sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mensagem da CNBB aos trabalhadores (as) do Brasil: ‘Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas’


AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

MENSAGEM DA CNBB

“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.

O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.

Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).

Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.

Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).

Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.

Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.

Aparecida, 27 de abril de 2017.

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Você já questionou sua fé e brigou com Deus?

Alguns questionamentos não nos faz chegar a lugar algum, mas a nossa fé sim

Estou com vontade de chutar o pau da barraca!
Por que Deus não age nessa situação que eu vivo?
Por que parece que nunca se cumpre aquilo que Ele mesmo prometeu?
Por que às vezes vejo a ausência ao meu redor?
Quero pendurar minhas chuteiras jogar tudo para o alto!

Alguma vez você usou alguma dessas expressões? Eu já!

Os sinais de DeusDeus poderia tentar, com sinais, prodígios e demonstrações de poder, conquistar nosso coração e nossa fidelidade, contudo, esse não é Seu método hoje. No Antigo Testamento Ele realizou tantos sinais, mas o povo continuava sendo murmurador e incrédulo. Em nossos dias, os milagres são uma consequência de nossa fé e não a isca de Deus para nos atrair.

Muitas vezes queremos um sinal de Deus. Geralmente esse desejo vem quando estamos em crise de fé. É importante saber que João Batista viu o sinal (vindo do céu) no rio Jordão ao batizar Jesus, mas teve sua crise de fé na prisão, quando enviou na surdina seus discípulos para perguntarem a Jesus se Ele era o Messias.

Sobre as dúvidasVocê já se viu em dúvidas quando lia a Bíblia? Já se perguntou por que Jesus não fez nada com Herodes quando este O ameaçou e lançou João na prisão? Por que curou só um homem paralítico no tanque de Betesda e desapareceu, deixando ali cegos, surdos, coxos e doentes? E por que Deus não destruiu Nínive, preferindo duelar com um profeta d’Ele?

Quero que me diga: seria a omissão e o silêncio de Deus fraqueza ou misericórdia? Para responder, imagine se Ele tivesse tirado sua vida quando você pediu! Se tivesse sido rigoroso quando você errou! Se realizasse a sentença de condenação logo que alguém blasfemasse ou se desviasse!

ConselhosLeia Romanos 2,4-11 para ver o que Deus fala sobre a demora d’Ele em agir. Seus amigos da Bíblia também tiveram vontade de chutar o balde e pendurar a chuteira: Abraão duvidou (24 anos e a promessa não se cumpria); Jó perdeu a paciência (cf. Jó 38-40); Davi adulterou e matou; Noé embebedou-se; Salomão teve mil mulheres; Pedro negou conhecer o Cristo; Elias pediu para morrer…, mas, no final, todos eles se renderam ao amor de Deus!

Você já parou para pensar por que José não se decepcionou com Deus e com o ser humano quando foi traído por seus irmãos, quase apodreceu na prisão egípcia (sem merecer) e foi esquecido pelo colega de cela? Já refletiu na razão que levou Zaqueu a abandonar a vida política, de corrupção, luxo e luxúria? Algo mais forte os motivava.

Deus nos quer. Veja a parábola de ovelha perdida, do filho pródigo E Ele nos quer com intimidade, num relacionamento de amor e fidelidade. Por isso o véu se rasgou e o Senhor é chamado de “Abba” – “Pai”.

Se bater a vontade de chutar tudo para o alto. Calma! Você é gente, é humano, e como muitos homens da Bíblia.

Calma nessa hora e deixe Deus fazer o melhor!

Adriano Gonçalves
Canção Nova

sábado, 18 de março de 2017

Papa indica elementos-chave para um bom confessor

Amizade com Jesus, discernimento e evangelização podem ajudar o confessor em sua missão

O Papa Francisco recebeu nessa sexta-feira (17) os participantes do Curso sobre Foro Interno, promovido pela Penitenciaria Apostólica.

Francisco disse que esse é um tipo de Tribunal que ele realmente gosta por ser o “tribunal da misericórdia”, pois oferece aquele “remédio indispensável” para a alma, que é a misericórdia divina. De modo especial, o Papa falou sobre o tema do Curso, dedicado à formação de bons confessores. Certamente, constatou o Papa, não é possível se tornar bons confessores fazendo um curso, trata-se de uma “longa escola” que dura a vida toda, mas há alguns elementos que podem auxiliar nesta missão.

Amizade
Para Francisco, o “bom confessor” é, antes de tudo, um verdadeiro amigo de Jesus. “Sem esta amizade, será muito difícil amadurecer aquela paternidade tão necessária no ministério da Reconciliação”.

Ser amigo de Jesus, explicou o Papa, significa primeiramente cultivar a oração, seja a oração pessoal com o Senhor, seja a oração específica para o exercício da tarefa de confessor. Na oração, implora-se o dom de um coração ferido para compreender as feridas alheias e pede-se o dom da humildade para evitar atitude de dureza, que inutilmente julga o pecador e não o pecado.

Discernimento
Em segundo lugar, o bom confessor é um homem do Espírito, um homem do discernimento. “A falta de discernimento causa muito mal à Igreja!”, constatou o Papa, mal provocado pela falta da escuta humilde do Espírito Santo e da vontade de Deus.

O confessor não faz a própria vontade e não ensina uma doutrina própria, mas é chamado sempre e somente a fazer a vontade de Deus. O discernimento permite distinguir e educa o olhar e o coração. No confessionário, o sacerdote deve ser capaz de identificar inclusive os distúrbios espirituais dos fiéis e cabe ao confessor contatar, se necessário, os encarregados por exorcismos.

Evangelização
Por fim, o confessionário é um local de evangelização. “De fato, não existe evangelização mais autêntica do que o encontro com o Deus da misericórdia”. No confessionário, às vezes, torna-se necessário anunciar novamente as verdades de fé mais elementares; às vezes, trata-se de indicar os fundamentos da vida moral.

O confessor, concluiu o Papa, é chamado a ir cotidianamente às “periferias do mal e do pecado”, e a sua obra representa uma autêntica prioridade pastoral. “Rezem sempre pelos irmãos e irmãs que se aproximam do Sacramento do perdão. E, por favor, rezem por mim”, finalizou Francisco.

Canção Nova - Rádio Vaticano

sábado, 4 de março de 2017

Paróquia começa a se preparar para a Festa do Padroeiro

Aconteceu na noite da última quinta-feira (02), na Igreja Matriz, o primeiro encontro do nosso pároco, padre Lucas Mendes, com os integrantes de pastorais e movimentos para tratar dos festejos do padroeiro de São Francisco de Itabapoana, São Francisco de Paula. Este ano, será realizado novenário que começará no próximo dia 24. Dentro da programação, estão atividades que já participaram da festa há alguns e estarão de volta, mas também haverá novidade. 

Durante a reunião, que contou com mais de 50 paroquianos, toda programação foi apresentada. Padre Lucas ressaltou que é preciso "respirar fundo, nos fortalecer através da oração e trabalharmos bastante". Segundo ele, "tudo foi pensado com muito carinho". 
Como sempre, cada pastoral e movimento terá sua função, que estará disponível segunda-feira (06) na Secretaria Paroquial. Os respectivos coordenadores deverão comparecer no local e desde então começarem a trabalhar. 

Uma segunda reunião já está marcada para conferir o andamento dos trabalhos. O encontro ocorrerá após a Santa Missa das 20h do dia 16. 

Novidade e tradição
Como novidade, o primeiro domingo dos festejos contará com o Pedal do Padroeiro, um passeio ciclístico pelas ruas do município. 

Relembrando as tradicionais festas de São Francisco de Paula estão programadas brincadeiras com as crianças e a alvorada, junto com café comunitário, esta última iniciando a programação do dia dois de abril, dia do padroeiro. 

No primeiro final de semana da festa, haverá apresentação dos ministérios Frutos do Espírito e Divino Som nos dias 24 e 25, respectivamente. No segundo e último final de semana, os shows ainda serão definidos. 

Durante todos os dias de festa, a Feira de Artesanato da secretaria municipal de Promoção Social estará montada. 

O novenário e festa de São Francisco de Paula é uma realização da Paróquia São Francisco de Paula com o apoio da Prefeitura de São Francisco de Itabapoana. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Tudo o que um músico precisa saber sobre a Quaresma

A Quaresma compreende o período de cerca de quarenta dias reservado à preparação da Páscoa. A palavra ‘Quaresma’ vem do latim, quadragesima dies (quadragésimo dia). O adjetivo referente a este período é dito quaresmal ou, mais raro, quadragésima. O tempo da Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas (rito latino) até a Missa vespertina da Quinta-feira Santa, iniciando o Tríduo Pascal.

“Trata-se de um número que exprime o tempo da expectativa, da purificação, do regresso ao Senhor e da consciência de que Deus é fiel às suas promessas” Papa Bento XVI (22 de fevereiro de 2012).

Tempo de penitência e conversão, quando se dá atenção ainda maior às práticas de jejum, esmola e oração, conforme o Evangelho de Mateus (Mt 6,1-6.16-18), proclamado na Quarta-feira de Cinzas.


“A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a Missa, que expressam a conversão com relação a si mesmo, com relação a Deus e aos demais. Junto à purificação radical operada pelo batismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação pela salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade, “porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pedro, 4,8.).” (Catecismo Igreja Católica, n. 1434).

O que não cantamos
Neste tempo, no rito latino, suprimimos o hino do Aleluia (IGMR 62) – cantado ou recitado. O hino do Glória (IGMR - Instrução Geral do Missal Romano 53) é suprimido, salvo em caso de solenidade ou festa, podendo então ser cantado ou recitado normalmente. As solenidades dos calendários, como a Anunciação do Senhor e de São José, são transferidas apenas em caso de coincidirem com algum domingo de Quaresma.

A cor litúrgica do Tempo da Quaresma é o roxo. Para o 4º domingo, chamado domingo da alegria, o Domingo Laetare, assim chamado pela primeira palavra do introito em latim: Laetare Jerusalem (Alegra-te, Jerusalém!), é permitido o uso da cor rosa. No Domingo de Ramos, a cor das vestes litúrgicas do celebrante é a vermelha (IGMR, n. 346)

Sobre a ornamentação o IGMR nos diz:
“Haja moderação na ornamentação do altar. No tempo do Advento, ornamente-se o altar com flores, com a moderação que convém à índole deste tempo, de modo a não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor. No tempo da Quaresma, não é permitido adornar o altar com flores. Excetuam-se, porém, o domingo Laetare (IV da Quaresma), as solenidades e as festas. A ornamentação com flores deve ser sempre sóbria e, em vez de as pôr sobre a mesa do altar, disponham-se junto dele.” (IGMR, n. 305)

Essa sobriedade também é indicada na música:
“No tempo da Quaresma, só é permitido o toque do órgão e dos outros instrumentos musicais para sustentar o canto” (IGMR 313)

Sobre o silêncio
O silêncio na Quaresma pode ser observado com maior cuidado. “No Ato Penitencial e a seguir no convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior. A seguir, as leituras ou a homilia é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças”. É o que nós diz a IGMR no nº45.

A CNBB, em parceria com a Paulus, tem gravado uma série de CDs do chamado “Hinário Litúrgico”, apropriados para o Ano A, B e C. Confira aqui as partituras dos hinos de 2017 (ano A).

Outra sugestão é suprimir o canto das ofertas (apresentação dos dons), pois este “é um canto suplementar, essa categoria inclui os cantos para os quais não há textos específicos previstos. A rigor, são elementos facultativos da celebração, e nem precisam ser falados ou cantados”. (Documentos da Igreja sobre música litúrgica Paulus, 3.411.3., p. 327).

A espiritualidade de cada domingo da Quaresma
Ano A (Mateus):

1º Domingo: Deserto
2º Domingo: Transfiguração
3º Domingo: Samaritana
4º Domingo: Cego de Nascença
5º Domingo: Lázaro

“A Quaresma é um tempo de jejum e penitência, instituído pela Igreja por tradição apostólica” (São Pio X, Catecismo Maior, 35)

Canção Nova

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Saiba como escolher sua penitência na Quaresma

A Quaresma está aí e você ainda não sabe qual penitência irá fazer? Diante desse dilema, temos sempre que recordar que somos convidados a celebrar uma reconciliação com Deus.

Alguns optam por não consumir alguns alimentos, como chocolate, refrigerantes e doces, outros deixam de frequentar lugares que gostam. Mas, também, podemos escolher mudar nossas atitudes, como fazer o controle da língua e dos pensamentos, mudar o modo de viver com a família, exercitar o treinamento da paciência e do perdão, entre outros.

Não nos abstemos de algo para sermos "diferentões", mas para que possamos ser um sinal do amor e da misericórdia de Deus a muitos outros jovens que ainda não conseguiram se sentir abraçados a essa misericórdia abundante. E, lembre-se que a penitência não é algo que fazemos para vivenciar apenas em quarenta dias, mas é uma oportunidade que nos prepara para todo o ano que vem pela frente.

Para te ajudar, vamos listar alguns itens importantes para o discernimento da escolha:

Você não é super-herói
O primeiro cuidado que devemos tomar é se vamos cumprir a penitência. Não podemos exigir de nós a capacidade de algo que não vamos conseguir fazer. Devemos estar sempre atentos para que a abstenção que se faz nesses quarenta dias gere uma mudança profunda, não apenas uma questão externa.

Não a torne uma obrigação
O gesto é algo que brota de forma espontânea no nosso coração, de um desejo de transformação. Deixamos, por exemplo, de comer algo que gostamos para que possamos doar ao outro. Isso, não porque simplesmente é Quaresma, mas para que por meio desse ato entendamos os valores que depositamos nas coisas.

Reze!
Você deve se colocar em oração. Ela nos dá um olhar divino e nos ajuda a contemplar o meio que vivemos com uma esperança lá no futuro. É importante colocar-se em diálogo com Deus, não só para falar, mas, também, para ouvir.

Pratique a caridade
A oração nos faz sensíveis com aqueles que são próximos de nós ou aqueles que muitas vezes são anônimos, mas precisam da nossa ajuda. Por isso, movimente-se em favor do próximo.

Opte pelo jejum
Ele não é uma forma de abster de um alimento por questão estética, mas para nos sensibilizarmos com o outro. É um exercício da prática do controle dos nossos desejos, que ajudará no seu discernimento.

Jovens de Maria
A12.com

Entenda a homília do Papa Francisco que condena a vida dupla


Nessa quinta-feira (23), jornais de todas as emissoras anunciaram que o Papa Francisco “teria sugerido” que é melhor ser ateu do que católico hipócrita. Ora irmãos, a ironia está na hipocrisia dessas notícias, que visam nada mais do que obter audiência por meio do escândalo, exatamente o oposto do que pregava o Santo Papa. De fato, o Papa comentava o Evangelho do dia, onde Jesus Cristo ensinava aos Seus discípulos: “E se alguém escandalizar um desses pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço” (Mc 9,42).

Na leitura do Evangelho, encontramos orientações de Jesus Cristo sobre a simplicidade da fé. Devemos nos atentar por nossas ações cotidianas, as quais nos levam ao pecado. Jesus nos ensina que é melhor entrar no Reino dos Céus sem uma das mãos, sem um dos pés ou sem um dos olhos, se estes nos fazem pecar, do que sermos jogados por inteiro no inferno. Se um de seus membros o leva a pecar, corta-o. O Papa Francisco nos ensina essa passagem citando que manter os membros que nos levam ao pecado é o escândalo. Propõe o Santo Papa que reflitamos sobre se há algo de vida dupla em nós e nos convertermos desde já, em vez de persistir no pecado sobre a ideia de que “O Senhor me perdoará tudo”, pois isso não é bom.

O Papa nos ensina que se vivermos uma vida dupla, frequentando a Missa, entregando ofertas e participando de grupos, mas nos mantivermos no pecado em nossa vida particular, aproveitando-nos dos pequenos, não cumprindo com nossas obrigações, ao bater na porta dos céus, Jesus não nos reconhecerá, pois somos, de fato, pecadores e não os bons católicos como nos apresentamos à comunidade. Jesus Cristo conhece-nos profundamente. Para concluir dessa forma, o Santo Papa utiliza-se do exemplo de um empresário católico, que estava de férias no Oriente Médio, enquanto seus funcionários ameaçavam iniciar uma greve justa por não ter dinheiro para arcar com as despesas cotidianas, pois não recebiam o salário.

É certo que o Santo Papa não deixou de citar que “Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes que ‘ser católico como aquele, melhor ser ateu’”. Sejamos sensatos, irmãos, pois o que nos foi noticiado foram essas palavras como próprias do Sumo Pontífice, e não como o exemplo de palavras que ouvimos pelo mundo, como de fato foram utilizadas na homilia. Anunciar as palavras do Santo Papa sem o compromisso de evangelizar é ameaçador aos ouvidos dos fiéis desatentos pelas ocupações do dia a dia.

Saibamos nós que é este, irmãos, o ensinamento do Santo Papa: “Não escandalizar os pequeninos com a vida dupla, porque o escândalo destrói”.

Na homília da Missa matutina celebrada, nessa quinta-feira, 23, na Casa Santa Marta, a reflexão se faz por meio do Evangelho de Marcos. Atentos, não nos deixemos levar pelo sensacionalismo das mídias que anunciam as palavras do Santo Papa sem qualquer compromisso com a missão de evangelizar, mas sim buscando audiência por meio do escândalo. Em sua homília, Papa Francisco ainda ensina: “Os jornais noticiam vários escândalos e fazem publicidade de escândalos. Com os escândalos se destrói”. Não nos deixemos destruir, mas antes busquemos com fidelidade a Liturgia, entendamos pela fé as palavras do Sumo Pontífice e a Liturgia do Senhor. 

Canção Nova

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O que significa fazer o sinal da cruz?

Os católicos são criticados por fazer o Sinal da Santa Cruz. Mas há sólido fundamento nessa prática, como veremos.

A Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz no dia 14 de setembro. Essa festa origina-se nos primórdios da cristandade, porque a Morte do Senhor sobre a Cruz é o ponto culminante da Redenção da humanidade. A glorificação de Cristo e a nossa salvação passam pelo suplício da Cruz. Cristo, encarnado na Sua realidade concreta humano-divina, se submete voluntariamente à humilde condição de escravo (a cruz era o tormento reservado para os escravos) e o suplício infame transformou-se em glória perene.

Os Apóstolos resumiam sua pregação no Cristo crucificado e ressuscitado dos mortos, de quem provém a justificação e a salvação de cada um. São Paulo dizia que Cristo cancelou “o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na Cruz” (Cl 2,14). É por isso que cantamos na celebração da adoração da santa Cruz na Sexta-feira Santa: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo: Vinde! Adoremos!”.

O caminho da cruz, da humilhação e da obediência foi o que Deus escolheu para nos salvar. Por isso, amamos e exaltamos a santa Cruz.
São Paulo resumiu tudo, dizendo aos filipenses: “sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente” (Fl 2,6-9). Se o Senhor passou por esse caminho de obediência, humilhação e crucificação, será que, para nós, cristãos (imitadores de Cristo!), haverá outro caminho de salvação?

Somente pela cruz, que significa morte ao próprio eu, à própria vontade, para acatar com fé, alegria e ação de graças a vontade de Deus, poderemos nos salvar. E é o próprio Senhor quem nos diz isso muito claramente: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9,23). “Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24b). Cada um tem a sua cruz!

É pela cruz de cada dia, que cada um carrega, que Deus nos santifica (cf. Hb 12,10), fazendo-nos morrer para todas as más inclinações do nosso espírito. É pela cruz que chegaremos à glorificação, como o Senhor Jesus. É por isso que exaltamos a santa Cruz. E é por meio dessa Cruz de cada dia (doenças, aborrecimentos, penúrias, humilhações, cansaços, injustiças, incompreensões) que temos a graça e a honra de poder completar em nossa carne o que falta à Paixão do Senhor no seu Corpo, a Igreja (Cl 1,24).
O escritor cristão, Tertuliano († 220), atesta o amplo uso que do Sinal da Cruz faziam os fiéis nas mais variadas contingências da vida humana no segundo século:

“Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas as nossas demais atividades, persignamo-nos a testa com o sinal da cruz” (De corona militis, 3).

Diz Santo Hipólito de Roma (†235), descrevendo as práticas dos cristãos do século III:

“Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o cordeiro verdadeiro; ao fazer o sinal da cruz na fronte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos, 42).

Estes testemunhos dão a ver que o Sinal da Cruz já no início do século III estava muito difundido entre os cristãos, de tal modo que, as suas origens se identificam com as dos primórdios do Cristianismo.

Felipe Aquino
Canção Nova 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Apresentação do Senhor

Maria e José cumpriram as prescrições da Torah, Lei Judaica e permitiram que a Salvação acontecesse na História.

Apresentar alguém é fazer com que esta pessoa seja conhecida. Todos já foram apresentados e receberam apresentações. Pense em um casal que, com alegria e orgulho, vai até a casa dos pais para apresentar o filho recém-nascido. Quantas expectativas nos braços daqueles pais indo aos avós de sua criança!

O Novo Testamento nos narra um fato semelhante, com Maria, José e Jesus. O menino Jesus, apenas nascido, é levado ao Templo por seus pais e é apresentado, dado a conhecer. E aqui acontecem fatos e são ditas palavras interessantes. Lemos isso em Lucas 2,22–40.

Apresentação do Senhor ao seu Povo
Enquanto Jesus é apresentado no Templo, cumprindo Torah, a Lei do Antigo Testamento (o Pentateuco de nossas Bíblias), quem recebe a apresentação, na realidade, é quem vai aceitá-lo como Senhor e Salvador. Em Lucas 2,29–31, o Cântico de Simeão, se afirma: “Agora, Soberano Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque meus olhos viram tua salvação, que preparaste em face de todos os povos, luz para iluminar as nações, e glória de teu povo, Israel”. Esta “luz para iluminar as nações todas” é uma passagem de Isaías 42,1–9 (é o versículo 6), o chamado Primeiro Canto do Servo; é também uma citação de Isaías 49,1–7 (também está no versículo 6), o Segundo Canto do Servo. Ora, o “Servo” é o Senhor Jesus. E quem recebe a apresentação não é Deus, que já conhece seu Filho, mas seu povo e todas as nações que podem aceita-lo.

O que se destaca aqui é a dedicação de Maria e José, pais de Jesus, em cumprir as prescrições da Fé que professavam. As “nações” são todos os povos à exceção de Israel. Este era o Povo de Deus, as nações eram os pagãos, os que, mesmo sem esperar o Salvador como os Judeus esperavam, acabam por recebê-lo em Jesus.

Simeão e Ana: zelosos das Profecias
Simeão era um justo e piedoso homem que habitava Jerusalém, como se lê em Lucas 2,25. Ele esperava a revelação do Messias ou Cristo. Vai ao Templo e o encontra com Maria e José.

Simeão também fez aquele anúncio a Maria: “…uma espada transpassará a tua alma!” (Lucas 2,35). Foi um anúncio de sofrimento para Maria, prevendo a Paixão e Morte de Jesus. É parte da profecia do Servo Sofredor, uma imagem muito forte de Jesus. Já a profetiza Ana, idosa senhora que servia no Templo, é sinal da dedicação sincera dos pequenos à causa de Deus. Simão e Ana são a marca do zelo pelas Profecias que devia animar os fiéis judeus. Mas que nem todos entendiam.

Maria e José: o sinal da Fé
Nesta situação toda encontram-se José, esposo de Maria, e ela, a Mãe do Salvador. Eles cumprem a Torah, observam tudo, assimilam as palavras e os sinais, para compreender o sentido da História. Mas ele será compreendido somente na Ressurreição, o que exige também a Paixão e a Morte. José e Maria estão no tempo da Fé. Precisam da luz que vem de seu Filho, o Salvador. Por isso usamos as velas para celebrar esta solenidade.

Uma Solenidade Cristológica
Até a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II a Apresentação do Senhor, celebrada com velas, acentuava a presença de Maria que oferecia seu Filho ao Senhor. Era a festa de Nossa Senhora das Candeias ou da Candelária. De fato, “candeia” é um modo dizer “vela”. Candelária seria o conjunto das velas. Mas isto é um pouco parcial. De fato, quem apresenta Jesus é Maria e José, os Santos Esposos. Depois, o ato principal não é apenas a apresentação em si, mas o que ela significa. Jesus Cristo, o Servo do Senhor, é a luz para iluminar as nações todas.

Maria, a Mãe, e José, o Pai, podem nos ajudar a compreender mais este Mistério.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

7 atos de fé para ficar em sintonia com o Ano Jubilar Mariano

O Ano Jubilar Mariano teve início no dia 12 de outubro de 2016 e segue até o dia 12 de outubro de 2017. 


A celebração do Ano Jubilar Mariano inaugurado em outubro de 2016 deu início a um tempo de conversão e renovação da fé do povo brasileiro.

Para bem viver este grandioso momento, listamos 7 atos de fé já presentes na devoção do povo brasileiro e alguns que fazem parte da programação desse Ano Jubilar. Algumas ações podem ser reavivadas para que a espiritualidade mariana ganhe ainda mais sentido e favoreça um maior comprometimento com o Reino de Deus.

A consagração é um ato voluntário e consiste na entrega total de si a Maria. É um ato de fé e comprometimento. Não se resume apenas a rezar uma oração, é muito mais que do que isso. A consagração enriquece a vida espiritual e move o cristão em direção a uma fé libertadora. Quando nos consagramos devemos manifestar o nosso sincero desejo de vivenciar uma fé comprometida com a espiritualidade de Maria, que está diretamente associada à mensagem de seu Filho Jesus.

A Consagração a Nossa Senhora Aparecida ganhou repercussão nacional na voz do Padre Vítor Coelho de Almeida, a partir da década de 50. Com ele e depois com os demais Missionários Redentoristas, especialmente por meio da Rádio Aparecida, esta oração chegou a todos os devotos brasileiros. Ao ler a consagração novamente, reflita como tem vivenciado a sua fé em Maria.

Passados 300 anos, a história da Mãe Aparecida ainda é desconhecida de um grande número de fiéis. Não se trata apenas do fato de sabermos quem é Nossa Senhora Aparecida ou sobre o seu Santuário, mas de um profundo conhecimento sobre essa história de fé e devoção. Quanto mais aprofundarmos no conhecimento da história da Mãe Aparecida, mais a amaremos e seguiremos os seus passos em direção ao seu Filho Jesus.

Ao celebrarmos esse Ano Jubilar, todos somos convidados a crescer no conhecimento dessa devoção que já foi tão contada e recontada por escritores de todo o Brasil e até do exterior. 

Em cada celebração, em cada momento de oração, o Santuário Nacional convida os devotos a rezar a Oração Jubilar preparada especialmente para essa ocasião. É uma oração singela e que possui grande significado.

Inclua em suas orações diárias ou semanais esta oração. Recomendamos imprimi-la e deixar em um lugar acessível para não se esquecer de render graças a Deus por todas as graças recebidas nesses 300 anos de Aparecida. 

O Terço é a oração mariana mais completa. Ao contemplar os mistérios da vida de Cristo junto com a Virgem Maria, como ela, nos compadecemos dos sofrimentos de Cristo e nos alegramos com a Boa Notícia enviada por Deus. No Ano Jubilar Mariano além de privilegiar os momentos de oração pessoal também podem ser motivados encontros de oração do terço em família e na comunidade, recordando sempre a proposta do Jubileu Tricentenário. 

De janeiro a setembro, o Santuário Nacional realiza todo dia 12 de cada mês, a Cerimônia de Coroação de Nossa Senhora Aparecida, às 10h. Essa Novena deseja preparar cada devoto da Mãe Aparecida para o grande mês de outubro. A Novena pode ser acompanhada pela TV Aparecida ao VIVO ou depois no canal do Youtube da emissora.

Durante a cerimônia, no Santuário Nacional, cada devoto recebe um cartão com a Imagem de Nossa Senhora e uma coroa adesiva para imitar esse singelo gesto da Coroação de forma pessoal. Também os colaboradores da Família Campanha dos Devotos podem acompanhar a Coroação pelo Guia Oracional da Revista de Aparecida e coroar Nossa Senhora de suas casas, de forma simbólica e participativa para celebrar o Jubileu dos 300 anos.

Entre as diversas formas de piedade popular destaca-se a romaria. A peregrinação a um lugar considerado santo por uma devoção que ali nasceu ou mesmo por aparições de Nossa Senhora mobiliza milhares de devotos em todo o mundo. A caminhada em direção a um santuário está muitas vezes relacionada ao cumprimento de uma promessa e antes ainda para pedir a intercessão diante de uma situação de necessidade. O Santuário Nacional recebe 19 mil ex-votos por mês, sendo que no mês de outubro, esse número chega a 30 mil.

No Ano Jubilar Mariano essa manifestação da piedade popular pode ser realizada ao Santuário Nacional ou ainda a igrejas dedicadas à Nossa Senhora Aparecida. O mais importante é que essa peregrinação seja fruto de uma fé verdadeira e amparada no desejo de imitar as virtudes da Virgem Maria

O Papa Francisco possibilitou aos devotos da Mãe Aparecida lucrar indulgências plenárias durante o Ano Jubilar Mariano. As indulgências podem ser obtidas a partir da peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida ou qualquer igreja paroquial do Brasil dedicada à padroeira do país.

A Igreja ensina que a indulgência é "remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada". Os fiéis brasileiros poderão alcançar a indulgência plenária durante o Ano Jubilar sob as seguintes condições habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e rezar na intenção do Santo Padre, o Papa.

Que ao vivenciar e seguir devotamente esses 7 atos de fé, encontre-se com uma fé mais viva e mais fortalecida.

A12.com

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Como ser um instrumento do Espírito Santo?

Precisamos estar encharcados do Senhor e de Seu Santo Espírito para ser o Seu instrumento


Quando queremos tratar um ferimento, pegamos um cotonete, molhamos no remédio e o levamos à ferida. Jesus é o “remédio” que nos cura e nos traz a vida. Nós somos o “cotonete” que leva a vida para outras pessoas, mas para isso precisamos estar encharcados no remédio, que é Jesus e o Espírito Santo.

O Senhor faz de nós Seus instrumentos para levarmos vida, ressurreição e transformação radical para nossa casa e para o mundo. Acredite nisso! Problemas sempre existirão dentro de casa, mas o que não pode faltar é a alegria do Senhor; esse dom divino será a nossa força!

Cheia do Espírito Santo, a mulher se torna instrumento de vida e ressurreição para toda sua família e para tantas outras pessoas que ela nem imagina. O homem também é esse instrumento da bênção de Deus para o mundo e para sua casa. Talvez sua casa esteja no estado em que está, porque estão faltando nela a bênção e a alegria de Deus. O pai de família precisa ser o primeiro a manifestar em si a graça da ressurreição, a força do Espírito Santo e o dom da alegria.


Monsenhor Jonas Abib
Canção Nova

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A conversão de São Paulo

São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, vai apresentar a conversão de São Paulo em três momentos: (At 9,3-19; 22,6-16; 26,12-18). Nestes textos encontramos a narração da conversão daquele que mudou não apenas o próprio nome, mas o rumo da história de sua vida. De Saulo de Tarso, tornou-se Paulo de Cristo, o grande apóstolo dos gentios.

A cidade de Tarso se encontra onde hoje é a Turquia. Era uma cidade colônia do Império Romano. Paulo era judeu descendente da tribo de Benjamim, totalmente enraizado nas tradições judaicas. Ele estudou em Jerusalém na escola de Gamaliel, foi onde conheceu a existência dos cristãos e tornou-se inimigo dos seguidores de Cristo. Tanto que fez questão de estar presente na morte de Santo Estevão, o primeiro mártir cristão.

Por achar que estava sendo fiel às tradições da lei judaica, colocou-se a serviço do império romano e recebeu autonomia para identificar, perseguir, prender e matar todos os que professavam a fé em Jesus de Nazaré. Mas como vemos no relato dos Atos dos Apóstolos, um dia a caminho de Damasco, com certeza perseguindo cristãos, Paulo tem o encontro com o Ressuscitado. A luz que o atinge faz com que ele caia por terra, e uma voz fala forte dentro de si: “Saulo, Saulo, porque me persegues?”. Neste momento ele faz uma profunda experiência de encontro com Cristo e a partir daquele momento se abre para a fé, impondo a si mesmo a missão de Anunciar o Evangelho com a própria vida: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (1Cor 9,17).

No relato da conversão de São Paulo, aparecem vários elementos que atestam seu encontro com a Pessoa do Cristo Ressuscitado. Primeiro, Paulo está caminho de Damasco e numa certa altura da viagem ele é envolvido por uma luz que o faz cai por terra. Em seguida ele ouve uma voz que o interroga e que o chama pelo nome. Paulo faz uma pergunta de quem seria a voz que ele escuta, e rapidamente vem a afirmação que é Jesus quem está falando com ele, o Cristo a quem ele perseguia. Após este diálogo entre Jesus e Paulo, segue uma ordem do Ressuscitado para que ele entre em Damasco, onde lhe será dito o que fazer, e imediatamente Paulo começa a anunciar Jesus como Filho de Deus.

Paulo, em seu bonito processo de conversão, passará da postura de perseguidor, a um fiel seguidor de Jesus e um intrépido pregador do Evangelho. Como a graça de Deus age no coração e na vida das pessoas, Paulo que antes queria destruir a mensagem de Jesus matando os que acreditavam em sua Palavra, se tornará alguém que não consegue mais viver sem proclamar em todos os momentos e para todas as pessoas o Evangelho da Salvação.

Paulo é chamado de Apóstolo das Nações, e a ele são atribuídas 13 cartas no Novo Testamento, cartas onde ele procurava animar os cristãos das comunidades nascentes, levando-os a perseverar na vivência do Evangelho e na fé em Cristo, mesmo diante das perseguições: “Quem vai nos separar do amor de Cristo?” (Rom 8,35). São Paulo vai dizer que foi alcançado por Deus (Fl 3,12), pois não existem limites para a ação do amor misericordioso de Deus no coração da pessoa. Em 1Cor 15, 8, Paulo vai afirmar: “Eu vi o Senhor”, isso mostra que em sua conversão ele experimentou o Cristo Ressuscitado, a semelhança de Madalena (Jo 20,14) e de Tomé (JO, 20-28) e de outros apóstolos que viram o Senhor.

Por isso, celebrar a Conversão de São Paulo é celebrar o chamado que Jesus faz a todos nós de, no encontro com Ele, mudar a direção da vida, fazendo do Evangelho a Palavra que ilumina todas as nossas escolhas.


A12

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Catequese: Por que preciso rezar?

Rezar é muitas vezes é a direção e tem seu valor

Uma das maiores descobertas que já fiz na vida foi saber que Deus me ama e me acolhe independente do que faço, pois Ele me ama a partir do que sou. Nesse caso, se eu rezo ou não rezo, Ele continua me amando com a mesma intensidade. No mundo, existem milhões de pessoas que nunca oraram, no entanto, não deixam de viver. Trabalham, estudam, viajam, fazem descobertas, constroem prédios, vão à praia, ao shopping e vivem naturalmente. Daí, vem a pergunta, que já ouvi várias vezes: “Por que preciso rezar?”.

A resposta pode ser dada de inúmeras formas, mas acredito que a vida diz mais que as palavras. Enquanto escrevo, recordo-me de tantos momentos nos quais, sem saber o que fazer, procurei uma direção da parte de Deus por meio da oração e fui ajudada. Certamente, você também já viveu experiências assim, e é nessas horas que percebemos o valor da oração em nossa vida.

Aproximação de Deus
Padre Kentenich, autor do livro ‘Santidade de todos os dias’, diz que, quando oramos, além de nos assemelharmos a Cristo, que é orante por excelência, e nos aproximarmos do Pai, que nos ama em Cristo, tornamo-nos também possuidores das riquezas divinas, já que a vida dos santos e cristãos piedosos confirma que os tesouros de Deus estão à disposição daqueles que rezam. Na verdade, existe algo que não podemos nos esquecer jamais: Não é Deus quem precisa de nossas orações, somos nós que precisamos de Sua graça, e esta costuma manifestar-se quando a Ele recorremos por meio da oração.

A oração também tem o poder de despertar nossos sentidos para percebermos os presentes que Deus nos dá, mas que, por uma razão ou outra, não conseguimos reconhecê-los. É que quando oramos, o Espírito Santo nos devolve a calma; assim, temos condições de ver o outro lado da história, tirando os olhos de nós mesmos e do problema em si. Aliás, essa é uma das maiores graças alcançadas pela oração. Já que quando estamos com dificuldades, naturalmente acabamos colocando o problema no centro da vida, e isso nos impede de encontrarmos solução para ele.

A oração é o socorro
Já ouvi dizer que a oração é como um grito, um pedido de socorro, mesmo que seja no silêncio, pois Deus vê o coração e não deixa quem ora sem resposta. Existe até uma história que pode ilustrar essa afirmativa:

“Conta-se que um navio, estando há vários dias no mar, havia esgotado sua reserva de água potável. O capitão não avistava margem nenhuma no horizonte, e os viajantes sentiam cada vez mais sede… Até que avistaram um barco, que navegava ao seu encontro e, aos gritos, pediram que os socorressem com água doce.

No entanto, obtiveram, também aos gritos, a resposta: ‘Ora, tirai a água do mar e bebei, não veem que é água doce?’ Experimentaram. E recolhendo a água do mar, notaram que, já havia tempo, navegavam em água doce, no imenso estuário de um rio”.

Podemos concluir que se os tripulantes do navio não pedissem ajuda, poderiam morrer de sede estando tão próximos da água doce. Em nosso caso, quando não oramos, corremos o mesmo risco. Ou seja, de estarmos bem próximos da solução, mas não conseguirmos percebê-la.

Sintonia com Deus
Por essas e outras razões, considero a oração como algo importante e, até diria, fundamental para uma vida plena. Ela nos coloca em sintonia com Deus, e esta é a maior graça que podemos almejar como cristãos. Também é verdade que, quando oramos, o brilho da vida divina, que está em nós, brota do interior, como que transfigurando nosso rosto. Não sei se você já observou que as pessoas idosas, que levaram uma vida pura e agradável a Deus, têm uma aparência sobrenatural; um exemplo claro disso é o inesquecível e saudoso João Paulo II. Pessoas santas, independente da idade que têm, às vezes nos parecem seres de um outro mundo. É que a oração nos transfigura e nos torna, aos poucos, semelhantes Àquele a quem buscamos. Portanto, apesar de saber que Deus nos ama e nos acolhe, independente de rezarmos ou não, temos muitas razões para recorrer a Ele por meio da oração.

Se, hoje, você passa por alguma situação difícil, se está atribulado e não sabe a quem recorrer, estou convidando você para rezarmos juntos. É o próprio Senhor quem nos fala: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11,28). Jesus chama para si todas as nossas dores, aflições e angústias, Ele nos dá a certeza de que, se crermos na Sua Palavra e guardarmos os Seus mandamentos, seremos libertos do mal.

Rezemos juntos
Coloquemo-nos, agora, na presença de Jesus Cristo e oremos juntos:

“Senhor Jesus Cristo, eu tomo posse do Teu amor, acolho a salvação que nos trouxeste pela Tua morte na cruz e ressurreição gloriosa. Convido-te para entrar agora na minha vida, tocar o meu coração e possuir todo o meu ser. Vem curar minhas feridas, Senhor, lava com Teu Sangue o meu coração sofrido e restaura minha esperança, minha fé e minha alegria. Eu só tenho a Ti, Senhor, e hoje Te busco de todo meu coração. Obrigada por Teu amor infinito, Senhor, obrigada por acolher a minha oração e a de tantos que rezam nesta hora. A Ti toda honra, glória e louvor para sempre!“

Você pode dar continuidade à oração. Eu também estarei orando por você.

Dijanira Silva
Canção Nova

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Como ser um católico bem formado?

Não há dúvida de que a maior necessidade do povo católico é a formação na doutrina


O autor da Carta aos Hebreus escreveu: “”Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma doutrina profunda, porque é ainda criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal”” (Hb 5,13-14). Sem esse “alimento sólido”, que a Igreja chama de “fidei depositum” (o depósito da fé), ninguém poderá ser verdadeiramente católico e autêntico seguidor de Jesus Cristo.

Não há dúvida de que a maior necessidade do povo católico hoje é a formação na doutrina. Por não a conhecer bem, esse mesmo povo, muitas vezes, vive sua espiritualidade, mas acaba procedendo como não católico, aceitando e vivendo, por vezes, de maneira diferente do que a Igreja ensina, especialmente na moral. E o pior de tudo é que se deixa enganar pelas seitas, igrejinhas e superstições.

Em sua viagem à África, que começou em 17 de maio de 2009, o Papa Bento XVI deixou claro que a formação é o antídoto para as seitas e para o relativismo religioso e moral. Em Yaoundé, em Camarões, o Sumo Pontífice disse que “a expansão das seitas e a difusão do relativismo –– ideologia segundo a qual não há verdades absolutas – tem um mesmo antídoto, segundo Bento XVI: a formação”. Afirmando que: «O desenvolvimento das seitas e movimentos esotéricos, assim como a crescente influência de uma religiosidade supersticiosa e do relativismo, são um convite importante a dar um renovado impulso à formação de jovens e adultos, especialmente no âmbito universitário e intelectual». O Santo Padre pediu «encarecidamente» aos bispos que perseverem em seus esforços por oferecer aos leigos «uma sólida formação cristã, que lhes permita desenvolver plenamente seu papel de animação cristã da ordem temporal (política, cultural, econômica, social), que é compromisso característico da vocação secular do laicado».

Desde o começo da Igreja, os apóstolos se esmeraram na formação do povo. São Paulo, ao escrever a São Tito e a São Timóteo, os primeiros bispos que sagrou e colocou em Creta e Éfeso, respectivamente, recomendou todo cuidado com a “sã doutrina”. A Tito, o Apóstolo dos Gentios recomenda: “Seja “firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem”” (Tt 1,9). ““O teu ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina”” (Tt 2,1).

A Timóteo ele recomenda: “”Torno a lembrar-te a recomendação que te dei, quando parti para a Macedônia: devias permanecer em Éfeso para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes, e a preocupar-se com fábulas e genealogias”” (1Tm 1,3-4). E “”recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina, que até agora seguiste com exatidão”” (1Tm 4,6). São Paulo ensina que “Deus “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”” (1Tm 2,4).

Sem a verdade não há salvação. E essa verdade foi confiada à Igreja: ““Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade”” (1Tm 3,15). Jesus garantiu aos apóstolos na Última Ceia que “o Espírito Santo “ensinar-vos-á toda a verdade”” (cf. Jo 16,13) e “”relembrar-vos-á tudo o que lhe ensinei”” (cf. Jo 14,25). Portanto, se o povo não conhecer esta “verdade que salva”, ensinada pela Igreja, não poderá vivê-la. Mas importa que essa mesma verdade não seja falsificada, que seja ensinada como recomenda o Magistério da Igreja, que recebeu de Cristo a infalibilidade para ensinar as verdades da fé (cf. Catecismo da Igreja Católica § 981).

Já no primeiro século do Cristianismo, os apóstolos tiveram que combater as heresias, de modo especial o gnosticismo dualista; e isso foi feito com muita formação. São Paulo lembra a Timóteo: “”O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores […]”” (1Tm 4,1-2).

A Igreja, em todos os tempos, preocupou-se com a formação do povo. Os grandes bispos e padres da Igreja como São Agostinho, Santo Ambrósio, Santo Atanásio, São Irineu e tantos outros gigantes dos primeiros séculos, eram os catequistas do povo de Deus. Suas cartas, sermões e homilias deixam claro o quanto trabalharam na formação dos fiéis.

A importância do Catecismo da Igreja Católica na formação
Hoje, o melhor roteiro que Deus nos oferece para uma boa formação é o Catecismo da Igreja Católica, aprovado em 1992 pelo saudoso Papa João Paulo II. Em sua apresentação, na Constituição Apostólica “Fidei Depositum”, ele declarou:

O Catecismo da Igreja Católica […] é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé”. E pede: “Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão e que o usem assiduamente ao cumprirem a sua missão de anunciar a fé e de apelar para a vida evangélica. Esse Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica. O “Catecismo da Igreja Católica”, por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte “a razão da nossa esperança” (cf. 1Pd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê”.

Essas palavras do Papa João Paulo II mostram a importância do Catecismo para a formação do povo católico. Sem isso, esse povo continuará sendo vítima das seitas, enganado por falsos pastores e por falsas doutrinas.

Mais do que nunca, a Igreja confia nos leigos, abre-lhes cada vez mais a porta para evangelizar; então, precisamos fazer isso com seriedade e responsabilidade. Ninguém pode ensinar aquilo que quer, o que “acha certo”; não somos obrigados a ensinar o que ensina a Igreja, pois só ela recebeu de Deus o carisma da infalibilidade. Ninguém é catequista e missionário por própria conta, mas é um enviado da Igreja. Sem a fidelidade a ela, tudo pode ser perdido. Portanto, é preciso estar preparado, estudar, conhecer a Igreja, a doutrina, a sua história, o Catecismo, os documentos importantes, a liturgia entre outros. Quanto mais conhecemos a Igreja e todo o tesouro que ela traz em seu coração, tanto mais a amamos.

Felipe Aquino - Canção Nova 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Catequese: As Nossas Senhoras são a mesma Virgem Maria?

A Virgem Maria é invocada conforme a fé e a devoção do povo

A devoção a Nossa Senhora se manifesta, na Igreja Católica, sob os mais diversos títulos. É praticamente incontável o número de títulos atribuídos a Santíssima Virgem Maria. Em cada país, ela é invocada das mais diversas formas, com nomes diferentes, conforme a fé e a devoção do povo. Em muitos países, houve aparições de Nossa Senhora e, a partir destas, surgiram muitos outros títulos marianos. Para completar a lista, há também os títulos que derivam de um dos dogmas relativos a Virgem Maria.

Os títulos de Maria com origem na devoção popular

A grande maioria dos títulos atribuídos a Virgem Maria tem sua origem na devoção popular. Na maioria das vezes, a devoção surge a partir de uma imagem de Nossa Senhora. A veneração de ícones de Maria remonta a era apostólica. Alguns ícones da Virgem são até mesmo atribuídos a São Lucas, considerado o pintor de Nossa Senhora. Dentre eles, alguns são muito conhecidos, como “Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”, a “Theotokos de Vladimir” e “Nossa Senhora de Czenstochowa”. Casa um desses ícones ressalta uma particularidade da Santíssima Virgem, que nos ajuda a conhecer melhor a sua presença materna na Igreja e em nossas vidas.

Para exemplificar como nasce a devoção popular, trazemos um caso mais recente: a devoção a Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Essa devoção surgiu, em 1700, na cidade de Ausburgo, na Alemanha. Um artista desconhecido pintou uma imagem da Virgem Maria, inspirado na célebre frase de Santo Irineu de Lião: “O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua fé”1. Esse quadro foi então exposto para veneração na pequena igreja de Saint Peter am Perlach, em Ausburgo, e onde permanece até. Nessa igreja começou a devoção a Nossa Senhora Desatadora dos Nós, que se espalhou pelo mundo todo, por causa de devoção popular.

Os títulos das aparições e manifestações de Nossa Senhora

Há muitos títulos que nasceram de aparições ou manifestações da Santíssima Virgem. Alguns desses nomes são muito conhecidos, outros menos, mas, de qualquer forma, expressam a fé e a devoção dos fiéis a Nossa Senhora, que se manifestou a eles de modo particular. Como exemplo, é significativo recordar dois títulos muito caros à devoção popular: Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida.

Em 1917, aconteceram as aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, aos três pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta. Estamos no ano jubilar, em comemoração dos 100 anos. Nelas, a Virgem Maria apresentou-se com o nome de Senhora do Rosário, de Senhora do Carmo e de Imaculado Coração. A partir das aparições, espalhou-se pelo mundo inteiro a devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, e fortaleceram-se as devoções a Nossa Senhora do Carmo e ao Imaculado Coração de Maria.

Em 1717, três pescadores encontraram uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição nas suas redes; primeiro o corpo, depois a cabeça. Como todos sabem, depois seguiu-se a pesca milagrosa, de belos e grandes peixes, depois de horas a fio sem pegar nada. Aqueles simples pescadores perceberam que, naquele fato, havia uma ação sobrenatural. A partir de então, passaram a venerar a pequena imagem. A devoção daqueles pescadores se espalhou rapidamente e cada vez mais pessoas passavam a visitar aquela pequena imagem, chamada carinhosamente de Nossa Senhora Aparecida.


Os títulos dogmáticos da Virgem Maria
Os títulos de Nossa Senhora, que tem sua origem nos dogmas marianos, são os menos numerosos. São apenas quatro. No entanto, não são menos importantes. Ao contrário, são particularmente importantes para a nossa fé. Esses dogmas foram proclamados justamente para firmar as bases da nossa fé.

O primeiro dos dogmas marianos é o da maternidade divina, proclamado solenemente pelo Terceiro Concílio Ecumênico, realizado em Éfeso, em 431, no qual a Virgem Maria é proclamada de Mãe de Deus. Num momento no qual muitos hereges negavam a divindade de Jesus, era necessário que a Igreja confirmasse a doutrina de que a Virgem Maria é verdadeiramente Mãe do Verbo de Deus encarnado, da segunda pessoa da Santíssima Trindade, e não apenas da humanidade de Jesus Cristo.

O segundo dogma é o da Virgindade Perpétua de Maria, que afirma a sua virgindade antes, durante e depois do parto. Essa doutrina, que já era dogma de fé, foi reafirmada solenemente no Concílio de Trento, no ano de 1555. No entanto, esses ensinamentos já faziam parte da doutrina dos Padres da Igreja, como São Justino, o Mártir e Orígenes.

O terceiro é o dogma da Imaculada Conceição de Maria, que define como fé da Igreja Católica a concepção de Nossa Senhora sem a mancha do pecado original. O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo Beato Papa Pio IX, na Bula Ineffabilis Deus, no dia 8 de Dezembro de 1854.

Finalmente, o quarto é o dogma da Assunção de Maria. Esse dogma significa que devemos crer com fé católica que a Virgem Maria, ao fim de sua vida terrena, foi elevada de corpo e alma à glória dos Céus. Essa doutrina foi definida dogmaticamente pelo Papa Pio XII, através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, no dia 1º de novembro de 1950.

A importância de invocar a Santíssima Virgem Maria
Assim, vimos que os vários títulos marianos têm origens diferentes. Podem ter sua origem na devoção popular, nas aparições e manifestações de Nossa Senhora e nos dogmas marianos. Mas todos esses títulos têm algo em comum. Todos esses nomes dizem respeito a uma pessoa, que é a Santíssima Virgem Maria, a Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo. Desde os primórdios da Igreja Católica, a devoção a Virgem Maria, sob seus diversos títulos, ajuda-nos a perseverar na fé e combater as heresias.

Mais do que em outros tempos, precisamos invocar a Santíssima Virgem, sob seus mais diversos títulos, para que a nossa fé não desfaleça. Sobre a importância da devoção a Nossa Senhora, o então Cardeal Joseph Ratzinger já dizia: “Hoje, neste confuso período, em que todo tipo de desvio herético parece se amontoar às portas da fé católica, compreendo que não se trata de exageros de almas devotas, mas de uma verdade hoje mais forte do que nunca”2.


Nossa Senhora, vencedora de todas as heresias, rogai por nós!

Natalino Ueda - Canção Nova