segunda-feira, 16 de abril de 2018

O pecado envelhece o coração, mas Cristo nos renova, diz Francisco

Encontrando os fiéis da Paróquia de São Paulo da Cruz, no bairro Corviale, o Papa Francisco encoraja para que a verdade de Cristo entre no nosso coração. Estimula a comunidade para que seja alegre com a fé e o encontro com Jesus ressuscitado .

Pedimos a graça de acreditar que “Cristo está vivo, ressuscitou”. Esta é a oração do Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Paróquia São Paulo da Cruz, naquela que foi sua 16ª visita pastoral a uma Paróquia romana.

No coração da paróquia da periferia romana, as palavras do Papa assumem um significado particular entre os moradores de um bairro que muitas vezes é relacionado a problemas de marginalização, delinquência e pobreza, como refere o pároco Pe. Roberto Cassano.

Deixar entrar no coração a “verdade de Cristo”
Nas dificuldades do dia a dia, o Pontífice encoraja a deixar entrar “no coração” a verdade de Cristo.

Meditando sobre as Leituras e o Evangelho do domingo, que ainda ressoam o clima de alegria pascal pela ressurreição de Jesus, Francisco recorda como os discípulos, quando viram Jesus depois da Ressurreição, tinham duvidado, porque aquela verdade ainda não tinha “entrado no coração”: é “menos perigoso” – observa – ter uma verdade “na mente” do que “tê-la no coração”. Eles “pela alegria não podiam crer” mas - observa o Papa - no fim “acreditaram”:

E essa, é a renovada juventude que recebemos do Senhor. Na Oração da Coleta falamos: a renovada juventude. Somos acostumados a envelhecer com o pecado… E o pecado envelhece o coração, sempre. Deixa o coração duro, velho e cansado. O pecado cansa o coração e perdemos um pouco da fé em Cristo Ressuscitado.

“Não, não penso. Isso seria muita alegria. Sim, sim, está vivo, mas está no Céu com seus negócios”. Mas os seus negócios sou eu! Cada um de nós!

A força de Jesus ressuscitado
Diante do nosso pecado, prossegue Francisco, temos “um advogado junto do Pai”:

Não tenham medo, Ele perdoa. Ele nos aproxima. O pecado nos envelhece, mas Jesus, ressuscitado, vivo, nos renova. Esta é a força de Jesus ressuscitado. Quando nos aproximamos do sacramento da penitência é para sermos renovados, para rejuvenescer. É isso que faz Jesus ressuscitado.

O encontro com quem sofre
A nossa “verdadeira juventude” é portanto “a vitória de Cristo sobre a morte, a vitória de Cristo sobre o pecado”:

Peçamos ao Senhor a graça que a alegria não nos impeça de crer, a graça de tocar Jesus ressuscitado, tocá-lo no encontro com a oração, no encontro nos Sacramentos, no encontro com o seu perdão que é a renovada juventude da Igreja, no encontro com os doentes, quando vamos visitá-los, com os encarcerados, com os mais necessitados, com as crianças e com os idosos. Se sentimos vontade de fazer o bem, é Jesus que nos leva a esta ação. É sempre a alegria; a alegria que nos faz jovens. Peçamos a graça de ser uma comunidade alegre, porque cada um de nós é seguro, tem fé e encontrou o Cristo ressuscitado.

Saudação final
Enfim, no final da celebração, diante da igreja o Papa fez uma saudação aos moradores do bairro Corviale, repetindo que “todos precisamos uns dos outros”. Um motivo para irmos adiante “juntos”.

VaticanNews

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Papa: o testemunho cristão incomoda e não conhece "meio-termo"

Na homilia na Casa Santa Marta, Francisco falou de três características do cristão para viver a alegria pascal: obediência, testemunho e concretude.

O Papa Francisco retomou as celebrações matutinas na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia da última quinta-feira (12), o Pontífice se inspirou na alegria pascal para ressaltar três características: obediência, testemunho e concretude.

Os 50 dias do tempo pascal foram para os apóstolos um “tempo de alegria” pela Ressurreição de Cristo. Uma alegria verdadeira, mas ainda duvidosa, temerária, enquanto depois, com a descida do Espírito Santo, a alegria se tornou “corajosa”: antes “entendiam porque viam o Senhor, mas não entendiam tudo”, estavam felizes mas não conseguiam entender. “Foi o Espírito Santo que os fez entender tudo”, afirmou o Papa.

Obediência
Como narra a primeira leitura extraída dos Atos (At 5,27-33), os Apóstolos são levados diante do Sinédrio, onde o sumo sacerdote lhes recorda a proibição de ensinar em nome de Jesus. “É preciso obedecer a Deus ao invés do que aos homens”: é a resposta de Pedro. A palavra “obediência” retorna também no Evangelho do dia (Jo 3,31-36).

E o Papa a destaca que “uma vida de obediência” é aquela que caracteriza os apóstolos que receberam o Espírito Santo. Obediência para seguir a estrada de Jesus, que “obedeceu até ao fim” como no Monte das Oliveiras. Obediência que consiste em fazer a vontade de Deus. A obediência é o caminho que o Filho “nos abriu”, disse Francisco, e o cristão, portanto, “obedece a Deus”, assim como fizeram os apóstolos.

Ao invés, os sacerdotes queriam comandar e resolver tudo com uma gorjeta: “a propina chegou até ao Sepulcro”. Assim se resolvem as coisas do mundo, disse o Papa, isto é, “com coisas mundanas”. A primeira é “o dinheiro”, do qual o diabo é o senhor, e sobre o qual o próprio Jesus diz que não se pode servir a dois senhores.

Testemunho
A segunda característica dos apóstolos é “o testemunho”: “o testemunho cristão incomoda”, afirmou o Papa. Um pouco talvez procuramos um “meio-termo” entre o mundo e nós, mas o testemunho cristão não conhece “meio-termo”. “Conhece a paciência de acompanhar as pessoas que não compartilham o nosso modo de pensar, a nossa fé, de tolerar, mas jamais de vender a verdade”, reiterou:

"Primeiro, obediência. Segundo, testemunho, que incomoda tanto. E todas as perseguições que existem, daquela época até hoje... Pensem nos cristãos perseguidos na África, no Oriente Médio… Mas existem mais do que nos primeiros tempos, na prisão, degolados, enforcados por confessar Jesus. Testemunho até o fim".

Concretude
A concretude dos apóstolos é, enfim, o terceiro aspecto sobre o qual reflete o Papa: falavam de coisas concretas, “não de fábulas”. Assim como os apóstolos viram e tocaram, cada um de nós, disse ainda Francisco, “tocou Jesus na própria vida”:

"Acontece que muitas vezes os pecados, os comprometimentos, o medo, nos fazem esquecer este primeiro encontro, do encontro que nos mudou a vida. Eh sim, nos remete a uma lembrança, mas a uma lembrança aguada; nos faz cristãos mas como 'colônia de rosas'. Aguados, superficiais. Pedir sempre a graça ao Espírito Santo da concretude. Jesus passou pela minha vida, pelo meu coração. O Espírito entrou em mim. Talvez, depois, tenha esquecido, mas a graça da memória do primeiro encontro".

Portanto, é tempo de pedir a alegria pascal.

"Vamos pedi-la uns aos outros, mas aquela verdadeira alegria que vem do Espírito Santo, que dá o Espírito Santo: a alegria da obediência pascal, a alegria do testemunho pascal e a alegria da concretude pascal".

VaticanNews

Papa Francisco: o Batismo "cristifica" o fiel

“As promessas batismais devem ser reavivadas todos os dias para que o Batismo 'cristifique' quem o recebeu, tornando-o realmente outro Cristo”, disse Francisco em sua catequese

Na audiência geral da última quarta-feira (11), o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses, ao concluir semana passada as reflexões sobre a Santa Missa.

O novo tema escolhido pelo Santo Padre é o Batismo, o fundamento da vida cristã. Trata-se do primeiro dos Sacramentos, enquanto é a porta que permite a Cristo Senhor fixar morada na nossa pessoa e, a nós, de nos imergir no seu Mistério.

O verbo grego “batizar” significa “imergir” (cfr CCC, 1214). Banhar-se com água é um rito comum a várias crenças para expressar a passagem de uma condição a outra, sinal de purificação para um novo início.

“Mas para nós cristãos não deve passar desapercebido que se é o corpo a ser imergido na água, é a alma a ser imersa em Cristo para receber o perdão do pecado e resplandecer de luz”, explicou o Papa, citando o escritor romano Tertuliano.

Novo aniversário
Como em outras ocasiões, o Papa perguntou aos fiéis quem sabe a data do próprio batismo, dando uma "lição de casa" a todos: perguntar aos familiares a data em que Cristo entrou em nossa vida. "É outro aniversário", disse Francisco, é o aniversário do renascimento, que também deve ser comemorado agradecendo ao Senhor.

Regeneração
Através do lavacro batismal, quem crê em Cristo é imerso na própria vida da Trindade. A água do batismo, prosseguiu Francisco, não é uma água qualquer, mas a água sobre a qual o Espírito é invocado. Por isso, o batismo é chamado também “regeneração”: acreditamos que Deus nos salvou por sua misericórdia, com uma água que regenera e renova no Espírito.

Por isso, o batismo é sinal eficaz de renascimento, para caminhar em novidade de vida. Imergindo-nos em Cristo, o Batismo nos torna também membro do seu Corpo, que é a Igreja, e partícipes da sua missão no mundo.

Este Sacramento, acrescentou o Papa, permite a Cristo viver em nós e a nós viver unidos a Ele, para colaborar na Igreja, cada um segundo a própria condição, para a transformação do mundo. Recebido uma única vez, o Batismo ilumina a nossa vida, guiando os nossos passos até a Jerusalém do Céu.

Um marco
“Há um antes e um depois do Batismo”, frisou Francisco.

O Sacramento supõe um caminho de fé, que chamamos catecumenato, evidente quando é um adulto a pedir o Batismo. Mas também as crianças, desde a antiguidade, são batizadas na fé dos pais. A este ponto, o Pontífice respondeu a quem questiona o porquê batizar as crianças e não esperar que, uma vez adultas, sejam elas mesmas a pedir o Sacramento. "Isso significa não ter confiança no Espírito Santo", respondeu, porque é Ele que faz crescer e amadurecer as virtudes cristãs. Todos devem ter esta oportunidade, "não esqueçam de batizar as crianças", recomendou o Papa.

"Cristificar"
“Ninguém merece o Batismo”, explicou ainda o Pontífice, pois é sempre um dom gratuito para todos, adultos e recém-nascidos. “As promessas batismais que todos os anos renovamos na Vigília Pascal devem ser reavivadas todos os dias para que o Batismo “cristifique” quem o recebeu, tornando-o realmente outro Cristo.”

VaticanNews

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Papa e a santidade: uma chamada para todos e não para os “super-heróis”

Com o anúncio da publicação da Exortação do Papa “Gaudete et Exsultate” sobre o chamado à santidade no mundo de hoje, o site Vatican News promoveu alguns pronunciamentos significativos do Pontiífice sobre a santidade

A Igreja precisa de Santos, não de super-heróis. Papa Francisco, desde a sua eleição à Cátedra de Pedro deu grande importância à santidade na Igreja e, em várias ocasiões falou sobre o que distingue o ser Santo, assim como indicou o que não é ser Santo. Em 2 de outubro de 2013, em uma das audiências gerais do seu primeiro ano de Pontificado, evidenciou que a Igreja “oferece a todos a possibilidade de percorrer o caminho da santidade, que é o caminho do cristão”, para o encontro com Jesus. A Igreja, observa, “não rejeita os pecadores”, acolhe-os e convida-os para que se deixem “contagiar pela santidade de Deus”. No final da catequese, o Papa citou o escritor francês Léon Bloy que nos últimos momentos da sua vida, dizia: “só existe uma tristeza na vida, a de não ser santo”.

Os Santos não são super-heróis, mas amigos de Deus
Em 1º de novembro de 2013, na primeira Festa de Todos os Santos como Papa, Francisco sublinha que os Santos são “os amigos de Deus”, porque nas suas vidas, “viveram em comunhão profunda com Deus”. Portanto o Santo Padre traça um perfil dos Santos, explicando logo que “não são super-heróis, nem nasceram perfeitos”. Os Santos, continua o Papa, “são como nós, como cada um de nós”, “viveram uma vida normal”, mas “conheceram o amor de Deus” e o “seguiram com todo o coração, sem condições e hipocrisias”. Portanto como se reconhece esta santidade? “Os Santos – responde o Papa – são homens e mulheres que têm a alegria no coração e a transmitem aos outros”. A alegria, é o que distingue os Santos, ao contrário dos cristãos com “cara de funeral” que, como repete muitas vezes, são características dos que não vivem bem a sua fé.

Todos os cristãos são chamados à santidade, sem excluir ninguém
Outra característica dos Santos é a humildade. Na homilia matutina na Casa Santa Marta, em 9 de maio de 2014, Francisco recorda São João Paulo II. E observa que “o grande atleta de Deus” acabou aniquilado pela doença, humilhado como Jesus”. O testemunho de Karol Wojtyla, mostra que a regra da santidade “é diminuir a fim de que o Senhor cresça” e por isso é preciso “a nossa humilhação”. Portanto, bem longe da imagem de pessoas com “superpoderes”. “A diferença entre os heróis e os Santos – explica ainda na homilia – é o testemunho, a imitação de Jesus Cristo: percorrer o caminho de Jesus”. Para o Pontífice há também outro tema muito importante: “a vocação universal à santidade” sobre o qual falou na audiência geral de 19 de novembro de 2014. “Todos os cristãos, enquanto batizados – sublinha – têm igual dignidade diante do Senhor e são irmanados pela mesma vocação que é a santidade”. “A santidade é um dom - continua o Papa – oferecido a todos, sem excluir ninguém, por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão”. E acrescenta “para ser Santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso”, “não, todos somos chamados a ser Santos”.

Os Santos também têm seus pecados, mas sabem arrepender-se e pedir perdão
Papa Francisco alerta à ideia dos Santos com “cara de santinho”. É algo muito mais profundo e alimentado por gestos, “muitos pequenos passos”, que cada um pode cumprir no lugar onde vive e trabalha. “Cada condição de vida – são suas palavras – leva à santidade, sempre!”. Um ano depois, em 1º de novembro de 2015, na Missa celebrada no Cemitério de Verano, fala sobre “o caminho para chegar à verdadeira felicidade”, a santidade. E observa que os santos são mansos e pacientes. Um caminho, o da mansidão e paciência, que foi percorrido por Jesus. Em 2016 volta a falar sobre o tema nas missas na Casa Santa Marta. Em 19 de janeiro, falando na homilia sobre Davi, observa que também na vida dos santos há tentações e pecados. A vida do rei de Israel é eloquente sobre isso: Santo e pecador. Tinha os seus pecados, “foi até um assassino”, mas no fim os reconhece e pede perdão. O Papa conclui, uma história que faz pensar que “não existe algum santo sem passado, mas nem pecador sem futuro”. Enquanto que na missa de 24 de maio, adverte que “a santidade não se pode comprar e nem vender”. É um dom a ser acolhido. Um dom e um caminho. “A santidade – sublinha Francisco – é um caminho na presença de Deus” e “não pode ser feita por alguém em meu nome”. “Um caminho – diz ainda – a percorrer com coragem, esperança e com a disponibilidade de receber esta graça”.

Não tenham o medo de ser Santos, evidencia também no Twitter
Os Santos são também “testemunhas e companheiros de esperança”. São palavras do Papa na audiência geral de 21 de junho de 2017. Na ocasião, explicou que para ser santos “não precisa rezar o dia todo”. A santidade está também “na doença e no sofrimento”, no trabalho e na “proteção dos filhos”. “Que o Senhor nos dê a esperança de ser Santos – foi a sua invocação – e não pensemos que é algo difícil, é mais fácil sermos delinquentes do que Santos! Não. Podemos ser Santos porque o Senhor nos ajuda”. O Papa fala de santidade também pelas redes sociais. No Twitter de 1º de novembro do ano passado evidencia que “o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade”. E não devemos “ter medo” de caminhar no caminho da santidade , que é dos humildes e não dos arrogantes.

O Motu proprio sobre a oferta da vida, caminho de santidade
Uma chamada e uma exortação que ressoa também nas 15 cerimônias de canonizações celebradas por Francisco, a partir de Madre Teresa, João XXIII e João Paulo II. Também na beatificação de Paulo VI, quando Francisco chama a atenção principalmente para a sua humildade, virtude própria das testemunhas e não dos “super-homens”. De modo significativo Francisco abre o caminho da beatificação, também aos que, levados pela caridade, ofereceram a própria vida pelo próximo. É a temática do Motu proprio intitulado Maiorem hac dilectionem, publicado em julho de 2017 que inicia com as palavras de Jesus tiradas do Evangelho de João: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos”. Eis a visão de Francisco sobre a Santidade: ser amigos de Deus e do próximo até a dom da vida.

Vatican News

sexta-feira, 23 de março de 2018

Papa Francisco: “o coração da Igreja é jovem”

Desde o dia 19 até o próximo dia 24, cerca de 300 jovens de todo o mundo participam de uma reunião em Roma que prepara o Sínodo da juventude. Nesse período, os participantes (católicos, de outras religiões e até ateus) debatem as temáticas propostas pela Igreja, além de contar com a opinião de milhares de jovens por meio das redes sociais.

Na segunda-feira (19), o Papa Francisco esteve no Pontifício Colégio Internacional “Maria Mater Ecclesiae” na abertura da reunião e disse que “os jovens devem ser levados a sério”.“Falem com coragem, digam o que vocês gostariam de dizer. Se alguém se sentir ofendido, peçam perdão e continuem (...). Parece-me que estamos rodeados por uma cultura que, por um lado, idolatra a juventude, tentando não deixá-la passar jamais, de outro, exclui tantos jovens de serem protagonistas”.

O Santo Padre ainda acrescentou que todo jovem tem uma vocação:

“Deus ama cada um e a cada um faz pessoalmente um chamado. É um presente que, quando é descoberto, enche de alegria. Estejam certos: Deus tem confiança em vocês, ele os ama e os chama. (...) Ele faz a vocês a pergunta que um dia Ele fez aos primeiros discípulos: “O que vocês estão procurando?”. Ele convida vocês a partilhar a busca da vida com Ele, a caminhar juntos. E nós, como Igreja, desejamos fazer o mesmo, porque não podemos deixar de partilhar com entusiasmo a busca pela verdadeira alegria de cada um”.

Lendo também e-mails de jovens enviados para o Sínodo, o papa se mostrou surpreso de que a juventude tem sentido falta e pedido de uma presença mais próxima de adultos.

“Uma jovem observou que aos jovens faltam pontos de referência e que ninguém os encoraja a ativar os recursos que possuem. Então, ao lado dos aspectos positivos do mundo juvenil, ela destacou os perigos, entre os quais o álcool, as drogas, uma sexualidade vivida de modo consumista.

E concluiu quase com um grito: “Ajudem o nosso mundo juvenil que se desmorona cada vez mais”. Não sei se o mundo juvenil se desmorona cada vez mais. Mas eu sinto que o grito dessa jovem é sincero e requer atenção. Também na Igreja devemos aprender novas formas de presença e proximidade”, alertou o Pontífice.

E finalizando, Francisco disse que a Igreja precisa recuperar o entusiasmo da fé e o gosto da busca e que isso pode ser ofertado por meio da juventude.

“Queridos jovens, o coração da Igreja é jovem precisamente porque o Evangelho é como uma linfa vital que a regenera continuamente. Cabe a nós ser dóceis e cooperar nesta fecundidade (...).

Devemos arriscar, porque o amor sabe arriscar; sem arriscar, um jovem envelhece, e a Igreja também envelhece. Portanto, precisamos de vocês, pedras vivas de uma Igreja com um rosto jovem, mas não maquiado: não artificialmente rejuvenescido, mas reavivado de dentro”.
A12.com - Jovens de Maria

domingo, 18 de março de 2018

Papa no Angelus: ir além das aparências para entender o mistério de uma pessoa

O verbo que João usa “ver”, "significa chegar ao coração, chegar com os olhos, com o entendimento até o íntimo da pessoa, dentro da pessoa”, disse o Papa.

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (18), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro.

O Evangelho deste domingo, narra o episódio ocorrido nos últimos dias da vida de Jesus que se encontra em Jerusalém para a festa da Páscoa judaica.

Alguns gregos também participaram desta celebração ritual. “Trata-se de homens animados por sentimentos religiosos, atraídos pela fé do povo judeu e que, tendo ouvido falar desse grande profeta, se aproximam de Filipe, um dos doze apóstolos, e lhe dizem: ‘Queremos ver Jesus’”.

Chegar ao coração
“João ressalta esta frase, centrada no ver, que no vocabulário do evangelista significa ir além das aparências para entender o mistério de uma pessoa. O verbo que João usa “ver” significa chegar ao coração, chegar com os olhos, com o entendimento até o íntimo da pessoa, dentro da pessoa”, disse o Papa.

“A reação de Jesus é surpreendente. Ele não responde com um sim ou com um não, mas diz: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado.” Estas palavras, que à primeira vista parecem ignorar a pergunta dos gregos, na realidade dão a verdadeira resposta, porque quem quer conhecer Jesus deve olhar dentro da cruz, onde sua glória é revelada. Olhar dentro da cruz.”

“ O Evangelho de hoje nos convida a dirigir o nosso olhar ao crucifixo, que não é um objeto de decoração ou o acessório de um roupa, às vezes abusado! ”

"Mas, um sinal religioso a ser contemplado e compreendido. Na imagem de Jesus crucificado se revela o mistério da morte do Filho como supremo ato de amor, fonte de vida e salvação para a humanidade de todos os tempos. Em suas chagas fomos curados”. 

Sabedoria da cruz
“Posso pensar: como eu olho o crucifixo? Como uma obra de arte, para ver se é bonito ou feio? Eu o olho de dentro, entro nas chagas de Jesus até o seu coração? Olho o mistério do Deus que se aniquilou até a morte, como um escravo, como um criminoso? Não se esqueçam disso: olhar o crucifixo, mas olhá-lo dentro."

"Existe esta devoção bonita de rezar um Pai-Nosso em alguma das cinco chagas: quando rezamos este Pai-Nosso, procuremos entrar dentro das chagas de Jesus, em seu coração."

“ Ali, aprenderemos a grande sabedoria do mistério de Cristo, a grande sabedoria da cruz. ”

Para explicar o significado de sua ressurreição, Jesus usa uma imagem e diz: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só; mas se morre, então produz muito fruto.”

Resgatar os homens
“Ele quer deixar claro que o seu evento extremo, ou seja, a cruz, morte e a ressurreição, é um ato de fecundidade, as suas chagas nos curaram. Uma fecundidade que dará fruto para muitos. Assim, ele se compara ao grão de trigo que morrendo na terra gera vida nova."

"Com a encarnação, Jesus veio ao mundo; mas isso não basta: Ele deve também morrer para resgatar os homens da escravidão do pecado e dar-lhes uma nova vida reconciliada no amor. Eu disse para resgatar os homens: para me resgatar, resgatar você, todos nós, cada um de nós. Ele pagou esse preço. Este é o mistério de Cristo. Vai às suas chagas, entre e contempla. Veja Jesus de dentro.”

Dinamismo do grão de trigo
Segundo o Papa, “este dinamismo do grão de trigo, realizado em Jesus, também deve ser realizado em nós seus discípulos".

“ Somos chamados a fazer nossa esta lei pascal de perder a vida para recebê-la nova e também eterna.”

Então Francisco perguntou: “O que significa perder a vida? O que significa ser um grão de trigo? Significa pensar menos em si mesmos, nos interesses pessoais, e saber “ver” e ir ao encontro das necessidades de nosso próximo, especialmente dos últimos.”

“Realizar com alegria obras caritativas aos que sofrem no corpo e no espírito é a maneira mais autêntica de viver o Evangelho, é o fundamento necessário para que as nossas comunidades cresçam na fraternidade e no acolhimento recíproco. Quero ver Jesus, mas vê-lo de dentro. Entra em suas chagas e contempla o amor de seu coração por você, por mim, por todos.”

Papa recorda visita a Pietrelcina e San Giovanni Rotondo
Após a oração mariana do Angelus, o Papa saudou todos os fiéis presentes na Praça São Pedro, provenientes da Itália e várias partes do mundo. Saudou também a União Folclórica Italiana.

Francisco recordou sua visita pastoral realizada, neste sábado (17), a Pietrelcina e San Giovanni Rotondo, nas pegadas de São Padre Pio.

“Ontem, visitei Pietrelcina e San Giovanni Rotondo. Saúdo com afeto e agradeço as comunidades diocesanas de Benevento e Manfredonia, os bispos, Dom Accrocca e Castoro, os consagrados, fiéis e autoridades. Agradeço a acolhida calorosa e levo todos no coração, especialmente os doentes da “Casa Alívio do Sofrimento”, os idosos e os jovens. Agradeço aos que prepararam esta visita que realmente não esquecerei. Que Padre Pio abençoe a todos.”

Vatican News

Por que a Semana Santa muda de data todos os anos?

Como é importante para os cristãos celebrar, viver e prolongar na vida a presença real do Senhor na liturgia! A liturgia permite celebrar os mistérios da vida de Jesus ao longo do ano, tendo sua ressurreição como eixo. Esse ano é conhecido como ciclo ou ano litúrgico. O ano litúrgico é regulado entre a data móvel da Páscoa (segundo o ciclo lunar) e seu início, também móvel, relacionado com o Natal.

O Natal é celebrado durante o solstício de inverno do hemisfério norte (segundo o ciclo solar), convertendo a celebração popular pagã do nascimento do sol invicto na celebração do nascimento de Jesus.

Mas por que a Semana Santa muda de data todo ano? Porque muda a data da festa da Páscoa. E a data da festa da Páscoa de ressurreição é móvel porque está ligada à páscoa judaica.

O povo judeu celebrava a páscoa, chamada também de “Festa da Liberdade”, comemorando o fim da escravidão e sua saída do Egito. Segundo o judaísmo, os hebreus devem celebrar todos os anos a festa da páscoa durante uma semana inteira, entre os dias 14 e 21 do mês de Nissan – dias que começam com a primeira lua cheia da primavera.

O mês de Nissan é o primeiro mês do calendário hebraico bíblico (Êx 12, 2), porque nesse mês o povo de Israel saiu do Egito. Tal mês cai entre os dias 22 de março e 25 de abril.

A festa da páscoa era fixada com base no ano lunar, e não no ano solar do calendário civil. Recordemos que, nas antigas civilizações, empregava-se o calendário lunar para calcular a passagem do tempo.

Por que os judeus celebram sua páscoa com a primeira lua cheia da primavera? Porque havia lua cheia na noite em que o povo judeu saiu do Egito, e isso lhe permitiu fugir à noite sem ser descoberto pelo exército do Faraó, ao não depender de lâmpadas.

Mas o que a páscoa judaica tem a ver com a Páscoa cristã?
Na Última Ceia, realizada na Quinta-Feira Santa, os apóstolos celebraram com Jesus a páscoa judaica, comemorando o êxodo do povo de Israel, guiado por Moisés. Com isso, temos a certeza de a primeira Quinta-Feira Santa da história era uma noite de lua cheia.

E é por isso que a Igreja coloca a Quinta-Feira Santa no dia de lua cheia que se apresenta entre os meses de março e abril. Então, a data da Semana Santa depende da lua cheia.

Esta mobilidade afeta não somente as festas relacionadas à Pascoa, mas também o número de semanas do Tempo Comum; são as chamadas festas móveis, que variam todos os anos, juntamente com a solenidade da Páscoa, da qual dependem.

Antigamente, a Páscoa era celebrada exatamente no mesmo dia da páscoa judaica; mas uma decisão do Concílio de Niceia (ano 325) determinou que a Páscoa cristã fosse celebrada no domingo (o domingo posterior à primeira lua cheia primaveral do hemisfério norte).
Jovens de Maria - A12.com

quinta-feira, 1 de março de 2018

Papa: é pouca a nossa oferta, mas Cristo tem necessidade deste pouco

Na catequese da Audiência Geral de quarta-feira (28), o Papa Francisco falou sobre a "apresentação das oferendas": "O Senhor nos pede, na vida ordinária, boa vontade; nos pede coração aberto, nos pede desejo de ser melhores e para dar-se ele mesmo a nós na Eucaristia, nos pede estas ofertas simbólicas que depois se tornam o Corpo e o Sangue”.

A Cruz foi o primeiro altar cristão, e “quando nós nos aproximamos do altar para celebrar a Missa, a nossa memória vai ao altar da Cruz, onde foi feito o primeiro sacrifício”.

O Papa deu continuidade a sua série de catequeses sobre a Santa Missa, falando sobre a Liturgia Eucarística, em particular, a apresentação das oferendas.

Com a temperatura de -2°C, o tradicional encontro das quartas-feiras realizou-se na Sala Paulo VI. Como os 12 mil fiéis presentes superavam a capacidade da Sala Paulo VI de 7 mil pessoas, parte deles teve de ser deslocada até a Basílica de São Pedro, de onde acompanharam por um telão. Ao final do encontro, o Papa Francisco foi até eles saudá-los. 

A Liturgia eucarística segue a Liturgia da Palavra, recordou o Santo Padre. "Nela, por meio dos santos sinais, a Igreja torna continuamente presente o Sacrifício da nova aliança sigilada por Jesus no altar da cruz", que "foi o primeiro altar cristão, o da Cruz, e quando nos aproximamos do altar para celebrar a Missa, a nossa memória vai ao altar da Cruz, onde foi feito o primeiro sacrifício”.

O Papa explicou que o sacerdote, na Missa, “representa Cristo, cumpre aquilo que o próprio Senhor fez e confiou aos discípulos na Última Ceia: tomou o pão e o cálice, deu graças, os deu aos seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei...bebei: este é o meu corpo... este é o cálice de meu sangue. Fazei isto em memória de mim”.

Obediente ao mandato de Jesus, a Igreja dispôs a Liturgia eucarística “em momentos que correspondem às palavras e aos gestos realizados por Ele, por Jesus, na véspera de sua Paixão. Assim – explicou o Papa – na preparação dos dons são levados ao altar o pão e o vinho, isto é, os elementos que Cristo tomou em suas mãos”.

“Na oração eucarística damos graças a Deus pela obra da redenção e as ofertas se tornam o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Seguem a fração do Pão e a Comunhão, mediante a qual revivemos a experiência dos Apóstolos que receberam os dons eucarísticos das mãos do próprio Cristo”.

O primeiro desses gestos de Jesus – observou Francisco - foi tomar o pão e o vinho, o que corresponde, na celebração da Eucaristia, à apresentação das ofertas:

“É bom que sejam os fiéis a apresentar ao sacerdote o pão e o vinho, porque eles significam a oferta espiritual da Igreja ali recolhida pela eucaristia. Não obstante hoje os fiéis não levem mais, como em um tempo, o próprio pão e vinho destinados à Liturgia, todavia o rito da apresentação destes dons conserva o seu valor e significado espiritual”.

“Nos sinais do pão e do vinho o povo fiel deposita a própria oferenda nas mãos do sacerdote, o qual a coloca sobre o altar ou banquete do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística”.

Desta forma, no “fruto da terra e do trabalho do homem” é oferecido o compromisso dos fiéis em fazerem de si mesmos, obedientes à palavra de Deus, um “sacrifício agradável a Deus, Pai todo poderoso”, “para o bem de toda a Santa igreja”.

Assim, “a vida dos fiéis, seus sofrimentos, a sua oração, o seu trabalho, são unidos àqueles de Cristo e a sua oferta total, e neste modo assumem um novo valor”:

“É pouca a nossa oferta, mas Cristo tem necessidade deste pouco. O Senhor nos pede pouco, e nos dá tanto. Nos pede pouco: nos pede, na vida ordinária, boa vontade; nos pede coração aberto, nos pede desejo de ser melhores e para dar-se ele mesmo a nós na Eucaristia, nos pede estas ofertas simbólicas que depois se tornam o corpo e o sangue”.

Uma imagem deste movimento oblativo de oração é representada pelo incenso que, consumido no fogo, libera uma fumaça perfumada que sobe:

“Incensar as ofertas, como se faz nos dias de festa, incensar a cruz, o altar, o sacerdote e o povo sacerdotal manifesta visivelmente o vínculo ofertorial que une todas estas realidade ao sacrifício de Cristo”.

“E não esquecer: existe o altar que é Cristo, mas sempre em referência ao primeiro altar que é a Cruz, e sobre o altar que é Cristo levamos o pouco de nossos dons – o pão e o vinho – que depois se tornarão o muito – Jesus mesmo – que se dá a nós”.

Isto é expresso também na “oração sobre as ofertas”, quando “o sacerdote pede a Deus para aceitar os dons que a Igreja lhe oferece, invocando o fruto da mirável troca entre a nossa pobreza e a sua riqueza.

No pão e no vinho apresentamos a ele a oferta de nossa vida, para que seja transformada pelo Espírito Santo no sacrifício de Cristo e torne com Ele uma única oferta espiritual agradável ao Pai. Enquanto se conclui a preparação dos dons, se dispõe à Oração Eucarística”.

Que a espiritualidade do dom de si, que este momento da Missa nos ensina, possa iluminar os nossos dias, as relações com os outros, as coisas que fazemos, os sofrimentos que encontramos, ajudando-nos a construir a cidade terrena à luz do Evangelho.

Vatican News

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Com dia e hora marcada: a renúncia de Bento XVI

Depois de oito anos de pontificado, Joseph Ratzinger, Bento XVI, apresentou sua renúncia a toda a Igreja Católica. Na manhã do dia 11 de fevereiro de 2013, na presença de muitos dos seus amigos cardeais que o acompanharam nos últimos anos, em latim, leu a seguinte declaração:

“Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice”. 

A notícia foi dada durante a realização do consistório ordinário para a causa de três canonizações. No dia, o Decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Angelo Sodano, considerou o ato de Bento XVI como “um trovão em céu sereno”.

A renúncia de um papa é prevista pela Igreja, mas o último a pedir o afastamento de sua posição foi Gregório XII no século XV. Entretanto, o ato de Bento XVI foi carregado de coragem. Aos 85 anos, renunciou por sentir que “suas forças” já não eram mais “idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino”.

No Brasil, como em todo o mundo, a Igreja recebeu com surpresa a notícia da renúncia. Numa segunda-feira de carnaval, o fato mudou o tom dos noticiários brasileiros.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil destacou em nota que o papa renunciante entraria para a história como o “Papa do amor” e o “Papa do Deus Pequeno”, e assinalou que durante o curto período em que esteve à frente da Igreja, contribuiu para o diálogo entre as diversas religiões e para conduzir os fiéis ao encontro com Deus criador e Senhor da vida.

O Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer destacou em uma mensagem aos fiéis, dois dias depois da renúncia, os feitos de Bento XVI durante seu ministério:

“Ao papa Bento XVI, nossa admiração e nosso agradecimento, pelo bem que fez à Igreja, mesmo em meio a tantos sofrimentos e até incompreensões. Somos gratos ao papa Bento XVI por seus numerosos, ricos e profundos ensinamentos, pelas suas catequeses e documentos magisteriais, pelas suas encíclicas sobre a caridade, a esperança e a encíclica social - Caritas in Veritate -, sobre as novas questões que o mundo e a Igreja enfrentam”.

Em seus últimos compromissos, fez questão de frisar que não abandonava a Igreja, mas iria se recolher em oração, a exemplo do apóstolo Pedro.

A grande despedida de Bento XVI aconteceu na última audiência geral realizada na véspera de sua renúncia. Cerca de 150 mil fiéis lotaram a Praça de São Pedro para se despedir do papa alemão. Faixas e cartazes demonstravam o amor do povo ao fiel servidor de Cristo.
No dia 28 de fevereiro, último dia do pontificado, os fiéis católicos, bem como todo o mundo, acompanharam a sua saída do Vaticano até o Palácio de Castel Ganfolfo. Um aceno e um agradecimento foram os seus últimos gestos.

“Sabeis que hoje é um dia diferente dos outros” disse o papa. “Já não sou Sumo Pontífice da Igreja Católica. Sou simplesmente um peregrino que inicia a última etapa da sua peregrinação nesta terra. Obrigado.”, foram as últimas palavras de Bento XVI na sacada do palácio.

Às 20h do dia 28 de fevereiro de 2013, A Igreja Católica entrou em Sé Vacante, aguardando o Conclave que elegeria o seu futuro pontífice. 

Foi nesse início do tempo de Quaresma, momento em que toda Igreja se abria para a vivência da espiritualidade penitencial, o recolhimento interior e a reflexão dos mistérios da vida e do sofrimento de Cristo, que Bento XVI apresentou sua renúncia.  

Com dia e hora marcada, Bento XVI recolheu-se a uma vida de oração, para ficar cada vez mais próximo daquele que foi o centro de sua vida: Jesus Cristo. 

Fatos marcantes do pontificado de Bento XVI
Joseph Ratzinger realizou 24 viagens internacionais. No total, as viagens pontifícias tiveram como destino prioritário a Europa (16), seguindo-se a América (3), o Médio Oriente (2), a África (2) e a Oceânia (1); e mais 30 visitas em solo italiano.

Bento XVI assinou três encíclicas: ‘Deus caritas est’ (Deus é amor), ‘Spe salvi’ (Salvos na esperança) e ‘Caritas in Veritate’ (A caridade na verdade).

Também presidiu a três Jornadas Mundiais da Juventude (Colônia, Sidney e Madrid), e convocou cinco Sínodos dos Bispos, um Ano Paulino, um Ano Sacerdotal e um Ano da Fé.

Em 2012, Bento XVI encerrou a sua trilogia sobre ‘Jesus de Nazaré’ com um livro sobre a infância de Cristo, dois anos após a publicação do livro-entrevista 'Luz do Mundo', resultante de uma conversa com o jornalista alemão Peter Seewald.

No pontificado de Bento XVI foram canonizados 44 santos em 10 cerimônias, incluindo o primeiro santo brasileiro, santo Antônio de Sant´Anna Galvão, o frei Galvão.

Desde a sua renúncia, o Papa emérito tem mantido uma vida reservada no Mosteiro ‘Mater Eclesiae’, do Vaticano.
A12.com / Agências Rádio Vaticano e Ecclesia

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Dom Roberto Francisco completa dez anos de Ordenação Episcopal

Dom Roberto Francisco completa na próxima quinta-feira (22) dez anos de ordenação episcopal. A data será marcada com uma Santa Missa em ação de graças, às 19h, na Catedral Basílica Menor do Santíssimo Salvador, em Campos dos Goytacazes. A Diocese de Campos esta enviando convite a todas as comunidades para participarem deste dia de agradecimentos pela vida do Pastor Diocesano.

Com um pastoreio voltado a preservar o legado dos antecessores, Dom Roberto Francisco assumiu muitos desafios para um governo em comunhão com as diretrizes do Papa Francisco de uma igreja em saída e voltada a defesa da vida e dos direitos dos cidadãos. E neste tempo na Diocese de Campos aceitou trabalhar na coordenação de pastorais sempre pautado na ética do evangelho e numa ação profética anunciando a boa nova do evangelho, mas nunca se omitindo na denuncia a estruturas que são contrárias a cidadania plena com direitos a saúde, educação. Uma das dimensões do episcopado de Dom Roberto é o diálogo com toda a sociedade e com o mundo da cultura.

Entre as frentes pastorais atualmente é o coordenador da Pastoral da Saúde na CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. E com coragem vem denunciando o grande perigo de uma reforma que coloque o atual SUS – Sistema Único de Saúde como um sistema que não promova ações que respeitem o direito do cidadão à saúde pública de qualidade, com investimentos governamentais que garantam ao cidadão seus direitos adquiridos. Mas a luta de Dom Roberto vai além. Defende uma política que tenha como projeto a formação de políticos que tenham como meta o bem comum.

— Chegando a realização dos primeiros dez anos do meu pastoreio episcopal, me sinto embargado por uma grande alegria e entusiasmo, não tanto pelas poucas obras realizadas, mas por caminhar com o Povo de Deus da minha Diocese, minha querida esposa de Campos. É de veras gratificante tratar com o presbitério como se fossemos uma família de irmãos e amigos que crescem juntos, com o apoio e a liderança de muitos e numerosos leigos das comunidades que muito edificam a Igreja. Com a oração e proteção das Monjas, Irmãs, Virgens e Consagradas Seculares que são um bálsamo confortante e incentivador — relata o bispo.

Dom Roberto confidencia que o tempo passou muito rápido e fala de seus projetos e sonhos por uma sociedade mais justas que aprenda a respeitar a dignidade e direitos básicos que devem ser garantidos a todo cidadão, em especial o direito a vida, saúde e educação. Uma igreja que seja acolhedora e defensora do pobre e em saída.

— Descubro que nestes anos que passaram tão rapidamente, estamos mais organizados e mais posicionados em diversos âmbitos. Cresce a presença na comunicação, na educação, na sociedade civil com o protagonismo do laicato. Chegamos a fazer uma Romaria da Água e da Terra e foram dados passos de uma Pastoral Ambiental a serviço da vida e integridade do Planeta. O Sínodo Diocesano marcou profundamente a vida das Paróquias, estabelecendo rotinas administrativas e contábeis mais seguras e transparentes. – conta Dom Roberto Francisco.

Dom Roberto Francisco tem sido o profeta dos tempos modernos, anunciando a Boa Nova, mas com coragem denunciando as estruturas que atentam contra a vida. Um pastor que acolhe bem seu rebanho e se dedica a grandes projetos de uma igreja missionária e em saída. 

— É um bispo politizado, prático e engajado. Outro ponto importante do nosso bispo é a sua abertura e sua constante convocação dos leigos para a messe. É um grande incentivador do povo à busca pelas Coisas do Alto. – disse Marta Martins, pertencente a Comunidade Santa Teresinha, em Aperibé.

Manter o diálogo com o mundo da cultura e inter-religioso tem sido uma das propostas do episcopado de Dom Roberto Francisco. Ano passado promover o encontro com os comunicadores, dentro da programação do Ano Mariano. Foram visitas aos veículos de comunicação e fechando o programa iniciaram as visitas as prefeituras das cidades no território diocesano. 

— A sua marca é de ser atuante nos debates políticos e culturais em Campos, e acima de tudo na promoção do bem-estar de todos, em especial dos menos favorecidos. Com muita alegria, celebramos este momento e desejo força nesta grande missão de nos liderar na compreensão e na busca por um mundo melhor que encontramos em Deus — afirmou o prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz.


— Os parabéns meus e de toda a Administração Apostólica, agradecendo a Deus pela nossa amizade e comunhão, vivida e sempre concretizada pela nossa comum presença nos principais eventos da Igreja e da cidade. Deus abençoe Dom Roberto e lhe dê muitos anos de vida e de profícuo ministério episcopal. – disse o bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, Dom Fernando Arêas Rifam.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Um itinerário para aprofundar a Espiritualidade Quaresmal

O tempo quaresmal deve ser para o cristão, um momento oportuno para recordar, na vida pessoal, as ações de Jesus, pois convida a dar um salto qualitativo, à luz da vida do Doador de Vida que convoca a cada um de nós a um itinerário de seguimento e a fazer a experiência da via amorosa e reconciliadora, presente no mistério pascal.

Esta realidade tem implicações profundas na vida e não é uma tarefa fácil, uma vez que pede de cada um, certos elementos que rompem com o comodismo, com a passividade e requer nova postura frente à realidade e um modo novo de vivenciar a fé. Deve superar a concepção de que basta somente o jejum, a caridade e a oração, muitas vezes vistos de um modo banal, pela sociedade de hoje e por muitos cristãos, como cumprimento de um preceito.

Diante da proposta litúrgica da Quaresma, cada um deve se perguntar: O que significa este tempo para mim? Como o vivo? Quais são os frutos espirituais conquistados e que repercutem na vida cristã? Como estou me preparando para celebrar o grande mistério pascal de Cristo? Ou será que este é mais um período proposto pelo calendário litúrgico e nada me diz?

É bom que à luz destas interrogações, cada um se ponha a perguntar e a refletir sobre a vida espiritual pessoal. Para ajudar, neste artigo, vão alguns elementos para que cada pessoa, na quaresma, e para a vida, possa fazer seu próprio itinerário espiritual.

Neste tempo profundo proposto ao crente para a preparação à Grande Festa da Páscoa,não se pode esquecer-se da Sagrada Escritura, especialmente daqueles textos que ajudam a refletir sobre o sentido da misericórdia, da conversão e do amor de Deus na vida do ser humano; sobre a libertação, a aliança com Deus e a humanidade e aqueles que se referem à criação, ou a nova criação, à profecia, ao testemunho e as ações de Jesus: sua vida de anúncio da Boa Nova, oração, contato com as pessoas e seu modo de fazer o bem.

Propositalmente, não colocarei nenhuma citação para direcionar, é importante que cada um sinta-se estimulado a buscar estes temas é lê-los em sintonia com a realidade e à vida.

Alguém pode perguntar: por que buscar estes temas? O aprofundamento deles, no período quaresmal, ajudará a celebrar melhor a Páscoa.

A Quaresma é como um tempo de enamoramento, à espera do grande festa de casamento, em que se celebra o mais profundo mistério de fé, de humanização de Deus e a mais fiel aliança da história, realizada na Cruz de Cristo e na sua ressurreição.

Neste sentido, a Escritura é nossa testemunha, é porta-voz de todo o evento divino-humano e redemptivo da história da humanidade e que fornece um itinerário à fé. Não é um itinerário tranquilo, pois desinstala, coloca em movimento, em caminho para encontrar a razão da fé e o sentido para a existência.

Além da Escritura, é importante ler a vida dos Santos e Santas da Igreja ou se há oportunidade, alguma obra que escreveram. Vale recordar a vida de João da Cruz, Teresa de Jesus, Teresinha de Lisieux, Edith Stein, Santo Antão, Santo Afonso, e outros que fizeram uma profunda experiência de fé: Madre Teresa de Calcutá, Dorothy Stang, Margarida Alves, pessoas que doaram sua vida por causa da fé em Jesus, em favor dos mais frágeis. Importante recordar os santos e santas das comunidades que, no silêncio, expressam a força para a missão da Igreja.

A preparação quaresmal requer uma mística e nos leva a uma mística, leva o crente a transfigurar-se em Jesus. Essa transfiguração tem um elo na vida contemplativa e prática, fé e ação e, neste sentido, a vida dos Santos e Santas e daqueles que doaram suas vidas em favor do Reino e das vidas fragilizadas, nos faz cada repensar o nosso itinerário de vida e de fé, porque nos remete as raízes de nossas promessas batismais e as implicações que o batismo tem na vida cristã.

Quando se espera alguém para uma festa, antes há uma preparação. Na Quaresma também não é diferente, precisa preparar o coração - centro das decisões morais, lugar onde cada um é o que é. Uma das maneiras propostas pela Igreja é o Sacramento da Reconciliação. Infelizmente, hoje, este sacramento vem sendo desvalorizado, tanto por parte de muitos sacerdotes, bem como dos fiéis.

Para este momento, sacerdote e fiel devem estar preparados, pois é um sacramento que toca lá nas profundezas da pessoa, nas suas luzes e sombras e, busca, trazê-la à luz que emana do mistério pascal de Cristo.

O sacerdote deve ser um mistagogo, aquele que ajude o penitente a fazer a experiência do mistério redentor de Jesus, na vida; e a pessoa a reencontrar novos caminhos de vida e santidade.

Além do sacramento da reconciliação é imprescindível, a participação na Eucaristia, a grande oração da Igreja, momento em que celebramos a nossa páscoa na páscoa de Jesus.

São Tiago, em algumas linhas recorda que a fé se expressa em atos concretos: meus irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Por acaso a fé poderá salvá-lo? Por exemplo: um irmão ou irmã não têm o que vestir e lhes falta o pão de cada dia.

Então alguém de vocês diz para eles: ‘Vão em paz, se aqueçam e comam bastante’; no entanto, não lhes dá o necessário para o corpo. Que adianta isso? Assim também é a fé: sem as obras, ela está completamente morta. (Tg 2, 14-17)

É comum ouvir alguém dizer que a Quaresma é tempo de “fazer caridade”. Não é incorreto, porém, se a nossa caridade termina com a Quaresma algo vai muito mal e é sinal de uma espiritualidade débil. O agir caritativo e solidário deve continuar na dimensão da pascalidade de Jesus, isto é, deve ganhar tonalidade, vigor e estímulo para que a dimensão pascal da fé cristã torna-se um imperativo ético, porque impõe um olhar crítico à realidade, questionando as estruturas envelhecidas do pecado e da morte.

Não se trata de um falso moralismo, sim de um viver angustiado, que interroga o mundo, para ajudá-lo a ser o lugar, onde as pessoas possam plenificar-se humanamente.

Um exemplo de ação é envolver-se com as propostas da Campanha da Fraternidade, que é uma convocação da Igreja do Brasil, à comunidade de fé a olhar com cuidado certos problemas e desafios, refletir sobre eles e buscar uma ação concreta, à luz da fé, da esperança e da caridade.

A espiritualidade quaresmal se faz seguindo os passos de Jesus. Para isso, é preciso recordar (deixar passar pelo coração) bem de sua pessoa e caminhar com ele, fazer os seus êxodos, sofrer com ele as tentações, as incompreensões, a sua experiência de intimidade com o Pai e com os mais abandonados da sociedade.

Entregar-se, de fato, esvaziar-se para que se faça a vontade do Pai e experimentar a força da ressurreição como resposta à morte, ao egoísmo, à indiferença e a tudo aquilo que afasta do projeto de realização do Reino na vida humana.

A12.com

Viver o tempo da Quaresma com Nossa Senhora

Podemos afirmar que não há tempo litúrgico na Igreja em que a Virgem Maria esteja ausente. Há, porém, alguns tempos, como o Advento, em que é mais fácil associá-los à presença de Nossa Senhora. Cabe lembrar, que Maria é a Mãe da Igreja (Mater Ecclesiae), portanto, está vinculada, intrinsecamente aos mistérios de Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por ser um tempo marcado essencialmente pela penitência e pela conversão, muitos talvez não associem a Quaresma à presença de Maria Santíssima porque Ela foi criada por DEUS, Imaculada e Santa. Além disso, Sua vida sempre foi fazer a vontade de Deus. Dessa forma, Ela não teve que praticar a Quaresma. Entretanto, a perspectiva da Quaresma é mais ampla e a participação de Maria pode ser compreendida sob outra ótica: ensinar-nos a viver o tempo quaresmal.

A Quaresma inicia-se na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa. Com o rito da imposição das cinzas em nossa fronte, iniciamos um tempo espiritual muito relevante para todo o cristão católico que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal. Com a imposição das cinzas, o Sacerdote pronuncia as palavras “Convertei-vos e crede no Evangelho” ( Mc 1,15) e com a expressão “Lembra-te de que és pó e ao pó retornarás”( Gn 3,19), e nos exorta à reflexão sobre a real necessidade de conversão, recordando-nos a inexorável senilidade e a efêmera fragilidade da vida humana, que é sujeita à morte. Por isso, a Igreja, sabiamente, nos convida a viver esse período de preparação para a Páscoa, durante o qual buscamos nossa conversão a Deus.

Quaresma é tempo de conversão e sacrifício (jejum), de revisão e mudança de vida; de escutar com mais atenção a palavra de DEUS (oração); tempo de viver o amor de DEUS traduzido em obras (a caridade e a esmola); é o tempo de cumprir as promessas que fizemos no dia do nosso Batismo.

Esse período nos recorda as diversas “quarentenas” citadas na Bíblia, por exemplo: os 40 dias em que Jesus passou no deserto; os 40 dias do dilúvio e dos 40 anos de caminhada do povo israelita pelo deserto rumo à Terra Prometida etc.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitência e a contrição.

A Santa Madre Igreja nos orienta três práticas penitenciais para vivermos esse período (jejum, oração e esmola) as quais estão profundamente enraizadas nas Escrituras (ex:Tb 12,8, Mt 6,1-18) e na Tradição da Igreja. Dessa forma, nós católicos devemos nos preparar para vivermos, da melhor maneira, este tempo.

Sabemos que é bem mais difícil nos prepararmos para viver a Quaresma do modo que realmente agrada o coração de Deus, se estivermos sozinhos porque, como seres humanos limitados, facilmente nos esquecemos dos nossos propósitos e logo abandonamos a busca constante da nossa conversão. Por essa razão é que procuramos viver a Quaresma acompanhados por Maria Santíssima. A vivência da quaresma em Sua companhia materna nos auxiliará a participar mais frutuosamente do mistério da Páscoa, que é o mistério central da nossa fé: Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Muito embora a figura de Maria apareça de forma discreta e silenciosa, por meio de Seu exemplo,podemos notar, imediatamente em Maria, as três virtudes essenciais que estão diretamente ligadas às práticas da Quaresma:

1- Silêncio (escutar e colocar em prática a Palavra de DEUS);

2- Caridade ou solidariedade (Maria Santíssima parte apressadamente a caminho da casa de Isabel para ajudá-la);

1- Penitência (participou do rito de Purificação, mesmo estando desobrigada).

Importante, também, observar a associação tão perfeita das orientações para a Quaresma com a mensagem de Nossa Senhora em Fátima aos três pastorinhos, em sua última aparição em 13 de outubro de 1917 e também na mensagem de Nossa Senhora Rosa Mística, em 3 de julho de 1947 em Montichiari a Pierina Gilli:

“Quero que continuem sempre a rezar o terço todos os dias… é preciso que se emendem que peçam perdão dos seus pecados… Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

“…Enquanto Santa Maria Crucifixa falava, a linda Senhora aproximou-se de mim, diz Pierina, então pude enxergar duas espessas lágrimas que corriam de seus olhos e percebi a sua doce voz que dizia:“Oração, sacrifício e penitência”.”

Lembremo-nos de que a Quaresma é um tempo de livre empenho no seguimento de Cristo e de que Nossa Senhora nos chama à mudança de vida. Maria Santíssima é o exemplo de quem medita e ouve a Palavra de Deus. Maria é obediente à vontade do Pai. Ela também caminha em direção à cruz. Maria é a premissa e o modelo de atitude que devemos tomar não somente na Quaresma, mas em todos os tempos de nossas vidas. Com Ela aprenderemos andar no caminho da oração, do jejum, da caridade, do recolhimento e do silêncio. Maria é o caminho que nos leva a Jesus.

Que nesta Quaresma, cresça em nós o amor filial Àquela que, aos pés da Cruz, nos deu seu Filho Amado para nossa salvação. Caminhemos com Maria meditando os mistérios do Santo Rosário, praticando a devoção das sete dores da Virgem Maria, rezando a Ladainha de Nossa Senhora e outras orações que honrem Nossa Senhora e Nosso Senhor Jesus Cristo!

Salve Maria Imaculada!

Academia Marial de Aparecida - A12.com

Papa: "Quaresma é um tempo de penitência, mas não de tristeza"

Antes de rezar o Angelus, Francisco frisou que "somente Deus pode nos dar a verdadeira felicidade: é inútil perder tempo procurando-a em outros lugares, em riquezas, prazeres, poder ou carreira".

Sob muita chuva, mas com a Praça São Pedro repleta de fiéis, turistas e romanos, o Papa Francisco rezou a oração do Angelus de domingo (18) e a precedeu com algumas palavras de reflexão sobre a Quaresma.

Inspirado no Evangelho de Marcos, Francisco propôs os três temas mencionados na leitura do dia: tentação, conversão e Boa Nova.

Assim como Jesus se preparou 40 dias no deserto, posto à prova por Satanás, para vencer as tentações nós devemos fazer o nosso ‘treinamento’ espiritual, disse o Papa.

“Somos chamados a enfrentar o mal mediante a oração para sermos capazes, com a ajuda de Deus, de derrotá-lo em nosso dia a dia. Infelizmente, o mal está à obra em nossa existência e ao nosso redor, aonde existem violências, negação do próximo, fechamentos, guerras e injustiças”.

Boa Nova exige do homem conversão e fé 
“Em nossa vida, precisamos sempre de conversão; não somos suficientemente orientados a Deus e devemos continuamente dirigir nossa mente e nosso coração a Ele. Para isto, é preciso ter a coragem de rechaçar tudo o que nos conduz fora do caminho, os falsos valores que atraem o nosso egoísmo”.

Frisando que “a Quaresma é um tempo de penitência, mas não de tristeza”, o Papa lembrou que é um compromisso alegre e sério para nos despojarmos de nosso egoísmo e de velhos ranços, e renovarmo-nos na graça do Batismo.

“Somente Deus pode nos dar a verdadeira felicidade: é inútil perder tempo procurando-a em outros lugares, em riquezas, prazeres, poderes, carreira. ”

"O reino de Deus é a realização de todas as nossas aspirações mais profundas e autênticas porque é, ao mesmo tempo, salvação do homem e glória de Deus”.

O apelo de Jesus à conversão
“Que Maria Santíssima nos ajude a viver esta Quaresma com fidelidade à Palavra de Deus e com oração incessante, como fez Jesus no deserto. Não é impossível! Trata-se de viver os dias desejando intensamente acolher o amor que vem de Deus e que quer transformar nossa vida e o mundo inteiro!”.

VaticanNews