terça-feira, 14 de novembro de 2017

Existe um dia certo para montar a árvore de Natal?

A árvore de Natal foi inventada por São Bonifácio, que ficou conhecido como apóstolo dos germanos ou evangelizador da Alemanha. O Santo nasceu na Inglaterra em 672 e faleceu martirizado em 5 de junho de 754. Seu nome religioso, em latim Bonifacius, quer dizer “aquele que faz o bem”.

Em 718, Bonifácio esteve em Roma e o Papa Gregório II enviou-o à Alemanha, com a missão de reorganizar a Igreja local. Em 722, foi feito Bispo e, um ano depois, inventou a árvore de Natal.

Em 723, São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus Thor, perto da atual cidade de Fritzlar, na Alemanha. Para convencer o povo e os druidas, que eram sacerdotes do lendário povo celta, de que não era uma árvore sagrada, ele cortou-a. Na queda, o carvalho destruiu tudo que ali se encontrava, menos um pequeno pinheiro. Segundo a tradição, Bonifácio interpretou esse fato como sendo um milagre. Esse fato aconteceu no Tempo do Advento e, como ele pregava sobre o Natal, declarou: “Doravante, nós chamaremos esta árvore de Árvore do Menino Jesus”. A partir disso, teve início o costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus, inicialmente na Alemanha, e depois para o mundo todo.

Em 1982, a árvore foi instalada pela primeira vez na Praça de São Pedro. Nesta ocasião, disse o Papa João Paulo II: “Eu creio que é o símbolo da árvore da vida, aquela árvore mencionada no livro do Gênesis e que foi plantada na terra da humanidade junto a Cristo (…). Depois, no momento em que Cristo veio ao mundo, a árvore da vida voltou a ser plantada através d’Ele e agora cresce com Ele e amadurece na cruz (…). Devo dizer-lhes, que eu pessoalmente, apesar de ter uns quantos anos, espero impacientemente a chegada do Natal, momento em que é trazido aos meus aposentos esta pequena árvore. Tudo isso tem um enorme significado, que transcende as idades…”. 

Segundo o Padre Gustavo Haas, ex-assessor de liturgia da CNBB, a árvore de natal que simboliza a vida, deve ser montada no primeiro domingo do Advento, que marca o começo deste tempo litúrgico. O ideal é montar a árvore e colocar os enfeites e adereços aos poucos, durante as quatro semanas do advento, pois para nós católicos, este gesto nos faz recordar que estamos num tempo de preparação, ou seja, preparando a nossa vida para o nascimento de Jesus.

Ele afirmou ainda, que a preparação da árvore deve ser intensificada durante a última semana que antecede o Natal: “Até o Segundo Domingo do Tempo do Advento, tudo ainda é muito sóbrio, mesmo nas leituras feitas nas missas do advento. É só a partir do Terceiro Domingo do Tempo do Advento que a Bíblia começa a falar do nascimento de Jesus, e se inicia um momento de maior expectativa. Esse é o momento, portanto, de intensificar a decoração da árvore”.

Presépio
A tradição católica diz que o presépio surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de São José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.

O sucesso dessa representação do Presépio foi tão grande, que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres europeias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos se estendeu ao longo do século XIX, e na França, não o fez até inícios do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.

Rádio Canção Nova

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Papa Francisco lembra 300 anos da imagem de Nossa Senhora Aparecida

Francisco afirmou que neste momento difícil do Brasil, a Virgem Maria é sinal que impulsiona a unidade na solidariedade e justiça

No final da Catequese desta quarta-feira (11) na saudação aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa Francisco recordou os 300 anos de Nossa Senhora Aparecida.
O Brasil celebra nesta quinta-feira (12) a Festa da Padroeira do Brasil e o Jubileu dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, em outubro de 1717.

O Papa interrompeu sua saudação para ouvir um  grande número de brasileiros que, com bandeiras do país nas mãos, cantavam: "Dai-nos a bênção oh Mãe querida, Nossa Senhora Aparecida". Posteriormente, ele prosseguiu com sua fala:

“Saúdo todos os peregrinos do Brasil e de outros países de língua portuguesa, particularmente os diversos grupos de sacerdotes, religiosos e fiéis brasileiros residentes em Roma, que vieram a esta Audiência para dividir a alegria pelo jubileu dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, cuja festa se celebra amanhã. A história dos pescadores que encontraram no Rio Paraíba do Sul o corpo e depois a cabeça da imagem de Nossa Senhora, e que foram em seguida unidos, nos lembra que neste momento difícil do Brasil, a Virgem Maria é um sinal que impulsiona para a unidade construída na solidariedade e na justiça. Que Deus lhes abençoe”.

Com informações da Canção Nova e Rádio Vaticano

Por que Nossa Senhora Aparecida é Padroeira do Brasil?

Porque o Papa Pio XI, em 16 de Julho de 1930, assinou o Decreto constituindo Nossa Senhora da Conceição Aparecida Padroeira do Brasil. Ele legitimou um fato já consagrado pelo povo.

Logo após a realização do Congresso Mariano de 1929, por empenho do então arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, e do reitor do Santuário na época, padre Antão Jorge Hechenblaickner, os bispos presentes no Congresso pediram e obtiveram do Papa Pio X, a graça de Nossa Senhora Aparecida ser declarada Padroeira do Brasil.

O decreto foi assinado pelo papa no dia 16 de julho daquele ano e a proclamação oficial se deu no Rio de Janeiro, então Capital Federal, no dia 31 de maio de 1931, perante uma multidão de fiéis, do Presidente da República, Dr. Getúlio Vargas, do Corpo Diplomático, de 25 bispos, do Núncio Apostólico, Dom Aloísio Masela, de autoridades civis e militares.

Dom Leme conseguiu de Dom Duarte e do Cabido Metropolitano da Sé de São Paulo a licença, que a principio lhe foi negada, para levar à capital da República a Imagem de Nossa Senhora Aparecida.

O Missionário Redentorista, padre Júlio Brustoloni descreve em seu livro ‘História de Nossa Senhora Aparecida: A Imagem, o Santuário e as Romarias’ que naquele ano, a Imagem foi conduzida, saindo de Aparecida no dia 30 de maio para o Rio de Janeiro.

“A Imagem deixou seu nicho e foi conduzida pelo povo de Aparecida até a Estação local. Preces, lágrimas e emoção acompanhavam essa peregrinação histórica”, descreve padre Júlio no livro.

A publicação ainda relata que cerca de um milhão de pessoas foram prestar suas homenagens à Padroeira naquele dia 31. De manhã, o ponto alto foi a Missa Campal celebrada diante da Igreja de São Francisco de Paula, onde a multidão cantou e rezou participando da eucaristia.

Mais tarde, uma procissão conduziu a Imagem para a Praça da Esplanada do Castelo. Junto do altar da Padroeira, encontrava-se o então presidente da república, Getúlio Vargas, Ministros de Estado, autoridades civis, militares e eclesiásticas. O Núncio Apostólico, Dom Aloísio Masella também esperava pela Virgem de Aparecida junto ao povo.

Notícias de jornais da época relatam que a imensa multidão repetiu com entusiasmo as palavras da consagração da nação e do povo a Nossa Senhora, proferidas por Dom Leme.

Era o Brasil que se consagrava à sua Senhora e Mãe:“Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente. Paz ao nosso povo! Salvação para a nossa Pátria! Senhora Aparecida, o Brasil vos ama, O Brasil, em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama, Salve Rainha!”

Após os atos de consagração e prece, Dom Duarte levou a Imagem para o carro-capela, estacionado na Estação Dom Pedro II com destino à Aparecida.

Na época, o Superior Vice-Provincial, padre José Francisco Wand escreveu no livro de ponto da paróquia que é absolutamente certo que o dia 31 de maio de 1931 seria sempre um dos mais memoráveis na história eclesiástica da Terra de Santa Cruz.

“Este dia significa para Aparecida o desenvolvimento grandioso das romarias”, afirmava a mensagem.

Ainda nos dias de hoje, o Santuário Nacional de Aparecida, local onde se encontra a Imagem da Padroeira do Brasil, aos cuidados dos Missionários Redentoristas acolhe centenas de romarias vindas de todas as partes do país.

A12.com / CDM- Centro de Documentação e Memória do Santuário Nacional / Catecismo Mariano

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Papa Francisco concede terceira Rosa de Ouro ao Santuário Nacional de Aparecida



O Papa Francisco concedeu uma Rosa de Ouro ao Santuário Nacional de Aparecida por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba do Sul.

A Rosa foi entregue ao Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, na noite dessa segunda-feira (9), no último dia da novena solene, pelo representante do Santo Padre, o cardeal Giovanni Battista Re.

“Agradecemos ao Papa Francisco o envio da Rosa de Ouro, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem da Mãe Aparecida no rio Paraíba do Sul. Obrigado, Santo Padre, por mais esta demonstração de amor, devoção e carinho para com Nossa Senhora Aparecida”, expressou Dom Orlando Brandes em uma carta.

Esta é a terceira Rosa de Ouro recebida pelo Santuário Nacional e a quarta concedida ao Brasil. O artefato pesa cerca de um quilo e mede aproximadamente 50 centímetros.

O Arcebispo explicou que o Papa Leão IX iniciou o costume de entregar uma Rosa de Ouro “para louvar e distinguir personalidades, santuários, cidades ou países”.

“É uma homenagem, uma honraria, um presente que os Papas costumam enviar para registrar a importância de fatos históricos, de acontecimentos marcantes, de gestos significativos em relação a personalidades”.

A primeira Rosa de Ouro recebida pelo Brasil foi concedida em 1888 pelo Papa Leão XIII à Princesa Isabel, como reconhecimento por ter assinado a Lei Áurea, por meio da qual aboliu a escravidão.

Por sua vez, o Santuário Nacional recebeu sua primeira Rosa de Ouro em 1967, concedida pelo Papa Paulo VI, em virtude do Jubileu de 250 anos do encontro da imagem. Em sua carta, Dom Orlando recordou as palavras do Pontífice por esta ocasião.

“Esta flor é expressão de afeto por este grande povo que nasceu sob o signo da Cruz e para seu progresso espiritual e material e símbolo do grande amor que o Papa consagra ao Brasil e ao Santuário de Aparecida”, escreveu Paulo VI.

A segunda Rosa foi concedida pelo Papa Bento XVI, em 2007, quando visitou Aparecida, onde abriu a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe. O hoje Papa emérito desejou, na ocasião, que “perseveremos na escola de Maria a fim de que sejamos discípulos missionários a serviço da vida”.

Agora, ao receber a terceira Rosa de Ouro, Dom Orlando expressou em um vídeo publicado pelo Santuário que, com isso, “o Papa diz: ‘amo com afeto, amo com grande amor o Santuário de Aparecida e o povo brasileiro”, além de demonstrar a “admiração por nossa igreja”.

“Vamos também com essa Rosa fazer do nosso Brasil um grande jardim, já que a Rosa é de ouro, a Palavra de Deus é ouro e que nós tenhamos também um coração de ouro. O nosso tesouro é a nossa fé”, acrescentou.


Aci Digital / A12.com

Paróquia celebra a Padroeira do Brasil: Confira os horários de Missas

Na próxima quinta-feira (12), o Brasil celebra os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul. Desde julho de 1930, Aparecida é padroeira do país por determinação do Papa Pio XI. Por ano, mais de 12 milhões de pessoas passam pelo maior Santuário Mariano do mundo. 

Em nossa Paróquia, ocorrerão quatro Missas em comemoração a esta importante data para o povo brasileiro.

Confira os horários:
- 9h Matriz
- 10h Gargaú (Capela de São Pedro)
- 19h30 Volta Redonda
- 19h30 Taquaruçu

Após a celebração na Matriz — que contará ainda com uma cerimônia de coroação, a Pastoral Anjinhos do Senhor promoverá uma festa para as crianças na praça São Francisco de Paula. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Aparecida: uma história de amor

Se alguém sair por aí perguntando: “Quem foi Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos?”, provavelmente ouvirá como resposta uma outra pergunta: “Quem?…” Esse português, nascido no século XVI, é mais conhecido pelo seu título de nobreza: “Conde de Assumar”. Seu nome é lembrado quando se conta a história do encontro da imagem que hoje chamamos de Aparecida – melhor, de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Vamos aos fatos. Era o mês de outubro de 1717. O Conde de Assumar iria passar pela localidade conhecida com o nome de Guaratinguetá, no estado de São Paulo. Viajavam com ele muitos outros portugueses, a caminho de Vila Rica, em Minas Gerais, pois o rei de Portugal lhe havia confiado uma desafiadora missão: ser seu representante, para garantir que um quinto do ouro que viesse a ser encontrado por qualquer pessoa ou grupo fosse enviado para Lisboa, sede do reino português.

Por onde passava, a caravana era recebida com homenagens e fartos almoços. Não poderia ser diferente pois, em Guaratinguetá, situada à margem do Rio Paraíba. Era natural que ali, nas refeições, o peixe fosse o prato principal. Mas era preciso pescá-lo!

Três pescadores – Felipe Pedroso, Domingos Martins Garcia e João Alves – foram ao rio e começaram as tentativas para garantir a refeição. Não sabemos muitos detalhes dessa pesca. O que sabemos é que, de repente, na rede havia o corpo de uma imagem; em seguida, foi encontrada a cabeça da mesma imagem de cerâmica, enegrecida pelo lodo.

Essa imagem ficou por quinze anos na casa de um deles – Felipe Pedroso –, onde foi colocada num altar. O povo, então, começou a ir ali para fazer orações e novenas, movido por uma convicção: a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui a única mediação de Cristo; antes, manifesta sua eficácia. Participamos da misericórdia de Cristo e de sua bondade. Por que, então, alguém não poderia participar de sua mediação?

Hoje, os peregrinos vão a Aparecida e olham para a pequena imagem de Maria. Essa imagem lhes lembra aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Desse olhar para a mãe, nasce nos peregrinos o olhar para Jesus, o Filho de Deus, o Salvador.

Em Aparecida, passados 300 anos, o povo mostra seu amor a Maria através de várias expressões de fé: celebrações, orações, novenas, Rosário… Depois, leva o que ali aprendeu para suas comunidades. Seria importante que, em nossos lares, isso se repetisse e nunca faltasse, junto com a leitura da Palavra de Deus, a oração do Terço e outras manifestações da piedade popular. Maria Santíssima poderá, então, conduzir cada pessoa e cada famílias pelos caminhos de seu Filho Jesus.


Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de Salvador

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Qual a diferença entre o Dízimo e a oferta na Missa?

A Igreja nos convida a sermos dizimistas e todos somos chamados a fazer doação. Mas muitos se perguntam: se eu já sou dizimista ou se a Igreja Católica pede o dízimo, porque ainda recolher aquela doação no momento da apresentação das Ofertas na Missa?

Acontece que o Dízimo é uma contribuição comprometida com sua comunidade que precisa ser feita periodicamente, normalmente, uma vez ao mês, conforme as condições de cada fiel. É um exercício de doação e partilha em que o cristão se mostra disponível a cuidar das dimensões religiosa, social e missionária.

Já a Oferta é algo que se dá além do dízimo, é uma entrega sem compromisso que podemos fazer em qualquer igreja, sem necessariamente ter uma periodicidade. Além da contribuição financeira, ela também pode ser feita por meio de doação de alimentos, materiais, roupas, entre outras coisas. É uma doação a mais que podemos fazer espontaneamente para auxiliar determinada igreja e até mesmo os irmãos mais necessitados que frequentam a comunidade.

Mas por que a coleta é feita durante a Missa?

O ofertório é o momento propício em que os fiéis podem demonstrar sua participação e seu comprometimento, pois apresentam os frutos de seu trabalho. Antigamente, o próprio povo levava o pão e o vinho de suas casas. Hoje, uma das maneiras de apresentar os frutos de nosso trabalho é essa oferta em dinheiro. Desta maneira, temos a oportunidade de unir nossa oferta, nosso sacrifício à oferta e sacrifício de Jesus que nos dá seu corpo e sangue.

Jovens de Maria - A12.com

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Veja dicas para conhecer melhor a Bíblia

Desde 1971, todos os anos no mês de setembro há um esforço católico em conjunto nas dioceses e paróquias para homenagear e conhecer mais a Bíblia. Grupos se organizam e se mobilizam nas mais diversas áreas: liturgia, estudos bíblicos, comunicação etc. O mês é encerrado com o Dia da Bíblia, 30 de setembro, dia de São Jerônimo, modelo exemplar de estudo e amor a Sagrada Escritura”. Em nossa Paróquia, acontece no último domingo do mês a Procissão da Bíblia, que reúne todas as comunidades paroquiais. 

Este ano de 2017 a Igreja mostra o tema: "Para que n'Ele nossos povos tenham vida" (Primeira Carta aos Tessalonicenses) e o lema: "Anunciar o Evangelho e doar a própria vida" (cf. 1Ts 2,8).

Veja aqui dicas importantes que o Jornal Santuário preparou para você conhecer melhor a Bíblia.

1. O que é a Bíblia?
Na explicação do missionário redentorista, Padre Domingos Sávio, a Bíblia é Palavra de Deus para nós. “Na segunda carta de São Paulo à Timóteo, capítulos 15 a 17, podemos ver que as escrituras têm o poder de comunicar a sabedoria que conduz a Salvação pela fé no Cristo Jesus. Toda escritura é inspirada por Deus e é útil para argumentar, ensinar, para corrigir, para educar conforme a justiça. Deus em Jesus nos ensinou sobre a sua vida e, então, é na bíblia que temos de buscar Deus, como Ele vive e como Deus quer que nós vivamos e qual proposta de vida tem para nós”, explica.

2. E por que ler a Bíblia?
O biblista Francisco Orofino responde que é importante ler porque a Bíblia é a Palavra de Deus para nós. “Esta é a Palavra, que ressoa na história do Povo de Deus ao longo do tempo, e que foi sendo fixada por escrito. A Bíblia é a biblioteca da Revelação divina, ou seja, ela preserva todo esforço de Deus em se comunicar conosco. Apesar desta antiguidade, a Bíblia, para nós católicos, aparece como uma novidade surpreendente: também hoje Deus quer se comunicar conosco. As comunidades estão descobrindo nela a vontade de Deus para nós, querendo nossa felicidade, nossa libertação, nossa redenção.”

O missionário redentorista, Padre Antônio Clayton de Sant’Anna, afirma que a Bíblia é também o livro da vida. A vida humana conhece e experimenta o sofrimento, a provação, a tentação. A Palavra de Deus é anunciada, é “ingerida” e vivida nas alegrias e dores do viver. “Precisamos aprender não só a ler, mas também a iluminar as angústias, aflições e desânimos da fraqueza humana. Em todos os livros bíblicos aparece o clamor suplicante do justo perseguido levantando o olhar para Deus em busca de socorro. Acolhida, a Palavra explica, refaz, e gera continuamente caminhos novos na vida. Os Evangelhos mencionam essa experiência inclusive na vida de Jesus, dos seus apóstolos e primeiras comunidades cristãs.”

Já a mestre em filosofia da religião, Ana Alice Matiello, diz que ler a Bíblia significa tornar-se consciente da história humana, especificamente do povo semítico, em sua relação particular com Deus. Por isso, ler a Bíblia é importante para conhecer os relatos reais e possíveis da formação da identidade de um povo e da sua transmissão na identidade da nova aliança em Cristo. “Nas narrativas da Bíblia estão configuradas as mais intensificadas realidades e potencialidades da vida humana em seus dramas históricos junto à intervenção de Deus”, conta.

3. O que são os Evangelhos no conjunto de toda a Bíblia?
Toda a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse é a Palavra de Deus, mas segundo padre Domingos Sávio, os Evangelhos são o ponto mais importante dentro da Palavra de Deus, pois nos traz Jesus. “Ele, Jesus é a palavra, a última Palavra que Deus gostaria de dizer, aquela que Deus tinha o mais profundo dele mesmo, em vez de mandar Isaias falar o queria dizer ao povo, Deus, o Pai, manda Jesus que é a Palavra encarnada de Deus. O que Deus quer dizer para nós, ele nos diz em Jesus.”

Ele também destaca que tudo que vem antes do Evangelho é preparação para Jesus e tudo que vem depois é para ajudar a viver o auge que é Jesus.

Francisco Orofino reforça que os quatro Evangelhos são fundamentais para conhecermos os gestos e as palavras de Jesus, bem como sua Paixão, Morte e Ressurreição. Mas todo o Novo Testamento quer mostrar como Jesus aponta um caminho seguro para se chegar ao convívio com Deus.

4. Dicas para ler bem
A leitura bem-feita ajuda o leitor a analisar o texto e a situá-lo em seu contexto de origem. Veja dicas importantes.

- Aproxime-se do texto através de perguntas bem simples: Quem escreve o texto? Onde? Por quê? Quando? Para quem escreve?

- Analise a situação histórica em dimensões como: econômica, social, política, ideológica, afetiva, antropológica e outras. Trata-se de descobrir os conflitos que estão na origem do texto para, assim, perceber melhor a encarnação da Palavra de Deus na realidade conflitava da história humana, tanto deles como na nossa.

- Descubra qual imagem de Deus aparece e o que Ele tinha a dizer ao povo naquela situação histórica; o que Ele significava e como Ele se revelava; como o povo assumia e celebrava a Palavra do Senhor. Resumindo: ler o texto dentro do contexto para não se ter pretexto para manipular o texto. O método é apenas uma ferramenta para facilitar a leitura da Bíblia.

- Siga os passos propostos, pois ajuda a pessoa a não se perder no caminho. No entanto, com o tempo, por meio do estudo e da convivência com o povo, cada um vai encontrando o seu próprio jeito de estudar e saborear um texto bíblico.

- A busca da mensagem do texto para a época em que foi escrito é importante, mas essa mensagem só estará completa quando interpretamos e atualizamos o texto para o contexto da nossa realidade. A meditação tem como objetivo responder às perguntas: O que há de semelhante e diferente entre a situação do texto com a minha vida? Este texto que acabei de ler traz luz, esperança, novo alento para nós hoje? O que esse texto ilumina nos desafios que enfrentamos hoje?

- A contemplação também ajuda a entender o que Deus está querendo.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Por que agosto é o mês vocacional?

Todo ano em agosto celebramos em nossas Igrejas o Mês Vocacional. Mas, você já parou para se perguntar por que temos essas comemorações no Brasil?

Em 1981, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua 19ª Assembleia Geral, instituiu agosto como o Mês Vocacional. O objetivo principal era o de conscientizar as comunidades da responsabilidade que compartilham no processo vocacional.

É por isso que cada domingo do mês de agosto é dedicado à celebração de uma determinada vocação. No primeiro, celebra-se sacerdócio e os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio junto à semana da Família; no terceiro, a vida consagrada, e por fim, no quarto, a vocação dos Leigos.

Mesmo após 35 anos da instituição do Mês Vocacional, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, dom Jaime Spengler, diz que ainda é preciso criar uma cultura vocacional na juventude católica.

“Quando falamos de vocação ou de cultura vocacional, quase sempre temos em mente os ministérios ordenados ou a vida consagrada. Na verdade, trata-se de uma compreensão muito mais ampla da questão. Quanto é necessário, por exemplo, que nas diversas dimensões da vida social haja pessoas leigas, comprometidas com a fé, dispostas a cooperar em construir um mundo um pouco melhor para as futuras gerações”, afirmou em entrevista ao site da CNBB, ressaltando:

“Urge apresentar aos jovens e adolescentes os distintos caminhos do serviço do Senhor e do seu Reino: como leigos engajados nos diversos âmbitos da vida social; casados que assumem o compromisso do matrimônio; consagrados por causa do Reino dos Céus; e ministros ordenados a serviço do povo, nas diversas comunidades de fé”.


Jovens de Maria - A12.com

terça-feira, 11 de julho de 2017

A medalha de São Bento é a medalha da Santa Cruz


O sacramental é atribuído ao santo, porém o poder está na cruz de Cristo


São Bento foi um homem sedento de Deus. Segundo São Gregório Magno, seu biógrafo, em tudo ele quis agradar a Deus. Colocava o amor ao Senhor sobre todas as coisas, por isso foi um homem silencioso, obediente e humilde.

A medalha de São Bento é conhecida no mundo todo. Porém, não foi o santo quem a cunhou. Em sua época, os sacramentais não eram comuns. Esse santo ficou muito famoso, em sua época, pelo sinal da santa cruz. Certa vez, ofereceram-lhe um cálice envenenado; quando ele traçou o sinal da cruz sobre o objeto, o cálice se partiu e dele saiu uma cobra. Outra vez, aconteceu de lhe darem um pão envenenado; mais uma vez, ao traçar o sinal da cruz, um corvo voou em direção à sua mão e levou o pão embora.

A medalha de São Bento é a medalha da santa cruz. No século XI, na Alemanha, a esposa de um conde sonhou que um homem lhe falava, em sonho, que seu filho Bruno seria um grande homem. Tempos depois, esse mesmo rapaz ficou muito doente e viu a imagem de um homem que lhe colocava uma cruz sobre os lábios e o curava. O homem do sonho e da visão eram São Bento. A partir de então, começou a se cunhar a medalha desse santo e propagar sua devoção pelo mundo inteiro.

O sacramental é atribuído ao santo, porém o poder está na cruz de Cristo, temida pelo demônio, e na fé de cada cristão. O mais importante, portanto, não é São Bento, mas a santa cruz, Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A Cruz Sagrada seja minha luz”. A medalha que conhecemos, hoje, com as iniciais da oração dedicada a São Bento, teve origem no mosteiro de Monte Cassino, onde São Bento viveu e seu corpo foi sepultado.

Historicamente, não há como afirmar que foi o santo o autor dessa oração inscrita na medalha. Porém, existem nela palavras que se referem à vida dele. A oração tem como centro o pedido de que a cruz de Cristo seja a luz daquela pessoa e são as iniciais das palavras latinas que formam os versos seguintes:

C.S.P.B. : Crux Sancti Patris Benedicti – Cruz do Patriarca São Bento

Na linha vertical da cruz se lê:


C.S.S.M.L.: Crux Sacra Sit Mihi Lux – A Cruz sagrada seja minha luz

Na linha horizontal:
N.D.S.M.D.: Non Draco Sit Mihi Dux – Não seja o dragão o meu guia

Em torno da medalha:


V.R.S.: Vade Retro, Satana – Afasta-te Satanás

N.S.M.V.: Nunquam Suade Mihi Vana – Nunca me aconselhe coisas vãs

S.M.Q.L.: Sunt Mala Quae Libas – É mal o que me ofereces

I.V.B.: Ipse Venena Bibas – Beba tu dos teus venenos

Os devotos a utilizam de diversas outras formas, como para defesa contra animais peçonhentos, colocando-a sobre uma parte do corpo com enfermidade, ou colocando-a na água e, depois, dando esta água de beber para um animal doente, dentre tantas outras maneiras. O que não pode ser feito é usar a medalha como um amuleto ou como um objeto mágico. Mais que a utilizar contra o maligno ou qualquer outra devoção, ela deve ser usada como testemunho de fé.

Pela intercessão de São Bento, poderoso na luta contra o veneno do pecado, que Deus abençoe a cada um!

Dom Paulo Panza
Reitor do mosteiro de São Bento em Vinhedo (SP) - Canção Nova 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Catequese: Por que devo fazer o sinal da cruz quando passo por uma igreja?

Conheça a importância do sinal da cruz para o cristão


O sacrifício de Jesus Cristo é o sinal maior do amor de Deus por nós. Para que pudéssemos nos ver livres do pecado, Aquele que viveu livre dele foi condenado e crucificado, e, em Seu sacrifício, traçou sobre o mundo o sinal da cruz. Nas Palavras do Papa Francisco, “a cruz de Jesus é a nossa única esperança verdadeira! Eis por que a Igreja ‘exalta’ a santa cruz, e eis por que nós cristãos abençoamos com o sinal da cruz”. Podemos ler, nos Evangelhos de Lucas e Mateus, o convite dirigido a nós por Jesus: “Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz” (Mt 16,24 e Lc 9,23). Traçar sobre nosso corpo esse sinal é professar nossa fé sem palavras.

Em que momentos podemos ou devemos fazer o sinal da cruz?
Na celebração da Santa Missa, em observância ao rito litúrgico, há momentos em que o sinal da cruz se apresenta como obrigatório, como se faz no início e ao fim da celebração. Também é traçado o sinal da cruz em reverência à leitura do Evangelho, com o polegar da mão direita, sobre si mesmo, na testa, na boca e no peito. Nesses momentos, ao traçar sobre o corpo o sinal da cruz, que se faça com a devida devoção, eis que é na sagrada liturgia que se opera a santificação dos homens e na qual, por meio de sinais sensíveis, prestamos o culto público de Deus. E a todo momento, em nosso cotidiano, ao professar a fé pelo sinal da cruz, lembremo-nos das palavras de São Paulo: “De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo, pois a linguagem da cruz é louca para aqueles que se perdem. Mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1,17-18).

Professar a fé sem palavras é expressão sutil e humilde de devoção e não deve ser empregue sem a adequada veneração, sob o risco de fazê-lo de modo supersticioso. Com efeito, não há obrigatoriedade em traçar o sinal da cruz ao passar por uma igreja, o que não diminui seu significado. É que, no Cerimonial dos Bispos, no número 110, verifica-se a citação de uma antiga prática cristã no uso da água benta, que diz: “Seguindo louvável costume, todos, ao entrar na igreja, molham a mão na água benta, contida na respectiva pia, e fazem com ela o sinal da cruz, como recordação do seu próprio batismo”. Daí, verifica-se o costume de muitas pessoas em traçar o sinal da cruz ao entrar na igreja, que, em sinal de respeito e devoção, foi se estendendo para o exterior do templo, até que tomou a forma que vemos muitos cristãos praticarem atualmente, de traçar sobre si o sinal da cruz ao passar na frente de uma igreja.

Faça o sinal da cruz

Certos de que a força de Deus nos acompanha em nossas provações diárias, façamos do sinal da cruz um gesto de fortalecimento e profissão de fé, atentos para que sempre que o traçarmos, seja com o coração repleto de devoção. Como nos ensina o Santo Papa João Paulo II: “Quem quer que seja que acolha Deus em Cristo, acolhe-O mediante a cruz. E quem acolheu Deus em Cristo, exprime isso mesmo mediante esse sinal: quem O aceitou, efetivamente, benze-se com o sinal da cruz sobre a fronte, sobre os ombros e sobre o peito, para manifestar e para professar que, na cruz, encontra-se de novo totalmente a si mesmo, alma e corpo, e que com este sinal abraça e aperta ao peito Cristo e o seu reino”.

Luis Gustavo Conde
Canção Nova 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Papa: cristão não precisa de horóscopo, deve ser aberto às surpresas de Deus

Na Missa desta segunda-feira (26), Papa falou de algumas características do cristão, enfatizando o caminhar rumo às surpresas de Deus


O Papa Francisco celebrou nesta segunda-feira (26) a Missa na capela da Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano. Ele destacou que o verdadeiro cristão não é aquele que se instala e fica parado, mas que confia em Deus e se deixa guiar num caminho aberto às surpresas do Senhor.

Citando a Primeira Leitura, extraída do Livro do Gêneses, Francisco refletiu sobre Abraão, pois nele há o estilo da vida cristã, baseado em três dimensões: o despojamento, a promessa e a benção. “O Senhor exorta Abraão a sair de seu país, de sua pátria, da casa de seu pai”, recordou o Papa.

“O ser cristão tem sempre esta dimensão do despojamento que encontra a sua plenitude no despojamento de Jesus na Cruz. Sempre há um vai, um deixa, para dar o primeiro passo: ‘Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai’. Se fizermos memória, veremos que nos Evangelhos a vocação dos discípulos é um ‘vai’, ‘deixa’ e ‘vem’. Também nos profetas, não é? Pensemos a Eliseu, trabalhando a terra: ‘Deixa e vem’.”

“Os cristãos”, acrescentou o Papa, “devem ter a capacidade de serem despojados, caso contrário não são cristãos autênticos, como não são aqueles que não se deixam despojar e crucificar com Jesus. Abraão obedeceu pela fé, partindo para a terra a ser recebida como herança, mas sem saber o destino preciso. 


Horóscopos não
“O cristão não tem um horóscopo para ver o futuro. Não procura a necromante que tem a esfera de cristal, para que leia a sua mão. Não, não. Não sabe aonde vai. Deve ser guiado. Esta é a primeira dimensão de nossa vida cristã: o despojamento. Mas, por que o despojamento? Para uma ascese parada? Não, não! Para ir em direção a uma promessa. Esta é a segunda. Somos homens e mulheres que caminham para uma promessa, para um encontro, para algo, uma terra, diz a Abraão, que devemos receber como herança”.

No entanto, enfatizou Francisco, Abraão não edifica uma casa, mas levanta uma tenda, indicando que está a caminho e confia em Deus, portanto, constrói um altar para adorar ao Senhor. Então, continuar a caminhar é estar sempre em caminho.

“O caminho começa todos os dias na parte da manhã; o caminho de confiar no Senhor, o caminho aberto às surpresas do Senhor, muitas vezes não boas, muitas vezes feias – pensemos em uma doença, uma morte – mas aberto, pois eu sei que Tu me irás conduzir a um lugar seguro, a um terra que preparaste para mim; isto é, o homem em caminho, o homem que vive em uma tenda, uma tenda espiritual. Nossa alma, quando se ajeita muito, se ajeita demais, perde essa dimensão de ir em direção da promessa e em vez de caminhar em direção da promessa, carrega a promessa e possui a promessa. E não deve ser assim, isso não é realmente cristão”.

A outra característica elencada pelo Papa é a benção, isto é, o cristão é um homem, uma mulher que abençoa, que fala bem de Deus e fala bem dos outros e que é abençoado por Deus e pelos outros para ir para frente. Este é o esquema da vida cristã, disse o Papa, porque todo mundo, também” os leigos, devem abençoar os outros, falar bem dos outros e falar bem a Deus dos outros.

“Muitas vezes – acrescentou o Pontífice – estamos acostumados a não falar bem do próximo, quando ‘a língua se move um pouco como quer’, em vez de seguir o mandamento que Deus confia ao nosso pai Abraão, como síntese da vida: de caminhar, deixando-se despojar pelo Senhor e confiando em suas promessas, para sermos irrepreensíveis”. Enfim, concluiu Francisco, a vida cristã é “tão simples”.

Rádio Vaticano - Canção Nova

terça-feira, 20 de junho de 2017

Rezar o Terço traz paz à Igreja e ao mundo, explica Papa Francisco

Francisco afirma que oração simples do Terço ajuda a contemplar tudo o que Deus, em seu amor, fez pela humanidade

O Terço é um instrumento poderoso que traz paz aos nossos corações, à Igreja e ao mundo. É o que afirma o Papa Francisco em uma videomensagem enviada neste domingo, 18, ao Bispo da Diocese de Gozo, em Malta, Dom Mario Grech, por ocasião da inauguração dos mosaicos do Santuário da Virgem de Ta Pinu.

Os mosaicos são três, e representam a Virgem com o Menino, São João Batista e São Paulo. As três obras foram colocadas na entrada principal do Santuário e foram feitas pelo Centro Aletti.

Em um grande “abraço de mosaicos estão esperando por você Jesus e a sua Mãe”. O Papa Francisco descreve assim a obra inaugurada no Santuário da Virgem de Ta Pinu. Uma imagem que “põe diante dos nossos olhos a beleza de uma oração contemplativa simples, acessível a todos, jovens e idosos: a oração do Terço”, sublinha o Pontífice.

“Eu, muitas vezes, recito o Terço diante de um mosaico: um pequeno mosaico de Nossa Senhora com o Menino, onde parece que no centro está Maria, enquanto na verdade Ela, usando as suas mãos, torna-se uma espécie de escada através da qual Jesus pode descer até nós. O centro é sempre Jesus, que se abaixa para caminhar com nós homens, para que possamos subir ao céu com Ele”.

Na oração do Terço, continua o Papa na videomensagem, “nós nos dirigimos à Virgem Maria, para que nos conduza sempre mais perto do seu Filho, Jesus, para conhecê-Lo e amá-Lo sempre mais”. Observou ainda que, enquanto “meditamos sobre as etapas da vida de Cristo nos detemos também sobre a nossa vida porque nós caminhamos com o Senhor”.

Francisco destacou ainda que a oração do terço, na verdade, ajuda a contemplar tudo o que Deus, em seu amor, fez pela humanidade, e mostra como a vida humana está unida à vida de Cristo.

“Rezando, nós levamos tudo a Deus: os cansaços, as feridas, os medos, mas também as alegrias, os dons, os entes queridos… tudo a Deus. Rezando, nós permitimos a Deus entrar em nosso tempo, acolher e transfigurar tudo o que vivemos. Usem frequentemente este instrumento poderoso que é a oração do Terço, porque traz a paz aos corações, às famílias, à Igreja e ao mundo”.


Canção Nova - Rádio Vaticano

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O amor de Deus é incondicional, lembra Papa na catequese

Catequese desta quarta-feira (14) do Papa Francisco foi inspirada na parábola do Filho Pródigo

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira (14) foi inspirada na parábola do Filho Pródigo e na necessidade que todos têm de ser amados.

“Ninguém pode viver sem amor e não devemos crer que o amor deva ser merecido, que se não formos belos, atraentes e fortes, ninguém pensará em nós”, afirmou Francisco diante das cerca de 20 mil pessoas presentes na Praça.

“Os narcisismos do homem nascem de sua solidão; é possível que ninguém esteja disposto a querer bem gratuitamente a outra pessoa?”, questionou o Papa. “Não seria um mundo, mas um inferno”, advertiu.

Por detrás de tantas formas de ódio social e delinquência, existe quase sempre um coração não-reconhecido, disse o Papa. Ele destacou que não há crianças ou adolescentes maus, mas pessoas infelizes.

Francisco ressaltou ainda que somente a experiência de dar e receber amor faz o homem feliz, um amor como o de Deus: vem antes de tudo e é incondicionado. Deus não ama por alguma razão, mas porque Ele mesmo é amor e o amor tende, por natureza, a se difundir, a se doar.

Citando São Paulo, o Papa explicou que “a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores”, ou seja, distantes, como o Filho Pródigo. “Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e foi tomado de compaixão”, segundo narrado por Lucas, o evangelista.

Amor de mãe e pai não tem igual

“Quem de nós ama desta maneira, senão um pai ou mãe? Mães continuam querendo bem a seus filhos mesmo quando estão encarcerados, nunca deixam de sofrer por eles e os amam mesmo sendo pecadores. Deus faz o mesmo conosco: somos seus filhos amados! (…) É Nele, em Jesus, que fomos queridos, amados, desejados; Ele imprimiu em nós uma beleza primordial que nenhum pecado ou escolha errada na vida pode cancelar”.

Concluindo a catequese, o Papa perguntou aos fiéis: “para curar o coração de uma pessoa infeliz, qual seria o remédio?”. Ele respondeu que é preciso, antes de tudo, abraçá-la, para que sinta que é desejada, que é importante, e deixar de ser triste. Amor chama amor. “Jesus não morreu e ressuscitou para si mesmo, mas por nós, para que nossos pecados sejam perdoados. Assim, é tempo de ressurreição para todos: é hora de salvar os pobres do desencorajamento, principalmente aqueles que jazem no sepulcro há bem mais que três dias. Sopra aqui, sobre nossos rostos, um vento de libertação; germina aqui o dom da esperança, a do Deus-pai que nos ama sempre e como somos, bons ou maus”.


Rádio Vaticano - Canção Nova

terça-feira, 13 de junho de 2017

Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo: um dia de amor e reparação

Eucaristia: fonte e centro de toda a vida cristã

Todos os anos, na Quinta-Feira depois do Domingo da Santíssima Trindade, a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. Trata-se de uma Liturgia por meio da qual a Igreja manifesta o seu amor ao Mistério da Presença Real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento e faz reparação por tudo aquilo que desrespeita essa tão sublime presença. Neste dia, os cristãos católicos prestam sua adoração a Cristo, reconhecendo no Pão e no Vinho consagrados o Seu Corpo, o Seu Sangue, a Sua Alma e Divindade.

Se pensarmos bem, a Liturgia da Igreja já possui um momento de profundo apelo Eucarístico: a Celebração da Ceia do Senhor, e, por consequência, todo o Tríduo Pascal. Entretanto, por causa da “densidade teológica e espiritual” dos dias da Páscoa, não se pode realçar com mais tempo algumas das nuances do Mistério de Cristo na Eucaristia, pois isso poderia ofuscar outras nuances igualmente importantes. Deste modo, o “todo” da Páscoa poderia ficar prejudicado. O Espírito cuidou, em Sua providência, que, ao longo da história, se pudesse encontrar ocasião de prestar especial adoração ao Santíssimo Sacramento, um ato devocional que se tornou “fonte inesgotável de santidade”.

A liturgia de Corpus Christi tem uma história que demonstra, ao mesmo tempo, o perigo do erro e do desvio da fé, bem como o amor e a defesa da verdadeira Doutrina. No século XI, havia entre os mestres da escola adjacente à Catedral de Chartres, na França, um estudioso chamado Berengário, nascido em Tours. Homem de uma grandiosa erudição, Berengário dedicou-se ao estudo da Lógica e da Teologia. Ao expor suas teses sobre a Eucaristia, ele acabou por negar a presença real de Jesus neste Santíssimo Sacramento. Isso se configurou como uma heresia, ou seja, um desvio daquilo que tradicionalmente era pregado pela Doutrina Cristã. Do ponto de vista teológico, muitos estudiosos se dedicaram a refutar os seus textos. Mas a refutação teológica não foi a única resposta a este desvio de fé. Também na oração do povo foi surgindo uma crescente devoção reparadora. A isso se somem algumas experiências místicas bonitas em torno da Eucaristia, tanto na Bélgica como em Bolsena na Itália, onde ocorreu um Milagre Eucarístico. O Papa Urbano IV (1262-1264) pediu que se levasse a relíquia de tal Milagre, de Bolsena a Orvieto. E isso foi feito em procissão. Para oficializar esse costume, o mesmo Papa, em 11 de agosto de 1264, publicou a bula Transiturus de Mundo, pela qual se mandava celebrar em todo o orbe católico a Solenidade de Corpus Christi, na quinta-feira após a “oitava de Pentecostes”, oitava esta extinta após a reforma litúrgica.

Embora já não estejamos mais no período medieval, no qual surgiu esta Festa, urge ainda em nossa época reconhecer a presença sacramental de Jesus na Eucaristia. O dia de Corpus Christi ainda deseja “remediar” as faltas cometidas contra este sacramento, a começar pelas mais explícitas, como os atos sacrílegos. A reparação eucarística se presta a sanar também faltas menos explícitas, mas nem por isso sem gravidade. Essa data quer chamar a atenção dos fiéis, dos estudiosos e daqueles que são responsáveis pela propagação da fé, para as ideias teológicas que aqui e ali surgem, em meios eclesiais, e que divergem da Doutrina Católica a respeito da Eucaristia. Tem ainda o intuito de despertar para as consequências sociais da participação no Sacramento da Comunhão. Afinal, aquele que diz “Amém”, diante do Corpo do Senhor, deve lembrar-se de partilhar o próprio pão de cada dia, para que ele falte menos à mesa dos irmãos mais carentes.

Por fim, sendo a Eucaristia “fonte e centro de toda a vida cristã”, ela edifica a Igreja. Na Última Ceia, ao dar à Comunidade Apostólica o Sacramento da Nova e Eterna Aliança, Cristo dava com ele a capacidade de a Igreja manter-se unida. De fato, “pela comunhão eucarística, a Igreja é consolidada na sua unidade de corpo de Cristo”. Por causa disso, Corpus Christi é também a Festa da Unidade. Por isso, festejemos o Corpo e o Sangue do Senhor, que é nosso grandioso tesouro. Participemos, adoremos, reparemos. Tenhamos atenção aos mais simples, tenhamos fé madura e comprometida com a Igreja. Que a virtude da fé venha como suplemento, completar aquilo que os nossos sentidos são capazes de captar, para nos fazer entrever no Pão e no Vinho consagrados Àquele que veremos face a face nos céus (cf. 1Cor 13,12). Feliz celebração a todos!

Padre Eduardo Nunes Pugliesi
Canção Nova