sexta-feira, 29 de abril de 2016

Que os cristãos caminhem na luz, não na vida dupla, pede Papa

A vida do cristão é ser límpido como Deus e sem pecado, afirmou o Papa na homilia desta manhã


Na homilia desta sexta-feira, 29, o Papa Francisco comentou o trecho da Carta de São João, em que o Apóstolo coloca os fiéis diante da responsabilidade de não ter uma vida dupla: luz de fachada e trevas no coração. A vida do cristão é ser límpido como Deus e sem pecado, porque não há erro reconhecido que não atraia a ternura e o perdão do Pai.

“Se dizemos que não temos pecado, fazemos de Deus um mentiroso”, afirmou Francisco, ressaltando a eterna luta do homem contra o pecado e pela graça. “Se você diz que está em comunhão com o Senhor, então caminhe na luz. Mas vida dupla, não! Isso não! Aquela mentira que nós estamos tão acostumados a ver, e também a cair, não? Dizer uma coisa e fazer outra. Sempre a tentação… A mentira nós sabemos de onde vem: Na Bíblia, Jesus chama o diabo de ‘pai da mentira, o mentiroso”.

“Meus Filhos” é o início da carta de São João, uma introdução carinhosa, observou Francisco, e que reflete a doçura das palavras do Evangelho do dia, quando Jesus define como “leve” o seu fardo e promete descanso aos fadigados e oprimidos. Do mesmo modo, o apelo de João é para não pecar, mas se alguém o fez, não deve se desencorajar, pois Deus é maior que o pecado humano e está sempre esperando para perdoar.

E essa é a misericórdia de Deus, concluiu o Papa, a grandeza de Deus que sabe que o homem não é nada e somente Dele vem a força. “Caminhemos na luz, porque Deus é luz. Não caminhar com um pé na luz e outro nas trevas. Não seja mentiroso. E outra: todos pecamos, ninguém pode dizer: ‘Este é um pecador, esta é uma pecadora. Eu, graças a Deus, sou justo’. Não, somente um é o Justo, aquele que pagou por nós. E se alguém peca, Ele espera, nos perdoa, porque é misericordioso e sabe que somos plasmados, recorda que nós somos pó. Que a alegria que esta Leitura nos dá nos leve avante na simplicidade e na transparência da vida cristã, principalmente quando nos dirigimos ao Senhor, com a verdade”.

Canção Nova 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Papa Francisco: ninguém fica órfão quando atraído por Jesus

Papa convidou fiéis a abrirem o coração a Jesus; cristãos que não fazem isso vivem como órfãos



“Um cristão que não se deixa atrair pelo Pai é um cristão que vive como um órfão”, afirmou o Papa Francisco, na homilia desta terça-feira, 19, na capela da Casa Santa Marta. O Santo Padre começou a reflexão partindo da pergunta que os judeus fazem a Jesus, contida no Evangelho do dia: “És tu o Messias?”.

Essa pergunta, que escribas e fariseus repetirão várias vezes, observou Francisco, nasce de um coração cego. Uma cegueira de fé que o próprio Jesus explica: “Vós não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas”. Fazer parte do rebanho de Deus é uma graça, mas é necessário um coração disponível.

“’As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão’. Essas ovelhas estudaram para seguir Jesus e depois acreditaram? Não. ‘Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos’. É propriamente o Pai que dá as ovelhas ao pasto. É o Pai que atrai os corações para Jesus”.


Como órfãos
A dureza de coração de escribas e fariseus, que veem as obras realizadas por Jesus, mas se negam a reconhecer n’Ele o Messias, é um drama que vai adiante até o Calvário, explicou o Papa. Ou melhor, prossegue inclusive depois da Ressurreição, quando sugerem aos soldados que vigiavam o sepulcro para que digam que estavam dormindo e, assim, atribuir aos discípulos o roubo do corpo de Cristo. Nem mesmo o testemunho de quem assistiu à Ressurreição os fez mudar de ideia. “São órfãos”, reiterou Francisco, porque renegaram o seu Pai.

“Esses doutores da lei tinham o coração fechado, sentiam-se donos de si mesmos e, na realidade, eram órfãos, porque não tinham uma relação com o Pai. Falavam, sim, de seus pais – o nosso pai Abraão, os Patriarcas… – falavam, mas como figuras distantes. Em seus corações, eram órfãos, viviam no estado de órfãos, em condições de órfãos, e preferiam isso a deixar-se atrair pelo Pai. Esse é o drama do coração fechado dessas pessoas”.

“Atrai-me pa
ra Jesus”
Francisco enfatizou a importância de se deixar atrair por Deus ao recordar a Primeira Leitura: muitos pagãos se abriam à fé em Cristo graças à pregação dos discípulos. Eles levaram a Palavra até a Fenícia, Chipre e Antioquia onde, num primeiro momento, também tiveram medo, mas o coração aberto os guiou. Um coração como aquele de Barnabé que, enviado a Antioquia, não se escandaliza com a conversão dos pagãos, porque aceitou a novidade, deixou-se atrair pelo Pai, por Cristo.

“Jesus nos convida a sermos seus discípulos, mas, para sê-lo, devemos nos deixar atrair pelo Pai em direção a Ele. E a oração humilde do filho, que podemos fazer é: ‘Pai, atrai-me para Jesus; Pai, faz-me conhecer Jesus’, e o Pai enviará o Espírito para nos abrir o coração e nos levar até Jesus. Um cristão que não se deixa atrair pelo Pai, para Jesus, é um cristão que vive em condição de órfão; e nós temos um Pai, não somos órfãos.”

Canção Nova

sábado, 16 de abril de 2016

Papa: a docilidade ao Espírito Santo leva adiante a Igreja

Na Missa de quinta-feira, Papa se concentrou na necessidade de ser dócil ao Espírito Santo, que leva adiante a Igreja e traz alegria


É
 preciso ser dócil ao Espírito Santo, não apresentar resistência. Esse foi, em síntese, o ensinamento do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Papa se inspirou na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, em que Filipe evangeliza o etíope, alto funcionário da rainha Candace. O protagonista desse encontro, de fato, não é Filipe nem mesmo o etíope, mas o próprio Espírito. “É Ele quem faz as coisas. É o Espírito quem faz nascer e crescer a Igreja”, observou o Papa.

“Nos dias passados, a Igreja nos propôs o drama da resistência ao Espírito: os corações fechados, duros, tolos, que resistem ao Espírito. Viam os fatos – a cura do paralítico feita por Pedro e João na Porta Formosa do Templo; as palavras e as grandes coisas que fazia Estêvão, mas ficaram fechados a esses sinais do Espírito e resistiram a Ele. Buscavam justificar essa resistência com uma suposta fidelidade à lei, isto é, à letra da lei”.

Hoje, o que a Igreja propõe é o oposto, explicou o Papa: ela ensina a não resistir ao Espírito, mas ser dócil a Ele, deixando-O agir e ir adiante para construir a Igreja; essa é a atitude do cristão. Como exemplo, o Pontífice citou Filipe, um dos Apóstolos, que estava atarefado, tinha os seus planos de trabalho, mas o Espírito lhe diz para deixar de lado o que havia programado e ir ao encontro do etíope, e ele obedeceu.

Francisco ilustrou o encontro entre Filipe e o etíope, quando o apóstolo explicou o Evangelho e sua mensagem de salvação. O Espírito, disse, trabalhava no coração do etíope, oferecia a ele o dom da fé, e este homem sentiu algo de novo no seu coração. E, ao final, pediu para ser batizado, pois foi dócil ao Espírito Santo.

A docilidade ao Espírito nos doa alegria
“Dois homens: um evangelizador e um que não sabia nada de Jesus, mas o Espírito tinha semeado uma curiosidade saudável e não aquela curiosidade das fofocas”. No final, o etíope prossegue o seu caminho com alegria, a alegria do Espírito, a docilidade ao Paráclito. “Ouvimos, nos dias passados, o que faz a resistência ao Espírito. Hoje, temos o exemplo de dois homens que foram dóceis à Sua voz. E o sinal é a alegria. A docilidade ao Espírito é fonte de alegria”.

O Papa propôs, por fim, uma bela oração para pedir essa docilidade, que pode ser encontrada no Primeiro Livro de Samuel. Trata-se da oração que o sacerdote Eli sugere ao jovem Samuel, que à noite ouvia uma voz que o chamava: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta”.

“Essa é uma bela oração que nós podemos fazer sempre: ‘Fala, Senhor, porque teu servo escuta’. A oração para pedir essa docilidade ao Espírito Santo, e com essa docilidade levar avante a Igreja, ser o instrumento do Espírito, para que a Igreja possa prosseguir. ‘Fala, Senhor, que o teu servo escuta’. Rezemos assim, várias vezes por dia: quando temos uma dúvida, quando não sabemos ou quando simplesmente quisermos rezar. E com esta oração pedimos a graça da docilidade ao Espírito Santo”.

Canção Nova

sexta-feira, 15 de abril de 2016

CNBB divulga declaração sobre o momento nacional e documento sobre o Laicato

Conferência afirma importância da superação de interesses pessoais e partidários para o bem da nação

Na última entrevista coletiva da 54ª Assembleia Geral da CNBB a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) atendeu aos jornalistas presentes em Aparecida (SP), nessa quinta-feira (14).

Na ocasião, o Arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha destacou as principais discussões apresentadas ao episcopado nos nove dias de assembleia.

Questões como a importância do laicato, a comissão dos textos litúrgicos na tradução do missal romano, reflexões sobre a conjuntura política do Brasil, os 60 anos da Cáritas Brasileira, o estudo sobre o Dizimo, Jubileu dos 300 anos e entre muitos outros assuntos estiverem na pauta dos bispos.

Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade
O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner falou do documento sobre o laicato, que deve ser divulgado nos próximos dias pela conferência.

Sobre o tema central da assembleia, dom Leonardo reafirmou o papel importante do leigo na Igreja. O secretário geral apontou o engajamento em pastorais e movimentos da Igreja como uma forma de contribuição do leigo.

“O documento quer trazer orientação e dar pistas de como os leigos podem nos ajudar mais. Fala da importância dos leigos na evangelização, da necessidade de uma Igreja evangelizadora onde os leigos exercem um papel muito importante”, afirmou.

Momento Nacional
O Arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger leu aos jornalistas a declaração da CNBB sobre o momento nacional. Leia o documento na íntegra.

Entre os pontos citados no texto, dom Murilo reforçou que a conferência “acompanha atentamente esse processo e espera o correto procedimento das instâncias competentes, respeitado o ordenamento jurídico do Estado democrático de direito. A crise atual evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política, que assegure efetiva participação popular, favoreça a autonomia dos Poderes da República, restaure a credibilidade das instituições, assegure a governabilidade e garanta os direitos sociais”.

O vice-presidente da CNBB salientou que a preocupação da conferência é de apontar caminhos, mostrando a direção aos fiéis no diálogo e respeito ao outro. “O dialogo significa colocar-se no lugar do outro. Na verdade o que todos queremos é que haja paz e que a lei seja defendida e preservada”, salientou.

Respondendo aos jornalistas, dom Sergio da Rocha explicou que a CNBB segue na linha adotada em pronunciamentos anteriores de não manifestar uma posição de caráter político partidário.

“Insistimos em recordar que o caminho é o da orientação, acompanhamento e respeito. Acreditamos no diálogo, na sabedoria do povo brasileiro e no discernimento das lideranças na busca de caminhos que garantam a superação da atual crise e a preservação da paz em nosso país”, afirmou.

Ao final da coletiva de imprensa, dom Leonardo retomou uma expressão apresentada na nota em que destacou a importância da democracia e a superação de posições pessoais pelo bem no Brasil.

“O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social”, destaca parágrafo da nota.

A12.com

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Cinco motivos para rezar todos os dias

Descubra cinco valiosos motivos para rezar todos os dias

A oração é o alimento da alma. 
Se não ingerirmos uma determinada quantidade de nutrientes necessários diariamente, nosso organismo começará a reagir de modo negativo; com o passar do tempo, vamos adquirir uma anemia. O mesmo processo ocorre com a vida interior. Se, a cada dia, não cultivarmos uma vida de oração, nossa alma contrairá uma anemia espiritual. Precisamos cuidar do coração para que nossa fé seja sempre renovada no amor e na esperança.

Aumentando a imunidade contra os ataques do inimigo
Vamos juntos descobrir cinco motivos para rezarmos todos os dias e aumentarmos a imunidade contra os ataques do inimigo?

1 – Fortalecimento da fé:
Nossa vida de fé se alimenta daquilo que oferecemos à nossa alma. Quando nos descuidamos da oração, nossa vida de fé diminui gradativamente. Muitos se descuidaram a tal ponto da vida de oração, que hoje se encontram espiritualmente anêmicos, sem forças diante das difíceis situações da vida. Quanto mais rezamos, mais nossa fé cresce e se fortalece.

2 – Resistência contra os ataques do mal:
Todos os dias, somos cercados de muitas forças do mal, as quais tentam nos roubar a paz. Uma vida de oração fecunda e intensa afasta de nós as forças das trevas. A luz que irradia de nossa fé deixa cego o inimigo. Mergulhados em Deus, criamos uma resistência espiritual contra todo vírus do mal.

3 – Santificação pessoal:
Os santos alcançaram a glória divina, porque na vida foram pessoas de oração e caridade. A vida de oração caminha de mãos unidas com a ação, e para ser santo é preciso ser pessoa de oração. Quando nossa vida se torna oração por completo, até mesmo em nosso trabalho estamos rezando, porque nos unimos de tal maneira a Deus que não mais podemos nos separar d’Ele.

4 – Imunidade contra o negativismo:
Pessoas mal-humoradas têm tendência a serem de pouca oração. Quem reza é mais animado, olha a vida com mais amor, acolhe com mais carinho seus irmãos, reconhece nos sofredores o próprio Cristo, são promotores da paz, praticam a caridade sem esperar retorno. Invista na oração e verá os benefícios na sua alma.

5 – Amadurecimento espiritual e humano:
Aquele que cultiva uma vida de oração aos poucos vai adquirindo a sabedoria necessária diante das realidades humanas e espirituais. Uma vida de oração assídua desenvolve na alma o amadurecimento espiritual, que nos faz abandonar nas mãos de Deus todas as nossas fragilidades e confiar a sua misericórdia às difíceis situações da vida, para as quais não encontramos solução.

Os benefícios para quem investe um período do seu dia no cultivo da oração são enormes. Não há contraindicações e todos podem ser beneficiados pelo amor misericordioso de Deus, que restaura o coração e devolve a saúde espiritual à alma abatida.

Padre Flávio Sobreiro 
Canção Nova 

terça-feira, 12 de abril de 2016

A perseguição é o pão cotidiano da Igreja, diz Papa

Papa comenta a perseguição sangrenta e aquela “educada”, que se disfarça de cultura para impor leis e normas que são contrárias a Deus



Na Missa desta terça-feira, 12, o Papa Francisco falou dos tipos de martírio existentes nos tempos atuais, inclusive da “perseguição educada” que muitos sofrem por causa da fé em Cristo, assim como aconteceu com Estêvão, o primeiro mártir. “A perseguição é o pão cotidiano da Igreja”, afirmou o Santo Padre.

Francisco falou de dois tipos de perseguição: aquelas sangrentas, com seres dilacerados por animais selvagens para a alegria do público ou que explodem por uma bomba na saída da Missa. E perseguições com “luvas brancas”, disfarçadas de cultura, que confinam num ângulo da sociedade, que fazem perder o trabalho por não se adequar a leis que vão contra Deus Criador.


Mártires de todos os dias
A narração do martírio de Estêvão, descrito no trecho dos Atos dos Apóstolos proposto pela liturgia, levou o Papa a considerações sobre uma realidade que há 2 mil anos existe dentro da história da fé cristã: a perseguição.

“A perseguição, eu diria, é o pão cotidiano da Igreja. Jesus o disse. Nós, quando fazemos um pouco de turismo por Roma e visitamos o Coliseu, pensamos que os mártires eram aqueles mortos com os leões. Mas os mártires não foram somente aqueles ali ou outros. São homens e mulheres de todos os dias: hoje, no dia de Páscoa, somente três semanas atrás… aqueles cristãos que festejavam a Páscoa no Paquistão foram martirizados justamente porque festejavam o Cristo Ressuscitado. E assim a história da Igreja vai avante com os seus mártires”.

“Perseguições educadas”
O martírio de Estêvão provocou uma cruel perseguição anticristã em Jerusalém, análoga às que sofre hoje quem não é livre para professar a sua fé em Jesus. O Santo Padre atentou ainda para outra perseguição, da qual não se fala muito: a perseguição mascarada de cultura, de modernidade, de progresso.

“É uma perseguição – diria com um pouco de ironia – ‘educada’. É quando o homem não é perseguido por confessar o nome de Cristo, mas porque quer ter e manifestar os valores do Filho de Deus. É uma perseguição contra Deus Criador na pessoa de seus filhos! E assim, vemos todos os dias que as potências fazem leis que obrigam a seguir este caminho e a nação que não respeita estas leis modernas, cultas, ou que não quer tê-las em sua legislação, é acusada, perseguida educadamente. É a perseguição que tira do homem a liberdade, inclusive de objetar com a consciência!”.

A grande apostasia
Francisco explicou que essa é a perseguição do mundo que tira a liberdade, enquanto o que Deus quer é homens livres para dar testemunho Dele, de Jesus Cristo que salvou a humanidade. Ele acrescentou que o líder dessas perseguições é o “príncipe deste mundo”.

“O líder da perseguição ‘educada’, Jesus o nomeou: é o príncipe deste mundo. Quando as potências querem impor comportamentos e leis contra a dignidade do Filho de Deus, perseguem-no e vão contra o Deus Criador. É a grande apostasia. Assim, a vida dos cristãos vai avante, com estas duas perseguições. O Senhor nos prometeu que não se afastará de nós. ‘Estejam atentos, atenção!” Não caiam no espírito do mundo. Estejam atentos, mas prossigam, Eu estarei com vocês!’”.

Canção Nova

segunda-feira, 28 de março de 2016

Viver ressuscitado é saboroso como o chocolate

A Páscoa é uma festa de família, porque viver ressuscitado é saboroso como o chocolate
Que conceito bonito este de que a família é a Igreja doméstica! “Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante. Por isso, o Concilio Vaticano II chama a família, usando uma antiga expressão, de ‘Eclésia doméstica’. É no seio da família que os pais são ‘para os filhos, pela palavra e pelo exemplo, os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada’” (Catecismo da Igreja Católica, n° 1656).

O lar cristão é o lugar em que os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. Por isso, o lar é chamado, com toda razão, de “Igreja doméstica”, comunidade de graça e oração, escola das virtudes humanas e da caridade cristã (Catecismo da Igreja Católica, n° 1666).

Os pais como transmissores da fé
Os pais são os primeiros a transmitir a fé, os valores cristãos e universais e uma boa educação para os filhos. Pai e mãe são mestres da vida; pela palavra e pelo exemplo, eles nos ensinam coisas que vamos levar para a vida toda, que vão influenciar nossas escolhas e, principalmente, formar a nossa consciência do bem e do mal. Serão os primeiros catequistas, que, muito mais do que ensinar, vão transmitir pela prática, porque os filhos os verão fazendo.

Eu mesmo poderia dizer da minha mãe e da minha avó quando as via rezar o terço diante da imagem de Nossa Senhora: “Era uma santa ouvindo o que a outra santa dizia!”. Meus pais imprimiram em mim muito mais do que traços biológicos e heranças hereditárias, qualidades e defeitos e o desejo de um futuro brilhante. Eles fizeram com que eu experimentasse o amor de Deus e a graça da fé. Quando ainda era criança, sem que eu entendesse, deram-me um banho de Água Viva, que me fez nascer de novo e me enxertou em Cristo Jesus. Dando-me assim o dom da imortalidade e a graça de pertencer a uma família muito grande: a Igreja!

Como explicar para as crianças e os jovens que o mais importante é a festa da vida?
Como explicar para as crianças e os jovens que, na Páscoa, o mais importante é a festa da vida que vence a morte? Que Cristo verdadeiramente foi morto numa cruz e que, por aceitar morrer assim, Ele nos libertou do pecado e nos salvou pela Sua Ressurreição? A Páscoa é uma festa de família, porque viver ressuscitado é saboroso como o chocolate, é cheio de vida como o ovo e é tão fecundo como um casal de coelhinhos. É preciso ter a coragem de celebrar a fé em família e ensinar o verdadeiro sentido de ser cristão.

O sentido dos símbolos pascais
Celebrar a Páscoa é renascer com Cristo ressuscitado, é passar da morte para a vida, é vencer o pecado e a morte. É também celebrar a vida com o sabor de um ovo de chocolate e mostrar ao mundo que o cristão precisa ser como o coelho: fecundo em virtudes, amor e santidade. É arrumar uma ceia e acender uma vela para convidar os amigos e parentes para se iluminarem com a luz de nossa fé. Uma fé que nasce e renasce constantemente no seio de nossas famílias. É ser criativo e pedir ao Espírito Santo que grave em nossos corações a graça e o verdadeiro sentido dos símbolos pascais:

O Círio Pascal: Representa o Cristo Ressuscitado, que deixou o túmulo, radioso e vitorioso. Na vela pascal ficam gravadas as letras Alfa e Ômega, significando que Deus é o princípio e o fim. Os algarismos do ano também ficam gravados no Círio Pascal. Nas casas cristãs, é comum o uso da vela no centro da mesa no almoço de Páscoa.

O ovo, aparentemente morto, é o símbolo da vida que surge repentinamente, destruindo as paredes externas e irrompendo com a vida. Simboliza a Ressurreição.

O Cordeiro: Na Páscoa da antiga aliança, era sacrificado um cordeiro. No Novo Testamento, a vítima pascal é Jesus Cristo, chamado Cordeiro Pascal.

O Coelho: Símbolo da rápida e múltipla fecundidade da Igreja, que está espalhada por toda a parte, reproduzindo fiéis: há um número incalculável de filhos de Deus, frutos da Graça da Ressurreição.

O Trigo e a Uva: Simbolizam o pão e o vinho da Santa Missa e, por seu grande significado com a Trindade Santa, traduzem, por excelência, o símbolo Pascal. Para a ornamentação da mesa de Páscoa, nada mais indicado que um centro feito com uvas e trigo, entre cestas de pães e jarras de vinho.

O peixe é o mais antigo dos símbolos de Cristo. Se Ele é o Grande Peixe, somos os peixinhos d’Ele. Isso quer dizer que devemos sempre viver mergulhados na graça de Cristo e na vida divina, trazidas a nós pela água do batismo, momento em que nascemos espiritualmente, como os peixinhos nascem dentro d’água.

Cristo ressuscitou, ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

FELIZ PÁSCOA!

Padre Luizinho
Canção Nova

Freiras mortas e padre crucificado pelo Estado Islâmico

De acordo com a página "O Homem Católico", o padre Tom Uzhunnalil — sequestrado por militantes do Estado Islâmico em Áden, no Iêmen — foi crucificado nessa Sexta-feira Santa. A informação teria sido passada pelo cardel austríaco Schönborn durante a Vigília Pascal. No último dia 4, homens armados invadiram a casa da congregação Missionárias de Caridade, mataram 16 pessoas, incluindo quatro freiras, e levaram o religioso.

Segundo o “Daily Mirror” nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo sequestro do sacerdote, que era um membro da ordem Salesiana de Bangalore, na Índia. Contudo, um sobrevivente do ataque afirmou que os homens pertenciam ao grupo terrorista Estado Islâmico.

As Irmãs Franciscanas da Siessen , que têm base África do Sul, divulgaram uma mensagem no Facebook temendo pela vida do religioso. “Fomos informadas de que o padre salesiano Tom, que foi sequestrado pelo Estado Islâmico da casa dos missionários do Iêmen, está sendo torturado e vai ser crucificado na Sexta-feira Santa”, diz a mensagem que pede orações por padre Tom.


Durante a Missa do Crisma na Basílica Menor do Santíssimo Salvador, na quinta-feira Santa, o bispo diocesano Dom Roberto Francisco Ferrería Paz abordou o assunto e destacou o olhar misericordioso de Jesus Cristo, mesmo em casos como esse. "Nós devemos sempre dizer: Jesus, eu confio em vós!", disse. Padre Lucas Mendes também falou sobre o assunto, mas durante a celebração da Ceia do Senhor, na Matriz. 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Tríduo Pascal: "Em memória de Mim!"

O pôs a mesa
Com a celebração da Ceia do Senhor, iniciamos o Tríduo Pascal. Não podemos perder de vista que os acontecimentos da História da Salvação estão presentes não mais como profecia, mas como realização. Como Deus salvou no passado, continua agora a salvação através de Jesus.

A Ceia preparada para a noite do Mandamento do Amor, com o gesto expressivo do Lava-Pés, no qual convergem todos os atos de amor, ainda que não sejam perfeitos, e de onde nasce toda a voragem do amor vindo da Trindade: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Nesta noite a Eucaristia foi instituída e o sacerdócio ministerial nasceu do mistério de Cristo. Em todas as missas, “Eis o Cordeiro de Deus” será o convite ao Banquete das Núpcias do Cordeiro, que se faz presente até o fim dos tempos.

Nas celebrações, pela memória, são atuantes. Temos três dias memoráveis para participamos da morte e ressurreição do Senhor. A Quinta-Feira Santa celebra a Ceia de Jesus que recorda a Ceia Pascal hebraica na libertação do Egito. Agora mudou o sentido. A libertação é de todo mal para a vida da graça na comunhão com Deus em Cristo. A Ceia Pascal dos judeus faz memória de um acontecimento fundamental para o povo.

A Ceia de Jesus vai sempre fazer memória de sua passagem para o Pai, libertando de todos os males. Mudou o sentido. A Missa é a Ceia de Jesus de um modo sacramental. Tudo o que realizamos na Eucaristia estava em Jesus. Celebrando tornamos presente, pela memória sacramental, tudo que aconteceu com Jesus.

E recebemos tudo o que Jesus nos preparou. Fazer memória não se trata de ter uma lembrança, mas de tornar presente pelo anúncio da palavra e pelos sinais sacramentais, o Mistério Pascal de Cristo, isto é, tudo o que Cristo fez para nossa salvação e comunhão com Deus. O fato histórico não se torna presente, mas nós nos tornamos presentes ao fato e recebemos tudo o que Ele contém. Lembrando a Ceia, pensamos nas palavras de Jesus: “Ele, passando os servirá”. Na Eucaristia, Jesus põe a mesa para nós.

O dia em que Deus chorou
A Sexta-feira Santa é dia do Cordeiro, providenciado pelo Pai do Céu (Cf. Gn 22,8) ser imolado na ara da Cruz, altar definitivo do verdadeiro e definitivo sacrifício. O Cordeiro inocente é imolado na Páscoa da Cruz, Sangue derramado e passado nos umbrais das portas de todos os corações, para que da velhice do pecado e da maldade sejamos todos restaurados no homem novo, que é Jesus.

Jesus, Filho de Deus, Homem-Deus, viveu em tudo a condição humana passando pela morte. Deus, que é imenso no seu amor, como pode ver o que passou seu Filho? Deus não sofre. Como está sempre unido a nós, chorou através de cada um de nós que crê no sofrimento de seu Filho. Por que a Igreja e os católicos sempre têm crucifixos, se Jesus não sofre mais, não morre mais? É para não esquecer o amor com que Deus nos amou a ponto de entregar seu Filho à morte.

A morte não foi um castigo, mas fruto da maldade das pessoas que não aceitaram seu plano de vida nova e amor. Somos convocados a parar diante do Crucificado e contemplar o que Deus fez por nossa salvação.

Não precisava tanto, mas Jesus quis mostrar que não faltou nada para mostrar que nos amava. Diante da Cruz rezamos por todas as necessidades do mundo e da Igreja. Ninguém fica fora da oferta de redenção. Nossa missão é levar adiante essa oferta de vida.

E começou a festa
Depois de um dia de silêncio diante da morte do Senhor, preparamos a festa de sua Ressurreição. No Sábado Santo Jesus, como que gestado na terra, brota como planta nova e viva para sempre. Passamos em oração esse momento e contemplamos o fogo novo, o círio aceso mostrando que Cristo é Luz do mundo.

A Igreja canta feliz: Aleluia!. O fogo novo simboliza Cristo Vivo que sai do túmulo de pedra. O círio pascal é a imagem de Cristo, Luz do mundo. Durante essa noite são feitas as leituras dos passos importantes da salvação. Somos assim integrados nesse caminho pelo nosso batismo e podemos participar da Morte e Ressurreição do Senhor recebendo seu Corpo e Sangue.

O mundo nasceu de novo. Nós nascemos de novo. Nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Se morrermos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele. E a festa não vai acabar. Cada dia é dia de Cristo Ressuscitado.


A12.com / Canção Nova

quarta-feira, 23 de março de 2016

Catequese: O significado da Procissão do Encontro

Dentro da Semana Maior, a Procissão do Encontro tem um sentido particular

Uma celebração litúrgica de muita piedade, que o povo católico muito aprecia durante a Semana Santa, é a Procissão do Encontro, um momento que marca o encontro da Virgem Maria com Seu Filho Divino, carregando a cruz no caminho do Calvário, pelas ruas de Jerusalém, depois de ser flagelado, coroado de espinhos e condenado à morte por Pilatos. É um momento em que meditamos o doloroso encontro da Virgem Maria com Jesus; é um momento de profunda reflexão sobre as dores da Mãe de Jesus, desde o Seu nascimento até a Sua morte na cruz. Jesus sofreu a Paixão; a Virgem sofreu a compaixão por nós.

A “espada de Simeão”, que não saíra da mente de Jesus durante 30 anos de Sua vida, apresentava-se cada vez mais ameaçadora diante de Maria. Não é difícil imaginar o quanto Nossa Senhora sofreu ao ver seu Filho ser perseguido, odiado, jurado de morte pelos anciãos e doutores da Lei que o invejavam. Quantas ciladas Lhe armavam! Quantas disputas Ele teve de travar com os mestres da Lei.

E eis que a Paixão do Senhor se torna presente. Todo ano, ela ia a Jerusalém para a festa da Páscoa judaica, e também naquele ano da morte do seu Amado, ela ali estava.

Podemos imaginar a dor do coração de Maria ao saber da traição de Judas, do abandono dos discípulos no Horto das Oliveiras, a negação de Pedro e, depois, Sua prisão e maus tratos nas mãos dos soldados do sumo sacerdote. Certamente, naquela noite santa e terrível, em que Ele, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1), Maria foi informada pelos discípulos que abandonaram o Mestre e fugiram na noite.

Fico pensando na dor de Maria ao saber da tríplice negação de Pedro, o escolhido do Senhor, e de tudo o mais que Seu Filho divino estaria passando nas mãos dos soldados naquela noite. Ela sabia que o Sumo Sacerdote e os doutores da lei estavam ansiosos para pôr as mãos n’Ele. São Lucas narra com riqueza de detalhes os fatos:

“Entretanto, os homens que guardavam Jesus escarneciam dele e davam-lhe bofetadas. Cobriam-lhe o rosto e diziam: Adivinha quem te bateu!” (Lc 22,63-64).

Que Mãe suportaria ver seu Filho sofrer tanto assim?
Na manhã do dia seguinte, sabia que seu Filho era colocado diante de Pilatos, que o mandou flagelar até o sangue escorrer de Suas chagas, e ainda coroado com uma coroa de espinho, dolorosa e humilhante. Que Mãe suportaria ver seu Filho sofrer tanto assim? Que dor Maria não sentiu ao saber, ou quem sabe até ao ouvir, o povo insuflado pelos doutores da Lei gritando a Pilatos: “Crucifica-o! crucifica-o!”? Como deve ter sofrido ao ouvir o povo gritar!

“Todo o povo gritou a uma voz: ‘À morte com este, e solta-nos Barrabás’. Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo, mas eles vociferavam: ‘Crucifica-o! Crucifica-o!’. Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo” (Lc 23,18-24).

Pilatos tinha sentimento humano para com Jesus; tivesse ele vencido sua covardia, talvez o teria salvo do furor da multidão. Maria aceitou tudo aquilo, não se revoltou naquela hora tremenda, que decide a vida ou a morte de seu Filho. Ela sabe que o Filho podia por si, sem auxílio alheio, livrar-se de Seus inimigos, mas se se deixou como um cordeiro levar ao suplício, é porque o fez espontaneamente, cumprindo a vontade de Deus.

Maria foi ao encontro de Jesus que, carregado do peso da cruz, encaminha-se para o Calvário. Ela o vê todo desfigurado e entregue, coberto de mil feridas e horrivelmente ensanguentado. Seus olhares se cruzam. Nenhuma queixa sai de sua boca, porque as maiores dores Deus lhe reservou para a salvação do mundo. Aquelas duas almas, heroicamente generosas, continuam juntas no seu caminho do sofrimento, até o lugar do suplício.

Certamente, Maria O acompanhou no caminho do Calvário, onde ela viu seu Amado carregar a cruz de nossos pecados, todo chagado, ferido, coroado de espinhos, destruído. Certamente, ela se lembrou da espada de Simeão e das palavras de Isaías que conhecia tão bem, tendo-a ouvido na sinagoga de Nazaré.

Não há dor semelhante a de Nossa Senhora, desde quando se encontrou com seu divino Filho no caminho do Calvário, carregando a pesada cruz e insultado como se fosse um criminoso. A aceitação da vontade do Altíssimo sempre foi a sua força em horas tão cruéis como essa.

Maria compreende a dor da alma
Ao encontrar Sua Mãe, os olhos de Jesus a fitaram, e ela certamente compreendeu a dor de Sua alma. Não pôde lhe dizer palavra nenhuma, mas a fez compreender que era necessário que unisse a sua dor à d’Ele. A união da grande dor de Jesus e de Maria, nesse encontro, tem sido a força de tantos mártires e de tantas mães aflitas.

Esse fato ficou tão marcado na vida do povo católico, que tanto ama sua Mãe e seu Filho, que não deixa de celebrar esse encontro com uma procissão na Semana Santa. Mãe e Filho se encontram nas ruas das cidades ou em alguma praça onde o povo pode reviver esse santo encontro.

Nós, que temos medo do sacrifício, devemos aprender, nesse encontro, a submeter-nos à vontade de Deus, como Jesus e Maria se submeteram. Aprendamos a calar nos nossos sofrimentos, e os olhares de Jesus e de Maria consolarão a nossa pobre alma sofredora.
Maria viveu os tormentos da Paixão de seu armadíssimo Filho. Encontra-O no caminho do Calvário, flagelado, coroado de espinhos, esbofeteado, destruído… Que mãe poderia aguentar tamanha dor? Seu Filho Santo, Deus, carregando nas costas a cruz de Seu suplício!

As nossas almas vão sentir a eficácia dessa riqueza na hora em que, abatidos pela dor, formos até nossa Mãe, fazendo a meditação desse encontro dolorosíssimo. Esse silêncio se converterá em força para as almas aflitas, quando, nas horas difíceis, souberem recorrer à meditação desta Mãe que sofre.

É precioso o silêncio nas horas de sofrimentos; muitos não sabem sofrer uma dor física, uma tortura da alma, em silêncio; desejam logo contá-la para que todos o lastimem! Nossa Senhora e Jesus nos ensinam a vencer a aflição suportando tudo, em silêncio, por amor a Deus.

Certamente a dor nos humilha, mas é nessa santa humilhação que Deus nos edifica, corrige, cura e santifica. São Francisco de Sales dizia que ninguém se torna humilde e santo se não passar pela cadinho da humilhação. Jesus e Maria nos ensinam a aprender a sofrer em silêncio, como eles sofreram no doloroso encontro no caminho do Calvário.


Felipe Aquino
Canção Nova

segunda-feira, 21 de março de 2016

Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre

Diante de um mundo carente de esperança, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida

O maior acontecimento da história da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito Homem. Nada, neste mundo, supera a grandiosidade desse acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres, – sobretudo os santos e santas, debruçaram-se sobre esse acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas.


Depois da Encarnação e da Morte cruel de Jesus na cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que o Senhor amou a tal ponto o mundo que deu o Seu Filho Único para que todo aquele que n’Ele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (cf João 3,16).

São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as seguintes palavras aos romanos: “”Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida”” (Romanos 5,8-10).

O que podemos exigir do Senhor?

Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus, humanizado, morreu por nós. O que mais poderíamos exigir do Senhor para nos demonstrar Seu amor? Sem isso, a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação do Pai. Por quê? Porque o homem pecou e peca desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às Suas santas Leis, a qual rompe nossa comunhão com Ele. Por isso, diante da justiça divina, somente uma reparação de valor infinito poderia sanar essa ofensa da humanidade ao Senhor. E como não havia um homem sequer capaz de reparar, com seu sacrifício, essa ofensa infinita a Deus, então, Ele próprio, na Pessoa do Verbo,– veio realizar essa missão.

Não pense que Deus é malvado e exige o sacrifício cruento de Seu Filho na cruz por mero deleite ou para se vingar da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que o Senhor é amor, mas também é justiça. O amor de Deus é justo. Quem erra deve reparar seu erro. Humanamente exigimos isso, e essa lei só não existe entre os animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Ele, mas à justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que, no Juízo Final, Deus fará toda justiça com cada um; e cada injustiça da qual fomos vítimas também será reparada no dia do juízo.

Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício

Assim, vemos o quanto Deus ama, valoriza e respeita o homem. O Verbo Divino se apresentou diante do Pai e ofereceu-se para salvar a Sua mais bela criatura, gerada “à Sua imagem e semelhança” (cf. Gênesis 1,26).

A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: ‘Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’ (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus” (Hebreus 10,5-10).

A Semana Santa celebra, todos os anos, esse acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade, para o resgate desta das mãos do demônio e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (cf. Rom 6,23).

Mas agora Jesus nos libertou, “pagou o preço do nosso resgate”. Disse São Paulo: “Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz” (Col 2,12-14).

Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Cristo; a pia batismal é, portanto, o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo, que vive para Deus e Sua justiça. É por isso que, na Vigília Pascal do Sábado Santo, renovamos as promessas do batismo.

O cristão que entendeu tudo isso celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Por outro lado, aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo dela apenas um grande feriado, é porque ainda não entenderam a grandeza dessa data sagrada e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande mistério de amor!

A espiritualidade dos três dias

O cristão católico, convicto, celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela se inicia com a celebração da entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. E grita: “Hosana!”; “Salva-nos!” Ele é o Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele e só Ele – é o nosso Salvador (cf. At 4,12).

Na Missa dos Santos Óleos, a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do batismo, da crisma e da unção dos enfermos. Na Missa do Lava-pés, na noite da Quinta-Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, na qual o Senhor instituiu a Sagrada Eucaristia e lhes deu as últimas orientações.

Na Sexta-Feira Santa, a Igreja guarda o Grande Silêncio diante da celebração da Morte do seu Senhor. Às três horas da tarde, é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida, há a Procissão do Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto nem morre outra vez, mas celebrar a Sua Morte é participar dos frutos da Redenção.

Na Vigília Pascal, a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor, que venceu a morte, a dor, o inferno e o pecado. É o canto da Vitória. “Ó morte onde está o teu aguilhão?”

A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.

Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais íntima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida, porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse – em sua Encíclica Spe Salvi – que sem Deus não há esperança, e sem esperança não há vida.

Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas e desesperanças.

Felipe Aquino
Canção Nova

quarta-feira, 16 de março de 2016

Catequese: A importância do Domingo de Ramos

A entrada “solene” de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de Suas dores e humilhações

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho – o símbolo da humildade – e aclamado pelo povo simples, que O aplaudia como “Aquele que vem em nome do Senhor”. Esse povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia havia poucos dias e estava maravilhado. Ele tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos profetas; mas esse mesmo povo tinha se enganado no tipo de Messias que Cristo era. Pensavam que fosse um Messias político, libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.

Para deixar claro a este povo que Ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, mas o grande Libertador do pecado, a raiz de todos os males, então, o Senhor entra na grande cidade, a Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados, montado em um jumentinho; expressão da pequenez terrena. Ele não é um Rei deste mundo! Dessa forma, o Domingo de Ramos dá o início à Semana Santa, que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus abanando seus ramos de oliveiras e palmeiras.

Esses ramos significam a vitória: “Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas”. Os ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus, membros de Cristo, participantes da Igreja,defensores da fé católica, especialmente nestes tempos difíceis em que esta é desvalorizada e espezinhada. Os ramos sagrados que levamos para nossas casas, após a Missa, lembram-nos de que estamos unidos a Cristo na mesma luta pela salvação do mundo, a luta árdua contra o pecado, um caminho em direção ao Calvário, mas que chegará à Ressurreição.

O sentido da Procissão de Ramos é mostrar essa peregrinação sobre a terra que cada cristão realiza a caminho da vida eterna com Deus. Ela nos recorda que somos apenas peregrinos neste mundo tão passageiro, tão transitório, que se gasta tão rapidamente. E nos mostra que a nossa pátria não é neste mundo, mas sim na eternidade, que aqui nós vivemos apenas em um rápido exílio em demanda da casa do Pai. A Missa do Domingo de Ramos traz a narrativa de São Lucas sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus: Sua angústia mortal no Horto das Oliveiras, o Sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os maus-tratos causados pelas mãos do soldados na casa de Anãs, Caifás; Seu julgamento iníquo diante de Pilatos, depois, diante de Herodes, Sua condenação, o povo a vociferar “crucifica-o, crucifica-o”; as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do Cirineu, o consolo das santas mulheres, o terrível madeiro da cruz, Seu diálogo com o bom ladrão, Sua morte e sepultura.

A entrada “solene” de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de Suas dores e humilhações. Aquela mesma multidão que O homenageou, motivada por Seus milagres, agora vira as costas a Ele e muitos pedem a Sua morte. Jesus, que conhecia o coração dos homens, não estava iludido. Quanta falsidade há nas atitudes de certas pessoas! Quantas lições nos deixam esse Domingo de Ramos! O Mestre nos ensina, com fatos e exemplos, que o Reino d’Ele, de fato, não é deste mundo. Que Ele não veio para derrubar César e Pilatos, mas veio para derrubar um inimigo muito pior e invisível: o pecado. E para isso é preciso se imolar; aceitar a Paixão, passar pela morte para destruir a morte; perder a vida para ganhá-la. A muitos o Senhor Jesus decepcionou; pensavam que Ele fosse escorraçar Pilatos e reimplantar o reinado de Davi e Salomão em Israel; mas Ele vem montado em um jumentinho frágil e pobre.

Muitos pensam: “Que Messias é este? Que libertador é este? É um farsante! É um enganador merece a cruz por nos ter iludido”. Talvez Judas tenha sido o grande decepcionado. O Domingo de Ramos ensina-nos que a luta de Cristo e da Igreja e, consequentemente, a nossa também, é a luta contra o pecado, a desobediência à Lei sagrada de Deus, que hoje é calcada aos pés até mesmo por muitos cristãos que preferem viver um Cristianismo “light”, adaptado aos seus gostos e interesses e segundo as suas conveniências. Impera, como disse Bento XVI, “a ditadura do relativismo”. O Domingo de Ramos nos ensina que seguir o Cristo é renunciar a nós mesmos, morrer na terra como o grão de trigo para poder dar fruto, enfrentar os dissabores e ofensas por causa do Evangelho do Senhor. Ele nos arranca das comodidades e das facilidades, para nos colocar diante d’Aquele que veio ao mundo para salvar este mundo.

Felipe Aquino
Canção Nova

terça-feira, 15 de março de 2016

Madre Teresa de Calcutá será canonizada em 4 de setembro

Data da canonização de Madre Teresa de Calcutá foi anunciada, hoje, em consistório presidido pelo Papa Francisco

Madre Teresa de Calcutá será canonizada no dia 4 de setembro deste ano, informou, nesta terça-feira, 15, o Vaticano. A data foi anunciada após o consistório presidido pelo Papa Francisco, quando ele assinou o decreto para a canonização da madre e de mais quatro beatos.

Ao lado de Madre Teresa, a Igreja terá mais cinco santos: em 5 de junho, a canonização do padre polonês Stanislao de Jesus Maria, fundador da Congregação dos Marianos da Imaculada Conceição da Beatíssima Virgem Maria; e da religiosa Maria Elisabetta Hesselblad, fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida.

No domingo, 16 de outubro, serão proclamados santos José Sánchez del Río, mexicano martirizado aos 14 anos durante a perseguição religiosa no México; e José Gabriel del Rosario Brochero, conhecido como o ‘Cura Brochero’, que percorreu a Argentina numa mula para levar a mensagem do Evangelho no século XIX.

Sobre Madre Teresa
Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, a madre Teresa, nasceu em 1910 em Skopje, território albanês, atualmente capital da Macedônia. Entrou para a vida religiosa em 1928, com o propósito de ser missionária na Índia.

Em Calcutá, território indiano, a madre passou grande parte de sua vida e realizou um trabalho de caridade que comoveu o mundo. Ela foi a fundadora da Congregação das Missionárias da Caridade e, em 1979, recebeu o prêmio Nobel da Paz por sua atuação missionária.

Madre Teresa morreu em 1997, aos 87 anos, em Calcutá, na Índia. Foi beatificada no dia 19 de outubro de 2003 pelo então Papa João Paulo II.

Canção Nova - Rádio Vaticano

segunda-feira, 14 de março de 2016

Papa: quantos “vales tenebrosos”, mas o Senhor está conosco

O sem-teto morto de frio em Roma, as irmãs de Madre Teresa assassinadas no Iêmen, as pessoas que adoecem na “Terra do fogo”, perto de Nápoles. Na missa da manhã dessa segunda-feira (14), o Papa citou alguns fatos dramáticos dos últimos dias. Diante destes “vales tenebrosos”, disse Francisco, a única resposta é confiar em Deus.

O Pontífice se inspirou na primeira leitura do dia, extraída do Livro de Daniel, em que Susana, uma mulher justa difamada pelas más intenções de dois juízes, prefere confiar em Deus e escolhe morrer inocente a fazer o que aqueles dois homens queriam.

Quantos vales tenebrosos
O Senhor, disse o Papa, sempre caminha conosco, nos quer bem e não nos abandona. E dirige o seu olhar aos “vales tenebrosos” do nosso tempo:

“Quando nós, hoje, olhamos para os muitos vales obscuros, tantas desgraças, tanta gente que morre de fome, de guerra, crianças com problemas, tantas.... você pergunta aos pais: ‘Mas que doença ele tem?’ – ‘Ninguém sabe: se chama doença rara’. Pensemos nos tumores da Terra do fogo … Quando você vê tudo isso, pergunta: onde está o Senhor? O Senhor caminha comigo? Este era o sentimento de Susana. Também o nosso. Você vê essas quatro freiras trucidadas: serviam por amor e acabaram trucidadas por ódio! Quando você vê que se fecham as portas aos prófugos e eles ficam ao relento, com o frio... Mas Senhor, onde você está?”

Por que uma criança sofre?
“Como posso confiar no Senhor – retomou o Papa – se vejo todas essas coisas? E quando as coisas acontecem comigo, cada um de nós pode dizer: mas como me entrego ao Senhor?” “A esta pergunta há uma resposta”, disse Francisco: “Não se pode explicar, eu não sou capaz”:

“Por que uma criança sofre? Não sei: para mim é um mistério. Somente Jesus no Getsêmani me traz uma luz – não à mente, mas à alma: ‘Pai, este cálice, não. Mas seja feita a Sua vontade’. Entrega-se à vontade do Pai. Jesus sabe que tudo não termina com a morte ou com a angústia, e a última palavra da Cruz: ‘Pai, confio-me em Suas mãos!’, e morre assim. Entregar-se a Deus, que caminha comigo, que caminha com o meu povo, que caminha com a Igreja. E este é um ato de fé. Eu me entrego. Não sei: não sei porque isso acontece, mas eu confio. Você saberá porquê”.

O mal não é definitivo
E este, disse, “é o ensinamento de Jesus: quem se entrega ao Senhor que é Pai, não precisa de mais nada”. Ainda que caminhe por um vale tenebroso, acrescentou, “sabe que o mal é um mal momentâneo, o mal definitivo não existirá porque o Senhor ...‘porque Tu estás comigo. O Teu bastão e o Teu cajado me deixam tranquilo”. Esta, destacou, “é uma graça” que devemos pedir: “Senhor, ensinai-me a entregar-me nas Tuas mãos, a confiar em sua guia, mesmo nos maus momentos, nos momentos tenebrosos, no momento da morte”:

“Hoje nos fará bem pensar à nossa vida, aos problemas que temos e pedir a graça de nos entregarmos nas mãos de Deus. Pensar em tantas pessoas que não recebem um último carinho na hora de morrer. Três dias atrás morreu um aqui, nas ruas, um sem-teto: morreu de frio. Em plena Roma, uma cidade com todas as possibilidades para ajudar. Por que, Senhor? Sequer um carinho… Mas eu me entrego, porque Tu não desiludes”.

“Senhor – concluiu o Papa – não Te entendo. Esta é uma bela oração. Mesmo sem entender, me entrego nas Tuas mãos”.

Rádio Vaticano 

terça-feira, 8 de março de 2016

Por que tapar as imagens com um pano roxo durante Quaresma?

A tradição de cobrir os santos é muito antiga. Para entendê-la é preciso primeiro entender o que significam as imagens dos santos numa igreja. Quando entramos na Igreja e vemos as imagens, recordamos o mistério da Comunhão dos Santos: nós formamos com Eles, que já estão glorificados com Cristo Ressuscitado, a única Igreja que é Igreja Triunfante (que está nos céus), Igreja padecente (no Purgatório) e Igreja militante (nós na Terra). As imagens são, pois, uma mensagem de alegria: anunciam para nós essa consoladora e alegre verdade da fé de que estamos unidos à vitória daqueles que viveram antes de nós e – como nós – seguiram a Jesus.

Quando cobrimos os santos na quaresma e, sobretudo na Semana Santa, estamos querendo representar que, antes deles viverem o mistério da glória com Cristo, passaram pelo mistério da dor, dos sofrimentos e da morte de Jesus. Os santos não são cobertos como sinal de luto, mas sim como sinal do mistério de “solidariedade” e união profunda ao mistério da Paixão do Senhor. Nós os cobrimos, dando um ar “pesante” ao espaço litúrgico, nada alegre, pois agora é tempo de pensar na paixão do senhor.

Isso fica ainda mais claro quando, no canto do Glória na Vigília Pascal vemos cair os panos roxos e volta a alegria pois, no lugar daquela cor pesada e triste, aparecem de novo as imagens coloridas e bonitas, sinais de quem venceu com Cristo, tendo passado pela sua cruz em união à Dele.

Cobrir e descobrir os santos, então, nos remete ao Mistério Pascal, que é mistério de morte e ressurreição, de sofrimento e de alegria, de perca e de vitória.