humano e cristão, se propagou entre os primeiros cristãos refugiados nas catacumbas. A história da Igreja é marcada de exemplos de profundas amizades entre os santos padres, como São Basílio e São Gregório, entre os grandes santos, como São Francisco de Assis e Santa Clara, Santo Ambrósio e Santa Mônica e muitos outros.

Em um de seus belíssimos escritos, São Gregório Nazianzeno, um dos padres da Igreja, escreveu sobre seu amigo São Basílio, e nos explicou um pouco como viviam profundamente a amizade:

“Encontramo-nos em Atenas. Como o curso de um rio, que partindo da única fonte se divide em muitos braços, Basílio e eu nos tínhamos separado para buscar a sabedoria em diferentes regiões. Mas voltamos a nos reunir como se nos tivéssemos posto de acordo, sem dúvida porque Deus assim quis.

Nesta ocasião, eu não apenas admirava meu grande amigo Basílio vendo-lhe a seriedade de costumes e a maturidade e prudência de suas palavras, mas ainda tratava de persuadir a outros que não o conheciam tão bem a fazerem o mesmo. Logo começou a ser considerado por muitos que já conheciam sua reputação.


Que aconteceu então? Ele foi quase o único entre todos os que iam estudar em Atenas a ser dispensado da lei comum; e parecia ter alcançado maior estima do que comportava sua condição de novato. Este foi o prelúdio de nossa amizade, a centelha que fez surgir nossa intimidade; assim fomos tocados pelo amor mútuo.

Com o passar do tempo, confessamos um ao outro nosso desejo: a filosofia era o que almejávamos. Desde então éramos tudo um para o outro; morávamos juntos, fazíamos as refeições à mesma mesa, estávamos sempre de acordo aspirando os mesmos ideais e cultivando cada dia mais estreita e firmemente nossa amizade.

Movia-nos igual desejo de obter o que há de mais invejável: a ciência; no entanto, não tínhamos inveja, mas valorizávamos a emulação. Ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro. Cada um considerava como própria a glória do outro.

Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos. E embora não se deva dar crédito àqueles que dizem que tudo se encontra em todas as coisas, no nosso caso podia se afirmar que de fato cada um se encontrava no outro e com o outro.


A única tarefa e objetivo de ambos era alcançar a virtude e viver para as esperanças futuras, de tal forma que, mesmo antes de partirmos desta vida, tivéssemos emigrado dela. Nesta perspectiva, organizamos toda a nossa vida e maneira de agir. Deixamo-nos conduzir pelos mandamentos divinos estimulando-nos mutuamente à prática da virtude. E, se não parecer presunção minha dizê-lo, éramos um para o outro a regra e o modelo para discernir o certo e o errado.

Assim como cada pessoa tem um sobrenome recebido de seus pais ou adquirido de si próprio, isto é, por causa da atividade ou orientação de sua vida, para nós a maior atividade e o maior nome era sermos realmente cristãos e como tal reconhecidos”. (Retirado do Ofício das Leituras- 02.01.15)

A verdadeira amizade, além de ser relação entre pessoas é ajuda mútua e caminho espiritual. Podemos perceber isso claramente na vida dos santos.

Em uma de suas catequeses o Papa Bento XVI destacou:

“Essa é uma característica dos santos: cultivam a amizade, porque é uma das manifestações mais nobres do coração humano e tem em si algo de divino, como Tomás mesmo explicou em algumas quaestiones da Summa Theologiae, na qual ele escreve: ‘A caridade é a amizade do homem com Deus em primeiro lugar, e com os seres que a Ele pertencem’”.

Conheça aqui 15 ensinamentos que os santos nos deixaram sobre a amizade:

Santo Agostinho
1-“Nem sempre o que é indulgente conosco é nosso amigo, nem o que nos castiga, nosso inimigo. São melhores as feridas causadas por um amigo que os falsos beijos de um inimigo. É melhor amar com severidade a enganar com suavidade”. 

Santo Agostinho

2-“Amando o próximo e cuidando dele, vais percorrendo o teu caminho. Ajuda, portanto, aquele que tens ao lado enquanto caminhas neste mundo, e chegarás junto daquele com quem desejas permanecer para sempre.” 

Santo Agostinho

3-“Disse muito bem quem definiu o amigo como metade da própria alma. Eu tinha de fato a sensação de que nossas duas almas fossem uma em dois corpos.” 

Santo Agostinho

4-“A amizade é tão verdadeira e tão vital, que nada mais santo e vantajoso pode-se desejar no mundo.”

Santo Agostinho

5-“A amizade é a mais verdadeira realização da pessoa”. 

Santa Teresa D´Ávila

6-“A amizade com Deus e a amizade com os outros é uma mesma coisa, não podemos separar uma da outra”. 

Santa Teresa D´Ávila

7-“A amizade, cuja fonte é Deus, não se esgota nunca.” 

Santa Catarina de Sena

8- “Qualquer amigo verdadeiro quer para seu amigo: 

1) que exista e viva; 
2) todos os bens; 
3) fazer-lhe o bem; 
4) deleitar-se com sua convivência; e 
5) finalmente compartilhar com ele suas alegrias e tristezas, vivendo com ele um só coração”. 
São Tomás de Aquino

9-“A amizade diminui a dor e a tristeza”. 
Santo Tomás de Aquino

10-“Quem com palavras, conversas e ações der escândalos, não é um amigo, mas um assassino de almas.” 
Beata Madre Teresa de Calcutá
São João Bosco

11-“Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade”. 
Beata Madre Teresa de Calcutá

12-“As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável”. 
Beata Madre Teresa de Calcutá

13-“Ama a todos os homens com um grande amor de caridade cristã, mas não traves amizade senão com aquelas pessoas cujo convívio te pode ser proveitoso; e quanto mais perfeitas forem estas relações, tanto mais perfeita será a tua amizade”. 
São Francisco de Sales

14-“No mundo é necessário que aqueles que se entregam à prática da virtude se unam por uma santa amizade, para mutuamente se animarem e conservarem nesses santos exercícios”. 
São Francisco de Sales

15-“Faz-nos tanto bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde a nossa dor”.
 Santa Teresa de Lisieux

Que possamos refletir: “Que tipo de amigo eu sou?”; e pedir ao Senhor que nos dê a graça de viver santas amizades.

Felipe Aquino
Comunidade Canção Nova

domingo, 26 de julho de 2015

São Joaquim e Sant'Ana, Rogai por nós!

No dia vinte e seis de julho, comemoração de São Joaquim e Sant'Ana, pais da Virgem Maria, fazemos festa para os avós, homens e mulheres com uma missão importante e essencial nas famílias e na sociedade. E o grande Papa Francisco, quando lhe perguntaram sobre os celulares com os quais jovens de todas as idades querem fazer "selfies" com ele, disse sentir-se bisavô! Nas Filipinas, foi chamado "Lolo Kiko" — ou seja, vovô Francisco. E recentemente, numa série de catequeses sobre a família, dedicou duas delas aos avós e aos idosos em geral, das quais recolhi ensinamentos que me apraz oferecer aos leitores (Cf. Catequeses do Papa Francisco nos dias quatro e onze de março de dois mil e quinze), em homenagem a tanta sabedoria que se esconde e se manifesta nos cabelos brancos.

Constata o Papa que, graças aos progressos da medicina, a vida prolongou-se, mas nossas sociedades não se organizaram suficientemente para deixar espaço aos idosos, com o justo respeito e a concreta consideração pela sua fragilidade e dignidade. Quando jovens, somos levados a ignorar a velhice, como se fosse uma enfermidade da qual nos devemos manter à distância; depois, quando envelhecemos, especialmente se somos pobres, doentes e sós, experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a eficácia que, consequentemente, ignora os idosos. Mas os idosos são uma riqueza, não podem ser ignorados!

No Ocidente, os estudiosos apresentam nosso século como o século do envelhecimento, pois os filhos diminuem e os anciãos aumentam. Este desequilíbrio é um grande desafio. Uma cultura do lucro insiste em fazer com que os idosos pareçam um peso, pois não só não produzem, mas chegam a ser uma carga, e devem ser descartados. Há algo de vil neste habituar-se à cultura do descartável. E nós nos habituamos a descartar as pessoas. Queremos remover o nosso elevado medo da debilidade e da vulnerabilidade; mas agindo deste modo, aumentamos nos anciãos a angústia de serem mal tolerados e até abandonados.

Conta o Papa: "Quando eu era criança, um dia a minha avó narrou-me a história de um avô que se sujava quando comia, porque não conseguia levar bem a colher de sopa à própria boca. E o filho, ou seja o pai de família, decidiu tirá-lo da mesa comum e mandou fazer-lhe uma mesinha na cozinha, onde não se via, para ali comer sozinho. Assim, não faria má figura quando os amigos viessem almoçar ou jantar. Poucos dias depois, chegou em casa e encontrou o seu filho pequeno brincando com um pedaço de madeira, um martelo e alguns pregos; construía algo, e o pai disse-lhe: 'Mas o que fazes? — Faço uma mesa, pai. — Uma mesa, por que? — Para que esteja pronta quando tu envelheceres, assim poderás comer aí!'. As crianças têm mais consciência que nós!"

Na tradição da Igreja, assim como em povos de nosso tempo com respeito cultivado aos mais velhos, existe uma bagagem de sabedoria que sempre sustentou a proximidade aos anciãos e seu acompanhamento. A raiz está na Sagrada Escritura: Esta tradição está arraigada na Sagrada Escritura: "Não desprezes alguém na sua velhice, pois nós também ficaremos velhos. Não te escape o que contam os velhos, pois eles o aprenderam de seus pais: deles aprenderás a inteligência e a arte de responder na hora oportuna" (Eclo 8, 7.11-12).

Impressionou-me a abertura de coração do Papa: "Nós, idosos, somos todos um pouco frágeis. No entanto, alguns são particularmente débeis, muitos vivem sozinhos, marcados por uma enfermidade. Outros dependem de curas indispensáveis e da atenção dos outros. Daremos por isso um passo atrás, abandonando-os ao seu destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuidade e o afago sem retribuição começam a desaparecer, é uma sociedade perversa. Fiel à Palavra de Deus, a Igreja não pode tolerar estas degenerações. Uma comunidade cristã em que a proximidade e a gratuidade deixassem de ser consideradas indispensáveis perderia juntamente com elas também a sua alma. Onde não há honra pelos idosos não há porvir para os jovens". E o Papa estimulou os sentimentos adequados a serem cultivados, a gratidão, o apreço e a hospitalidade, que levem as pessoas idosas a se sentirem parte viva da família e da comunidade.

Para ele, devemos despertar o sentido comunitário de gratidão, de apreço e de hospitalidade, que levem o idoso a sentir-se parte viva da sua comunidade, pois são homens e mulheres, pais e mães que antes de nós percorreram o nosso próprio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha diária por uma vida digna. O idoso somos nós: daqui a pouco ou daqui a muito tempo, inevitavelmente, embora não pensemos nisto.

Ensina o Papa que o Senhor nos chama a segui-lo em todas as fases da vida. Para ele, a velhice é uma vocação! Ainda não chegou o momento de se resignar. Para ele, trata-se de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas, e não faltam testemunhos de santos e santas idosos! No mês de outubro, pela primeira vez, simultaneamente, um casal de pais de família será canonizado, durante o Sínodo da Família. Trata-se dos pais de Santa Teresinha, Luís e Zélia Martin, exemplo de santidade vivida no matrimônio, que educaram os filhos no caminho da santidade. Em tempos de família em crise, justamente a santidade de um casal que percorreu exemplarmente os passos da fidelidade à própria vocação se torna um presente da Igreja ao mundo!

Ainda o Papa, falando sobre a família, oferece uma imagem muito bonita, tirada o Evangelho de São Lucas (Cf. Lc 2, 25-39): é a imagem de Simeão e Ana. Certamente eram idosos, o velho Simeão e a profetisa Ana, que tinha oitenta e quatro anos, uma mulher não escondia a sua idade! Todos os dias esperavam a vinda de Deus, havia muitos anos. Este era o seu compromisso: esperar o Senhor e rezar. Ao encontrarem Maria, José e o Menino, eles reconheceram o Menino e descobriram uma nova força, para uma renovada tarefa: dar graças e testemunhar este Sinal de Deus. Dar graças, interceder, purificar o coração pela oração! É a recomendação do Papa aos idosos. Precisamos de anciãos que orem, pois a velhice nos é oferecida precisamente para isto. A oração dos idosos é bonita! E como é bonito o encorajamento que o ancião consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! "Esta é verdadeiramente a missão dos avós, a vocação dos idosos! Como gostaria de uma Igreja que desafia a cultura do descartável com a alegria transbordante de um novo abraço entre jovens e idosos! E é isto, este abraço, que hoje peço ao Senhor", concluiu o Papa Francisco.

Confio à proteção de São Joaquim e de Sant'Ana o tesouro que são os avós na Igreja e na sociedade.
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará

sábado, 25 de julho de 2015

JMJ Cracóvia 2016 abre inscrições online

No domingo (26), foram abertas as inscrições para a Jornada Mundial da Juventude de 2016 que acontecerá na capital da Polônia. O Comitê Organizador ativou o sistema, que foi desenvolvido em parceria com o Pontifício Conselho para os Leigos.

Para fazer a inscrição, é preciso acessar a página oficial da JMJ Cracóvia e clicar na opção “Participe”. Assim, os interessados serão redirecionados para o questionário de inscrição, que estará disponível em cinco idiomas: polonês, inglês, italiano, francês e espanhol.

O processo de inscrição será dividido em duas fases. Na primeira, serão registrados os macro grupos (até 5.000 participantes). Já na segunda, esses macro grupos serão divididos em sub-grupos (cada um até 150 no máximo).

É recomendável que os grupos estrangeiros, ao se registrarem, entrem em contato com os coordenadores da JMJ na Conferência Episcopal de seu país. As comunidades internacionais tais como: ordens, congregações, institutos ou movimentos devem se registrar independentemente através de seus centros nacionais ou internacionais.

No sistema de inscrição não há necessidade de fornecer detalhes de todos os peregrinos. Na segunda fase da inscrição aparecerão questões detalhadas sobre o responsável pelo subgrupo e seu substituto.

Para obter uma descrição completa do grupo, deve ser informada a quantidade de menores de idade (aqueles acima de 13 anos), pessoas com necessidades especiais e aqueles que necessitam de visto para visitar a Polônia. Para os dois últimos grupos, há questionários especiais para serem preenchidos.


Pacotes de Inscrição e Kit Peregrino
Os peregrinos registrados podem escolher diferentes pacotes, entre eles, para a semana inteira ou somente para o fim de semana. Dentro da taxa de inscrição, assim como foi feito na Jornada no Brasil, os participantes escolhem: refeições com acomodação, refeições sem acomodação, acomodação sem refeições ou nem acomodação e nem refeições.

É preciso se atentar de que todos os peregrinos dentro de um subgrupo precisão escolher os mesmos tipos de pacotes e o mesmo idioma para Catequese.

Todos os registrados receberão um kit peregrino, no qual eles poderão encontrar os materiais necessários para os eventos centrais, informações sobre a cidade, entre outros.

Inscrições de sacerdotes
Nesta edição, não haverá inscrição separadamente para padres. No entanto, na segunda fase do processo, será necessário informar os dados individuais de cada sacerdote do grupo junto com uma cópia da Declaração do Status Clerical assinada pelo respectivo bispo. O modelo desta declaração estará disponível no sistema para download.

Por que se inscrever?
O Comitê Organizador incentiva a todos que irão participar da JMJ a se registrarem. Os dados coletados no sistema de registro ajudarão na preparação logística, alimentação, acomodação, organização dos lugares onde acontecerão os eventos centrais, entre outros.

Do ponto de vista dos peregrinos, o registro no sistema, dependendo do pacote escolhido, é uma garantia de acomodação, deslocamento eficiente ao redor de Cracóvia, acesso aos eventos, comida durante a JMJ e um conjunto de informações necessárias para vivenciar esses dias incríveis da melhor maneira possível.

Catequese: O que a Igreja diz da Pílula do Dia Seguinte?

Infelizmente no Brasil já está sendo vendida a abortiva pílula do dia seguinte (PDS)


O Vaticano se pronunciou – por intermédio da Pontifícia Academia para a Vida – em uma esclarecedora “Declaração sobre a chamada “Pílula do dia seguinte” (PDS). Várias Conferências de Bispos de diversos países já se pronunciaram a respeito também. Nesta Declaração se afirma que: “a PDS é um produto químico, hormonal, que frequentemente é apresentada por muitos da área e pelos meios de comunicação de massa como um simples contraceptivo ou, como um ‘contraceptivo de emergência'”. E afirma que “sua ação NÃO é meramente ‘contraceptiva’, mas ‘abortiva’, uma vez que essa pílula tem um efeito ‘anti-implantação’, o que provoca o aborto”.

“Considerando que o uso deste produto diz respeito a bens e valores humanos fundamentais, a ponto de envolver as origens da própria vida humana, a Pontifícia Academia para a Vida sente a responsabilidade premente e a necessidade definitiva de oferecer alguns esclarecimentos e considerações sobre o assunto, reafirmando, além disso, as já bem conhecidas posições éticas sustentadas por precisos dados científicos e reforçadas pela Doutrina Católica”.

“A pílula do dia seguinte é um preparado à base de hormônios (pode conter estrogênio, estrogênio/progestogênio ou somente progestogênio) que, dentro de e não mais do que 72 horas após um ato sexual presumivelmente fértil, tem uma função predominantemente ‘anti-implantação’, isto é, impede que um possível ovo fertilizado (que é um embrião humano), agora no estágio deblástula de seu desenvolvimento (cinco a seis dias depois da fertilização) seja implantado na parede uterina por um processo de alteração da própria parede”.

É claro, então, que a comprovada ação “anti-implantação” da pílula do dia seguinte é realmente nada mais do que um aborto quimicamente induzido.

“Não é intelectualmente consistente, nem cientificamente justificável, dizer que não estamos tratando da mesma coisa. Além disso, parece suficientemente claro que aqueles que pedem ou oferecem essa pílula estão buscando a interrupção direta de uma possível gravidez já em progresso, da mesma forma que no caso do aborto. A gravidez, de fato, começa com a fertilização e não com a implantação do blastocisto na parede uterina, que é o que tem sido implicitamente sugerido”.

“Consequentemente, do ponto de vista ético, a mesma absoluta ilegalidade dos procedimentos abortivos também se aplica à distribuição, prescrição e uso da pílula do dia seguinte. Todos os que, compartilhando ou não a intenção, cooperam diretamente com esse procedimento, são também moralmente responsáveis por ele”.

“Finalmente, como tais procedimentos estão-se tornando mais disseminados, nós encorajamos fortemente a todos os que trabalham nesse setor a fazer uma firme ‘objeção de consciência moral’, o que gerará um testemunho prático e corajoso do valor inalienável da vida humana, especialmente em vista das novas formas ocultas de agressão contra os mais fracos e mais indefesos indivíduos, como é o caso de um embrião humano” (Cidade do Vaticano, 31 de outubro de 2000).

Assim, fica claro que nenhuma mulher católica pode usar esta pílula abortiva. É sabido que a PDS possui uma carga hormonal com cerca de 20 vezes a de uma pílula anticoncepcional. Segundo o Dr. Jerome Lejeune, o maior geneticista do século XX, que descobriu a Síndrome de Down, a PDS “é uma bomba hormonal no organismo da mulher” que faz muito mal.

O Código de Direito Canônico da Igreja apresenta como uma das causas de excomunhão “latae sententiae” (automática) a prática do aborto e também todos os que cooperam para que ele seja realizado.

De acordo com a Declaração do Vaticano, os cristãos não podem também produzir ou vender a pílula do dia seguinte por objeção de consciência.


Felipe Aquino
Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Vocação Cristã: A serviço do Reino



A cada homem, o Senhor reserva um chamado especial. Afinal, Ele nos conhece por inteiro, até as profundezas e sabe exatamente o que pode nos realizar no mais íntimo.

Toda pessoa carrega consigo um imenso dom muito simples, mas pelo qual devemos agradecer todo dia: a vida. Com ela está a porta da nossa fé, aberta pelo sacramento do batismo: ser Cristã
Esse desejo de felicidade plena é saciado dentro do plano de Deus, e o Espírito Santo nos anima a seguir no melhor caminho para que consigamos viver a alegria que só o amor de Deus pode nos dar. Tal caminho pode ser esclarecido pela nossa vocação. Você já se perguntou qual é a sua?

Ao ouvir falar de vocação podemos imaginar que isso é coisa de quem quer ser padre, freira ou religioso.

Grande engano. Toda pessoa carrega consigo um imenso dom muito simples, mas pelo qual devemos agradecer todo dia: a vida. Com ela está a porta da nossa fé, aberta pelo sacramento do batismo: Ser Cristão! Todos são pensados por Deus assim, como seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como católicos, todos aqueles que se decidem por abraçar essa vocação cristã e torná-la presente nos seus ambientes de estudo, de trabalho e mesmo no ambiente familiar são chamados de leigos.

Na verdade, tal vocação também é a base de qualquer outro chamado específico que uma pessoa possa descobrir que possui, seja esse um chamado à vida sacerdotal, à vida religiosa, matrimonial ou à vida missionária em geral, pois até famílias e leigos podem ser chamados à vida consagrada e à missão.

De 16 a 23 de agosto, acompanhe a 46ª Semana Vocacional pela Rede Aparecida de Comunicação.

Hugo Mendes da Silva
Comunidade Católica Shalom

O Caminho para o namoro santo

O caminho para um namoro santo exige maturação, renúncia, espera e paciência


É maravilhosa a essência do amor em todas as suas faces, mas essa experiência perfeita se torna delicada e negativa quando se desvirtua de sua realeza. Amar é dom de Deus e por isso é uma experiência tão perfeita.

Amar é um exercício complexo e encantador, no qual deixamos de viver exclusivamente o nosso tempo para entrar, esperar e compreender o tempo de alguém. E aí temos de perceber a profundidade desse sentimento; amar é, sim, entrar no tempo do outro, é entender, perdoar, estar ao lado sempre, mas não é apoderar-se das vontades alheias nem possuir as rédeas da vida do outro.

Um amor verdadeiro não afasta as pessoas, mas as aproxima; não atropela as etapas que devem ser respeitadas. Não pertencemos a ninguém, não somos propriedade ou objetos de satisfação pessoal; o namoro é, antes de tudo, momento de conhecimento. Somos templo do Espírito Santo de Deus, pertencemos somente a Ele. Amar não é acorrentar, ao contrário é libertar o outro para um mundo diferente do isolamento, da autossuficiência.

Como diz padre Fábio de Melo, “Amor humano é devolução, é restituição. E aquele que aceita qualquer coisa, também será deixado por qualquer coisa”. Somos filhos do céu, filhos da luz, merecemos o Amor em sua mais fiel essência e pureza, não podemos nos contentar com migalhas, fantasias passageiras, promessas imaturas e impensadas. Amar exige maturação, exige renúncia, espera e paciência. É saber entrar no tempo do outro e, acima de tudo, saber permitir que o outro entre em nosso tempo quando isso, de fato, valer a pena.

Diante disso, procure um amor de verdade, diferente daquele que lhe manda flores, envia mensagens e cartões apaixonados; procure um amor que seja muito mais do que isso! Procure um amor que o ajude na caminhada árdua para chegar onde todos nós devemos ir: ao céu!

Um amor que ache seu terço, a pulseira mais bela, seu escapulário, o seu colar mais lindo, que veja nas suas roupas (avessas ao que o mundo prega) um sinal de pureza e integridade e a ache a mulher mais bela do mundo! Compreenda que, na hora da missão, a rasteirinha toma o lugar do salto alto, que o Evangelho é o mais lindo batom que deve sempre estar em seus lábios e encontre, no seu olhar de compaixão aos irmãos, o brilho mais bonito!

Aquele que entenda que as músicas ouvidas por você são sinal de oração e ligação profunda com o seu Maior Amado: Deus; compreenda que a Missa diária não é loucura ou fanatismo, mas uma necessidade; saiba que a sua Bíblia é o que nunca falta na sua bolsa! Aquele que compreenda sua vocação e a ajude a seguir nesta vontade do Pai!

Procure um amor que entenda a importância da adoração ao Santíssimo Sacramento, muito mais que um encontro de vocês! Que veja, nos retiros e congressos, pontes que poderão levá-los ao Eterno, e não se importe em adiar passeios e viagens por isso! Acredite que a castidade é o único caminho para um namoro santo e um matrimônio enraizado na fé!

Que sejam assim, desde o início, o nosso relacionamento, baseados em princípios e valores da Palavra de Deus e nos mandamentos da Igreja, é verdade que, nem assim, serão perfeitos; sempre passarão por dificuldades, mas é mais certo ainda que estarão no caminho certo, afinal estaremos construindo em rocha firme, portanto, nada poderá derrubar o que vêm de Deus! Por mais difícil que pareça, creia que Deus está preparando seu amado! Paz e Bem!


Giselle Ferreira
Membro da Comunidade Mariana Boa Semente – Quixeramobim/CE

domingo, 19 de julho de 2015

Protegidos por São Cristóvão

Festa em honra a São Cristóvão na comunidade de Bela Vista! Do dia 22 a 25 de Julho!

Nas próximas semanas, muitos motoristas irão se reunir em procissões com o intuito de pedir a São Cristóvão proteção para suas viagens. O que desejamos, é que tudo isto seja feito na consciência da responsabilidade que cabe aos motoristas no exercício da sua profissão, seja isso transportando pessoas ou mercadorias.

Cristóvão, conforme a tradição, era um homem muito forte e, ao se converter ao cristianismo resolveu colocar-se a serviço dos semelhantes. Aconselhado por um ermitão, dedicou-se a transportar pessoas de um lado ao outro do rio. Em uma noite de tempestade, um menino lhe pediu o favor de levá-lo para a outra margem. Sentindo o peso nos ombros, teve a revelação de que estava transportando nas costas o Redentor do Mundo. Por isso, ao invocar São Cristóvão como protetor, os motoristas manifestam o desejo de reconhecerem o rosto de Cristo em cada passageiro e em cada pessoa que cruza pelo seu caminho.

Todos nós conhecemos os perigos que acompanham os motoristas. As estradas nem sempre estão em suas melhores condições de trafegabilidade e os sinais de trânsito muitas vezes são desrespeitados. Além disso, existe também uma preocupação com os roubos e assaltos, que, infelizmente, se alastram na medida em que cresce o desemprego e aumenta a sensação de impunidade. Mas existem também coisas que dizem relação à cultura dos motoristas.

Assim, as pessoas se acostumaram a respeitar as leis do trânsito só “para não pegar multa”. Assim, para muitos, “se existe a certeza de que não tem polícia e nem pardal no caminho pode-se exceder o limite da velocidade que não dá em nada”. Ou também, se existe a garantia de que “não vai ter polícia no caminho pode-se tomar cerveja sem nenhum problema”. Mostramos, com isso, que a nossa preocupação é exclusivamente econômica e não nos importam as vidas que podem ser ceifadas e as pessoas que podem ser condenadas a uma eterna paralisia. Até torcemos para que nada nos aconteça, mas continuamos a usar nossos carros de forma irresponsável. Não nos damos conta de que, ao infringirmos as leis que foram feitas para reduzir os números de acidentes, aumentam as chances para que os mesmos venham a acontecer.

Que as comemorações de São Cristóvão sirvam para conscientizar os motoristas sobre a sua responsabilidade na direção de carros, caminhões, motos e tratores. Vamos pedir a São Cristóvão que viaje junto conosco e nos ajude a proteger as vidas que nos são confiadas. Peçamos também a ele a graça de reconhecer, em cada passageiro o menino Jesus que ele carregou em seus braços. Assim, com mais probabilidade, chegaremos sãos e salvos ao destino da nossa jornada de trabalho e não provocaremos nenhum acidente mais grave.

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

terça-feira, 7 de julho de 2015

Família é uma riqueza social insubstituível, diz Papa no Equador

Na primeira Missa celebrada no Equador, o Papa Francisco destacou a família como uma riqueza social insubstituível

O Equador vive dias especiais com a presença do Papa Francisco em suas terras. Esta segunda-feira, 6, foi o dia da primeira Missa presidida pelo Pontífice em solo equatoriano. Especificamente, a celebração aconteceu no Parque Samanes, em Guayaquil, maior cidade do Equador e principal porto do país.

Na homilia, o Papa Francisco destacou a família como a grande “riqueza social, que outras instituições não podem substituir”. O Santo Padre disse que ela deve ser ajudada e reforçada “para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos”.

Em outubro, a Igreja celebrará o Sínodo Ordinário dedicado às famílias. O objetivo, segundo o Pontífice, é amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família enfrenta nos dias atuais.

O Bispo de Roma pediu que os fiéis intensifiquem as orações por este evento para que, mesmo aquilo que pareça impuro, escandalize ou espante, “Deus – fazendo-o passar pela sua ‘hora’ – possa milagrosamente transformá-lo”.

A reflexão sobre a família, na Missa desta segunda-feira, 6, foi motivada pelo Evangelho de São João, que narra o episódio das Bodas de Caná. No contexto, Maria leva a Jesus o problema da falta de vinho. Ele, segundo os relatos bíblicos, realiza o milagre e transforma a água em vinho.

Para o Papa, Maria ensina o exercício de colocar-se sempre à disposição de Jesus, que veio para servir, não para ser servido. “O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isso aprende-se especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. Dentro da família, ninguém é descartado”.

“Na família, os milagres fazem-se com o que há, com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão. Muitas vezes, não é o ideal, não é o que sonhamos nem o que ‘deveria ser’. O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado”, considerou o Papa.

O Papa concluiu a homilia, afirmando que o melhor dos “vinhos” ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. “E ainda não veio, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje veem desmoronar-se tudo”.

Francisco encerrou a homilia pedindo: “Como Maria nos convida, façamos ‘o que Ele nos disser’ e agradeçamos por, neste nosso tempo e nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos fazer recuperar a alegria de ser família”.

Após a Missa, o Santo Padre almoçou com a Comunidade dos Jesuítas e com a comitiva papal. Em seguida, retornou à Quito onde, visitou o Presidente da República e a catedral da cidade.

Ninguém faz parte da RCC, ela faz parte de nós, afirma Papa Francisco

“Ninguém faz parte da Renovação, mas ela faz parte de nós, com o pacto de que aceitemos a graça que nos oferece”, diz Papa em encontro com carismáticos

Cerca de 30 mil membros da Renovação Carismática encontraram-se com o Papa Francisco na tarde da última sexta-feira, 3, na Praça São Pedro, em Roma.

No início do encontro, diante da multidão e de diversos representantes de algumas Confissões Religiosas, o Santo Padre fez a seguinte oração:

“Senhor, enviai-nos o Espírito Santo, para que nos ensine tudo aquilo que Jesus nos transmitiu; dai-nos a memória daquilo que ele nos disse. Pai, enviai-nos o Espírito Santo, que Jesus nos prometeu. Ele nos guiará rumo à unidade. Jesus, Senhor, vós pedistes para todos nós a graça da unidade, nesta Igreja que é vossa e não nossa. A história nos dividiu. Jesus, ajudai-nos a caminhar na estrada da unidade ou desta diversidade reconciliada. Senhor, vós cumpris sempre o que prometestes. Dai-nos a unidade todos os cristãos. Amém!”

Após ouvir os diversos testemunhos e experiências, de alguns membros da Renovação Carismática, o Papa recordou, inicialmente, as palavras do cardeal Léon-Joseph Suenens, grande promotor, protetor e incentivador da Renovação Carismática, que a definiu como “fluxo de graça”.

No entanto, o Papa disse que foi um grande erro chamar a Renovação Carismática como um Movimento, “porque ele não tem um fundador, mas inclui uma grande variedade de realidades”. E acrescentou:

“É uma corrente de graças, um sopro renovado do Espírito a todos os membros da Igreja, leigos, religiosos, sacerdotes e bispos. É um desafio para todos nós. Ninguém faz parte da Renovação, mas ela faz parte de nós, com o pacto de que aceitemos a graça que nos oferece. Esta obra soberana do Espírito suscitou homens e mulheres renovados, depois de terem recebido a graça no Batismo, no Espírito, deram vida a associações, comunidades ecumênicas, escolas de formação e de evangelização, congregações religiosas, comunidade de ajuda aos pobres e necessitados”.

domingo, 28 de junho de 2015

Dia do Papa: Gestos que evangelizam

No início de uma noite chuvosa, que banhava toda a “Cidade Eterna”, a multidão ansiosa, que se encontrava congregada na Praça de São Pedro, viu brotar da chaminé, instalada no alta da Capela Sistina, a fumaça branca que anunciava a eleição do novo papa. Os gritos de alegria, se misturavam com o incontido desejo de saber, quem, entre os mais de cem cardeais eleitores, tinha sido escolhido como o sucessor de Pedro.

Depois de alguns minutos eis que o cardeal diácono aparece no balcão da renascentista basílica de São Pedro, para anunciar que já tínhamos um novo papa, cardeal Jorge Bergoglio, e que escolhia como nome, Francisco. Na hora do anúncio da eleição do novo papa, o tempo chuvoso, deu lugar a uma noite estrelada, já anunciando a chegada de um novo tempo, para a Igreja.

Depois de um longo tempo de espera eis que no balcão da Basílica de São Pedro, aparece o novo bispo de Roma, que na caridade é chamado a governar a Igreja, que se faz presente nos quatro cantos do mundo. De um modo muito simples, o cardeal de Buenos Aires, agora papa, dirige-se aos presentes a praça, os saudando com um fraterno boa noite.

Com esta saudação, Francisco começava a ganhar o coração daqueles que se encontravam naquele lugar, para escutar, as primeiras palavras do sucessor de Pedro. Logo em seguida, convidou a todos para uma oração pela vida e serviço do bispo emérito de Roma, Bento XVI, que estando fora do Vaticano, acompanhava com devoção este momento eclesial.

Ao dirigir as suas primeiras palavras, aos seus diocesanos e ao mundo através dos meios de comunicação, Francisco falou do início de um novo caminho, edificado em conjunto, isto é, o bispo caminhando com o seu povo, e o povo caminhando unido ao seu pastor. E antes de despedir a todos com a sua bênção, pediu que todos, por meio da oração pudessem abençoa-lo. A multidão respondeu ao seu pedido, com um grande silêncio orante, rompido depois de alguns minutos por um grande aplauso.


A partir daquela primeira aparição, três palavras passaram a marcar o pontificado do novo bispo de Roma: testemunho, encontro e diálogo. Com isto distâncias foram quebradas e uma nova esperança brotou nos corações dos homens e mulheres de boa vontade.

Reunido em um encontro com os jornalistas e indagado sobre o motivo da escolha do nome Francisco, não titubeou em responder: “desejo uma Igreja pobre e com os pobres”. Desde o início de seu ministério petrino, Francisco tem insistido sobre a necessidade da Igreja, em testemunhar o evangelho de Jesus Cristo, não apenas com palavras, mas sobretudo com os gestos.

E isto ele vem fazendo de um modo muito fraterno nas visitas pastorais, aos hospitais, as escolas e nas periferias das cidades, por ele já visitadas. Tem pedido veemente a Igreja, para armar a sua tenda, em meio, as periferias existênciais. O seu desejo é uma Igreja de saída, em diálogo com o mundo e não fechada em si mesma.
A fidelidade de Francisco ao anúncio do Evangelho da Alegria, o faz viver a experiência de encontros com muitas pessoas e situações. Desde a sua eleição o papa, que nasceu e viveu boa parte do seu ministério sacerdotal e episcopal na América Latina, vai ao encontro dos doentes, migrantes, mendigos, prisioneiros e os abraça, com o abraço misericordioso do Pai.

Mas como o Cristo andando de uma margem a outra para evangelizar, compartilhando dos sofrimentos das ovelhas a ele confiadas, não deixa de exigir no encontro com os grandes líderes políticos o respeito pelo ser humano, no ato do pensar os grandes projetos políticos e econômicos que norteam as ações dos governantes das nações.

A sua preocupação com o ser humano, o coloca em diálogo com os diversos seguimentos da sociedade, para discutir as questões pertinentes a vida do homem moderno. O seu modo simples e profundo de falar e se posicionar diante de questões morais, econômicas, políticas, religiosas entre outras, revelam a prudência do bom pastor, que deixa as 99 ovelhas do redil, para ir ao encontro daquela que se perdeu, agindo sempre com misericórdia.

No pouco tempo que se encontra à frente da barca de Pedro, o Papa Francisco vem promovendo importantes progressos na vida pastoral da Igreja. Com muita sutileza tem mostrado a Igreja, que a beleza de seus pronunciamentos sobre as questões referentes ao humano só tem sentido, quando estes vêm acompanhados por gestos que demostram o nosso respeito e cuidado com o ser humano, obra mais sublime do Criador.

São Pedro e São Paulo, permanecer e desdobrar

São Pedro e São Paulo são, como sabemos, dois santos importantíssimos para a Igreja de Jesus. O primeiro deles foi o primeiro papa, a rocha sobre a qual Cristo fundou a Igreja, e o outro ficou conhecido por seu ardor missionário, por levar o anúncio da Boa Nova aos gentios. Penso que essas duas figuras podem demonstrar um dinamismo fundamental para a vida de qualquer cristão, que é o que se pode chamar de dinamismo de permanência e desdobramento. O nome é um pouco confuso, mas imagino que vai ficar claro ao longo da reflexão, pelo exemplo dos dois apóstolos. O que é, então, o que ele significa?

Permanecer significa, de acordo com o dicionário Aurélio, “conservar-se ou persistir no mesmo estado ou qualidade sem mudança”, ou ainda, “demorar-se em alguma parte; ficar”. A rocha que é pesada e maciça, tende a ficar onde está. Precisa-se de alguma força para move-la de um lugar para outro e, se ela for pesada o suficiente, pode aguentar por muito tempo as intempéries, permanecendo essencialmente a mesma.

Por isso Jesus chama Pedro de rocha. Porque o fundamento da Igreja de Jesus não pode ser algo que mude com facilidade, deve ser algo fixo, imóvel. Lembremos, por sua vez, que o próprio Pedro, apesar de suas dificuldades pessoais, está fundamentado em Jesus. Na verdade, a rocha é o mesmo Cristo, como ele diz ao final do sermão da montanha no capítulo 7 de Mateus: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mt 7, 24). Pedro certamente edificou a sua casa sobre essa Rocha da Palavra de Deus.

A primeira parte desse dinamismo fala então dessa permanência em Jesus, necessária para que possamos ser verdadeiros cristãos. Essa permanência é ainda mais profunda se pensamos que Jesus é uma pessoa da Santíssima Trindade. Permanecer no amor de Jesus é ter o nosso fundamento em Deus uno e Trino. Não existe fundamento mais sólido que esse.

Mas o nosso ser quer mais do que permanecer. Ele quer crescer, se desdobrar em uma vida plena de sentido e feliz. Essa segunda parte do dinamismo faz referência a essa necessidade que experimentamos tão vivamente em nosso interior e São Paulo é um exemplo vivo de uma vida desdobrada. Com todas as suas viagens apostólicas, nas quais anunciava com ardor o Reino de Deus, nos mostra o fogo que ardia dentro dele e que precisava se espalhar pelo mundo. O fundador de uma comunidade religiosa uma vez disse: “A medida da grandeza da sua vida é a medida da causa a qual serves”. E qual causa é maior do que a causa de Deus? Que outra vida pode enchê-la mais de sentido? São Paulo experimentou isso de maneira muito forte e por isso se entregou tanto pelo Evangelho.

É importante notar que não existe desdobramento sem permanência, assim como não existe árvore sem a semente. Se São Paulo não estivesse em Cristo, a ponto de poder falar “Para mim o viver é Cristo”, nunca poderia ter sido quem foi. Por outro lado, vale ressaltar que São Pedro não foi apenas alguém que permaneceu, muito pelo contrário, amou tanto o Senhor que também terminou sua vida entregando-a por Jesus. Os dois santos que celebramos hoje, e poderíamos dizer que todos os santos da Igreja, são exemplos de um dinamismo de permanência e desdobramento desenvolvidos ao máximo de suas capacidades e possibilidades.

Enquanto celebramos a esses dois santos, pensemos como estamos em nossa própria vida cristã. O que posso crescer mais nesses tempos para me aproximar mais de Jesus? Preciso melhorar minha permanência nEle? Preciso fazer mais apostolado a partir desse encontro que tenho com Jesus? Seja como for, tenhamos a certeza que somente em Deus podemos ser felizes como foram São Pedro e São Paulo.