terça-feira, 11 de julho de 2017

A medalha de São Bento é a medalha da Santa Cruz

O sacramental é atribuído ao santo, porém o poder está na cruz de Cristo

São Bento foi um homem sedento de Deus. Segundo São Gregório Magno, seu biógrafo, em tudo ele quis agradar a Deus. Colocava o amor ao Senhor sobre todas as coisas, por isso foi um homem silencioso, obediente e humilde.

A medalha de São Bento é conhecida no mundo todo. Porém, não foi o santo quem a cunhou. Em sua época, os sacramentais não eram comuns. Esse santo ficou muito famoso, em sua época, pelo sinal da santa cruz. Certa vez, ofereceram-lhe um cálice envenenado; quando ele traçou o sinal da cruz sobre o objeto, o cálice se partiu e dele saiu uma cobra. Outra vez, aconteceu de lhe darem um pão envenenado; mais uma vez, ao traçar o sinal da cruz, um corvo voou em direção à sua mão e levou o pão embora.

A medalha de São Bento é a medalha da santa cruz. No século XI, na Alemanha, a esposa de um conde sonhou que um homem lhe falava, em sonho, que seu filho Bruno seria um grande homem. Tempos depois, esse mesmo rapaz ficou muito doente e viu a imagem de um homem que lhe colocava uma cruz sobre os lábios e o curava. O homem do sonho e da visão eram São Bento. A partir de então, começou a se cunhar a medalha desse santo e propagar sua devoção pelo mundo inteiro.

O sacramental é atribuído ao santo, porém o poder está na cruz de Cristo, temida pelo demônio, e na fé de cada cristão. O mais importante, portanto, não é São Bento, mas a santa cruz, Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A Cruz Sagrada seja minha luz”. A medalha que conhecemos, hoje, com as iniciais da oração dedicada a São Bento, teve origem no mosteiro de Monte Cassino, onde São Bento viveu e seu corpo foi sepultado.

Historicamente, não há como afirmar que foi o santo o autor dessa oração inscrita na medalha. Porém, existem nela palavras que se referem à vida dele. A oração tem como centro o pedido de que a cruz de Cristo seja a luz daquela pessoa e são as iniciais das palavras latinas que formam os versos seguintes:

C.S.P.B. : Crux Sancti Patris Benedicti – Cruz do Patriarca São Bento

Na linha vertical da cruz se lê:


C.S.S.M.L.: Crux Sacra Sit Mihi Lux – A Cruz sagrada seja minha luz

Na linha horizontal:
N.D.S.M.D.: Non Draco Sit Mihi Dux – Não seja o dragão o meu guia

Em torno da medalha:


V.R.S.: Vade Retro, Satana – Afasta-te Satanás

N.S.M.V.: Nunquam Suade Mihi Vana – Nunca me aconselhe coisas vãs

S.M.Q.L.: Sunt Mala Quae Libas – É mal o que me ofereces

I.V.B.: Ipse Venena Bibas – Beba tu dos teus venenos

Os devotos a utilizam de diversas outras formas, como para defesa contra animais peçonhentos, colocando-a sobre uma parte do corpo com enfermidade, ou colocando-a na água e, depois, dando esta água de beber para um animal doente, dentre tantas outras maneiras. O que não pode ser feito é usar a medalha como um amuleto ou como um objeto mágico. Mais que a utilizar contra o maligno ou qualquer outra devoção, ela deve ser usada como testemunho de fé.

Pela intercessão de São Bento, poderoso na luta contra o veneno do pecado, que Deus abençoe a cada um!

Dom Paulo Panza
Reitor do mosteiro de São Bento em Vinhedo (SP) - Canção Nova 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Catequese: Por que devo fazer o sinal da cruz quando passo por uma igreja?

Conheça a importância do sinal da cruz para o cristão


O sacrifício de Jesus Cristo é o sinal maior do amor de Deus por nós. Para que pudéssemos nos ver livres do pecado, Aquele que viveu livre dele foi condenado e crucificado, e, em Seu sacrifício, traçou sobre o mundo o sinal da cruz. Nas Palavras do Papa Francisco, “a cruz de Jesus é a nossa única esperança verdadeira! Eis por que a Igreja ‘exalta’ a santa cruz, e eis por que nós cristãos abençoamos com o sinal da cruz”. Podemos ler, nos Evangelhos de Lucas e Mateus, o convite dirigido a nós por Jesus: “Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz” (Mt 16,24 e Lc 9,23). Traçar sobre nosso corpo esse sinal é professar nossa fé sem palavras.

Em que momentos podemos ou devemos fazer o sinal da cruz?
Na celebração da Santa Missa, em observância ao rito litúrgico, há momentos em que o sinal da cruz se apresenta como obrigatório, como se faz no início e ao fim da celebração. Também é traçado o sinal da cruz em reverência à leitura do Evangelho, com o polegar da mão direita, sobre si mesmo, na testa, na boca e no peito. Nesses momentos, ao traçar sobre o corpo o sinal da cruz, que se faça com a devida devoção, eis que é na sagrada liturgia que se opera a santificação dos homens e na qual, por meio de sinais sensíveis, prestamos o culto público de Deus. E a todo momento, em nosso cotidiano, ao professar a fé pelo sinal da cruz, lembremo-nos das palavras de São Paulo: “De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo, pois a linguagem da cruz é louca para aqueles que se perdem. Mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1,17-18).

Professar a fé sem palavras é expressão sutil e humilde de devoção e não deve ser empregue sem a adequada veneração, sob o risco de fazê-lo de modo supersticioso. Com efeito, não há obrigatoriedade em traçar o sinal da cruz ao passar por uma igreja, o que não diminui seu significado. É que, no Cerimonial dos Bispos, no número 110, verifica-se a citação de uma antiga prática cristã no uso da água benta, que diz: “Seguindo louvável costume, todos, ao entrar na igreja, molham a mão na água benta, contida na respectiva pia, e fazem com ela o sinal da cruz, como recordação do seu próprio batismo”. Daí, verifica-se o costume de muitas pessoas em traçar o sinal da cruz ao entrar na igreja, que, em sinal de respeito e devoção, foi se estendendo para o exterior do templo, até que tomou a forma que vemos muitos cristãos praticarem atualmente, de traçar sobre si o sinal da cruz ao passar na frente de uma igreja.

Faça o sinal da cruz

Certos de que a força de Deus nos acompanha em nossas provações diárias, façamos do sinal da cruz um gesto de fortalecimento e profissão de fé, atentos para que sempre que o traçarmos, seja com o coração repleto de devoção. Como nos ensina o Santo Papa João Paulo II: “Quem quer que seja que acolha Deus em Cristo, acolhe-O mediante a cruz. E quem acolheu Deus em Cristo, exprime isso mesmo mediante esse sinal: quem O aceitou, efetivamente, benze-se com o sinal da cruz sobre a fronte, sobre os ombros e sobre o peito, para manifestar e para professar que, na cruz, encontra-se de novo totalmente a si mesmo, alma e corpo, e que com este sinal abraça e aperta ao peito Cristo e o seu reino”.

Luis Gustavo Conde
Canção Nova 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Papa: cristão não precisa de horóscopo, deve ser aberto às surpresas de Deus

Na Missa desta segunda-feira (26), Papa falou de algumas características do cristão, enfatizando o caminhar rumo às surpresas de Deus


O Papa Francisco celebrou nesta segunda-feira (26) a Missa na capela da Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano. Ele destacou que o verdadeiro cristão não é aquele que se instala e fica parado, mas que confia em Deus e se deixa guiar num caminho aberto às surpresas do Senhor.

Citando a Primeira Leitura, extraída do Livro do Gêneses, Francisco refletiu sobre Abraão, pois nele há o estilo da vida cristã, baseado em três dimensões: o despojamento, a promessa e a benção. “O Senhor exorta Abraão a sair de seu país, de sua pátria, da casa de seu pai”, recordou o Papa.

“O ser cristão tem sempre esta dimensão do despojamento que encontra a sua plenitude no despojamento de Jesus na Cruz. Sempre há um vai, um deixa, para dar o primeiro passo: ‘Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai’. Se fizermos memória, veremos que nos Evangelhos a vocação dos discípulos é um ‘vai’, ‘deixa’ e ‘vem’. Também nos profetas, não é? Pensemos a Eliseu, trabalhando a terra: ‘Deixa e vem’.”

“Os cristãos”, acrescentou o Papa, “devem ter a capacidade de serem despojados, caso contrário não são cristãos autênticos, como não são aqueles que não se deixam despojar e crucificar com Jesus. Abraão obedeceu pela fé, partindo para a terra a ser recebida como herança, mas sem saber o destino preciso. 


Horóscopos não
“O cristão não tem um horóscopo para ver o futuro. Não procura a necromante que tem a esfera de cristal, para que leia a sua mão. Não, não. Não sabe aonde vai. Deve ser guiado. Esta é a primeira dimensão de nossa vida cristã: o despojamento. Mas, por que o despojamento? Para uma ascese parada? Não, não! Para ir em direção a uma promessa. Esta é a segunda. Somos homens e mulheres que caminham para uma promessa, para um encontro, para algo, uma terra, diz a Abraão, que devemos receber como herança”.

No entanto, enfatizou Francisco, Abraão não edifica uma casa, mas levanta uma tenda, indicando que está a caminho e confia em Deus, portanto, constrói um altar para adorar ao Senhor. Então, continuar a caminhar é estar sempre em caminho.

“O caminho começa todos os dias na parte da manhã; o caminho de confiar no Senhor, o caminho aberto às surpresas do Senhor, muitas vezes não boas, muitas vezes feias – pensemos em uma doença, uma morte – mas aberto, pois eu sei que Tu me irás conduzir a um lugar seguro, a um terra que preparaste para mim; isto é, o homem em caminho, o homem que vive em uma tenda, uma tenda espiritual. Nossa alma, quando se ajeita muito, se ajeita demais, perde essa dimensão de ir em direção da promessa e em vez de caminhar em direção da promessa, carrega a promessa e possui a promessa. E não deve ser assim, isso não é realmente cristão”.

A outra característica elencada pelo Papa é a benção, isto é, o cristão é um homem, uma mulher que abençoa, que fala bem de Deus e fala bem dos outros e que é abençoado por Deus e pelos outros para ir para frente. Este é o esquema da vida cristã, disse o Papa, porque todo mundo, também” os leigos, devem abençoar os outros, falar bem dos outros e falar bem a Deus dos outros.

“Muitas vezes – acrescentou o Pontífice – estamos acostumados a não falar bem do próximo, quando ‘a língua se move um pouco como quer’, em vez de seguir o mandamento que Deus confia ao nosso pai Abraão, como síntese da vida: de caminhar, deixando-se despojar pelo Senhor e confiando em suas promessas, para sermos irrepreensíveis”. Enfim, concluiu Francisco, a vida cristã é “tão simples”.

Rádio Vaticano - Canção Nova

terça-feira, 20 de junho de 2017

Rezar o Terço traz paz à Igreja e ao mundo, explica Papa Francisco

Francisco afirma que oração simples do Terço ajuda a contemplar tudo o que Deus, em seu amor, fez pela humanidade


O Terço é um instrumento poderoso que traz paz aos nossos corações, à Igreja e ao mundo. É o que afirma o Papa Francisco em uma videomensagem enviada neste domingo, 18, ao Bispo da Diocese de Gozo, em Malta, Dom Mario Grech, por ocasião da inauguração dos mosaicos do Santuário da Virgem de Ta Pinu.

Os mosaicos são três, e representam a Virgem com o Menino, São João Batista e São Paulo. As três obras foram colocadas na entrada principal do Santuário e foram feitas pelo Centro Aletti.

Em um grande “abraço de mosaicos estão esperando por você Jesus e a sua Mãe”. O Papa Francisco descreve assim a obra inaugurada no Santuário da Virgem de Ta Pinu. Uma imagem que “põe diante dos nossos olhos a beleza de uma oração contemplativa simples, acessível a todos, jovens e idosos: a oração do Terço”, sublinha o Pontífice.

“Eu, muitas vezes, recito o Terço diante de um mosaico: um pequeno mosaico de Nossa Senhora com o Menino, onde parece que no centro está Maria, enquanto na verdade Ela, usando as suas mãos, torna-se uma espécie de escada através da qual Jesus pode descer até nós. O centro é sempre Jesus, que se abaixa para caminhar com nós homens, para que possamos subir ao céu com Ele”.

Na oração do Terço, continua o Papa na videomensagem, “nós nos dirigimos à Virgem Maria, para que nos conduza sempre mais perto do seu Filho, Jesus, para conhecê-Lo e amá-Lo sempre mais”. Observou ainda que, enquanto “meditamos sobre as etapas da vida de Cristo nos detemos também sobre a nossa vida porque nós caminhamos com o Senhor”.

Francisco destacou ainda que a oração do terço, na verdade, ajuda a contemplar tudo o que Deus, em seu amor, fez pela humanidade, e mostra como a vida humana está unida à vida de Cristo.

“Rezando, nós levamos tudo a Deus: os cansaços, as feridas, os medos, mas também as alegrias, os dons, os entes queridos… tudo a Deus. Rezando, nós permitimos a Deus entrar em nosso tempo, acolher e transfigurar tudo o que vivemos. Usem frequentemente este instrumento poderoso que é a oração do Terço, porque traz a paz aos corações, às famílias, à Igreja e ao mundo”.

Canção Nova - Rádio Vaticano

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O amor de Deus é incondicional, lembra Papa na catequese

Catequese desta quarta-feira (14) do Papa Francisco foi inspirada na parábola do Filho Pródigo

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira (14) foi inspirada na parábola do Filho Pródigo e na necessidade que todos têm de ser amados.

“Ninguém pode viver sem amor e não devemos crer que o amor deva ser merecido, que se não formos belos, atraentes e fortes, ninguém pensará em nós”, afirmou Francisco diante das cerca de 20 mil pessoas presentes na Praça.

“Os narcisismos do homem nascem de sua solidão; é possível que ninguém esteja disposto a querer bem gratuitamente a outra pessoa?”, questionou o Papa. “Não seria um mundo, mas um inferno”, advertiu.

Por detrás de tantas formas de ódio social e delinquência, existe quase sempre um coração não-reconhecido, disse o Papa. Ele destacou que não há crianças ou adolescentes maus, mas pessoas infelizes.

Francisco ressaltou ainda que somente a experiência de dar e receber amor faz o homem feliz, um amor como o de Deus: vem antes de tudo e é incondicionado. Deus não ama por alguma razão, mas porque Ele mesmo é amor e o amor tende, por natureza, a se difundir, a se doar.

Citando São Paulo, o Papa explicou que “a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores”, ou seja, distantes, como o Filho Pródigo. “Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e foi tomado de compaixão”, segundo narrado por Lucas, o evangelista.

Amor de mãe e pai não tem igual

“Quem de nós ama desta maneira, senão um pai ou mãe? Mães continuam querendo bem a seus filhos mesmo quando estão encarcerados, nunca deixam de sofrer por eles e os amam mesmo sendo pecadores. Deus faz o mesmo conosco: somos seus filhos amados! (…) É Nele, em Jesus, que fomos queridos, amados, desejados; Ele imprimiu em nós uma beleza primordial que nenhum pecado ou escolha errada na vida pode cancelar”.

Concluindo a catequese, o Papa perguntou aos fiéis: “para curar o coração de uma pessoa infeliz, qual seria o remédio?”. Ele respondeu que é preciso, antes de tudo, abraçá-la, para que sinta que é desejada, que é importante, e deixar de ser triste. Amor chama amor. “Jesus não morreu e ressuscitou para si mesmo, mas por nós, para que nossos pecados sejam perdoados. Assim, é tempo de ressurreição para todos: é hora de salvar os pobres do desencorajamento, principalmente aqueles que jazem no sepulcro há bem mais que três dias. Sopra aqui, sobre nossos rostos, um vento de libertação; germina aqui o dom da esperança, a do Deus-pai que nos ama sempre e como somos, bons ou maus”.


Rádio Vaticano - Canção Nova

terça-feira, 13 de junho de 2017

Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo: um dia de amor e reparação

Eucaristia: fonte e centro de toda a vida cristã

Todos os anos, na Quinta-Feira depois do Domingo da Santíssima Trindade, a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. Trata-se de uma Liturgia por meio da qual a Igreja manifesta o seu amor ao Mistério da Presença Real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento e faz reparação por tudo aquilo que desrespeita essa tão sublime presença. Neste dia, os cristãos católicos prestam sua adoração a Cristo, reconhecendo no Pão e no Vinho consagrados o Seu Corpo, o Seu Sangue, a Sua Alma e Divindade.

Se pensarmos bem, a Liturgia da Igreja já possui um momento de profundo apelo Eucarístico: a Celebração da Ceia do Senhor, e, por consequência, todo o Tríduo Pascal. Entretanto, por causa da “densidade teológica e espiritual” dos dias da Páscoa, não se pode realçar com mais tempo algumas das nuances do Mistério de Cristo na Eucaristia, pois isso poderia ofuscar outras nuances igualmente importantes. Deste modo, o “todo” da Páscoa poderia ficar prejudicado. O Espírito cuidou, em Sua providência, que, ao longo da história, se pudesse encontrar ocasião de prestar especial adoração ao Santíssimo Sacramento, um ato devocional que se tornou “fonte inesgotável de santidade”.

A liturgia de Corpus Christi tem uma história que demonstra, ao mesmo tempo, o perigo do erro e do desvio da fé, bem como o amor e a defesa da verdadeira Doutrina. No século XI, havia entre os mestres da escola adjacente à Catedral de Chartres, na França, um estudioso chamado Berengário, nascido em Tours. Homem de uma grandiosa erudição, Berengário dedicou-se ao estudo da Lógica e da Teologia. Ao expor suas teses sobre a Eucaristia, ele acabou por negar a presença real de Jesus neste Santíssimo Sacramento. Isso se configurou como uma heresia, ou seja, um desvio daquilo que tradicionalmente era pregado pela Doutrina Cristã. Do ponto de vista teológico, muitos estudiosos se dedicaram a refutar os seus textos. Mas a refutação teológica não foi a única resposta a este desvio de fé. Também na oração do povo foi surgindo uma crescente devoção reparadora. A isso se somem algumas experiências místicas bonitas em torno da Eucaristia, tanto na Bélgica como em Bolsena na Itália, onde ocorreu um Milagre Eucarístico. O Papa Urbano IV (1262-1264) pediu que se levasse a relíquia de tal Milagre, de Bolsena a Orvieto. E isso foi feito em procissão. Para oficializar esse costume, o mesmo Papa, em 11 de agosto de 1264, publicou a bula Transiturus de Mundo, pela qual se mandava celebrar em todo o orbe católico a Solenidade de Corpus Christi, na quinta-feira após a “oitava de Pentecostes”, oitava esta extinta após a reforma litúrgica.

Embora já não estejamos mais no período medieval, no qual surgiu esta Festa, urge ainda em nossa época reconhecer a presença sacramental de Jesus na Eucaristia. O dia de Corpus Christi ainda deseja “remediar” as faltas cometidas contra este sacramento, a começar pelas mais explícitas, como os atos sacrílegos. A reparação eucarística se presta a sanar também faltas menos explícitas, mas nem por isso sem gravidade. Essa data quer chamar a atenção dos fiéis, dos estudiosos e daqueles que são responsáveis pela propagação da fé, para as ideias teológicas que aqui e ali surgem, em meios eclesiais, e que divergem da Doutrina Católica a respeito da Eucaristia. Tem ainda o intuito de despertar para as consequências sociais da participação no Sacramento da Comunhão. Afinal, aquele que diz “Amém”, diante do Corpo do Senhor, deve lembrar-se de partilhar o próprio pão de cada dia, para que ele falte menos à mesa dos irmãos mais carentes.

Por fim, sendo a Eucaristia “fonte e centro de toda a vida cristã”, ela edifica a Igreja. Na Última Ceia, ao dar à Comunidade Apostólica o Sacramento da Nova e Eterna Aliança, Cristo dava com ele a capacidade de a Igreja manter-se unida. De fato, “pela comunhão eucarística, a Igreja é consolidada na sua unidade de corpo de Cristo”. Por causa disso, Corpus Christi é também a Festa da Unidade. Por isso, festejemos o Corpo e o Sangue do Senhor, que é nosso grandioso tesouro. Participemos, adoremos, reparemos. Tenhamos atenção aos mais simples, tenhamos fé madura e comprometida com a Igreja. Que a virtude da fé venha como suplemento, completar aquilo que os nossos sentidos são capazes de captar, para nos fazer entrever no Pão e no Vinho consagrados Àquele que veremos face a face nos céus (cf. 1Cor 13,12). Feliz celebração a todos!

Padre Eduardo Nunes Pugliesi
Canção Nova

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Catequese: Os animais de estimação vão para o céu?

Os animais são criaturas de Deus. Ele os envolve na sua solicitude providencial

Nestes tempos em que o cuidado com a natureza se faz essencialmente necessário para a preservação de nosso habitat, uma questão tem gerado polêmica: os animais de estimação vão para o céu? Essa dúvida veio à tona em uma declaração atribuída ao Papa Francisco, quando ele consolava um menino que havia perdido seu cachorro: “O paraíso está aberto a todas as criaturas do Senhor”. Essa notícia, segundo relatos, foi desmentida pelo próprio repórter que a divulgou em um veículo de comunicação americano, mas se espalhou pelo mundo.

Essa pergunta tem gerado polêmica e dividido muitas opiniões, mas o que a Igreja Católica Apostólica Romana fala sobre essa questão? Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica:

“O sétimo mandamento exige o respeito pela integridade da criação. Os animais, tal como as plantas e os seres inanimados, são naturalmente destinados ao bem comum da humanidade. O uso dos recursos minerais, vegetais e animais do universo não pode ser desvinculado do respeito pelas exigências morais. O domínio concedido pelo Criador ao homem sobre os seres inanimados e os outros seres vivos não é absoluto, mas regulado pela preocupação com a qualidade de vida do próximo, inclusive das gerações futuras; exige respeito religioso pela integridade da criação.

Os animais são criaturas de Deus. Ele os envolve na sua solicitude providencial. Pelo simples fato de existirem, eles O bendizem e Lhe dão glória. Por isso, os homens devem estimá-los. É importante lembrar com que delicadeza os santos, como São Francisco de Assis ou São Filipe de Néri, tratavam os animais.

Deus confiou os animais ao governo daquele que foi criado à Sua imagem. É, portanto, legítimo nos servirmos deles para a alimentação e para a confecção do vestuário. Podemos domesticá-los para que sirvam ao homem nos seus trabalhos e lazeres. As experiências médicas e científicas em animais são práticas moralmente admissíveis, desde que não ultrapassem os limites do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas.

É contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor indiscriminadamente da vida deles. É igualmente indigno gastar com eles somas que deveriam, prioritariamente, aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, mas não se deve desviar para eles o afeto só devido às pessoas” (Catecismo da Igreja Católica, 2415-2418).

O que o Catecismo afirma é isso: “Os animais são criaturas de Deus. Simplesmente pelo fato de existirem, eles O bendizem e Lhe dão glória”. O presente documento, em momento nenhum, afirma que os animais irão para o céu após o término de sua vida terrestre. Nem mesmo encontramos declarações oficiais de algum Sumo Pontífice a esse respeito.

O que difere o homem dos animais?O que difere o homem dos animais é que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Somente o homem tem uma alma transcendente, imortal. Os animais não possuem uma alma imortal.

Somos chamados a cuidar da criação de Deus, e isso inclui os animais. No entanto, é preciso discernimento diante dessa questão. Não é raro encontrarmos pessoas que gastam uma verdadeira fortuna com seus animais e não ajudam o pobre que passa fome. Outros ainda valorizam mais seus animais de estimação que os próprios familiares de sua casa. Muitos pais não deixam seus filhos colocarem os pés no sofá, mas deixam o gatinho de estimação passar o dia todo dormindo em cima do móvel.

Cuidemos da criação sem nos descuidarmos dos nossos irmãos e irmãs, que sofrem ao nosso lado e clamam por nossa ajuda e misericórdia.

Padre Flávio Sobreiro
Canção Nova

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eucaristia e confissão: armas espirituais contra a tentação

Devemos lançar mão das armas espirituais e lutar sem desanimar

Lutar com as armas espirituais que Deus nos oferece é o segredo para vencermos as tentações. A oração é uma das maiores armas que o Senhor nos concede, por isso, convido você a rezar: “Tua Palavra, Senhor, é mais penetrante que uma espada de dois gumes. Toca-nos, agora, Senhor, para que Tua Palavra possa trazer a vitória sobre qualquer espírito mau que queira nos enganar”.

Eu acho que todos devem saber o que os romanos faziam quando derrotavam um império ou um general. O vencedor entrava de forma triunfante em Roma. Em meio àquela entrada triunfal, o general era aplaudido e louvado, e o general derrotado era amarrado à carruagem do vencedor. Isso era o máximo de humilhação para quem havia sido derrotado.

Se olharmos Colossenses, veremos que São Paulo usa esse mesmo fato para falar da derrota do inimigo de Deus. Já foi dito várias vezes que o demônio já foi derrotado. Não precisamos temer nada. É verdade que o maligno é como um leão que ruge à nossa volta, tentando achar uma brecha e nos devorar. Mas por que ele continua a entrar nesse campo de batalha, uma vez que já foi derrotado? A intenção dele é diminuir a força do reinado de Jesus.


O inimigo quer nos enfraquecer

Satanás continua a tentar enfraquecer aqueles filhos e filhas de Deus, que fazem parte do Reino do Senhor. E a experiência de muitos é esta: “Por que, depois que comecei a seguir Jesus, tenho mais tentações, sinto-me mais oprimido que antes e tenho mais crises?”.

Seguir Jesus é exigente

Muitas pessoas, muitos cristãos, uma vez que tomam a decisão de seguir o Senhor, pensam que vão ter uma vida mais tranquila, mas a verdade é o contrário, pois o demônio não tem interesse em atacar os que não são seguidores de Jesus. O interesse dele é colocar obstáculos na vida daqueles que decidiram seguir o Senhor. Os cristãos são as pessoas mais atacadas. Até os santos foram perseguidos!

O desânimo

Seguir Jesus, num momento de entusiasmo, é fácil, mas continuar O seguindo nos momentos de sofrimento é difícil. No entanto, existe uma coisa, uma técnica que, frequentemente, o demônio usa para nos atacar: o desânimo, o desencorajamento.

O louvor liberta

O inimigo de Deus virá tentá-lo quando você estiver se sentindo fraco, cheio de medos, com raiva, ansioso e triste. Ele é como um rato dentro em um duto. Você não o vê. Ele age durante à noite, esconde-se sem que ninguém o veja, mas se você derramar uma chaleira de água quente lá onde ele está, ele vai ter de sair do buraco. Quanto mais louvamos a Deus, tanto mais o maligno não consegue suportar isso e foge.

O desânimo não vem de Deus, sempre vem do inimigo, daquele que nos faz desistir de seguir em frente.

Assumir a vitória de Deus

Não temos por que temer o diabo, pois ele já foi derrotado. Ele é que tem de ter medo de você e de mim! A razão para isso é simples: nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino de Altíssimo. O maligno tem muita raiva, porque aquilo que foi dado a ele uma vez, agora é dado para nós. Ele tem raiva e ódio de nós por causa disso. Ele odeia a cada um de nós. E faz tudo para nos enganar, para que voltemos desencorajados e desanimados. Ele tenta nos enganar de várias maneiras.

É nosso papel lutar contra essas táticas que inimigo de Deus utiliza para nos desanimar. Outra tática usada por ele é nos apresentar meias verdades, porque o demônio é um mentiroso, enganador, trapaceiro. Ele nos apresenta algo que parece muito bom, quando, na verdade, é muito ruim.

A tentação de não fazer a vontade de Deus

O maligno diz que, por causa dos nossos pecados, não conseguimos fazer nenhuma tentativa para ser mais santo. Ele faz de tudo para que saiamos do caminho da vontade do Senhor. Muitas vezes, nós pensamos que tentações são apenas relacionadas ao sexo, à raiva, a sentimentos de ódio e vingança. Essas são grandes tentações. Mas temos de estar atentos a uma grande tentação, que é não fazer a vontade de Deus. Ele ousou tentar Jesus a desobedecer ao Pai, quando O levou ao alto do monte e mostrou-Lhe as cidades, dizendo-Lhe que elas pertenciam a Ele.

Lutar com as armas espirituais certas

Irmãos e irmãs, será uma luta até o fim de nossa vida, mas se nós usarmos as armas espirituais certas não precisaremos ter medo nenhum. A primeira arma é a Eucaristia. O inimigo treme diante do Corpo de Cristo, porque é sinal de humildade, enquanto ele luta para ter poder. Jesus Cristo quis, por um momento, aniquilar a Si mesmo, entrando nas espécies do pão e do vinho para ficar perto de nós. Uma outra arma forte contra o maligno é o sacramento da confissão, que é mais poderoso do que a própria oração do exorcismo.

Frei Elias Vella

Canção Nova

terça-feira, 6 de junho de 2017

Um cristão jamais deve ser hipócrita, afirma Papa em homilia

Na Missa desta terça-feira (06), na Casa Santa Marta, foco da homilia do Papa foi a hipocrisia

Na Missa desta terça-feira (06) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou sobre a hipocrisia entre os doutores da Lei. Ele reiterou que a hipocrisia não deve fazer parte da vida do cristão. 

“A hipocrisia não era a linguagem de Jesus e tampouco deve ser a dos cristãos. Logo a sua linguagem deve ser verdadeira. Por isso, advertiu os fiéis para as tentações da hipocrisia e da adulação. Um cristão não pode ser hipócrita e um hipócrita não é cristão. O hipócrita é sempre um adulador, quem mais, quem menos”.

Os Doutores da Lei procuravam adular Jesus, explicou o Papa, e por este motivo Jesus os chamava hipócritas. Os hipócritas sempre começam com a adulação e a adulação é não dizer a verdade, é exagerar e aumenta a vaidade.

Assim, Francisco comentou o caso de uma padre, que conheceu há muito tempo, que aceitava todas as adulações que lhe faziam; tais adulações eram a sua fraqueza.

Jesus faz ver a realidade que é o contrário da hipocrisia e da ideologia. A adulação, frisou Francisco, começa com a má intenção.

Era o caso dos Doutores da Lei, que colocavam Jesus à prova, começando com a adulação e, depois, fazendo-lhe a pergunta: “É justo pagar a Cesar”? E o Papa respondeu:

“O hipócrita tem duas caras. Mas, Jesus conhecendo a sua hipocrisia, disse claramente: ‘Por que vocês me colocam à prova? Tragam-me uma moeda, quero vê-la. Assim Jesus responde sempre aos hipócritas e responde concretamente à realidade das ideologias”.

A realidade é assim, bem diferente da hipocrisia ou da ideologia. Eles entregam a moeda a Jesus e Ele lhes responde com sabedoria, partindo da imagem de Cesar na moeda: “Dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

A seguir, Francisco refletiu sobre um terceiro aspecto: a linguagem da hipocrisia é a linguagem do engano; é a mesma linguagem da serpente com Eva. Começa-se com a adulação para depois destruir as pessoas, a ponto de “extirpar a personalidade e a alma de uma pessoa”. Logo, a hipocrisia mata as comunidades. Quando há hipócritas em uma comunidade, ela corre um grande perigo, um perigo terrível.

O Santo Padre convidou os fiéis a seguir os conselhos de Jesus: “Que seu modo de falar seja “sim, sim, “não, não”. O supérfluo pertence ao maligno. Assim, afirmou com amargura, a hipocrisia mata a comunidade cristã e faz tanto mal à Igreja e adverte aqueles cristãos que têm este comportamento pecaminoso, que mata.

“O hipócrita é capaz de matar uma comunidade. Fala com docilidade, mas julga brutalmente as pessoas. O hipócrita é um assassino, pois começa com a adulação. No final, utiliza a mesma linguagem do diabo para destruir as comunidades”.

O Papa concluiu sua homilia convidando os presentes a pedir ao Senhor a graça “de jamais sermos hipócritas, mas que saibamos dizer a verdade. Se não pudermos dizê-la, calemos. O importante é nunca ser hipócritas”.

A12.com

sexta-feira, 19 de maio de 2017

CNBB emite nota sobre as graves denúncias de corrupção política

Bispos recordam Constituição Federal: “é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra” (Art. 37)

Os membros da Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiram na manhã desta sexta-feira (19) uma Nota Oficial com o título “Pela Ética na Política”. Segundo o A12.com, os religiosos afirmam que a Conferência está “unida aos bispos e às comunidades de todo o país” e acompanha “com espanto e indignação” as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na nota, os bispos afirmam que “tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”.

“Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito. Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil”, concluem os membros da Presidência.

Leia a Nota:

Brasília-DF, 19 de maio de 2017 P – Nº 0291/17
Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional


“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”. Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília 
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger 
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner 
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Nossa Senhora de Fátima, graça e misericórdia

A Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia

Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.

O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por fim, o Anjo da Eucaristia.

Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de 1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo de acolhimento.

Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.

Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles então no Valinhos.

Algumas características em todos os ciclos: o mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.

Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!”

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Por que maio é o Mês de Maria?

Essa ideia de dedicar todo um mês a Nossa Senhora não é nova. De fato, podemos remontar já na idade média uma devoção parecida que nos meses de agosto e setembro dedicava-se trinta dias nos quais se faziam exercícios piedosos para honrar Maria. Essa devoção se chamava Tricesimum. Mas com o passar do tempo, deslocou-se essa devoção para o mês de maio por uma razão muito bonita. A primavera.

Em primeiro lugar, lembremos que no hemisfério sul maio não é primavera, mas outono. No hemisfério norte, portanto, é que se celebra a chegada da primavera nesse mês. E desse hemisfério é que vem tal devoção. Depois de ter isso claro, podemos pensar na primavera como fenômeno e ver as razões pelas quais é muito bonito e conveniente que seja na chegada da primavera que se celebre uma especial devoção dedicada a Maria.

A primavera é a estação que segue o inverno que pode ser muito rigoroso em algumas partes. Nesse inverno rigoroso a vida é difícil, nada cresce, é preciso viver em uma maior austeridade. No inverno vive-se, de alguma forma, em espera. Em espera da primavera que virá com seu calor e vida nova. Primavera na qual florescerão novamente as plantas, na qual o solo se tornará fértil mais uma vez para produzir o sustento do homem. Se o inverno é o tempo da espera, a primavera é o tempo da promessa, da realização da espera. Muitos são os artistas que buscaram plasmar em suas obras esse frescor primaveril. Para citar um exemplo, podemos nos remeter a famosíssima obra de Vivaldi, as quatro estações. Certamente todos já estamos familiarizados com essa obra, mas talvez possamos voltar a escutá-la buscando perceber essa alegria que o autor trata de mostrar.

E são tantas as relações que podemos fazer da primavera com Maria. Antes de Maria o povo de Israel vivia como em um inverno, esperando a vinda do Salvador. Passaram por momentos difíceis como a escravidão no Egito, os anos que passaram no deserto em caminho da terra prometida ou o exílio dessa mesma terra para viverem na Babilônia. Mas no meio dessa dificuldade toda, havia esperança na promessa de Deus, de uma salvação, de uma libertação. Essa salvação veio por Jesus, que por sua vez escolheu vir até nós por Maria. Por ela nos vem a alegria total, por ela nos vem a reconciliação. Pelo seu sim generoso a terra dá o melhor dos frutos e o homem que estava na terra da dessemelhança volta à amizade com Deus.

É claro que, se formos ser bem estritos, Jesus é, nesse sentido, a verdadeira primavera. Mas que bonito é louvar a Jesus enaltecendo aquela que foi instrumento para sua vinda ao mundo. Maria não é a promessa, mas é nela que a promessa se realiza. Maria não é o fruto novo que alimenta o povo, mas é a terra fértil que permitiu o crescimento da semente e a produção do alimento. Maria é a porta pela qual a primavera entra no mundo espantando o inverno seco e frio.

Nesse mês dedicado a Maria também celebramos a cada uma de nossas mães. E é muito interessante que assim o seja porque é como se Maria, com todo um mês de celebrações, fosse o modelo para cada uma de nossas mães. Que Nossa Senhora possa interceder por cada uma dessas mulheres que assumem sua missão maternal com amor e que ela as forme para serem cada vez mais santas mães, espelhando sua própria santidade.

Ir.João Antônio
A12.com

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A Igreja Católica e as imagens

O errado é a idolatria, não as imagens. Ou seja, o errado é o ato de idolatrar imagens e não fabricá-las!

É verdade que algumas pessoas da Igreja Católica erraram nos quase dois mil anos de sua história. É de se esperar também que uma Igreja com um bilhão e meio de seguidores tenha mais erros que uma com um milhão de membros. Na verdade, somos santos e pecadores. Santos enquanto instituição e pecadores enquanto membros. No entanto, se há uma coisa que erroneamente se divulga é que os católicos praticam a idolatria.

Idolatria, segundo o dicionário, quer dizer adorar ídolos.

A Igreja Católica Apostólica Romana sempre ensinou com base Bíblica: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Dt 6,13). Não adoramos nem devemos adorar qualquer coisa ou pessoa além do único e Supremo Deus Trino.

Se um médico erra, não podemos culpar a medicina por seu erro. Da mesma forma que, se um advogado erra, não é culpa da lei. Assim, se infelizmente muitos católicos, por ignorância, exageram no respeito às imagens a culpa não é da doutrina católica, que lembra que desde o Antigo Testamento o próprio Deus ordenou ou permitiu a instituição das imagens que conduziriam a salvação através do Verbo Encarnado, Jesus Cristo, como por exemplo a serpente de bronze (Nm 21,4-9; Sb 16,5-14; Jo 3,14-15), a arca da Aliança e os querubins (Ex 25,10-22; 1Rs 6,23-28).

As imagens são sinais
Os católicos sabem que imagens são simplesmente imagens, não tem poder em si mesmas, pois são somente sinais. Seria uma bobeira ao ir para praia ficar em frente à placa que diz “Praia a 10 km” como se tivesse chegado ao lugar desejado. Sabemos que semelhante a uma placa, as imagens somente indicam a verdadeira pessoa digna de admiração e louvor. Isto não quer dizer que as placas são desnecessárias, porque apontam para o lugar certo.

Semelhante a isso, é pegarmos uma foto de um ente querido e acharmos que essa foto é o próprio ente querido. Se eu destruir a foto, evidentemente, não destruo a pessoa da foto. Se eu pisar na foto, evidentemente não piso na pessoa representada na foto. Mas como você se sentiria se pegassem uma foto de um ente querido seu e, na sua frente, cuspissem nela, destruíssem-na ou pisassem nela? Certamente, não ficaria muito felizes, porque, embora a foto não seja a pessoa, o gesto de destruí-la fere gravemente a sua dignidade.

Ora, a mesma escritura, que em Deuteronômio capítulo 4 proíbe imagens, é a mesma escritura que mostra que Moisés, Salomão e outros cunharam ou talharam imagens. Teria Deus enlouquecido? Poderia a Bíblia contradizer-se?

Quando o povo no deserto foi picado por serpentes, Deus mandou Moisés cunhar um cajado de bronze (portanto, uma imagem) com uma serpente e todo o que olhasse para este cajado seria curado. Ora, foi o cajado que curou as pessoas? Não, o cajado de serpente representava ao Senhor Jesus Cristo elevado na cruz. É Ele quem cura as pessoas e não a imagem da serpente.

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida” (Nm 21,9).

Tanto é que o povo começa a adorar a imagem como se ela fosse a responsável pela cura e o Senhor manda Moisés destruí-la: “Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã)” (2 Rs 18,4).

Onde está o verdadeiro erro?
Vemos então que o errado é a idolatria e não as imagens. Ou seja, o errado é o ato de idolatrar imagens e não as fabricar!

“Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher, representação de algum animal que vive na terra ou de um pássaro que voa nos céus, ou de um réptil que se arrasta sobre a terra, ou de um peixe que vive nas águas, debaixo da terra. Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas, e todo o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os povos que vivem debaixo do céu” (Dt 4,16-20).

Não esqueçamos que, na época, havia o politeísmo, ou seja, a crença em vários deuses. A proibição de Deus se refere ao culto de adoração a alguma imagem que fosse tratada como o próprio Deus. Como, por exemplo, o povo que faz um bezerro de ouro para adorá-lo no deserto como se fosse o próprio Deus.

“Tiraram todos os brincos de ouro que tinham nas orelhas e trouxeram-nos a Aarão, o qual, tomando-os em suas mãos, pôs o ouro em um molde e fez dele um bezerro de metal fundido. Então exclamaram: ‘Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito'” (Ex 32,3-4).

Veja que Salomão, o homem mais sábio que já existiu e existirá segundo o próprio Deus, também fez imagens de madeira: “Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. Revestiu também de ouro os querubins. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas. Nos dois batentes de pau de oliveira, mandou esculpir querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu-as de ouro; cobriu de ouro tanto os querubins como as palmas” (1 Rs 6,23-32).

Algumas coisas que a Igreja ensina sobre imagens:
“A imagem sacra representa principalmente Cristo. Ela não pode representar o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova economia das imagens: ‘Antigamente, Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora, que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus (…) Com o rosto descoberto, contemplados a glória do Senhor'”. (São João Damasceno)

“O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento que proíbe ídolos. De fato ‘a honra prestada a uma imagem é prestada na verdade a pessoa a ela representada'” (São Basílio).

“O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem, enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é a imagem.” (Santo Tomás de Aquino)


Daniel Godri Junior
Canção Nova

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mensagem da CNBB aos trabalhadores (as) do Brasil: ‘Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas’


AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

MENSAGEM DA CNBB

“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.

O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.

Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).

Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.

Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).

Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.

Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.

Aparecida, 27 de abril de 2017.

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Você já questionou sua fé e brigou com Deus?

Alguns questionamentos não nos faz chegar a lugar algum, mas a nossa fé sim

Estou com vontade de chutar o pau da barraca!
Por que Deus não age nessa situação que eu vivo?
Por que parece que nunca se cumpre aquilo que Ele mesmo prometeu?
Por que às vezes vejo a ausência ao meu redor?
Quero pendurar minhas chuteiras jogar tudo para o alto!

Alguma vez você usou alguma dessas expressões? Eu já!

Os sinais de DeusDeus poderia tentar, com sinais, prodígios e demonstrações de poder, conquistar nosso coração e nossa fidelidade, contudo, esse não é Seu método hoje. No Antigo Testamento Ele realizou tantos sinais, mas o povo continuava sendo murmurador e incrédulo. Em nossos dias, os milagres são uma consequência de nossa fé e não a isca de Deus para nos atrair.

Muitas vezes queremos um sinal de Deus. Geralmente esse desejo vem quando estamos em crise de fé. É importante saber que João Batista viu o sinal (vindo do céu) no rio Jordão ao batizar Jesus, mas teve sua crise de fé na prisão, quando enviou na surdina seus discípulos para perguntarem a Jesus se Ele era o Messias.

Sobre as dúvidasVocê já se viu em dúvidas quando lia a Bíblia? Já se perguntou por que Jesus não fez nada com Herodes quando este O ameaçou e lançou João na prisão? Por que curou só um homem paralítico no tanque de Betesda e desapareceu, deixando ali cegos, surdos, coxos e doentes? E por que Deus não destruiu Nínive, preferindo duelar com um profeta d’Ele?

Quero que me diga: seria a omissão e o silêncio de Deus fraqueza ou misericórdia? Para responder, imagine se Ele tivesse tirado sua vida quando você pediu! Se tivesse sido rigoroso quando você errou! Se realizasse a sentença de condenação logo que alguém blasfemasse ou se desviasse!

ConselhosLeia Romanos 2,4-11 para ver o que Deus fala sobre a demora d’Ele em agir. Seus amigos da Bíblia também tiveram vontade de chutar o balde e pendurar a chuteira: Abraão duvidou (24 anos e a promessa não se cumpria); Jó perdeu a paciência (cf. Jó 38-40); Davi adulterou e matou; Noé embebedou-se; Salomão teve mil mulheres; Pedro negou conhecer o Cristo; Elias pediu para morrer…, mas, no final, todos eles se renderam ao amor de Deus!

Você já parou para pensar por que José não se decepcionou com Deus e com o ser humano quando foi traído por seus irmãos, quase apodreceu na prisão egípcia (sem merecer) e foi esquecido pelo colega de cela? Já refletiu na razão que levou Zaqueu a abandonar a vida política, de corrupção, luxo e luxúria? Algo mais forte os motivava.

Deus nos quer. Veja a parábola de ovelha perdida, do filho pródigo E Ele nos quer com intimidade, num relacionamento de amor e fidelidade. Por isso o véu se rasgou e o Senhor é chamado de “Abba” – “Pai”.

Se bater a vontade de chutar tudo para o alto. Calma! Você é gente, é humano, e como muitos homens da Bíblia.

Calma nessa hora e deixe Deus fazer o melhor!

Adriano Gonçalves
Canção Nova