segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Catequese: Amar a Virgem Maria exige conhecê-La

A honra que a Igreja sempre deu à Mãe de Deus foi muito especial, partindo dos personagens presentes dentro dos evangelhos até aos grandes autores que olharam com atenção para ela no decorrer dos séculos.

Santo Agostinho de Hipona em um dos seus sermões na solenidade do Natal, procurou mostrar a dignidade desta Mulher e a complexidade em que ela estava envolvida, chegando à conclusão de que não podermos excluí-la da centralidade do Evangelho, por mais que alguns queiram fazer isto; vejamos: “Aquele que, nascido do Pai, criou todos os séculos, consagrou este dia, nascido de uma mãe, nesta terra. Naquele nascimento (do alto) não pode ter mãe; neste, não buscou pai humano. Em poucas palavras: Cristo nasceu de um pai e de uma mãe; e ao mesmo tempo, sem pai e sem mãe. Enquanto Deus, nasceu do Pai; enquanto homem, de mãe. Enquanto Deus, sem mãe, enquanto homem, sem pai”. Aqui encontramos o motivo pelo qual a Igreja honra a genitora na carne de Cristo, mesmo se a ela não houvesse uma profecia sobre a louvação que lhe seria tributada, a Comunidade cristã assim o faria: “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada porque o Todo-Poderoso fez em mim Maravilhas” (Lc 1, 48). Outro dado importante que não podemos esquecer é a união hipostática de Cristo, acreditado e difundido também por Santo Agostinho, tirando aqui qualquer sombra de dúvida sobre o assunto.

A verdadeira devoção à Santíssima Virgem consiste em dedicar-se e entregar-se ao Reino de Deus de forma total e sem descanso, tendo sempre presente em todas as suas ações, o exemplo de vida e fé dela; assim agradaremos plenamente ao Senhor que “a escolheu, entre todas preferida”.

Repito, a Virgem Maria, mesmo que alguns não queiram, ocupa um lugar privilegiado na Criação, começando na sua Concepção, terminando na Assunção, não por causa de seus méritos, pois mérito nenhum a humanidade dela teria, mas pelos méritos de Jesus Cristo, o Puro, o Santo, o Imaculado que não deveria nascer de uma pessoa infectada com o germe do pecado.

A eleição de Nossa Senhora antes da fundação dos tempos está atestada na Sagrada Escritura – “Antes da fundação do mundo, fomos eleitos nele” (Ef 1, 4-12): Por Jesus ser quem é, Deus o Pai pôde eleger para si, Maria para ser mãe de seu Filho e também um a povo antes mesmo da criação. Com base nos méritos de Cristo existentes na eternidade, a Trindade glorificará a si mesma pela redenção de Maria, já na sua conceição ou nascimento.

O próprio evangelista João, inspirado por Deus afirmou em sua carta: “Deus é luz, nele não há trevas” (Jo 1, 1). A luz é uma metáfora comum na Sagrada Escritura. Em Provérbios 4,18 simboliza a justiça como a “luz da aurora”; São Paulo aos Filipenses 2,15 compara os filhos de Deus como a luz, pois devem ser “puros e irrepreensíveis” como as estrelas brilhantes no universo.

Já Nosso Senhor usou a luz como uma imagem de boas obras: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus” (cf. Mt 5,16). O fato de que Deus é luz estabelece um contraste natural com a escuridão do pecado, sendo assim, não poderia ser gerado na carne corrompida pelas trevas. Se a luz é uma metáfora para a justiça e bondade, então a escuridão significa o mal e o pecado. A luz faz parte da essência de Deus, assim como o amor (1Jo 4, 8). Eis a mensagem: Deus é completamente, absolutamente e incondicionalmente Santo, sem qualquer mistura com o pecado, qualquer mancha de iniquidade ou qualquer indício de injustiça. Eis a grandiosidade de Deus em Maria! Aqui, todos os que têm fé no Deus dos cristãos se curvam diante deste fato extraordinário.

A importância do culto mariano não nasce de uma vontade humana, é parte da herança deixada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Para os cristãos, o ponto principal de referência é Jesus e sua palavra, pois fazem parte do mistério que não é teorético ou palavra humana, mas é uma realidade que supera toda a Igreja.

Os irmãos separados fazem uma acusação sem fundamento, afirmando que “o culto mariano se baseia em uma ‘tradição’ que não parte dos Evangelhos”, porém, a Tradição por meio da Sagrada Escritura nos revela que a pessoa de Maria é inserida por escolha e vontade de Deus como realidade, na estrutura e na harmonia da fé na história da salvação dentro do Evangelho.

Não é porque Paulo não fala de Maria diretamente, ele como doutor da fé, que Ela deve ser esquecida por nós hoje. No entanto, Paulo faz referência a Maria em um texto que fundamenta todo o desenvolvimento do pensamento sobre Nossa Senhora e a Mariologia na Igreja (Gal 4, 4-6). É um texto que nos faz entrar dentro da profundidade do mistério de Deus, ainda que de uma forma meio contida. Entrar no mistério significa que “ser discípulo da Palavra”, não nos apossamos ou possuímos o Mistério, mas entramos na realidade enquanto crente, recebendo aquilo que Deus quer nos dar por meio desta mesma palavra. Estas questões são bem simples, mas ao longo do tempo, em muitos lugares perdemos esta sensibilidade dentro do campo da fé. Um exemplo podemos trazer aqui está no próprio culto cristão, nele celebramos o mistério da nossa fé! Em determinadas comunidades, infelizmente esta visão de culto está eclipsada, sendo ele transformado mais em um encontro de “desconhecidos” em busca de ações divinas que satisfaçam as suas carências afetivas, do que um encontro com o Mistério. Isto fere a Palavra porque a modificamos, obrigando que nossas palavras humanas, cubram as palavras e as ações de Deus dentro da liturgia.

A “plenitude do tempo”
À luz de Gálatas, já que estamos falando de São Paulo, também percebemos que esta “plenitude dos tempos” em que Deus veio, está quase esquecida ou perdida nas catequeses atuais. Isto causa um grande mal à fé cristã e impede o povo de Deus de usufruir das riquezas do Depósito da Fé da Igreja, porque os fiéis se perdem na história que passa a não ter sentido. Cria-se uma infantilização (1Cor 13, 11) da Religião que se desenvolve a partir de uma rejeição à Doutrina oficial da Igreja, chegando até ter repulsa de seus ensinamentos, principalmente no campo da Moral e da Ética. Em outras palavras, a comunidade dos irmãos transforma-se em uma reunião de pessoas que não veem sentido de pautar suas vidas a partir daquele Senhor que dá a vida e que veio (Jo 1, 14), e está presente no tempo e na história (Ap 22, 13). Aqui, Maria, Mãe de nosso Senhor, a perfeita discípula que peregrina ao longo do tempo, encontrada “cheia de graça”(4) na eternidade de Deus, chama a atenção dos homens para que não se percam no caminho de volta até o Senhor.

"Plenitude dos tempos” ao lado da “plena de graça”, eis no interior do mistério de Cristo ambas completudes, fundando aquilo que é hoje o culto a Maria. Em outras palavras, a partir daquilo que Deus oferece do mistério primordial, temos Maria no meio deste Mistério. Neste sentido, qualquer pessoa dentro do Cristianismo, seja católico ou não, deve aceitar esta visão ou realidade sobre aquilo que Deus nos deixa como verdade contida na sua Palavra. Nela está Maria ocupando o lugar de colaboradora eminente. Se temos fidelidade e percebemos o dom de Deus, nele encontramos a Nazarena.

Hoje concluímos que o culto a Nossa Senhora nos foi dado por Nosso Senhor Jesus Cristo quando entregou sob o cuidado de João sua mãe: “Eis ai tua mãe” (Jo 19, 26-27)! Não foi um invencionismo partido do povo, mas da própria vontade de Deus. Nestas últimas palavras de Jesus na Cruz vemos a teologia da filiação. Ele se volta ao Pai para entregar o seu Espírito e ao mirar com os olhos da carne à João, entrega a sua Mãe. Quer dizer, se entrega completamente: corpo na cruz, Espírito ao Pai e sua mãe aos irmãos. Ali reconheceram que “ele de fato era o Filho de Deus” (Mt 27, 54).

Uma vez reconhecendo Jesus como Filho, obrigatoriamente deve-se reconhecer sua Mãe! Aqui não só temos um vocábulo que nasce do afeto, mas algo nascente a partir das palavras de Jesus. Pedido de aceitação que a própria Maria e a Igreja obedeceram, abrindo seus corações para que ambas acolhessem uma a outra. Temos um mistério neste episódio da cruz! Por que Jesus não entregou sua mãe às mulheres ali presentes, nem a própria Maria Madalena, por ser mulher também? A resposta que temos está na própria passagem da Sagrada Escritura: Ele a “entregou ao discípulo a quem amava” (Jo 19, 26). Até nesta hora, o laço da afetividade esteve presente. Jesus tinha certeza: o discípulo amado a cuidaria muito bem porque ele “muito amava” o Mestre e demonstrou este amor permanecendo junto à Cruz.

No episódio do Calvário o Crucificado estabelece novas relações de amor entre Maria e os cristãos. Aqui está selada uma “Nova e Eterna Aliança”, tendo presente uma “Mulher”, fazendo cumprir a primeira profecia proclamada pelo próprio Deus no Antigo Testamento: “Porei inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e o seu Descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu Lhe ferirás o calcanhar”. O relato do Gênesis aponta para o papel tríplice de Jesus Cristo no que tange à nossa salvação.

(1) Profetiza a encarnação do Senhor no seio da Virgem Maria, “Mulher” que não faria pacto com o pecado (preservada do pecado);

(2) Note que a Semente é de uma mulher, não de um homem. A cultura judaica acreditava que só os homens tinham semente. A imagem é uma clara alusão ao nascimento virginal de Jesus;

(3) A via de Gênesis revela o sofrimento de Jesus Cristo e Sua morte na cruz. Satanás “feriria” o “calcanhar”;

(4) Finalmente, a promessa proclama a vitória da “Descendência da Mulher” sobre a serpente. Cristo “ferirá” ou esmagará a cabeça da serpente. A estratégia do demônio de provocar a morte de Jesus surtiu efeito contrário! A cruz constituiu um golpe de morte sobre a cabeça do inimigo enganador – sua destruição tornou-se uma certeza! Bendito seja Deus pela presença de Maria ao pé da cruz! Isto reporta-nos à passagem do Paraíso: uma mulher, um homem, uma árvore e uma serpente enganadora. Os Padres da Igreja já desvendaram o significado de tudo isto: Adão=Cristo, Eva=Maria, árvore=cruz, serpente=o mal. Jesus novo Adão sem o pecado, Maria livre do pecado pelos méritos de Cristo, a árvore da vida substituída pelo dom precioso da Cruz e o mal derrotado pela força e o poder de Deus.

Este foi um artigo extenso, mas procuramos mostrar o quanto a Mariologia pode ajudar na nossa compreensão no conhecimento de Deus e de sua relação com a humanidade. 

Côn. José Wilson Fabrício da Silva, crl
Membro da Academia Marial - A12.com

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Catequese: Posso me casar na Igreja com alguém não católico?

Reflita sobre o posicionamento da Igreja em relação ao casamento de pessoas de religiões diferentes

Cresce o número de jovens católicos e protestantes, ou de outras religiões, que namoram, desejam se casar na Igreja Católica e perguntam se podem fazê-lo. Antes de tudo é preciso compreender que há duas situações diferentes: uma é o “casamento misto”, entre um católico e uma pessoa não católica, porém, batizada em uma comunidade eclesial cristã. Um outro caso é quando há “disparidade de culto”, isto é , o casamento entre um católico e uma pessoa não batizada, não cristã. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que:

“Em muitos países, a situação do casamento misto (entre católico e batizado não-católico) se apresenta com muita frequência. Isso exige uma atenção particular dos cônjuges e dos pastores. O caso dos casamentos com disparidade de culto (entre católico e não batizado) exige uma circunspeção maior ainda” (CIC §1634).

A Igreja pode autorizar o matrimônio, desde que, obedeçam a certas exigências. Sobretudo, é preciso que se amem e cada um respeite o outro e a sua fé, vivendo cada um, a seu modo, a fidelidade a Cristo. A Igreja não deixa de lembrar as dificuldades que podem surgir nessa união, pois, a fé é um ponto básico na unidade do casal. O católico, por exemplo, gostará de ter em sua casa o crucifixo e outras imagens para venerar; bem como rezar o Rosário de Nossa Senhora, entre outros. Já a outra parte pode não aceitar isso. Mais difícil ainda, quando o outro cônjuge, não-cristão, não aceita a fé em Cristo do outro, ou até mesmo, se ele quiser praticar cultos que a fé da Igreja não aceita. E a grande preocupação da Igreja é com relação à educação dos filhos.

O que diz o Catecismo?
“A diferença de confissão entre os cônjuges não constitui obstáculos insuperável para o casamento, desde que consigam pôr em comum o que cada um deles recebeu em sua comunidade e aprender um do outro o modo de viver sua fidelidade a Cristo. Mas nem por isso devem ser subestimadas as dificuldades dos casamentos mistos. Elas se devem ao fato de que a separação dos cristãos é uma questão ainda não resolvida. Os esposos correm o risco de sentir o drama da desunião dos cristãos no seio do próprio lar. A disparidade de culto pode agravar ainda mais essas dificuldades. As divergências concernentes à fé, à própria concepção do casamento, como também mentalidades religiosas diferentes, podem constituir uma fonte de tensões no casamento, principalmente no que tange à educação dos filhos. Uma tentação pode então apresentar-se: a indiferença religiosa” (CIC §1635.)

A Igreja exige, nos casos acima citados, a autorização expressa da autoridade eclesiástica, normalmente do bispo. E exige que os noivos se comprometam a educar os filhos na fé católica. Afirma o Catecismo:

“Conforme o direito em vigor na Igreja Latina, um casamento misto exige, para sua liceidade, a permissão expressa da autoridade eclesiástica. Em caso de disparidade de culto, requer-se uma dispensa expressa do impedimento para a validade do casamento. Esta permissão ou esta dispensa supõem que as duas partes conheçam e não excluam os fins e as propriedades essenciais do casamento, e também que a parte católica confirme o empenho, com o conhecimento também da parte não-católica, de conservar a própria fé e assegurar o batismo e a educação dos filhos na Igreja católica” (CIC §1636).

O diálogo precisa existir
Portanto, para um (a) jovem católico (a) que namora uma pessoa de outra religião, esta será a primeira questão a ser discutida com o (a) companheiro (a). Será que ele (a) aceita isso? O Código de Direito Canônico da Igreja afirma:

Cân. 1124 § “O matrimônio entre duas pessoas batizadas, das quais uma tenha sido batizada na Igreja católica ou nela recebida depois do batismo, e que não tenha dela saído por ato formal, e outra pertencente a uma Igreja ou comunidade eclesial que não esteja em plena comunhão com a Igreja católica, é proibido sem a licença expressa da autoridade competente”.

E sobre a disparidade de culto confirma o Código o seguinte:

Cân. 1086 § 1. “É inválido o matrimônio entre duas pessoas, uma das quais tenha sido batizada na Igreja católica ou nela recebida e que não a tenha abandonado por um ato formal, e outra que não é batizada.
§ 2. Não se dispense desse impedimento, a não ser cumpridas as condições mencionadas nos cân. 1125 e 1126”.

Cân. 1125 § “O Ordinário local [Bispo] pode conceder essa licença, se houver causa justa e razoável; não a conceda, porém, se não se verificarem as condições seguintes:

1°- a parte católica declare estar preparada para afastar os perigos de defecção da fé, e prometa sinceramente fazer todo o possível a fim de que toda a prole seja batizada e educada na Igreja católica;

2°- informe-se, tempestivamente, desses compromissos da parte católica à outra parte, de tal modo que conste estar esta verdadeiramente consciente do compromisso e da obrigação da parte católica;

3°- ambas as partes sejam instruídas a respeito dos fins e propriedades essenciais do matrimônio, que nenhum dos contraentes pode excluir”.

Cân. 1126 § “Compete à Conferência dos Bispos estabelecer o modo segundo o qual devem ser feitas essas declarações e compromissos, que são sempre exigidos, como também determinar como deve constar no foro externo e como a parte não-católica deve ser informada”.

E como deve ser celebrado o matrimônio nesses casos? O Código de Direito exige o seguinte:

Cân. 1127 § 1. “No que se refere à forma a ser empregada nos matrimônios mistos, observem-se as prescrições do cân. 1108; mas, se a parte católica contrai matrimônio com outra parte não-católica de rito oriental, a forma canônica deve ser observada só para a liceidade; para a validade, porém, requer-se a intervenção de um ministro sagrado, observando-se as outras prescrições do direito.

§ 2. Se graves dificuldades obstam à observância da forma canônica, é direito do Ordinário local da parte católica dispensar dela em cada caso, consultado, porém o Ordinário do lugar onde se celebra o matrimônio e salva, para a validade, alguma forma pública de celebração; compete à Conferência dos Bispos estabelecer normas, pelas quais se conceda a dispensa de modo concorde.

§ 3. Antes ou depois da celebração realizada de acordo com o § 1, proíbe-se outra celebração religiosa desse matrimônio para prestar ou renovar o consentimento matrimonial; do mesmo modo, não se faça uma celebração religiosa em que o assistente católico e o ministro não-católico, executando simultaneamente cada qual o próprio rito, solicitam o consentimento das partes”.

Cân. 1128 § “Os Ordinários locais e os outros pastores de almas cuidem que não faltem o cônjuge católico e aos filhos nascidos de matrimônio misto o auxílio espiritual para as obrigações que devem cumprir, e ajudem os cônjuges a alimentarem a unidade da vida conjugal e familiar”.

Cân. 1129 § “As prescrições dos cân. 1127 e 1128 devem aplicar-se também aos matrimônios em que haja o impedimento de disparidade de culto, mencionado no cân. 1086, § 1”.

Como nem sempre é fácil interpretar essas normas da Igreja, a providência primeira, será procurar o pároco e conversar com ele sobre o seu caso.

Felipe Aquino
Canção Nova

Você sabe o dia do seu Batismo?

Geralmente sabemos as datas importantes que marcaram a nossa vida. Lembramos o dia de nosso aniversário, do casamento ou da ordenação presbiteral, sabemos inclusive algumas datas importantes das pessoas que amamos. A data do nosso Batismo, no entanto, geralmente não está entre essas datas conhecidas. Talvez seja por falta de uma boa memória ou simplesmente porque não temos esse dia como realmente importante para as nossas vidas. Mas ele é, e a celebração do batismo de Jesus nos relembra isso.

Depois das celebrações de Natal e da Epifania do Senhor, a Igreja nos propõe celebrar essa outra grande festa de Jesus, o dia do seu Batizado. Se bem que Jesus não foi batizado logo depois que nasceu, mas por seu primo João aos 30 anos, é interessante que a festa esteja próxima do Natal e mais precisamente na transição do tempo do Natal para o tempo ordinário da liturgia. O Batismo nos insere na vida da Igreja, nos faz filhos e filhas de Deus, nos infunde a fé que é chamada a crescer justamente no dia a dia do nosso tempo ordinário.

E é justamente pelo batismo que passamos “a vela da fé de mão em mão” como disse o Papa Francisco em sua homilia dessa festa no ano passado. E essa luz vem desde os tempos de Cristo, dos inícios da Igreja. A fé que recebemos hoje é a mesma fé dos apóstolos, guardada e cuidada pela Igreja durante todos esses anos. No dia do nosso batizado entramos para a família de Deus, herdeiros dessa tradição de fé.

No dia do nosso batizado entramos para a família de Deus, herdeiros dessa tradição de fé. E se nesse dia ainda somos crianças demais para entender o que está acontecendo, isso não quer dizer que não seja bom receber essa graça de Deus, da mesma maneira que ninguém espera a criança crescer para dar-lhe de comer, mas justamente o contrário, dá-lhe de comer para que cresça e fique forte fisicamente.

No Batismo, recebemos a fé que precisa ser amadurecida e formada para que seja um dia assentida, ou seja, que chegue o dia em que cada um livremente possa se aderir a ela com o seu próprio sim a Deus. Em termos de sacramento, esse é o dia da Confirmação ou da Crisma.

Com relação a isso, sempre me lembro do começo da segunda carta de São Paulo a Timóteo que mostra a importância dessa transmissão da fé autêntica em família. Ela diz o seguinte: “Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti”. (2 Tim 1,5). Em Timóteo, o batismo deu o fruto que precisa dar em todos nós, uma fé não fingida, mas viva e autêntica.

Por que então valorizar o dia do nosso batizado?
Por exemplo, sabendo que dia foi esse, é um primeiro passo para retomar o caminho dessa fé autêntica. Podemos fazer-nos a seguinte pergunta: “Como cresceu a fé que eu recebi desde lá? Eu posso dizer que a fé da Igreja é também a minha fé?” E vale lembrar que essa fé nunca pode ser uma imposição, mas só é verdadeira se é fruto de um assentimento livre e maduro.

Peçamos ao Espírito Santo, que veio a Jesus no dia do seu batizado, que ilumine também a fé que cada um de nós recebeu, para que ela cresça cada dia e que o nosso próprio Batismo dê os frutos de santidade que Deus deseja para nós e para o mundo que tanto precisa.

Jovens de Maria - A12.com

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Em ano de eleição, Santuário Nacional convoca cristãos em campanha pró-cidadania


Considerado o grande projeto de 2018, Eu sou o Brasil Ético quer levar mensagem de otimismo e protagonismo a cidadãos de todo o país


O Santuário Nacional de Aparecida, com a liderança do arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes e dos Missionários Redentoristas, lança no próximo dia dois de janeiro em coletiva de imprensa o projeto Eu sou o Brasil Ético. Na ocasião será divulgado ainda, o movimento oficial de visitantes do ano de 2017.

A iniciativa tem como objetivo convocar os cristãos a fazer uma profunda reflexão sobre os valores que devem reger suas ações e, a partir disso, construir um Brasil diferente. A ação poderá ser percebida durante todo o ano pela Rede Aparecida de Comunicação em todas as frentes de atuação (rádio, tv e internet), na Revista de Aparecida , nas mensagens dos religiosos no Altar Central, na comunicação pelo complexo Santuário, e nas condutas adotadas na recepção de políticos no ano 2018.

"Queremos estimular os brasileiros a pensarem mais criticamente nas ações que praticam enquanto cidadãos e nas escolhas que farão este ano, a partir de valores éticos que devem nortear a vida de uma nação. Trata-se de uma campanha de conscientização, que busca resgatar a ética e os verdadeiros valores do brasileiro, trazendo o espírito patriótico para o seu dia-a-dia e, para isso, vamos usar todas as nossas forças de comunicação. É uma campanha apartidária com o objetivo de resgate dos valores por muitos já esquecido, em busca de uma verdadeira transformação. Queremos uma nação ética!", ressalta o reitor do Santuário Nacional, padre João Batista Almeida.

O projeto Eu sou o Brasil Ético tem como eixo central a conscientização do cristão e sua responsabilidade em ser bom cidadão, pois a igreja católica acredita que não se separa a fé da vida. "É o próprio Jesus Cristo quem dá o exemplo de que é obrigação do cristão incluir a todos, bem como a responsabilidade por aquilo que é de todos. ", explica o reitor.

Dia 12 de cada mês, fiéis serão convocados a rezar pelo Brasil
Entre os projetos de 2018, está o Dia Nacional Mariano, que será instituído pelo Santuário Nacional como todo o dia 12.

Neste dia, o Santuário convidará todos os brasileiros para "colocar o Brasil aos pés da Mãe de todos os brasileiros", conforme contextualiza o reitor. 

"Queremos rezar, porque nosso país precisa de oração e porque a oração transforma vidas e pode mudar uma nação inteira. Vamos convidar os devotos da Mãe Aparecida a clamarem conosco "Por Uma Nação Ética!", finalizou. A celebração acontecerá sempre após a missa da manhã, transmitida ao vivo às 9h pela TV Aparecida e portal A12.com.

"O cristão é chamado a ser um cidadão protagonista", diz reitor do Santuário de Aparecida
Segundo padre João Batista Almeida a principal inspiração do projeto Eu sou o Brasil Ético vem do papa Francisco, que ao longo de seu pontificado vem convocando os cristãos a exercerem seu papel de cidadão, como protagonistas contra toda e qualquer forma de corrupção.

"É do pontífice a fala: "A corrupção é o pecado que, em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, é transformado em sistema, torna-se um hábito mental, um modo de viver. O corrupto não conhece a humildade, não se sente necessitado de ajuda, leva uma vida dupla", neste sentido o Santuário Nacional de Aparecida e os devotos de Nossa Senhora Aparecida farão uma grande caminhada em 2018. Temos certeza que nossa mensagem vai ecoar", explica.

E complementa: "Precisamos começar a mudar alguns estereótipos que infelizmente foram incorporados a nossa cultura e atribuídos ao nosso povo ao longo do tempo. Será que realmente o brasileiro é o cidadão que "adora levar vantagem em tudo", que valoriza a "malandragem", que acredita que o bom político é aquele que "rouba mas faz"? Cremos que apenas com a atitude e o exemplo de cada um, mostrando suas virtudes e reais valores cristãos no dia-a-dia, seremos capazes de verdadeiramente mudar nosso país".

Sobre as ações práticas às quais os fiéis serão incentivados, o reitor enfatiza que o verdadeiro cristão aproveita todos os momentos para atuar em sintonia com a palavra de Deus "Seja na fila do banco, dentro do ônibus, no caixa do mercado. Seja na missão de pai, mãe, filho ou irmão, o cristão buscar sempre dar ao outro o melhor de si, como Jesus ensinou e o fez", finaliza.

A12.com

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Papa: Jesus é o centro contra a desnaturalização do Natal

Na última Audiência Geral do ano, Francisco falou aos fiéis sobre o verdadeiro significado do Natal, que é Jesus. Com Ele, devemos aprender a ser dom para os outros, sobretudo para os mais necessitados

O Papa recebeu cerca de sete mil peregrinos na Sala Paulo VI para a última Audiência Geral do ano de 2017.

Em sua catequese, Francisco aprofundou o significado do Natal, isto é, o nascimento de Jesus. Para o Pontífice, estamos vivendo uma espécie de desnaturalização do Natal: em nome do falso respeito por quem não é cristão, elimina-se da festa toda referência ao nascimento de Jesus. “Sem Jesus não há Natal”, recordou.

Deus se fez homem de maneira surpreendente: nasceu de uma pobre jovem desconhecida, que dá à luz numa estrebaria, somente com a ajuda do marido.

O mundo não se deu conta de nada, mas os anjos exultaram no Céu! E é assim que o Filho de Deus se apresenta também hoje a nós: como o dom de Deus para a humanidade, que está imergida na noite e no torpor da sonolência.

"E ainda hoje assistimos ao fato de que com frequência a humanidade prefere a escuridão, porque sabe que a luz desvelaria todas aquelas ações e aqueles pensamentos que nos fariam envergonhar. Assim, se prefere permanecer nas trevas e não reverter os próprios hábitos errados. ”

Jesus é um dom de Deus para nós, que deve ser acolhido como Ele nos ensinou: tornando-nos diariamente um dom para as pessoas que cruzam nossa vida. Por isso mesmo, no Natal, trocamos presentes entre nós. Mas, para nós, o verdadeiro dom é Jesus.

E, por fim, um último aspecto importante: no Natal, podemos ver que a história humana, aquela movida pelos poderosos deste mundo, é visitada pela história de Deus.

“Com os pequeninos e os desprezados, Jesus estabelece uma amizade que continua no tempo e que nutre a esperança por um futuro melhor”. Com eles, em todos os tempos, prosseguiu Francisco, Deus quer construir um mundo novo, um mundo em que não existam mais pessoas rejeitadas, maltratadas e indigentes.

“Queridos irmãos e irmãs, nesses dias abramos a mente e o coração para acolher esta graça. Jesus é dom de Deus para nós e, se O acolhermos, também nós podemos nos tornar dom para os outros, antes de tudo para aqueles que jamais experimentaram atenção e ternura. E quantas pessoas em suas vidas nunca sentiram um carinho, uma atenção de amor, um gesto de ternura... O Natal nos leva a fazer isso. Assim, Jesus vem nascer na vida de cada um de nós e, através de nós, continua a ser dom de salvação para os pequeninos e os excluídos.”

Como na semana passada, no final da Audiência o Papa assistiu a um espetáculo circense, desta vez do Golden Circus de Liana Orfei.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Catequese: Papa explica os ritos introdutórios da missa

Na catequese, Francisco deu prosseguimento ao ciclo sobre a celebração eucarística e explicou a importância dos ritos introdutórios.

O Papa Francisco conduziu a Audiência Geral desta quarta-feira (20) clima natalino.

Dando prosseguimento ao ciclo sobre a eucaristia, em sua catequese o Pontífice recordou as duas partes que compõem a missa: a liturgia da Palavra e a Liturgia eucarística. Para explicar melhor cada uma delas, nesta ocasião explicou os ritos introdutórios: a entrada, a saudação, o ato penitencial, o Kyrie eleison, o Glória e a oração chamada Coleta, das intenções de todo o povo de Deus.

“A finalidade destes ritos introdutórios é fazer com que os fiéis congregados formem comunidade e se disponham a escutar com fé a Palavra de Deus e a celebrar dignamente a Eucaristia”, afirmou o Papa.

“Não é um bom hábito ficar olhando o relógio, ‘ainda estou em tempo’, o cálculo. Com o sinal da cruz, com esses ritos, começamos a adorar a Deus, por isso é importante não chegar atrasado, mas sim com antecedência, para preparar o coração a este rito. ”

Na procissão de entrada, o celebrante chega ao presbitério, saúda o altar com uma inclinação e, em sinal de veneração, beija-o e incensa-o, porque o altar é sinal de Cristo, que, oferecendo o seu corpo na cruz, tornou-Se altar, vítima e sacerdote. “Quando olhamos o altar, vemos onde Cristo está. O altar é Cristo”, explicou.

Em seguida, o sacerdote e restantes membros da assembleia fazem o sinal da cruz: com este sinal, não só recordamos o nosso Batismo, mas afirmamos também que a oração litúrgica se realiza ‘em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’, desenrola-se no espaço da Santíssima Trindade, que é espaço de comunhão infinita; toda a oração tem como origem e fim o amor de Deus Uno e Trino que se manifestou e nos foi doado na Cruz de Cristo. 

E mais uma vez Francisco pediu aos pais e aos avós que ensinem bem as crianças a fazer o sinal da cruz. 

Depois o sacerdote dirige a saudação litúrgica à assembleia: “O Senhor esteja convosco!”. ‘Ele está no meio de nós’: responde-lhe o povo de Deus. Assim se expressa a fé comum e o mútuo desejo de estar com o Senhor e viver em união com toda a comunidade.

Estamos no início da missa e devemos pensar no significado de todos esses gestos e palavras. Estamos entrando numa ‘sinfonia’, na qual ressoam várias tonalidades de vozes, inclusive momentos de silêncio, com a finalidade de criar o ‘acordo’ entre todos os participantes, isto é, de se reconhecer animados por um único Espírito e para um mesmo fim.”

Esta sinfonia apresenta logo um momento tocante, que é o ato penitencial, isto é, o momento de reconhecer os próprios pecados. “Todos somos pecadores. Talvez alguns de vocês não”, brincou o Papa com fiéis, pedindo que o “não pecador” levantasse a mão para ser reconhecido pela multidão. “Vocês têm uma boa fé”, disse Francisco, já que ninguém se manifestou.

Não se trata somente de pensar nos pecados cometidos, mas é muito mais: é o convite a confessar-se pecadores diante de Deus e dos irmãos, com humildade e sinceridade, como o publicano no templo”, concluiu o Papa, acrescentando que devido à sua importância, a próxima catequese será dedicada justamente ao ato penitencial.

VaticanNews

Catequese: Gula de fim de ano é pecado?

Parece ser inevitável. Nestes dias festivos provavelmente estaremos com pessoas queridas em um ambiente descontraído e, “fatalmente”, com muita comida gostosa. Essa mistura de ingredientes é tão forte que nem parece valer a pena lutar contra a gula.

Esse pecado pareceria estar indo contra o que significa esse momento de estar reunidos, celebrando o Natal de Jesus e o início de um novo ano. Mas e se o verdadeiro problema não estiver na gula, mas em uma mentalidade por demais moralista que acaba confundindo a liberdade dos filhos de Deus com o pecado? Vamos tentar entender melhor.

O pecado pode ser entendido como um “errar o alvo”, esse é um dos significados da palavra original em hebraico. Imaginemos um arqueiro que mira em seu alvo. Seu objetivo é acertar o centro do mesmo. Mas ao lançar a flecha, ele erra muito, de fato, nem acerta o alvo e a flecha passa longe. Nesse exemplo, quanto mais longe erra-se o alvo, pior o pecado (Mais mortal diríamos em uma linguagem mais clássica). Transferindo para a nossa vida cristã, errar o alvo seria deixar de apontar a flecha da nossa vida para Deus e atirá-la para outros lugares.

Tentando continuar com o exemplo dado, é preciso fazer uma distinção importante. Na nossa vida terrena, podemos atirar várias vezes essa flecha. O que queremos é acertar o alvo, mas erramos muitas vezes. Diferentemente dos anjos, que só tem uma chance de apontar sua vida corretamente para o alvo, nós podemos perceber que erramos e corrigir o tiro. Isso, claro, contando com a misericórdia e com a Graça de Deus.

E o que tudo isso tem a ver com a gula e com os supostos perigos das festas de fim de ano?
É que muitas vezes, por não estar claro o alvo, ou seja, Deus, nos aferramos a regras exteriores que podem matar o espírito desse tempo. Imagine que o arqueiro esteja atirando flechas sem saber onde está o alvo. Alguém lhe sopra coordenadas como “levante o braço um pouco mais”, “tencione a corda com mais força”, “considere o vento à esquerda”. Com essas informações, ele se sente mais ou menos seguro e lança a flecha. Pode acertar ou não o alvo. Mas se acerta, não é porque ele via o alvo, mas por uma espécie de sorte.

Algo semelhante pode passar com a nossa vida cristã. Temos claro o alvo? Queremos realmente colocar Deus como o alvo, como o centro de nossas vidas? Ele já o é há algum tempo? Quando temos isso claro, passamos de uma relação de servos para uma relação de filhos de Deus. É isso que Jesus nos trouxe. Nele nós fomos elevados a condição de verdadeiros filhos e filhas de Deus. E como tais, somos convidados a viver na liberdade dos filhos. A liberdade de quem sabe sua própria identidade e que age, com segurança, segundo a mesma, sem precisar ser coagido para tal. É a liberdade que não apaga a lei, mas que a ultrapassa com o amor.

Nas festas de fim de ano, quando estivermos diante de uma mesa farta e rodeado de amigos, perguntemos o que, ou quem está no centro. É Jesus que está no centro desta celebração? As coisas que eu estou fazendo ou pensando em fazer tiram ele deste centro? Essa é basicamente a única pergunta que precisamos responder. Isso vale para o Natal, que é evidente, mas também para o ano novo, que começa com um dia mariano de preceito. Não porque a Igreja não queira que festejemos, pelo contrário, que festejemos ao máximo, acertando o alvo, de forma cristã, como filhos muito amados de Deus.

Que Ele nos abençoe nesse fim de ano com uma vinda ainda mais plena aos nossos corações!

Que aprendamos a ser cada vez melhores filhos, que se lançam sem medo em seus braços. E que o ano comece consagrado a Maria, que ela seja verdadeiramente nossa mãe, quem nos leva a um encontro mais autêntico com Jesus.

Jovens de Maria - A12.com

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Papa: “Alegria, oração e gratidão" para viver o Natal de modo autêntico

Neste último período do tempo do Advento, confiemos nossa vida à materna intercessão da Virgem Maria. Ela é “causa da nossa alegria, não somente porque gerou Jesus, mas porque nos envia continuamente a Ele”.

A alegria do cristão “não se compra”, jamais devemos perdê-la, mesmo quando as coisas não acontecem, segundo os nossos desejos. Este o encorajamento do Papa Francisco durante a oração do Angelus no último domingo (17) dia em que Bergoglio comemorou 81 anos de vida.

O Santo Padre encorajando à janela do apartamento pontifício do Palácio Apostólico do Vaticano para recitar o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro e com as crianças com seus Meninos Jesus que aclamam “Papa Francisco”, falou do terceiro domingo de Advento, chamado 'Domingo da alegria'.

Queridos irmãos e irmãs – disse Francisco – a liturgia nos convida a colher o espírito com que tudo isso acontece, isto é, precisamente, a alegria. São Paulo nos convida a preparar a vinda do Senhor assumindo três atitudes: a alegria constante, oração perseverante e a contínua ação de graças”.

O Papa se detém sobre a primeira atitude: “Vivam sempre contentes”, exorta o apóstolo. Vale dizer, permanecer sempre na alegria, mesmo quando as coisas não acontecem segundo os nossos desejos. Mas há a alegria profunda que é a paz, e a paz é uma alegria.

“As angústias, as dificuldades e os sofrimentos atravessam a vida de cada um, e tantas vezes a realidade que nos circunda parece ser inóspita e árida, semelhante a um deserto no qual ecoava a voz de João Batista, como recorda o Evangelho de hoje”.

Mas precisamente as palavras do Batista revelam que a nossa alegria baseia-se na certeza de que este deserto é habitado.

“No meio de vocês está quem vocês não conhecem”, diz. Trata-se de Jesus, o enviado do Pai que vem, como sublinha Isaías, “a trazer a boa nova aos humildes, a curar os corações doloridos, a anunciar a liberdade dos escravos, a libertação dos prisioneiros, a proclamar um ano de graças do Senhor’.

“Estas palavras, que Jesus fará suas no discurso na sinagoga de Nazaré, - explica o Papa - esclarecem que a sua missão no mundo consiste na libertação do pecado e das escravidões pessoais e sociais que ele produz. Ele veio sobre a terra para restituir aos homens a dignidade e a liberdade de filhos de Deus, que somente Ele pode comunicar”.

A segunda atitude se baseia na oração perseverante.

Por meio da oração, podemos entrar em uma relação estável com Deus, que é a fonte da verdadeira alegria. A alegria do cristão não se compra, vem da fé e do encontro com Jesus Cristo, razão da nossa felicidade. Quanto mais estivermos arraigados em Cristo, tanto mais encontraremos a serenidade interior, mesmo em meio às contradições cotidianas”.

Por isto o cristão, - continuou Francisco – “tendo encontrado Jesus, não pode ser um profeta da desventura, mas uma testemunha e um arauto da alegria. Uma alegria a ser compartilhada com os outros; uma alegria contagiosa que torna menos cansativo o caminho da vida”.

A terceira atitude indicada por Paulo – disse Bergoglio - é a contínua ação de graças, ou seja, o amor agradecido a Deus.

“Ele, de fato, é muito generoso para conosco, e nós somos convidados a reconhecer sempre seus benefícios, o seu amor misericordioso, a sua paciência e bondade, vivendo assim em um incessante agradecimento”.

“Alegria, oração e gratidão são três comportamentos que nos preparam a viver o Natal de modo autêntico”. Neste último período do tempo do Advento, confiemos nossa vida à materna intercessão da Virgem Maria. Ela é “causa da nossa alegria, não somente porque gerou Jesus, mas porque nos envia continuamente a Ele”.

O Papa concluiu exortando os fiéis presentes na Praça: “Vamos repetir todos juntos: alegria, oração e ação de graças”.

VaticanNews

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Papa: José é exemplo de homem que assume o mistério de Deus

Francisco começou a semana celebrando a missa na Capela da Casa Santa Marta. O Papa inspirou sua homilia no trecho do Evangelho de Mateus para ressaltar que José assumiu para si a responsabilidade da paternidade de Jesus.
Nos problemas, nas angústias, nas obscuridades, aprendamos com São José, que sabe "como caminhar na escuridão", que sabe "como se ouve a voz de Deus", "como se vai avante em silêncio.

Palavras do Papa Francisco na missa desta segunda-feira (18) na Casa Santa Marta, comentando o Evangelho do dia, extraído do Evangelho de Mateus, em que se explica que Jesus nascerá de Maria, esposa de José, filho de Davi.

José acreditou e obedeceu
O Pontífice falou da emoção de José, quando começaram as ser visíveis os sinais da gravidez de Maria: fala das dúvidas daquele homem, da sua dor, do seu sofrimento, enquanto todos a sua volta começavam a murmurar, “os fofoqueiros da cidade”.

Ele “não sabia”, mas sabia que Maria era “uma mulher de Deus”: decidiu assim “deixá-la em silêncio”, não acusando-a “publicamente”, até que que o Senhor interviesse, com um anjo no sonho, que lhe explicou que a criança “nela gerada” vinha do Espírito Santo. E assim “acreditou e obedeceu”.

José lutava dentro; naquela luta, a voz de Deus: “Mas levante-te – aquele levante-te’, muitas vezes, no início de uma missão, na Bíblia: ‘Levanta-te!’ – pegue Maria, leve para a sua casa. Assuma a situação: pegue pela mão e vai em frente”. José não foi ter com os amigos para se confortar, não foi ao psiquiatra para que interpretasse o sonho... não: acreditou. Foi avante. Assumiu a situação. Mas o que José tinha que assumir? Qual era a situação? De duas coisas. Da paternidade e do mistério.

Assumiu a paternidade
José, acrescentou o Papa, teve então que assumir a paternidade. E isso já se intuía na “genealogia de Jesus”, em que se explica como “se pensava que fosse o filho de José”:

Ele assumiu uma paternidade que não era sua: era [vinha] do Pai. E levou avante a paternidade com aquilo que significa: não só apoiar Maria e a criança, mas também fazê-lo crescer, ensinar-lhe a profissão, acompanha-lo à maturidade de homem. “Assuma a paternidade que não è tua, è de Deus”. E isso sem dizer uma palavra. No Evangelho, não tem uma só palavra dita sobre José. O homem do silêncio, da obediência silenciosa.

Assumiu o mistério de reconduzir o povo a Deus
É também o homem que “assumiu” o mistério: como explicado na primeira Leitura, é o mistério de “reconduzir o povo a Deus”, o mistério “da re-Criação” que, como diz a Liturgia, é “mais maravilhosa do que a Criação”.

José assume este mistério e ajuda: com o seu silêncio, com o seu trabalho até o momento que Deus o chama para si. Deste homem que assumiu a paternidade e do mistério, se diz que [é] sombra do Pai: a sombra de Deus Pai. E se Jesus homem aprendeu a dizer “papai”, “pai”, ao seu Pai que conhecia como Deus, aprendeu isso da vida, do testemunho de José: o homem que custodia, o homem que faz crescer, o homem que leva avante toda paternidade e todo mistério, mas não pega nada para si.

Este, concluiu Francisco, é o “grande José”, do qual Deus precisava para levar avante “o mistério de re-conduzir o povo rumo à nova Criação”.

VaticanNews

Qual o sentido religioso de dar presentes no Natal?

A tradição de dar presentes no Natal está ligada a memória que fazemos dos presentes que os três Reis Magos ofereceram ao Menino Jesus (ouro, incenso e mirra), embora estes presentes tenham todo um significado simbólico de reconhecer na criança de Belém o Deus que se fez humano para ser o verdadeiro Rei do povo.

Desta cena do Evangelho vem também a motivação para dar presentes no tempo da festa do Natal do Senhor. Pois ao visitar o Menino Jesus, que continua nascendo na manjedoura do coração das pessoas, queremos oferecer a Ele o amor que nosso coração expressa concretamente aos outros.

Temos também a tradição de um bispo que levava presentes para as crianças carentes na noite de Natal, e jogava saquinhos de moedas pelas chaminés das casas. Este bispo é São Nicolau, que viveu no século IV, é dele que vem a tradição do papai Noel.

Com o tempo o presente acabou se tornando algo meramente comercial, o que foge do verdadeiro sentido do Natal, pois o presente tem que falar da alegria da presença de Jesus. O verdadeiro sentido do Natal não está nas coisas que são oferecidas, mas sim como deixamos o amor de Jesus na vida das pessoas.

"O sinal físico do presente pode passar, mas o amor que ele simboliza permanece para além do presente recebido".

O presente de Natal tem que ser expressão da solidariedade, da fraternidade, da partilha que o Menino Jesus vem despertar no coração humano. O presente deve ser o desejo de compartilhar com o outro aquilo que era só meu, mas que o amor ensina a se transformar em nosso.

O presente expressa o amor que temos uns pelos outros. O sinal físico do presente pode passar, mas o amor que ele simboliza permanece para além do presente recebido.

No Natal rezamos o Deus que quis estar presente na nossa vida, por isso, tudo o que partilhamos no Natal tem que celebrar esta presença. O sentido do presente está em despertar no coração a importância da atenção, da ternura, da generosidade, mas, acima de tudo, da partilha da própria vida como dom de amor, como Deus que por tanto nos amar, quis compartilhar seu Filho conosco.

Natal é tempo de saber receber e saber oferecer, viver a gratuidade do amor. O presente deve ser expressão de que, para além dos bens compartilhados, a vida deve ser um dom para o outro, pois o Deus que nasce no meio de nós vem para nos ensinar que “não existe maior prova de amor do que dar a vida” (Jo 16,13).

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Catequese: A água benta e seu sentido na vida cristã

A importância da água para vida humana, seja física e espiritual 

A água, como fórmula química H2O, é elemento fundamental para a vida humana. Desde os primórdios até os dias de hoje, o homem necessita e depende do uso diário da água para sua subsistência. 

Nas Sagradas Escrituras, a água é considerada símbolo de purificação (cf. Sal 51,4; Jo 13,8) e de vida (cf. Jo 3,5; Gal 3,27). Como dom de Deus, a água é instrumento vital, imprescindível para a sobrevivência e, portanto, um direito de todos. (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 484).

Contudo, a água, quando abençoada, passa a ter um sentido também espiritual. No Ritual Romano da celebração das bênçãos, no número 1090, diz que, com a bênção da água, recordamos Cristo, que é a Água Viva, e o sacramento do batismo, que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo. Por isso, sempre que formos aspergidos com essa água ou nos benzermos com ela ao entrar na igreja ou dentro das nossas casas, dêmos graças a Deus pelo seu dom inestimável e imploremos o Seu auxílio para que, na nossa vida, sejamos fiéis. 

Água benta é um sacramental 
A água benta não é uma espécie de mágica ou superstição para quem a utiliza, pelo contrário, ela é uma eficaz forma de se chegar às realidades espirituais por meio de sinais sensíveis e visíveis, o que no caso da água benta se denomina como sacramental. 

O que é um sacramental? “A santa mãe Igreja instituiu os sacramentais, que são sinais sagrados pelos quais, à imitação dos sacramentos, são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja. Pelos sacramentais, os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida” (Catecismo da Igreja Católica, n.1667).

Assim, o ministro ordenado, seja um padre ou diácono, ao abençoar a água, conforme prescreve a Santa Igreja Católica, obtém-se um sacramental, que possui grande eficácia para as pessoas nas diversas realidades da vida. Essa água benta também pode ser usada para a aspersão nos vários ritos que a Igreja celebra para a santificação do povo. 

Com isso, “os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela” (CIC 1670).

O sentido da água benta 
O sentido da água benta, portanto, não é uma representação imaginária, mas sim um sinal concreto e efetivo utilizado com fé e piedade pelo povo de Deus. 

Para os católicos, “segundo um costume muito antigo, a água é um dos símbolos que a Igreja usa com frequência para abençoar os fiéis. A água ritualmente benzida evoca nos fiéis o mistério de Cristo, que é para nós a plenitude da bênção divina. Ele próprio Se apresentou como água viva e instituiu para nós o batismo, sacramento da água, como sinal de bênção salvadora” (Ritual Romano – Celebração das bênçãos, n.1085). 

Na Introdução Geral do Missal Romano, número 51, quando se trata do ato penitencial, a água benta tem um determinado sentido, quando se afirma que “ao domingo, principalmente no tempo pascal, em vez do costumado ato penitencial, pode fazer-se, por vezes, a bênção e a aspersão da água em memória do batismo”, ou seja, a água benta tem ação importante na Liturgia da Igreja. 

Um outro aspecto é que, na maioria das bênçãos sobre pessoas, casas e objetos, é feita a seguinte oração: “Esta água nos recorde o nosso batismo em Cristo, que nos remiu com a Sua Morte e Ressurreição”. É realizada uma oração que nos une a Jesus, o centro da vida do cristão; após essa oração, pode acontecer a aspersão com a água benta sobre a pessoa ou objeto abençoado. 

A água benta é um sacramental, que, conforme a Igreja, pode-se ingerir, persignar, aspergir a si e aos outros, a objetos e lugares. Ela é uma graça que traz muitos benefícios para o corpo e para a alma daqueles que, com fé e devoção, a utilizam para o bem próprio e comum.

Canção Nova

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Ano do Laicato tem início neste domingo (26). Entenda:

A Igreja no Brasil vai celebrar, no período de 26 de novembro de 2017, Solenidade de Cristo Rei, à 25 de novembro de 2018, o “Ano do Laicato”. O tema escolhido para animar a mística do Ano do Laicato foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14. Segundo o Bispo de Caçador (SC), Dom Severino Clasen, presidente da Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato, já era um desejo da comissão dar novo impulso, incentivo e estímulo a temática.

“Sabemos que há uma grande satisfação do laicato no serviço com a Igreja, sobretudo na sua intervenção e no seu testemunho dentro da sociedade. Muitas vezes eles são esquecidos ou pouco valorizados”, diz o Bispo.

Para tal, o Ano do Laicato vai desenvolver diversas atividades para criar consciência do papel do leigo na Igreja. Por exemplo, serão publicados livros que refletirão sobre os leigos. Essas publicações devem criar consciência do papel deles na Igreja, acontecerãoseminários regionais e nacionais para despertar e motivar a participação, haverá a visita da Imagem da Sagrada Família, encontros e reflexões em todo o país. “É um momento oportuno para uma reflexão e desperta a consciência de que o cristão não é cristão só dentro da Igreja”, aponta. Outro momento forte ocorrerá de 23 a 27 de janeiro, o intereclesial, que refletirá sobre pastoral urbana, falando da reflexão e o cuidado com a vida.

O Ano do Laicato terá como objetivo geral: “Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.

Pretende ainda: Dinamizar o estudo e a prática do documento 105: ‘Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade’ e demais documentos do Magistério, em especial do Papa Francisco, sobre o Laicato; e estimular a presença e a atuação dos cristãos leigos e leigas, ‘verdadeiros sujeitos eclesiais’ (DAp, n. 497a), como “sal, luz e fermento” na Igreja e na Sociedade.

O papel do Leigo na Igreja e na Sociedade
Dentro da comunidade eclesial os leigos são chamados a cumprir tarefas, como também os ordenados e consagrados. Cada um com sua missão, com direito de agir, testemunhar e animar a sociedade e a Igreja. Os diversos ministérios apontam o horizonte onde o leigo deve agir, seja na formação, nos serviços básicos da comunidade de fé, animando a liturgia, a catequese e os serviços eclesiais, círculos bíblicos, grupos de reflexão e outros, bem como o testemunho no serviço aos mais necessitados e carentes.

Para Dom Severino Clasen, o papel dos leigos na Igreja é ser testemunho do Cristo ressuscitado onde moram, vivem e trabalham. Através do batismo, os leigos tornam-se membros efetivos no corpo da Igreja, onde Cristo é a cabeça. “É dever de cada batizado conhecer Jesus Cristo, viver seus sentimentos de amor e ajudar os mais necessitados a serem felizes e a todos se santificarem para a glória de Deus”, diz o bispo.

Ele afirma que os leigos carregam mais que um mero papel, pois se trata de algo maior: uma missão.

De acordo com Dom Severino, essa grande missão dos leigos é colaborar na criação do mundo, aumentando a espécie humana feita à imagem e semelhança de Deus. É criar relações justas para que cada criatura possa viver com dignidade e justiça. Além disso, conhecer Jesus Cristo e segui-lo na fidelidade, na caridade, servindo aos semelhantes e colaborando com o desenvolvimento da sociedade. “Todo cristão batizado se torna filho da Igreja. A Igreja como mãe tem a missão de acolher os leigos e leigas para conhecer melhor as estruturas da sociedade. O cristão leigo, membro da Igreja, vive em profundidade os ensinamentos da doutrina da Igreja e cria condições para que o mundo seja o espaço agradável para se viver”, explica.

Dentro desse contexto, entende-se que a missão do leigo é desenvolver relações saudáveis na sociedade, na política, na economia, na cultura, na educação e na saúde para proteger a dignidade humana.

Também pode-se dizer que ser leigo é ter uma vocação, ou seja, a vocação específica do leigo é ser cristão. É ser santo. É chamado a seguir Jesus Cristo na família, na Igreja e na sociedade através de uma profissão. “A profissão do leigo revela o seu modo de agir no mundo na busca da santidade.”

Na avaliação de Severino também há uma missão fora da Igreja, pois a grande missão do leigo está na sociedade, onde vive e busca seu sustento. “Concentrou-se demais nas funções dentro da Igreja e esqueceu-se da sociedade, lugar onde ele vive e trabalha. Por isso, tanta injustiça, tanta corrupção e tanta miséria. É porque os leigos não estão assumindo sua missão na sociedade, na política e na transformação do ambiente onde vivem. Seguir Jesus Cristo é dar condições a todo ser humano para que viva a dignidade de filhos de Deus. Eis a grande missão dos leigos criar condições para a proteção do próprio ser humano também fora da Igreja”, indica.

Uma missão revalorizada após o Concílio Vaticano II
Há quem diga que os leigos, após o Concílio Vaticano II, já não ficam mais em segundo plano, em comparação com religiosos, sacerdotes, bispos etc. Mas na avaliação de Dom Severino, o distanciamento entre o clero e o leigo ainda não está superado. “É preciso entender que o essencial é ser cristão, seja leigo, religioso, sacerdote ou bispo. Existem funções diferentes, distintas, mas a dignidade é a mesma para todos”, ressalta.

Apesar disso, após o último Concílio, os leigos tiveram sua missão consideravelmente revalorizada, mas ainda não compreendida o suficientemente. “Existe ainda em muitos lugares uma mentalidade clericalista na cabeça da hierarquia e dos leigos, isso deve ser superado”, opina o bispo.

Dom Clasen conta que após a Assembleia Geral da CNBB de 2014, a intenção é contar com todos para aprofundar a missão dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade. “Vamos quebrar paradigmas e somar forças para encurtar distâncias entre leigos e hierarquia. Juntos compreenderemos que todo o batizado se torna filho da Igreja. A Igreja é mãe, tem a missão de acolher a todos como filhos é o que diz o Papa Francisco. Busquemos assumir a nossa missão como filhos e juntos construamos uma Igreja santa, agradável, acolhedora e um mundo justo, fraterno e digno de se morar e viver para a glória de Deus.”

Dom Severino sugere que os grandes documentos da Igreja são importantíssimos, que se complementam, são momentos e ofertas de reflexão. “Eu acredito que devemos ter um olhar maior para todos os documentos, para que os leigos tenham acesso, porque estes documentos da Igreja são para todos os batizados. Que os cristãos leigos tenham a alegria de ajudar a propagar o Ano do Laicato, que todas sejam abençoados na sua vida familiar e profissional, que tenhamos um mundo favorável para todos”, finaliza.

A12.com

Catequese: Qual é a diferença da Missa diária para a Missa dominical?

Conheça a história e a importância de participarmos da celebração da Santa Missa

Dizia o famoso orador romano, Cícero, que “a história é mestra da vida” (na obra De oratore, II, 9,36). Trata-se de uma sábia indicação que podemos aplicar também na questão relativa à Missa, celebrada no domingo ou nos dias da semana. Vamos, pois, à história da Missa, a partir dos dados do Novo Testamento e da primitiva história da Igreja. 

O ponto de partida da nossa fé, como proclamamos no “Credo”, é Jesus, que nos salva por meio de Sua morte-ressurreição. A fé dos discípulos, que tinha entrado em crise com a morte de Jesus, renasce e se fortalece com a Sua Ressurreição. E a Ressurreição de Jesus aconteceu no domingo. Desde o início, os cristãos celebraram sua fé na ressurreição por meio da Eucaristia, da Missa, exatamente no domingo, que os cristãos de origem judaica indicavam como “o primeiro dia da semana”.

Quando foi a primeira Missa? 
O primeiro nome da Missa foi “a fração do pão”. Lemos, por exemplo, no livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas, que é testemunha desse fato, o seguinte: “No primeiro dia da semana, estávamos reunidos para a fração do pão” (Atos 20,7). Atenção: isso acontece durante a terceira viagem apostólica de São Paulo, no ano 58 depois de Cristo. Passaram-se apenas 28 anos da morte-ressurreição de Jesus: e os cristãos já tinham o hábito de celebrar a Eucaristia, a Missa, no domingo, que era “o primeiro dia da semana”. Tal celebração, relatada no citado texto dos Atos, mostra que, substancialmente, os apóstolos seguiam o mesmo “esquema” da Missa de hoje: celebrada no domingo e dividida em duas partes, a saber, a liturgia da palavra (20,7) e a liturgia eucarística, com o “pão partido” (20,11).

Aliás, essa ligação entre Ressurreição e “primeiro dia da semana” se encontra, de maneira significativa, no capítulo 20 do Evangelho de João. “No primeiro dia da semana” (João 20,1) Jesus ressuscita e aparece a Maria Madalena. E “ao anoitecer desse dia” (João 20,19), Jesus aparece a dez discípulos: não doze, pois Judas havia se enforcado e Tomé estava ausente. Mas, “oito dias depois” (João 20,26), quer dizer, no domingo seguinte, Jesus Ressuscitado apareceu novamente, estando presente também Tomé. 

Uma ligação entre Missa e domingo é encontrada também, no fim da primeira carta aos Coríntios, dentro da iniciativa do apóstolo Paulo, que estava organizando uma coleta em favor dos pobres de Jerusalém. Ele, pois, escreve: “Todo primeiro dia da semana, cada um coloque de lado aquilo que consegue economizar” (1Coríntios, 16,2). Era o dia da Missa, na qual, desde então, já aparece a participação dos fiéis até com espórtulas em dinheiro para ajudar os pobres. 

“Senhor” é o título de Jesus Ressuscitado, como lemos, por exemplo, na Carta aos Filipenses: “Para que toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor” (2,11). Mas, na língua latina, o termo “senhor” se traduz com a palavra “Dominus”, de onde vem o termo português “domingo”, quer dizer, dia do Senhor ressuscitado. 

Essa palavra, “domingo”, torna-se comum já na época apostólica, pois foi num dia de “domingo”, dia do Senhor, que o apóstolo João recebeu as revelações relatadas no livro do Apocalipse (1,10).

A Eucaristia 
Essa ligação entre domingo e Eucaristia é confirmada pelos testemunhos dos cristãos dos primeiros séculos. Santo Ignácio de Antioquia, que foi martirizado no começo do 2º século, assim escrevia na sua epístola aos Magnésios (9): “Não precisamos mais manter o sábado, como fazem os judeus. Deve, todo amigo de Cristo, observar o Dia do Senhor como festa, o dia da ressurreição, a rainha e comandante de todos os dias da semana. Foi nesse dia que a nossa vida renasceu e a vitória sobre a morte foi obtida em Cristo”. E o mártir S. Justino (metade do 2º século), na sua “Apologia” (I,67), fala da celebração eucarística que os primeiros cristãos comemoravam “no dia do sol”, como era chamado o domingo no ambiente do Império Romano. Eis o que ele escreveu: 

“No dia que se chama do sol [domingo], celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades e nos campos, e ali é lido, enquanto o tempo o permite, as recordações dos apóstolos ou os escritos dos profetas”. E continua falando da homilia, da oração dos fiéis e da liturgia eucarística (consagração e comunhão). 

Certamente, toda eucaristia é importante, também aquela que não é celebrada no domingo, pois, como diz o apóstolo Paulo, “todas as vezes que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor até que Ele venha”. (1Coríntios 11,26). 

Não podemos, no entanto, esquecer que, no começo, a Missa era celebrada exatamente no domingo, para os cristãos manifestarem, juntos, sua fé na Ressurreição de Jesus. Esse é o ponto de partida da nossa fé cristã. Naturalmente, quem puder participar, também nos dias da semana, vai fortalecer sua comunhão com Jesus. Papa Francisco nos traz essa bela novidade: é o primeiro Papa que partilha, pelos meios de comunicação, a homilia que ele profere durante a Missa celebrada nos dias da semana.

Canção Nova

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Existe um dia certo para montar a árvore de Natal?

A árvore de Natal foi inventada por São Bonifácio, que ficou conhecido como apóstolo dos germanos ou evangelizador da Alemanha. O Santo nasceu na Inglaterra em 672 e faleceu martirizado em 5 de junho de 754. Seu nome religioso, em latim Bonifacius, quer dizer “aquele que faz o bem”.

Em 718, Bonifácio esteve em Roma e o Papa Gregório II enviou-o à Alemanha, com a missão de reorganizar a Igreja local. Em 722, foi feito Bispo e, um ano depois, inventou a árvore de Natal.

Em 723, São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus Thor, perto da atual cidade de Fritzlar, na Alemanha. Para convencer o povo e os druidas, que eram sacerdotes do lendário povo celta, de que não era uma árvore sagrada, ele cortou-a. Na queda, o carvalho destruiu tudo que ali se encontrava, menos um pequeno pinheiro. Segundo a tradição, Bonifácio interpretou esse fato como sendo um milagre. Esse fato aconteceu no Tempo do Advento e, como ele pregava sobre o Natal, declarou: “Doravante, nós chamaremos esta árvore de Árvore do Menino Jesus”. A partir disso, teve início o costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus, inicialmente na Alemanha, e depois para o mundo todo.

Em 1982, a árvore foi instalada pela primeira vez na Praça de São Pedro. Nesta ocasião, disse o Papa João Paulo II: “Eu creio que é o símbolo da árvore da vida, aquela árvore mencionada no livro do Gênesis e que foi plantada na terra da humanidade junto a Cristo (…). Depois, no momento em que Cristo veio ao mundo, a árvore da vida voltou a ser plantada através d’Ele e agora cresce com Ele e amadurece na cruz (…). Devo dizer-lhes, que eu pessoalmente, apesar de ter uns quantos anos, espero impacientemente a chegada do Natal, momento em que é trazido aos meus aposentos esta pequena árvore. Tudo isso tem um enorme significado, que transcende as idades…”. 

Segundo o Padre Gustavo Haas, ex-assessor de liturgia da CNBB, a árvore de natal que simboliza a vida, deve ser montada no primeiro domingo do Advento, que marca o começo deste tempo litúrgico. O ideal é montar a árvore e colocar os enfeites e adereços aos poucos, durante as quatro semanas do advento, pois para nós católicos, este gesto nos faz recordar que estamos num tempo de preparação, ou seja, preparando a nossa vida para o nascimento de Jesus.

Ele afirmou ainda, que a preparação da árvore deve ser intensificada durante a última semana que antecede o Natal: “Até o Segundo Domingo do Tempo do Advento, tudo ainda é muito sóbrio, mesmo nas leituras feitas nas missas do advento. É só a partir do Terceiro Domingo do Tempo do Advento que a Bíblia começa a falar do nascimento de Jesus, e se inicia um momento de maior expectativa. Esse é o momento, portanto, de intensificar a decoração da árvore”.

Presépio
A tradição católica diz que o presépio surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de São José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.

O sucesso dessa representação do Presépio foi tão grande, que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres europeias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos se estendeu ao longo do século XIX, e na França, não o fez até inícios do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.

Rádio Canção Nova