quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Papa exorta jovens a arriscar, sonhar e ir em frente!

“O pessimismo te coloca para baixo, não te deixa fazer nada. E o medo te torna pessimista. Nada de pessimismo. Arriscar, sonhar e ir em frente”, disse Francisco aos milhares de jovens italianos reunidos em Roma em preparação ao Sínodo.

As dificuldades em se fazer escolhas nos momentos cruciais como etapa importante do percurso de desenvolvimento da personalidade, trazem inquietações sobretudo aos jovens.

A busca de modelos e referências na construção da própria identidade, as pressões externas que entram em conflito com os próprios sonhos, foram em síntese questões presentes na primeira pergunta feita ao Santo Padre por Letizia de 23 e Luccamatteo, de 21, no encontro de sábado no Circo Máximo.

Neste contexto, as palavras “sonho” e “medo”, pronunciadas pelos dois jovens, iluminaram a resposta do Papa Francisco.

Sonhos ajudam a abraçar o horizonte
“Um jovem que não sabe sonhar é um jovem anestesiado, não poderá entender a vida, a força da vida”, disse o Papa. “Os sonhos te despertam, te levam além, são as estrelas luminosas, aquelas que indicam um caminho diferente para a humanidade”.

“Vocês – disse Francisco aos 50 mil jovens italianos presentes neste grande espaço que tem ao fundo as ruínas do Palatino – têm no coração estas estrelas brilhantes que são os seus sonhos: responsabilidade e sonhos de vocês”. E este é o trabalho que vocês tem de fazer:

“Transformar os sonhos de hoje na realidade do futuro, e para isto é preciso coragem, como ouvimos dos dois. À jovem diziam: “Não, não: estuda economia porque com isto [queria cursar Arte ] morrerás de fome” e ao jovem que “sim, o projeto é bom, mas tiremos esta parte e esta e esta...” e no final não ficou nada. Não! Levar em frente com coragem, a coragem diante das resistências, das dificuldades, de tudo aquilo que faz com que os nossos sonhos sejam apagados”.

O Papa observa então que os sonhos devem ser purificados, colocados à prova e compartilhados, e alerta para aqueles “pequenos, miseráveis, que se contentam com pouca coisa”:

“Os sonhos da comodidade, os sonhos somente do bem-estar: “Não, não, eu estou bem assim, não vou mais em frente”. Mas estes sonhos te fazem morrer na vida! Farão com que a tua vida não seja uma coisa grande. Os sonhos da tranquilidade, os sonhos que adormecem os jovens e que fazem de um jovem corajoso um jovem de sofá”.

“ É triste ver os jovens no sofá, olhando como a vida passa diantes deles. ”

“Os jovens sem sonhos, que se aposentam aos 20, 22 anos: mas que coisa ruim um jovem aposentado. Pelo contrário, o jovem que sonha coisas grandes vai em frente, não se aposenta logo”.

Grandes sonhos são os sonhos do “nós”
Mas os grandes sonhos – frisa o Pontífice - “são aqueles que dão fecundidade, são capazes de semear paz, de semear fraternidade, de semear alegria, como hoje. Estes são sonhos grandes porque pensam em todos nós”. E para ilustrar, como costuma fazer, contou uma história:

“Uma vez um sacerdote me fez uma pergunta: “Diga-me, qual é o contrário de 'eu'? E eu, ingênuo, caí na armadilha e disse “O contrário de eu é 'tu'”. “Não, Padre: isto é semente de guerra. O contrário de 'eu' é 'nós'. Se eu digo: o contrário é tu, faço a guerra; se eu digo que o contrário do egoísmo é 'nós’', construo a paz, construo a comunidade, levo em frente o sonho da amizade, da paz. Pensem: os verdadeiros sonhos são os sonhos do 'nós'”.

“ Tu podes sonhar coisas grandes, mas sozinho é perigoso, porque poderás cair no delírio da onipotência. Mas com Deus não tenhas medo, vai em frente, sonhe grande. ”

São Francisco
A palavra medo usada na pergunta pelos dois jovens, inspirou a segunda parte da resposta do Pontífice, observando que muitas vezes “a vida faz com que os adultos deixem de sonhar, deixem de arriscar”.

Assim, “os sonhos dos jovens causam um pouco de temor nos adultos”, pois “quando um jovem sonha, vai longe”, e seus sonhos questionam as escolhas dos adultos, fazem com que os critiquem. “Mas vocês, não deixem que roubem seus sonhos!”.

O Papa recordou então de “um jovem italiano” do século XIII que se chamava Francisco, dizia ter um sonho dentro, “foi embora para sonhar, seu pai o seguiu, e aquele jovem refugiou-se no episcopado, despojou-se das vestes e as deu ao pai: 'Deixe-me seguir pelo meu caminho'. (…) Este jovem mudou a história da Itália”:

“Francisco arriscou sonhar grande, não conhecia as fronteiras e sonhando terminou a vida. Pensemos: era um jovem como nós. Mas como sonhava! Diziam que era louco porque sonhava assim. E fez tanto bem e continua a fazer.”

Testemunho
O Papa volta então a ressaltar a importância do testemunho: “um jovem que é capaz de sonhar, torna-se mestre, com o testemunho”:

“Porque é o testemunho que mexe, que faz mover os corações e revela os ideais que a vida cotidiana encobre. Não deixem de sonhar e sejam mestres no sonho. O sonho é de uma grande força!”.

“Mas Padre, e onde posso comprar os comprimidos que me fazem sonhar?”:

“Não, aqueles não! Aqueles não te fazem sonhar, eles adormentam o teu coração! Eles queimam os teus neurônios. Eles arruínam a tua vida”.

Um dom gratuito de Deus
Os sonhos – afirma Francisco – não podem ser comprados, “são um dom de Deus, um dom que Deus semeia nos corações de vocês. Os sonhos nos foram dados gratuitamente, para que nós também os déssemos gratuitamente aos outros. Ofertem os sonhos de vocês. Ninguém, os pegando, deixará vocês pobres. Ofereçam [os sonhos] aos outros gratuitamente”.

“Não ao medo!”, diz o Papa aos jovens:

“Jovens, sejam peregrinos na estrada de seus sonhos. Arrisquem nesta estrada, não tenham medo. Porque serão vocês a realizar os seus sonhos, porque a vida não é uma loteria, a vida se constrói. E todos nós temos a capacidade de fazer isso”.

“O pessimismo – disse Francisco ao concluir a resposta à segunda pergunta – te coloca para baixo, não te deixa fazer nada. E o medo te torna pessimista. Nada de pessimismo. Arriscar, sonhar e ir em frente”.

VaticanNews

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Papa Francisco: "Sucesso, poder e dinheiro são ídolos que escravizam"

Em sua catequese o Papa explicou que "a liberdade do homem nasce quando permitimos que o verdadeiro Deus seja o único Senhor. Isto nos faz aceitar nossa fragilidade e rechaçar os ídolos do nosso coração”.


Dando continuidade às catequeses sobre os Dez mandamentos, nesta quarta-feira (08) o Papa Francisco aprofundou o tema da idolatria, refletindo sobre o bezerro de ouro, narrado no Livro do Êxodo.


A tradicional audiência geral foi realizada na Sala Paulo VI, onde o ar condicionado aliviou o calor do Papa e das 7 mil pessoas participantes. 

Ilustrando o trecho bíblico do Êxodo, apresentado no início do encontro, o Papa disse que o Povo de Israel estava no deserto, angustiado sem água e alimentos, esperando Moisés que subira ao monte para encontrar o Senhor. “ O povo queria certezas e pediu a Araão que construísse um ídolo ‘sob medida e mudo’, identificável, que fosse um guia”, disse. 

Assim como o deserto é uma imagem da vida humana incerta e sem garantias, a natureza humana, para fugir da precariedade, procura uma religião com a qual se orientar: é a eterna tentação de fazer um ‘deus sob medida’.

As tentações de sempre!
Araão não sabe dizer ‘não’ e cria o bezerro de ouro, que tinha um duplo sentido no Oriente antigo: por um lado, representava fecundidade e abundância; por outro, energia e força. 

“São as tentações de sempre! O bezerro de ouro é o símbolo de todos os desejos que oferecem a ilusão da liberdade, mas acabam por escravizar”. 

“Tudo isso – completou Francisco – nasce da incapacidade de confiar antes de tudo em Deus, de depositar Nele nossas inseguranças, de deixar que seja Ele a dar a verdadeira profundidade aos anseios de nosso coração. Sem o primado de Deus, facilmente cai-se na idolatria e contenta-se de poucas seguranças”.

A escravidão do pecado
O bezerro de ouro representa, desse modo, a falta de confiança em Deus, deixando-se levar pelas tentações que conduzem à escravidão do pecado: poder, liberdade, riqueza, etc.

“Quando acolhemos o Deus de Jesus Cristo, descobrirmos que reconhecer a nossa fragilidade não é a desgraça da vida humana, mas a condição para abrir-se Àquele que é realmente forte. A liberdade do homem nasce justamente permitindo que o verdadeiro Deus seja o único Senhor. Isto nos faz aceitar nossa fragilidade e rechaçar os ídolos do nosso coração”.

Reconhecer a nossa fragilidade e receber a força do Alto
Terminando a catequese, o Pontífice concluiu que “como nos mostrou Jesus, o Deus verdadeiro é Aquele que se faz pobre para nos tornar participantes da sua riqueza. É um Deus que se mostra fraco, pregado na Cruz, para nos ensinar que devemos reconhecer a nossa fragilidade, pois é ali onde encontramos a força do Alto que nos enche com o seu amor misericordioso”.

VaticanNews

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Por que agosto é o mês vocacional?

Todo ano em agosto celebramos em nossas Igrejas o Mês Vocacional. Mas, você já parou para se perguntar por que temos essas comemorações no Brasil?

Em 1981, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua 19ª Assembleia Geral, instituiu agosto como o Mês Vocacional. O objetivo principal era o de conscientizar as comunidades da responsabilidade que compartilham no processo vocacional.

É por isso que cada domingo do mês de agosto é dedicado à celebração de uma determinada vocação. No primeiro, celebra-se sacerdócio e os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio junto à semana da Família; no terceiro, a vida consagrada, e por fim, no quarto, a vocação dos Leigos.

Mesmo após 35 anos da instituição do Mês Vocacional, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, dom Jaime Spengler, diz que ainda é preciso criar uma cultura vocacional na juventude católica.

“Quando falamos de vocação ou de cultura vocacional, quase sempre temos em mente os ministérios ordenados ou a vida consagrada. Na verdade, trata-se de uma compreensão muito mais ampla da questão. Quanto é necessário, por exemplo, que nas diversas dimensões da vida social haja pessoas leigas, comprometidas com a fé, dispostas a cooperar em construir um mundo um pouco melhor para as futuras gerações”, afirmou em entrevista ao site da CNBB, ressaltando:

“Urge apresentar aos jovens e adolescentes os distintos caminhos do serviço do Senhor e do seu Reino: como leigos engajados nos diversos âmbitos da vida social; casados que assumem o compromisso do matrimônio; consagrados por causa do Reino dos Céus; e ministros ordenados a serviço do povo, nas diversas comunidades de fé”.

A12.com

Cinco vezes em que o Papa Francisco reagiu ao aborto

No último dia, 26 de julho os bispos do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que abrange todo o estado do Rio de Janeiro, publicaram uma mensagem se manifestando em face da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 442/2017 (ADPF 442). No documento, os bispos reafirmam posição firme e clara da Igreja sobre o aborto. O episcopado exorta ainda que os católicos e todas as pessoas que desejam um país democrático, pacífico e protetor da vida se posicionem contrários ao que está sendo proposto através da presente medida judicial que permite o aborto até 12 semanas de gestação.

Em diversa ocasiões, o Papa Francisco também falou de modo aberto e contundente sobre o tema. Relembre abaixo cinco delas:

1. "É nazismo com luvas brancas"
Em 18 de junho de 2018 o Papa Francisco, disse que o aborto, em alguns casos, é o 'nazismo com luvas brancas'. Dois dias depois da aprovação do Projeto de Lei de interrupção voluntária da gravidez pela Câmara dos Deputados na Argentina, o Pontífice reagiu à derrota que sofreu em seu país de origem com declarações fortes.

2. Luta contra injustiça e tão importante quanto lutar contra o aborto
“Lutar contra injustiça é tão importante quanto combater ao aborto”, pontuou o Papa no dia 9 de abril de 2018. No documento Galdete et exultate, Francisco critica católicos que relativizam os ensinamentos sociais da Igreja.

3. Discurso a ginecologistas católicos
Em 29 de setembro de 2013, Francisco discursou: “Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano".

4. Exortação apostólica Evangelii Gaudium
Em 24 de novembro de 2013, o Santo Padre ressaltou que “Infelizmente, objeto de descarte não são apenas os alimentos ou os bens supérfluos, mas muitas vezes os próprios seres humanos, que acabam ‘descartados’ como se fossem ‘coisas desnecessárias’. Por exemplo, causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto".

5. Discurso aos membros do corpo diplomático
Em 13 de janeiro de 2014, o Papa afirmou: “Nos dias de hoje, para a economia que se implantou no mundo, onde no centro se encontra o deus dinheiro e não a pessoa humana, o resto é ordenado a isso, e o que não faz parte desta ordem é descartado. Descartam-se os filhos que são a mais, que incomodam ou que não é oportuno que nasçam… Os bispos espanhóis falaram-me, recentemente, sobre o número de abortos, e eu fiquei petrificado.”, espantou-se Francisco.

A12.com

terça-feira, 31 de julho de 2018

No amor, Deus encontrou um jeito de assemelhar nosso coração ao d'Ele

Você deixa qualquer pessoa entrar no seu coração?

Abrir uma janela para receber um pouco de luz ou para dar uma “olhadinha” no tempo lá fora é coisa muito comum, principalmente, quando temos o privilégio de estar em uma casa de campo ou na praia. Porém, esse gesto cria ainda mais vida, quando nos dispomos a acolher toda riqueza que ele traz. Aliás, parece-me que é sempre assim. Os gestos têm a importância que lhe damos. Falando da alma, podemos trocar a expressão casa por coração, e teremos, diante de nós, um misterioso cenário a ser desvendado.

O fato é que, ao abrirmos a porta e deixarmos alguém entrar, damos a este visitante o direito de conhecer o interior de nossa casa, apreciar suas riquezas, mas também lhes damos o direito de conhecer as coisas que, talvez, por “falta de tempo”, estejam fora do lugar. Com nosso interior não é diferente.

O ser humano tem sede de amar e ser amado
Assim como temos o direito de decidir quem entra em nossa casa, decidimos também quem entra em nosso coração, e que tipo de tratamento daremos àquele que chega. Claro que existem exceções, onde o visitante invade sem bater à porta e, diga-se de passagem, às vezes, é bom que seja assim. É um gesto de muita coragem entrar, mesmo quando encontra a porta entreaberta ou fechada.

Há quem feche as portas e janelas de seu interior a “sete chaves” e decida-se por não permitir a entrada de mais ninguém. Geralmente, decisões assim são baseadas em decepções, frustrações e até feridas causadas na alma por alguém que entrou e não se comportou direito.

As experiências comprovam que essa não é a melhor escolha, cada um tem suas riquezas a oferecer, e nunca se é tão sábio e poderoso que não precise de ajuda. Criado por amor e para amar, o ser humano tem sede de amar e ser amado. Aí está a essência do seu existir, a força motora que o leva a ser e agir de maneira harmoniosa, acolhedora e feliz.

Amar é correr riscos
O Amor é que faz com que o tempo seja precioso, dá brilho diferente às cores, é o jeito criativo que Deus achou para assemelhar o nosso coração ao d’Ele.

Amar é um risco que precisamos correr, todos os dias, se desejarmos viver intensamente.

Abrir as portas e as janelas da alma é um desafio necessário se quisermos contemplar as maravilhas que estão lá fora e até sermos aquecidos pelos raios do sol do amor que vem ao nosso encontro.

A brisa suave e vital, e ainda a sensação de liberdade que passaremos a sentir, vêm de brinde na hora em que, corajosamente, abrimos a porta do coração e deixamos entrar quem bate pedindo entrada ou invade no desejo de “ajudar”!

Vale a pena correr esse risco!

Dijanira Silva
Canção Nova

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Comissão da CNBB mobiliza cristãos na luta contra legalização do aborto

Em nota, Comissão reitera posição da Igreja em defesa da inviolabilidade da vida humana, desde a concepção até a morte natural

Mais uma vez, a legalização do aborto volta à pauta nacional em uma audiência pública convocada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), para os dias 3 e 6 de agosto. Na ocasião, será debatida a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, discutida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442.

Diante dessa realidade, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reafirma em nota a posição firme e clara da Igreja “em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural”, condenando, “assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil”. Afirmação emitida pela presidência da CNBB na Nota Oficial “Pela vida, contra o aborto”, publicada em 11 de abril de 2017.

A CNBB apresentará sua posição, nesta audiência, no dia 6 de agosto, às 9h10, pelo Dom Ricardo Hoerpers, bispo da diocese de Rio Grande (RS) e pelo padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da diocese de Osasco (SP). 

Leia a nota na íntegra:

Brasília – DF, 25 de Julho de 2018

ABORTO E DEMOCRACIA

1.Um perigo iminente

Nos últimos anos, apresentaram-se diversas iniciativas que visavam à legalização do aborto no ordenamento jurídico brasileiro.

Em todas essas ocasiões, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, fiel à sua missão evangelizadora, reiterou a “sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural”, condenando, “assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil” (CNBB, Nota Pela vida, contra o aborto, 11 de abril de 2017).

Unindo sua voz à sensibilidade do povo brasileiro, maciçamente contrário a qualquer forma de legalização do aborto, a Igreja sempre assegurou que “o respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas”, lembrando que “urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil” (Ibidem).

As propostas de legalização do aborto sempre foram debatidas democraticamente no parlamento brasileiro e, após ampla discussão social, sempre foram firmemente rechaçadas pela população e por seus representantes.

A desaprovação ao aborto, no Brasil, não parou de crescer nos últimos anos, mas, não obstante, assistimos atualmente uma tentativa de legalização do aborto que burla todas as regras da democracia: quer-se mudar a lei mediante o poder judiciário.

1. A ADPF 442

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF 442, solicita ao Supremo Tribunal Federal – STF a supressão dos artigos 124 a 126 do Código Penal, que tipificam o crime de aborto, alegando a sua inconstitucionalidade. O argumento, em si, é absurdo, pois se trata de uma lei federal de 1940, cuja constitucionalidade jamais foi questionada.

O STF convocou uma audiência pública para a discussão do tema, a realizar-se nos dias 3 e 6 de agosto de 2018. A maior parte dos expositores representa grupos ligados à defesa da legalização do aborto.

A rigor, o STF não poderia dar andamento à ADPF, pois não existe nenhuma controvérsia em seu entendimento. Em outras palavras, em si, a ADPF 442 transcende o problema concreto do aborto e ameaça os alicerces da democracia brasileira, que reserva a cada um dos poderes da República uma competência muito bem delineada, cujo equilíbrio é uma garantia contra qualquer espécie de deterioração que degenerasse em algum tipo de ditadura de um poder sobre os outros.

O momento exige atenção de todas as pessoas que defendem a vida humana. O poder legislativo precisa posicionar-se inequivocamente, solicitando de modo firme a garantia de suas prerrogativas constitucionais. Todos os debates legislativos precisam ser realizados no parlamento, lugar da consolidação de direitos e espaço em que o próprio povo, através dos seus representantes, outorga leis a si mesmo, assegurando a sua liberdade enquanto nação soberana. Ao poder judiciário cabe fazer-se cumprir as leis, ao poder legislativo, emaná-las.

1.O aborto da democracia.

“Escolhe, pois, a vida”. O eloquente preceito que recebemos da Escritura, “escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19), agora, reveste-se de importância decisiva: precisamos garantir o direito à vida nascente e, fazendo-o, defender a vida de nossa democracia brasileira, contra todo e qualquer abuso de poder que, ao fim e ao cabo, constituir-se-ia numa espécie de “aborto” da democracia. As democracias modernas foram concebidas como formas de oposição aos absolutismos de qualquer gênero: pertence à sua natureza que nenhum poder seja absoluto e irregulável. Por isso, é imensamente desejável que, diante destas ameaças hodiernas, encontremos modos de conter qualquer tipo de exacerbação do poder. Em sua evangélica opção preferencial pelos pobres, a Igreja vem em socorro dos mais desprotegidos de todos os desprotegidos: os nascituros que, indefesos, correm o risco do desamparo da lei e da consequente anistia para todos os promotores desta que São João Paulo II chamava de cultura da morte.

1.Sugestões práticas.

O que fazer? Diante da gravidade da situação, pedimos a todas as nossas comunidades uma mobilização em favor da vida, que se poderia dar em três gestos concretos:

1.Uma vigília de oração, organizada pela Pastoral Familiar local, tendo como intenção a defesa da vida dos nascituros, podendo utilizar como material de apoio os encontros do subsídio Hora da Vida 2018, sobretudo a Celebração da Vida, vide página 41. Ao final da vigília, os participantes poderiam elaborar uma breve ata e endereçá-la à Presidência do Congresso Nacional, solicitando aos legisladores que façam valer suas prerrogativas constitucionais: presidencia@camara.leg.br, com cópia para a Comissão Episcopal para a Vida e a Família: vidafamilia@cnbb.org.br.

2.Nas Missas do último domingo de julho, os padres poderiam comentar brevemente a situação, esclarecendo o povo fiel acerca do assunto e reservando uma das preces da Oração da Assembleia para rezar pelos nascituros. A coordenação da Pastoral Familiar poderia encarregar-se de compor o texto da oração e também de dirigir umas palavras ao povo.

3.Incentivamos, por fim, aos fiéis leigos, que procurem seus deputados para esclarecê-los sobre este problema. Cabe, de fato, ao Congresso Nacional colocar limites a toda e qualquer espécie de ativismo judiciário.

Invocamos sobre todo o nosso país a proteção de Nossa Senhora Aparecida, em cuja festa se comemora juntamente o dia das crianças, para que ela abençoe a todos, especialmente as mães e os nascituros.

Dom João Bosco B. Sousa, OFM
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família Bispo Diocesano de Osasco – SP

Canção Nova

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Catequese: Católico pode acender incenso para rezar?

Nas celebrações eucarísticas solenes, o sacerdote incensa o Altar, a Palavra de Deus e até mesmo o povo de Deus presente na assembleia. Mas será que aquele incenso que encontramos nas lojas exotéricas podem ser acendidos em casa para a oração pessoal? Esse tipo de questionamento abre as portas para falarmos da superstição e da verdadeira virtude da religião.

Alguns podem estranhar em ler que a religião é uma virtude. Mas pode ficar mais claro se a colocamos, com Santo Tomás, dentro da virtude da Justiça que é dar a cada um o que lhe é devido. Nesse sentido, podemos entender a religião como um dar a Deus o que lhe é devido, ou seja o culto, a adoração. A superstição, por outro lado, é um vício que consiste em atribuir divindade a objetos ou práticas que não são divinas.

Com essa introdução, podemos voltar à questão dos incensos. No antigo testamento, abundam passagens nas quais o povo é convidado a acender incensos para o Senhor, para render-lhe culto e homenagem. O próprio Senhor ordena seus sacerdotes a forma de render-lhe esse culto com incensos. E o povo, guiado por seus sacerdotes, realizavam vários tipos de cerimônias com incenso na Tenda e depois no Templo de Jerusalém. No início do Evangelho de Lucas, vemos Zacarias indo para o Templo do Senhor para oferecer-lhe incenso.

Por outro lado, encontramos também páginas duríssimas de alguns profetas que condenam o uso do incenso de forma bastante dura. Mas se prestarmos atenção ao que dizem, não é que eles estejam condenando o uso do incenso, mas o uso do mesmo para a idolatria, para adorar a deuses falsos, para a superstição. Jeremias, por exemplo, diz: “Contudo, todos os do meu povo se têm esquecido de mim, queimando incenso aos ídolos”. Ou ainda Isaías: “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene”.

O problema não é o uso ou não do incenso
O verdadeiro problema está em quem estamos depositando nossa confiança quando queimamos incenso. Se o fazemos para adorar o Senhor e reconhecê-lo como o Deus vivo e verdadeiro, em boa hora. Mas se a questão está mais para o lado da superstição, as palavras dos profetas talvez devessem ser mais ouvidas.

É preciso estar atento. A nossa cultura religiosa está muitas vezes flertando com o supersticioso e talvez não nos demos conta. O problema do brasileiro não é que ele não acredita, mas que ele acredita demais. Ou seja, acredita em qualquer coisa. É claro que essa é uma generalização (que eu já escutei mais de uma vez, não é de minha autoria), mas se olhamos para o lado e para a nossa própria vida de fé, talvez encontraremos traços de superstição, de magia, de esoterismo, que não tem nada a ver com a realidade encarnada da fé católica. Vale a pena nos revisarmos nisso!

Coloquemos os nossos corações na direção correta lembrando do primeiro mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas". Essa é a verdadeira virtude religiosa. Disso se trata a verdadeira vida cristã, juntamente com o segundo mandamento de amar ao próximo e que Jesus mesmo disse que resumiam toda a lei e os profetas. Com ou sem incenso, o que importa mesmo é saber a quem nosso coração presta culto e adora!

A12.com

Angelus: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus

Na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus no domingo (08) o Papa Francisco falou do "escândalo da encarnação".

Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro: este foi o convite que o Papa Francisco fez este domingo (08) ao rezar com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro a oração do Angelus.

Um profeta só não é estimado em sua pátria
Em sua alocução, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, em que Jesus volta a Nazaré e começa a ensinar na sinagoga.

Desde que havia ido embora e iniciado a pregar nos povoados e nos vilarejos das redondezas, não tinha mais regressado à sua pátria. Portanto, toda a cidadezinha se reuniu para ouvir Jesus.

Mas aquilo que se anunciava um sucesso, se transformou numa “clamorosa rejeição”, a ponto que Jesus não pôde realizar nenhum milagre, mas somente curar alguns doentes.

Jesus utiliza uma expressão que se tornou proverbial: "Um profeta só não é estimado em sua pátria".

Escândalo da encarnação
O Papa explica essa transformação dos habitantes de Nazaré porque eles fazem uma comparação entre a humilde origem de Jesus e as suas capacidades atuais: de um carpinteiro sem estudos, se torna um pregador melhor que os escribas. E ao invés de se abrirem à realidade, se escandalizam. 

“É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne, que pensa com a mente de um homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem, um Deus que fadiga, come e dorme como um de nós.”

O Filho de Deus, prosseguiu o Papa, inverte todo esquema humano: não são os discípulos que lavam os pés ao Senhor, mas é o Senhor que lava os pés aos discípulos. “Este é um motivo de escândalo e de incredulidade em todas as épocas, inclusive hoje.”

Ter fé
A inversão provocada por Jesus implica aos seus discípulos de ontem e de hoje analisar a vida pessoal e comunitária. O Senhor nos convida a assumir uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus com frequência se apresenta a nós de maneira surpreendente, que não corresponde às nossas expectativas. E citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá, que "revolucionou a caridade na Igreja".

“Deus não se conforma aos preconceitos. Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus.”

Muitos batizados, afirma Francisco, vivem como se Cristo não existisse: repetem-se os gestos e os sinais da fé, mas a eles não corresponde uma real adesão à pessoa de Jesus e ao seu Evangelho.

Vida coerente
Ao invés, todo cristão é chamado a aprofundar esta pertença fundamental, buscando testemunhá-la com uma conduta de vida coerente, cujo fio condutor é a caridade.

“Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, que dissolva a dureza dos corações e a limitação da mente, para que estejamos abertos à sua graça, à sua verdade e à sua missão de bondade e de misericórdia, que é endereçada a todos, sem qualquer exclusão.”

VaticanNews

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Papa: todos são admitidos no caminho do Senhor, ninguém deve sentir-se um intruso

"Sentir necessidade de cura e confiar n’Ele" são os únicos requisitos para ter acesso ao coração de Jesus. E as curas que realizou, indicam que todos são admitidos no caminho do Senhor, ninguém deve se sentir como um intruso, uma pessoa abusiva ou alguém que não tem direito. E a única morte que devemos temer, é a do coração endurecido e mumificado pelo mal e pelo pecado.

Dois milagres, em duas histórias interligadas que tem um único centro, a fé, mostram Jesus como fonte de vida, “como aquele que devolve a vida àqueles que confiam n'Ele plenamente”.

Inspirando-se nas curas da filha de Jairo e da hemorroísa, narradas no Evangelho de Marcos proposto pela liturgia do dia, o Papa Francisco falou aos 20 mil fiéis e turistas reunidos na Praça São Pedro sobre a fé e a vida nova trazidas por Jesus, ressaltando que a única morte que devemos temer é a do coração endurecido pelo mal, mumificado.

“O Evangelho deste domingo apresenta dois prodígios realizados por Jesus, descrevendo-os quase como uma espécie de marcha triunfal para a vida”, disse Francisco ao começar sua alocução, para então descrever o que aconteceu na casa de Jairo naquele dia.

Ao saber da notícia de que a filha dele havia morrido, Jesus lhe disse apenas: "Não tenha medo, apenas tenha fé!" E ao chegar na casa, mandou sair a multidão que lamentava e dirigiu-se ao quarto da menina, dizendo: “Levanta-te”. “E imediatamente a menina levantou-se, como se despertasse de um sono profundo”.

Francisco passa então ao segundo milagre narrado por Marcos, a cura da hemorroísa, destacando o fato de que “a fé dessa mulher atrai, e me vem o desejo de dizer “rouba”, precisou Francisco - o poder salvador divino que existe em Cristo, que, sentindo que uma força que "saiu dele", tenta entender quem tenha sido. E quando a mulher, com tanta vergonha, se aproxima e confessa tudo, Ele diz a ela: "Filha, a tua fé te salvou":

“ Trata-se de duas histórias interligadas, com um único centro: a fé, e mostram Jesus como fonte de vida, como aquele que devolve a vida àqueles que confiam nele plenamente ”

O pai da menina e a mulher doente – explicou o Papa - não são discípulos de Jesus e ainda assim ficam tocados pela sua fé. Têm fé naquele homem:

“A partir disso entendemos que todos são admitidos no caminho do Senhor: ninguém deve se sentir como um intruso, uma pessoa abusiva ou alguém que não tem direito. Para ter acesso ao seu coração, ao coração de Jesus, há apenas um requisito: sentir necessidade de cura e confiar n’Ele”.

E o Santo Padre questiona os presentes:

“Eu pergunto a vocês: cada um de nós se sente necessitado de alguma cura? De qualquer coisa, de qualquer pecado, de qualquer problema? E se sente isto, tem fé em Jesus? São dois os requisitos para ser curado, para ter acesso ao seu coração: sentir-se necessitado de cura e confiar n’Ele”.

O Papa sabiamente observa que Jesus descobre essas pessoas em meio à multidão, “e as tira do anonimato, libertando-as do medo de viver e ousar”, e explica como Ele faz isto:

“Ele faz isso com um olhar e com uma palavra que as coloca em caminho depois de tantos sofrimentos e humilhações".

“ Nós também somos chamados a aprender e a imitar essas palavras que libertam e esses olhares que restituem àqueles que são privados disto, o desejo de viver ”

Nesta página do Evangelho – explicou - os temas da fé e da nova vida que Jesus veio oferecer a todos se entrelaçam. “Jesus é o Senhor e, diante dele, a morte física é como um sono: não há motivo para desesperar-se. Outra é a morte da qual devemos ter medo: a do coração endurecido pelo mal!”:

“Ah, dela sim devemos ter medo! Quando nós sentimos ter o coração endurecido, o coração que se endurece e me permito a palavra: o coração mumificado. Devemos ter medo disto. Esta é a morte do coração. Mas mesmo o pecado, mesmo o coração mumificado, para Jesus nunca é a última palavra, porque Ele nos trouxe a infinita misericórdia do Pai. E mesmo que caíssemos, a sua voz suave e forte nos alcança: "Eu te digo: levanta-te!"”

“É belo ouvir aquela palavra de Jesus dirigida a cada um de nós: “Eu te digo: levanta-te. Vai. Levanta-te, coragem. Levanta-te”. E Jesus restitui a vida à menina e restitui a vida à mulher curada: vida e fé às duas”.

Ao concluir o Papa pede para invocarmos a intercessão materna da Virgem Maria, “por nossos irmãos que sofrem no corpo e espírito”.

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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Papa aos novos cardeais: colocar-se aos pés dos outros para servir

No Consistório Ordinário Público para a criação de 14 novos cardeais, o Papa exortou a não cair nos ciúmes, invejas e intrigas, mas a voltar o olhar, os recursos, as expectativas e o coração para o que conta: a missão para com os irmãos.

O Papa Francisco presidiu, na tarde desta quinta-feira (28), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Consistório Ordinário Público para a criação de catorze novos cardeais.

O Pontífice iniciou a sua homilia, com a seguinte passagem do Evangelho de Marcos: “Estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente deles.”

“O início desta passagem paradigmática de Marcos sempre nos ajuda a ver como o Senhor cuida do seu povo com uma pedagogia incomparável. No caminho para Jerusalém, Jesus não Se esquece de preceder os seus.”

Francisco frisou que “Jerusalém representa a hora das grandes resoluções e decisões. Todos sabemos que, na vida, os momentos importantes e cruciais deixam falar o coração e manifestam as intenções e as tensões que vivem em nós”.

“Tais encruzilhadas da existência nos interpelam e fazem surgir questões e desejos nem sempre transparentes do coração humano; é o que nos mostra, com grande simplicidade e realismo, o texto do Evangelho que acabamos de ouvir.”

Não aos ciúmes, invejas e intrigas
“Em contraponto ao terceiro e mais duro anúncio da Paixão, o Evangelista não teme desvendar alguns segredos do coração dos discípulos: busca dos primeiros lugares, ciúmes, invejas, intrigas, ajustes e acordos; esta lógica não só desgasta e corrói a partir de dentro as relações entre eles, mas os fecha e envolve em discussões inúteis e de pouca importância.”

“Entretanto Jesus não Se detém nisso, mas continua adiante, os precede e diz-lhes vigorosamente: ‘Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo’. Com este comportamento, o Senhor procura centrar de novo o olhar e o coração de seus discípulos, não permitindo que discussões estéreis e autorreferenciais tenham espaço na comunidade.

Que adianta ganhar o mundo inteiro, se se fica corroído por dentro? Que adianta ganhar o mundo inteiro, se todos vivem prisioneiros de asfixiantes intrigas que secam e tornam estéril o coração e a missão? Nesta situação – como alguém observou –, poder-se-iam já vislumbrar as intrigas de palácio, mesmo nas cúrias eclesiásticas”, disse ainda o Papa.

A missão
“Não deve ser assim entre vós”: é a resposta do Senhor, que constitui primeiramente um convite e uma aposta para recuperar o que há de melhor nos discípulos e, assim, não se deixarem arruinar e se prender por lógicas mundanas que afastam o olhar daquilo que é importante. ‘Não deve ser assim entre vós’: é a voz do Senhor que salva a comunidade de se fixar demasiado em si mesma, em vez de dirigir o olhar, os recursos, as expectativas e o coração para o que conta, a missão.”

“Deste modo, Jesus nos ensina que a conversão, a transformação do coração e a reforma da Igreja são feitas, e sempre devem ser, em chave missionária, pois pressupõem que se deixe de olhar e cuidar dos interesses próprios para olhar e cuidar dos interesses do Pai.”

“A conversão dos nossos pecados, dos nossos egoísmos não é nem será jamais um fim em si mesma, mas visa principalmente crescer em fidelidade e disponibilidade para abraçar a missão; e isto de tal maneira que na hora da verdade, especialmente nos momentos difíceis dos nossos irmãos, estejamos claramente dispostos e disponíveis para acompanhar e acolher a todos e cada um e não nos transformemos em ótimos repelentes por termos vistas curtas ou, pior ainda, por estarmos pensando e discutindo entre nós quem será o mais importante”, disse ainda o Papa.

“ Quando nos esquecemos da missão, quando perdemos de vista o rosto concreto dos irmãos, a nossa vida fecha-se na busca dos próprios interesses e seguranças. ”

E, assim, começam a crescer o ressentimento, a tristeza e a aversão. Pouco a pouco diminui o espaço para os outros, para a comunidade eclesial, para os pobres, para escutar a voz do Senhor. Deste modo perde-se a alegria, e o coração acaba na aridez.”

“'Não deve ser assim entre vós – diz o Senhor – (…) e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos'. É a bem-aventurança e o magnificat que somos chamados a entoar todos os dias. É o convite que o Senhor nos faz, para não esquecermos que a autoridade na Igreja cresce com esta capacidade de promover a dignidade do outro, ungir o outro, para curar as suas feridas e a sua esperança tantas vezes ofendida.

É lembrar que estamos aqui porque fomos enviados para ‘anunciar a Boa-Nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; para mandar em liberdade os oprimidos, para proclamar um ano favorável da parte do Senhor’.”

Colocar-se aos pés dos outros para servir a Cristo
Amados irmãos cardeais e novos cardeais! Estando nós na estrada para Jerusalém, o Senhor caminha à nossa frente para nos lembrar mais uma vez que a única autoridade crível é a que nasce do se colocar aos pés dos outros para servir a Cristo. É a que deriva de não esquecer que Jesus, antes de inclinar a cabeça na cruz, não teve medo de Se inclinar diante dos discípulos e lavar os seus pés.

Esta é a mais alta condecoração que podemos obter, a maior promoção que nos pode ser dada: servir Cristo no povo fiel de Deus, no faminto, no esquecido, no recluso, no doente, no toxicodependente, no abandonado, em pessoas concretas com as suas histórias e esperanças, com os seus anseios e decepções, com os seus sofrimentos e feridas. Só assim a autoridade do pastor terá o sabor do Evangelho e não será «como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).

Nenhum de nós deve se sentir ‘superior’ aos outros. Nenhum de nós deve olhar os outros de cima para baixo; só podemos olhar assim uma pessoa, quando a ajudamos a se levantar.

Testamento espiritual de São João XXIII
"Gostaria de recordar convosco uma parte do testamento espiritual de São João XXIII que, já adiantado no caminho, pôde dizer: «Nascido pobre, mas de gente honrada e humilde, sinto-me particularmente feliz por morrer pobre, tendo distribuído, segundo as várias exigências e circunstâncias da minha vida simples e modesta a serviço dos pobres e da Santa Igreja que me alimentou, tudo o que me chegou às mãos – em medida, aliás, muito limitada – durante os anos do meu sacerdócio e do meu episcopado.

Aparências de fartura encobriram, muitas vezes, espinhos ocultos de pobreza aflita que me impediram de dar mais do que eu gostaria. Agradeço a Deus por esta graça da pobreza, de que fiz voto na minha juventude, pobreza de espírito, como Padre do Sagrado Coração, e pobreza real; e por me sustentar para nunca pedir nada, nem lugares, nem dinheiro, nem favores, nunca, nem para mim nem para os meus parentes ou amigos» (29 de junho de 1954)."

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Papa Francisco: glória e cruz sejam inseparáveis

"Contemplar a vida de Pedro e a sua confissão significa reconhecer as tentações que acompanham a vida do discípulo. Como Pedro, seremos sempre tentados pelos 'sussurros' do maligno", disse o Pontífice na missa na Solenidade dos Santos apóstolos Pedro e Paulo.

O Santo Padre presidiu na manhã desta sexta-feira (29), na Praça de São Pedro, à solene celebração Eucarística por ocasião da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.

Durante a cerimônia, o Papa entregou os Pálios sagrados aos 30 Arcebispos Metropolitanos nomeados durante o último ano, entre os quais um brasileiro: Dom Airton José dos Santos, arcebispo de Mariana (MG).

Tu és o Messias
Em sua homilia, Francisco retomou a Tradição Apostólica, perene e sempre nova, que acende e revigora a alegria do Evangelho. E precisamente sobre o Evangelho de hoje, pôs em realce a pergunta que Jesus fez aos seus discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Tomando a palavra, Pedro respondeu: “Tu és o Messias”, o Ungido, o Consagrado de Deus. E o Papa disse:

“Muito me apraz saber que foi o Pai a inspirar esta resposta a Pedro, que via como Jesus “ungia” seu povo. Jesus, o Ungido que caminha, de aldeia em aldeia, com o único desejo de salvar e aliviar quem estava perdido: ungia os mortos, os enfermos, as feridas, o penitente. Unge a esperança! Assim, todo pecador, derrotado, doente, pagão se sentiam membros amados da família de Deus”.

Ir a todos os cantos
Como Pedro, disse o Papa, também nós podemos confessar, com os nossos lábios e o coração, não só o que ouvimos, mas também a nossa experiência concreta de termos sido ressuscitados, socorridos, renovados, cumulados de esperança pela unção do Santo. E acrescentou:

“O Ungido de Deus leva o amor e a misericórdia do Pai até às extremas consequências. Este amor misericordioso exige ir a todos os cantos da vida e chegar a todos, ainda que pudesse colocar em perigo o próprio “nome”, as comodidades, a posição, o martírio”.

Tentação à espreita
Perante este anúncio tão inesperado, Pedro reage a ponto de se tornar pedra de tropeço no caminho do Messias e até ser chamado “Satanás”. Contemplar a vida de Pedro e a sua confissão, afirmou o Papa, significa reconhecer as tentações que acompanham a vida do discípulo. Como Pedro, como Igreja, seremos sempre tentados pelos “sussurros” do maligno, que poderão ser pedra de tropeço para a nossa missão:

“Quantas vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor! Jesus toca a miséria humana; convida-nos a estar com Ele e a tocar os sofrimentos dos outros. Confessar a fé, com a boca e o coração, exige identificar os “sussurros” do maligno; discernir e descobrir as “coberturas” pessoais e comunitárias, que nos mantêm à distância do drama humano real, impedindo-nos de entrar em contato com a sua existência concreta”.

Não separar a glória da cruz
Jesus, frisou Francisco, sem separar a cruz da glória, quer resgatar seus discípulos e a sua Igreja dos triunfalismos vazios de amor, de serviço, de compaixão e de povo. Contemplar e seguir a Cristo exige deixar o nosso coração abrir-se ao Pai e a todos com quem Ele se identificou: Ele jamais abandona o seu povo! O Papa concluiu sua homilia, com a exortação:

“Confessemos com os nossos lábios e com o nosso coração que Jesus Cristo é o Senhor! Este é o nosso canto, que somos convidados a entoar todos os dias. Com a simplicidade, a certeza e a alegria de saber que a Igreja não brilha com luz própria, mas com a de Cristo: 'Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim'.”

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terça-feira, 19 de junho de 2018

Papa: o cristão reza pelo seu inimigo e o ama

"A oração mafiosa é: 'Você me paga'. A oração cristã é: 'Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo'. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo", disse o Papa na homilia.

O perdão, a oração e o amor por que quem nos quer destruir, pelo nosso inimigo. Assim foi a homilia do Papa Francisco na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta esta terça-feira (19).

Comentando o trecho proposto pela Leitura do dia, extraído do Evangelho de Mateus, o Papa admitiu a dificuldade humana em seguir o modelo do nosso Pai celeste e propôs novamente o desafio do cristão, isto é, de pedir ao Senhor a “graça” de saber “abençoar os nossos inimigos” e nos comprometer a amá-los.

Perdoar para ser perdoados
“Nós sabemos que devemos perdoar os nossos inimigos”, afirmou o Papa, nós dizemos isso todos os dias no Pai-Nosso. Pedimos perdão assim como nós perdoamos: é uma condição…", embora não seja fácil. Assim como “rezar pelos outros”, por aqueles que nos dão problemas, que nos colocam à prova: também isto é difícil, mas o fazemos. Ou pelo menos muitas vezes conseguimos fazê-lo ":

Mas rezar por aqueles que querem me destruir, os inimigos, para que Deus os abençoe: isso é realmente difícil de entender. Pensemos no século passado, os pobres cristãos russos que somente pelo fato de serem cristãos eram enviados para a Sibéria para morrer de frio: e eles deveriam rezar pelo governante carrasco que os enviava ali? Mas como é possível? E muitos o fizeram: rezaram. Pensemos em Auschwitz e em outros campos de concentração: eles deveriam rezar por este ditador que queria a raça pura e matava sem escrúpulo, e rezar para que Deus os abençoasse! E muitos fizeram isso.

Aprender com a lógica de Jesus e dos mártires
É a difícil lógica de Jesus, que no Evangelho está contida na oração e na justificação daqueles que “o mataram” na cruz: “perdoa-os Pai, porque não sabem o que fazem”. Jesus pede perdão para eles, recordou o Papa, assim como fez como Santo Estevão no momento do martírio:

Mas quanta distância, uma infinita distância entre nós que muitas vezes não perdoamos pequenas coisas, e isso que nos pede o Senhor e de qual sempre nos deu exemplo: perdoar aqueles que tentam nos destruir. Nas famílias, às vezes, é muito difícil perdoarem-se os cônjuges depois de alguma briga, ou perdoar a sogra também: não é fácil. O filho pedir perdão ao pai é difícil. Mas perdoar os que o estão matando, que querem eliminá-lo … Não somente perdoar: rezar por eles, para que Deus os proteja! E mais: amá-los. Somente a palavra de Jesus pode explicar isso. Eu não consigo ir além.

Pedir a graça de ser perfeito como o Pai
Portanto, destacou Francisco, é a graça de pedir para entender algo deste mistério cristão e ser perfeitos como o Pai, que dá todos os seus bens aos bons e aos maus. O Papa concluiu afirmando que nos fará bem pensar nos nossos inimigos, pois todos nós temos algum:

Hoje, nos fará bem pensar num inimigo – creio que todos nós temos um -, alguém que nos fez mal ou que nos quer fazer mal ou tenta nos prejudicar: pensar nesta pessoa. A oração mafiosa é: “Você me paga”. A oração cristã é: “Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo”. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo.

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Sagrado Coração de Jesus: fonte abundante de graças

Celebramos nessa sexta-feira a grande Solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus. Essa é uma devoção muito popular que ganhou dimensões globais a partir do século XVII, pelos esforços de São João Eudes, Santa Margarida Alacoque e da beata Maria do Divino Coração. Mas é preciso saber que a devoção já existia antes. Já desde a idade média o Coração de Jesus passou a ser amplamente considerado como modelo para o amor que somos chamados a ter. Mas foi o Papa Leão XIII que consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus, ato que classificou como sendo o “maior ato do meu pontificado”.

O Papa Pio XII escreveu uma encíclica chamada Haurietis aquas que fala justamente sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus. Nesta carta ele diz: “Conquanto a Igreja em tão grande estima tenha tido sempre e ainda tenha o culto do sacratíssimo coração de Jesus, a ponto de se empenhar em fomentá-lo e propagá-lo por toda parte entre o povo cristão”. Vemos aqui a preocupação do Papa por fomentar essa devoção para todo o mundo, porque ele tinha a consciência de que dessa devoção o povo de Deus pode cumprir aquilo que está escrito em Isaías 12,3: “... com alegria tirareis águas das fontes da salvação”. O nome do documento, Haurietis aquas, significa justamente “retirar água” e faz alusão a essa passagem da Bíblia. O Coração de Jesus é essa fonte de salvação da qual jorram abundantes águas.


“No Sagrado Coração está o símbolo e a imagem expressa do Amor infinito de Jesus Cristo, que nos leva a retribuir-lhe esse Amor”, nos diz o Papa Leão XIII.

Essa carta é uma defesa da devoção ao Sagrado Coração que vale a pena conhecer. Nela o Santo Padre coloca os fundamentos da devoção com exemplos da Sagrada Escritura tanto do antigo como do novo testamento e também de outros pontífices que ao longo da história da Igreja defenderam a adoração ao Sagrado Coração de Jesus. Isso foi importante para Pio XIII porque infelizmente muitos católicos não chegavam a compreender todas as bênçãos que podem vir por meio dessa piedade querida por Jesus, chegando a classificá-la até como prejudicial à Igreja.

O fundamento de toda essa devoção é o amor de Deus. “No Sagrado Coração está o símbolo e a imagem expressa do Amor infinito de Jesus Cristo, que nos leva a retribuir-lhe esse Amor”, nos diz o Papa Leão XIII. É esse o núcleo da solenidade que celebramos hoje. Ao olhar o Coração de Jesus devemos entrar nesse coração pelo lado traspassado e viver, experimentar esse amor ardente de Cristo por nós para que nós possamos também transmitir esse amor aos demais.

O Apostolado da Oração, tão difundido na Igreja aqui no Brasil, de acordo com Dom Orani, Arcebispo do Rio de Janeiro, “nos matricula na escola do Coração de Cristo”. Eles prestam um serviço muito importante para a Igreja do Brasil e do mundo inteiro, difundindo o amor de Deus e fazendo que esse amor cresça em cada um dos fiéis.

Vale a pena lembrar também as promessas feitas por Jesus para os que forem devotos e espalharem a devoção do Sagrado Coração:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;
2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”; 
3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;
4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;
5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;
6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;
7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;
8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;
9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;
10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”; 
11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;
12ª Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”. 

Essa última promessa é chamada também de a grande promessa, porque qual graça poderia ser maior que a segurança de que no momento da nossa morte, possamos estar em Graça com Deus?

Hoje é um dia para crescer na devoção e no amor a Jesus, de maneira especial ao seu Sagrado Coração. O fazemos sabendo que somos amparados pelo Magistério da Igreja que sempre apoiou e buscou propagar essa devoção. Que o Sagrado Coração de Jesus cumule a cada um de nós com abundantes bênçãos.

A12.com

Sagrado Coração: hoje é a festa do amor de Deus, diz o Papa

O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta e dedicou a sua homilia ao amor de Deus.

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus.

“Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.

Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.

É um amor que não se pode entender. Um amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.

Deus, como manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.

Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.

Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.

Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”.

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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Papa: a paz é para ser doada. A fofoca não é obra do Espírito Santo

O Papa Francisco voltou a falar da destruição causada pela fofoca na Audiência Geral desta quarta-feira, na Praça São Pedro.

A paz que recebemos do Espírito é para dar aos outros, não devemos destruí-la com as fofocas! Na Audiência Geral desta quarta-feira (06) o Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o Sacramento da Crisma, falando dos efeitos que o dom do Espírito Santo faz amadurecer na vida dos crismados.

O Pontífice reforçou que o Espírito Santo é um dom e as graças que recebemos devemos dar aos outros, e não para armazená-las. “As graças são recebidas para dar aos demais. Isso faz o cristão.”

A Igreja somos nós
O Espírito nos descentraliza do nosso “eu” para nos abrir ao “nós” da comunidade cristã, como também ao bem da sociedade em que vivemos.

“Algumas pessoas pensam que a Igreja tem dono: o papa, os bispos, os sacerdotes e os operários, que são os demais. Não! A Igreja somos todos nós e todos temos a responsabilidade de santificar uns aos outros, cuidar dos outros. A Igreja somos nós. Cada um tem o seu trabalho, mas a Igreja somos todos nós.”

Assim, a Confirmação une mais fortemente como membro vivo ao corpo místico da Igreja, vinculando à Igreja universal e fortalecendo o compromisso com a vida da Igreja particular, em união com o Bispo. Este, enquanto sucessor dos Apóstolos, é o ministro originário deste sacramento.

Na conclusão do rito da Crisma, explicou ainda o Papa, o Bispo diz a cada crismando: “A paz esteja contigo”, recordando a saudação de Cristo aos discípulos.

A fofoca não é obra do Espírito
Improvisando, o Papa pediu que pensemos na nossa própria comunidade paroquial. O Bispo dá a paz ao crismando e depois a damos entre nós. “Isso significa paz”, disse o Papa. O problema é o que acontece depois ao sairmos da Igreja.

“Começam as fofocas e as fofocas são guerras. Isso não está bem. Se recebemos o sinal da paz do Espírito Santo, devemos ser homens e mulheres de paz e não destruir a paz do Espírito. Pobre do Espírito Santo com o trabalho que ele tem conosco, com o hábito de fofocar. Pensem bem, a fofoca não é obra do Espírito Santo, não é obra de unidade da Igreja. A fofoca destrói aquilo que Deus faz. Por favor, vamos parar de fofocar!”

Semente que deve ser cultivada
Outra característica da Crisma é que este sacramento se recebe uma só vez, mas o seu dinamismo espiritual perdura ao longo do tempo. Além do mais, ninguém recebe a Confirmação somente para si mesmo, mas para cooperar para o crescimento espiritual dos outros.

Aquilo que recebemos de Deus como dom deve ser de fato doado para que seja fecundo e não, ao invés, sepultado por temores egoístas.

“ Quando temos a semente em mãos não é para colocá-la no armário, é para semear. Toda a vida deve ser semente para que dê fruto. ”

O Papa então concluiu:

“Exorto os crismandos a não ‘enjaular’ o Espírito Santo, a não opor resistência ao Vento que sopra para impulsioná-los em liberdade, a não sufocar o fogo ardente da caridade, que leva a viver a vida por Deus e pelos irmãos. Que o Espírito Santo conceda a todos nós a coragem apostólica de comunicar o Evangelho com as obras e as palavras aos que se encontram no nosso caminho. Mas as palavras boas, aquelas que edificam, não as palavras de fofocas. Por favor, quando saírem da Igreja, pensem que a paz recebida é para dar aos outros e não para destruí-la com a fofoca. Não se esqueçam.”

Rezar pelos sacerdotes
Ao final da catequese, o Papa recordou que na próxima sexta-feira celebra-se a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Francisco então convidou a rezar durante todo o mês de junho ao Coração de Jesus e a apoiar com a proximidade e o afeto os sacerdotes, para que sejam imagem daquele Coração repleto de amor misericordioso.

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