quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eucaristia e confissão: armas espirituais contra a tentação

Devemos lançar mão das armas espirituais e lutar sem desanimar

Lutar com as armas espirituais que Deus nos oferece é o segredo para vencermos as tentações. A oração é uma das maiores armas que o Senhor nos concede, por isso, convido você a rezar: “Tua Palavra, Senhor, é mais penetrante que uma espada de dois gumes. Toca-nos, agora, Senhor, para que Tua Palavra possa trazer a vitória sobre qualquer espírito mau que queira nos enganar”.

Eu acho que todos devem saber o que os romanos faziam quando derrotavam um império ou um general. O vencedor entrava de forma triunfante em Roma. Em meio àquela entrada triunfal, o general era aplaudido e louvado, e o general derrotado era amarrado à carruagem do vencedor. Isso era o máximo de humilhação para quem havia sido derrotado.

Se olharmos Colossenses, veremos que São Paulo usa esse mesmo fato para falar da derrota do inimigo de Deus. Já foi dito várias vezes que o demônio já foi derrotado. Não precisamos temer nada. É verdade que o maligno é como um leão que ruge à nossa volta, tentando achar uma brecha e nos devorar. Mas por que ele continua a entrar nesse campo de batalha, uma vez que já foi derrotado? A intenção dele é diminuir a força do reinado de Jesus.


O inimigo quer nos enfraquecer

Satanás continua a tentar enfraquecer aqueles filhos e filhas de Deus, que fazem parte do Reino do Senhor. E a experiência de muitos é esta: “Por que, depois que comecei a seguir Jesus, tenho mais tentações, sinto-me mais oprimido que antes e tenho mais crises?”.

Seguir Jesus é exigente

Muitas pessoas, muitos cristãos, uma vez que tomam a decisão de seguir o Senhor, pensam que vão ter uma vida mais tranquila, mas a verdade é o contrário, pois o demônio não tem interesse em atacar os que não são seguidores de Jesus. O interesse dele é colocar obstáculos na vida daqueles que decidiram seguir o Senhor. Os cristãos são as pessoas mais atacadas. Até os santos foram perseguidos!

O desânimo

Seguir Jesus, num momento de entusiasmo, é fácil, mas continuar O seguindo nos momentos de sofrimento é difícil. No entanto, existe uma coisa, uma técnica que, frequentemente, o demônio usa para nos atacar: o desânimo, o desencorajamento.

O louvor liberta

O inimigo de Deus virá tentá-lo quando você estiver se sentindo fraco, cheio de medos, com raiva, ansioso e triste. Ele é como um rato dentro em um duto. Você não o vê. Ele age durante à noite, esconde-se sem que ninguém o veja, mas se você derramar uma chaleira de água quente lá onde ele está, ele vai ter de sair do buraco. Quanto mais louvamos a Deus, tanto mais o maligno não consegue suportar isso e foge.

O desânimo não vem de Deus, sempre vem do inimigo, daquele que nos faz desistir de seguir em frente.

Assumir a vitória de Deus

Não temos por que temer o diabo, pois ele já foi derrotado. Ele é que tem de ter medo de você e de mim! A razão para isso é simples: nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino de Altíssimo. O maligno tem muita raiva, porque aquilo que foi dado a ele uma vez, agora é dado para nós. Ele tem raiva e ódio de nós por causa disso. Ele odeia a cada um de nós. E faz tudo para nos enganar, para que voltemos desencorajados e desanimados. Ele tenta nos enganar de várias maneiras.

É nosso papel lutar contra essas táticas que inimigo de Deus utiliza para nos desanimar. Outra tática usada por ele é nos apresentar meias verdades, porque o demônio é um mentiroso, enganador, trapaceiro. Ele nos apresenta algo que parece muito bom, quando, na verdade, é muito ruim.

A tentação de não fazer a vontade de Deus

O maligno diz que, por causa dos nossos pecados, não conseguimos fazer nenhuma tentativa para ser mais santo. Ele faz de tudo para que saiamos do caminho da vontade do Senhor. Muitas vezes, nós pensamos que tentações são apenas relacionadas ao sexo, à raiva, a sentimentos de ódio e vingança. Essas são grandes tentações. Mas temos de estar atentos a uma grande tentação, que é não fazer a vontade de Deus. Ele ousou tentar Jesus a desobedecer ao Pai, quando O levou ao alto do monte e mostrou-Lhe as cidades, dizendo-Lhe que elas pertenciam a Ele.

Lutar com as armas espirituais certas

Irmãos e irmãs, será uma luta até o fim de nossa vida, mas se nós usarmos as armas espirituais certas não precisaremos ter medo nenhum. A primeira arma é a Eucaristia. O inimigo treme diante do Corpo de Cristo, porque é sinal de humildade, enquanto ele luta para ter poder. Jesus Cristo quis, por um momento, aniquilar a Si mesmo, entrando nas espécies do pão e do vinho para ficar perto de nós. Uma outra arma forte contra o maligno é o sacramento da confissão, que é mais poderoso do que a própria oração do exorcismo.

Frei Elias Vella

Canção Nova

terça-feira, 6 de junho de 2017

Um cristão jamais deve ser hipócrita, afirma Papa em homilia

Na Missa desta terça-feira (06), na Casa Santa Marta, foco da homilia do Papa foi a hipocrisia

Na Missa desta terça-feira (06) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou sobre a hipocrisia entre os doutores da Lei. Ele reiterou que a hipocrisia não deve fazer parte da vida do cristão. 

“A hipocrisia não era a linguagem de Jesus e tampouco deve ser a dos cristãos. Logo a sua linguagem deve ser verdadeira. Por isso, advertiu os fiéis para as tentações da hipocrisia e da adulação. Um cristão não pode ser hipócrita e um hipócrita não é cristão. O hipócrita é sempre um adulador, quem mais, quem menos”.

Os Doutores da Lei procuravam adular Jesus, explicou o Papa, e por este motivo Jesus os chamava hipócritas. Os hipócritas sempre começam com a adulação e a adulação é não dizer a verdade, é exagerar e aumenta a vaidade.

Assim, Francisco comentou o caso de uma padre, que conheceu há muito tempo, que aceitava todas as adulações que lhe faziam; tais adulações eram a sua fraqueza.

Jesus faz ver a realidade que é o contrário da hipocrisia e da ideologia. A adulação, frisou Francisco, começa com a má intenção.

Era o caso dos Doutores da Lei, que colocavam Jesus à prova, começando com a adulação e, depois, fazendo-lhe a pergunta: “É justo pagar a Cesar”? E o Papa respondeu:

“O hipócrita tem duas caras. Mas, Jesus conhecendo a sua hipocrisia, disse claramente: ‘Por que vocês me colocam à prova? Tragam-me uma moeda, quero vê-la. Assim Jesus responde sempre aos hipócritas e responde concretamente à realidade das ideologias”.

A realidade é assim, bem diferente da hipocrisia ou da ideologia. Eles entregam a moeda a Jesus e Ele lhes responde com sabedoria, partindo da imagem de Cesar na moeda: “Dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

A seguir, Francisco refletiu sobre um terceiro aspecto: a linguagem da hipocrisia é a linguagem do engano; é a mesma linguagem da serpente com Eva. Começa-se com a adulação para depois destruir as pessoas, a ponto de “extirpar a personalidade e a alma de uma pessoa”. Logo, a hipocrisia mata as comunidades. Quando há hipócritas em uma comunidade, ela corre um grande perigo, um perigo terrível.

O Santo Padre convidou os fiéis a seguir os conselhos de Jesus: “Que seu modo de falar seja “sim, sim, “não, não”. O supérfluo pertence ao maligno. Assim, afirmou com amargura, a hipocrisia mata a comunidade cristã e faz tanto mal à Igreja e adverte aqueles cristãos que têm este comportamento pecaminoso, que mata.

“O hipócrita é capaz de matar uma comunidade. Fala com docilidade, mas julga brutalmente as pessoas. O hipócrita é um assassino, pois começa com a adulação. No final, utiliza a mesma linguagem do diabo para destruir as comunidades”.

O Papa concluiu sua homilia convidando os presentes a pedir ao Senhor a graça “de jamais sermos hipócritas, mas que saibamos dizer a verdade. Se não pudermos dizê-la, calemos. O importante é nunca ser hipócritas”.

A12.com

sexta-feira, 19 de maio de 2017

CNBB emite nota sobre as graves denúncias de corrupção política

Bispos recordam Constituição Federal: “é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra” (Art. 37)

Os membros da Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiram na manhã desta sexta-feira (19) uma Nota Oficial com o título “Pela Ética na Política”. Segundo o A12.com, os religiosos afirmam que a Conferência está “unida aos bispos e às comunidades de todo o país” e acompanha “com espanto e indignação” as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na nota, os bispos afirmam que “tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”.

“Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito. Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil”, concluem os membros da Presidência.

Leia a Nota:

Brasília-DF, 19 de maio de 2017 P – Nº 0291/17
Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional


“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”. Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília 
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger 
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner 
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Nossa Senhora de Fátima, graça e misericórdia

A Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia

Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.

O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por fim, o Anjo da Eucaristia.

Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de 1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo de acolhimento.

Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.

Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles então no Valinhos.

Algumas características em todos os ciclos: o mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.

Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!”

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Por que maio é o Mês de Maria?

Essa ideia de dedicar todo um mês a Nossa Senhora não é nova. De fato, podemos remontar já na idade média uma devoção parecida que nos meses de agosto e setembro dedicava-se trinta dias nos quais se faziam exercícios piedosos para honrar Maria. Essa devoção se chamava Tricesimum. Mas com o passar do tempo, deslocou-se essa devoção para o mês de maio por uma razão muito bonita. A primavera.

Em primeiro lugar, lembremos que no hemisfério sul maio não é primavera, mas outono. No hemisfério norte, portanto, é que se celebra a chegada da primavera nesse mês. E desse hemisfério é que vem tal devoção. Depois de ter isso claro, podemos pensar na primavera como fenômeno e ver as razões pelas quais é muito bonito e conveniente que seja na chegada da primavera que se celebre uma especial devoção dedicada a Maria.

A primavera é a estação que segue o inverno que pode ser muito rigoroso em algumas partes. Nesse inverno rigoroso a vida é difícil, nada cresce, é preciso viver em uma maior austeridade. No inverno vive-se, de alguma forma, em espera. Em espera da primavera que virá com seu calor e vida nova. Primavera na qual florescerão novamente as plantas, na qual o solo se tornará fértil mais uma vez para produzir o sustento do homem. Se o inverno é o tempo da espera, a primavera é o tempo da promessa, da realização da espera. Muitos são os artistas que buscaram plasmar em suas obras esse frescor primaveril. Para citar um exemplo, podemos nos remeter a famosíssima obra de Vivaldi, as quatro estações. Certamente todos já estamos familiarizados com essa obra, mas talvez possamos voltar a escutá-la buscando perceber essa alegria que o autor trata de mostrar.

E são tantas as relações que podemos fazer da primavera com Maria. Antes de Maria o povo de Israel vivia como em um inverno, esperando a vinda do Salvador. Passaram por momentos difíceis como a escravidão no Egito, os anos que passaram no deserto em caminho da terra prometida ou o exílio dessa mesma terra para viverem na Babilônia. Mas no meio dessa dificuldade toda, havia esperança na promessa de Deus, de uma salvação, de uma libertação. Essa salvação veio por Jesus, que por sua vez escolheu vir até nós por Maria. Por ela nos vem a alegria total, por ela nos vem a reconciliação. Pelo seu sim generoso a terra dá o melhor dos frutos e o homem que estava na terra da dessemelhança volta à amizade com Deus.

É claro que, se formos ser bem estritos, Jesus é, nesse sentido, a verdadeira primavera. Mas que bonito é louvar a Jesus enaltecendo aquela que foi instrumento para sua vinda ao mundo. Maria não é a promessa, mas é nela que a promessa se realiza. Maria não é o fruto novo que alimenta o povo, mas é a terra fértil que permitiu o crescimento da semente e a produção do alimento. Maria é a porta pela qual a primavera entra no mundo espantando o inverno seco e frio.

Nesse mês dedicado a Maria também celebramos a cada uma de nossas mães. E é muito interessante que assim o seja porque é como se Maria, com todo um mês de celebrações, fosse o modelo para cada uma de nossas mães. Que Nossa Senhora possa interceder por cada uma dessas mulheres que assumem sua missão maternal com amor e que ela as forme para serem cada vez mais santas mães, espelhando sua própria santidade.

Ir.João Antônio
A12.com

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A Igreja Católica e as imagens

O errado é a idolatria, não as imagens. Ou seja, o errado é o ato de idolatrar imagens e não fabricá-las!

É verdade que algumas pessoas da Igreja Católica erraram nos quase dois mil anos de sua história. É de se esperar também que uma Igreja com um bilhão e meio de seguidores tenha mais erros que uma com um milhão de membros. Na verdade, somos santos e pecadores. Santos enquanto instituição e pecadores enquanto membros. No entanto, se há uma coisa que erroneamente se divulga é que os católicos praticam a idolatria.

Idolatria, segundo o dicionário, quer dizer adorar ídolos.

A Igreja Católica Apostólica Romana sempre ensinou com base Bíblica: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Dt 6,13). Não adoramos nem devemos adorar qualquer coisa ou pessoa além do único e Supremo Deus Trino.

Se um médico erra, não podemos culpar a medicina por seu erro. Da mesma forma que, se um advogado erra, não é culpa da lei. Assim, se infelizmente muitos católicos, por ignorância, exageram no respeito às imagens a culpa não é da doutrina católica, que lembra que desde o Antigo Testamento o próprio Deus ordenou ou permitiu a instituição das imagens que conduziriam a salvação através do Verbo Encarnado, Jesus Cristo, como por exemplo a serpente de bronze (Nm 21,4-9; Sb 16,5-14; Jo 3,14-15), a arca da Aliança e os querubins (Ex 25,10-22; 1Rs 6,23-28).

As imagens são sinais
Os católicos sabem que imagens são simplesmente imagens, não tem poder em si mesmas, pois são somente sinais. Seria uma bobeira ao ir para praia ficar em frente à placa que diz “Praia a 10 km” como se tivesse chegado ao lugar desejado. Sabemos que semelhante a uma placa, as imagens somente indicam a verdadeira pessoa digna de admiração e louvor. Isto não quer dizer que as placas são desnecessárias, porque apontam para o lugar certo.

Semelhante a isso, é pegarmos uma foto de um ente querido e acharmos que essa foto é o próprio ente querido. Se eu destruir a foto, evidentemente, não destruo a pessoa da foto. Se eu pisar na foto, evidentemente não piso na pessoa representada na foto. Mas como você se sentiria se pegassem uma foto de um ente querido seu e, na sua frente, cuspissem nela, destruíssem-na ou pisassem nela? Certamente, não ficaria muito felizes, porque, embora a foto não seja a pessoa, o gesto de destruí-la fere gravemente a sua dignidade.

Ora, a mesma escritura, que em Deuteronômio capítulo 4 proíbe imagens, é a mesma escritura que mostra que Moisés, Salomão e outros cunharam ou talharam imagens. Teria Deus enlouquecido? Poderia a Bíblia contradizer-se?

Quando o povo no deserto foi picado por serpentes, Deus mandou Moisés cunhar um cajado de bronze (portanto, uma imagem) com uma serpente e todo o que olhasse para este cajado seria curado. Ora, foi o cajado que curou as pessoas? Não, o cajado de serpente representava ao Senhor Jesus Cristo elevado na cruz. É Ele quem cura as pessoas e não a imagem da serpente.

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida” (Nm 21,9).

Tanto é que o povo começa a adorar a imagem como se ela fosse a responsável pela cura e o Senhor manda Moisés destruí-la: “Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã)” (2 Rs 18,4).

Onde está o verdadeiro erro?
Vemos então que o errado é a idolatria e não as imagens. Ou seja, o errado é o ato de idolatrar imagens e não as fabricar!

“Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher, representação de algum animal que vive na terra ou de um pássaro que voa nos céus, ou de um réptil que se arrasta sobre a terra, ou de um peixe que vive nas águas, debaixo da terra. Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas, e todo o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os povos que vivem debaixo do céu” (Dt 4,16-20).

Não esqueçamos que, na época, havia o politeísmo, ou seja, a crença em vários deuses. A proibição de Deus se refere ao culto de adoração a alguma imagem que fosse tratada como o próprio Deus. Como, por exemplo, o povo que faz um bezerro de ouro para adorá-lo no deserto como se fosse o próprio Deus.

“Tiraram todos os brincos de ouro que tinham nas orelhas e trouxeram-nos a Aarão, o qual, tomando-os em suas mãos, pôs o ouro em um molde e fez dele um bezerro de metal fundido. Então exclamaram: ‘Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito'” (Ex 32,3-4).

Veja que Salomão, o homem mais sábio que já existiu e existirá segundo o próprio Deus, também fez imagens de madeira: “Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. Revestiu também de ouro os querubins. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas. Nos dois batentes de pau de oliveira, mandou esculpir querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu-as de ouro; cobriu de ouro tanto os querubins como as palmas” (1 Rs 6,23-32).

Algumas coisas que a Igreja ensina sobre imagens:
“A imagem sacra representa principalmente Cristo. Ela não pode representar o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova economia das imagens: ‘Antigamente, Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora, que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus (…) Com o rosto descoberto, contemplados a glória do Senhor'”. (São João Damasceno)

“O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento que proíbe ídolos. De fato ‘a honra prestada a uma imagem é prestada na verdade a pessoa a ela representada'” (São Basílio).

“O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem, enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é a imagem.” (Santo Tomás de Aquino)


Daniel Godri Junior
Canção Nova

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mensagem da CNBB aos trabalhadores (as) do Brasil: ‘Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas’


AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

MENSAGEM DA CNBB

“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.

O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.

Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).

Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.

Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).

Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.

Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.

Aparecida, 27 de abril de 2017.

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Você já questionou sua fé e brigou com Deus?

Alguns questionamentos não nos faz chegar a lugar algum, mas a nossa fé sim


Estou com vontade de chutar o pau da barraca!
Por que Deus não age nessa situação que eu vivo?
Por que parece que nunca se cumpre aquilo que Ele mesmo prometeu?
Por que às vezes vejo a ausência ao meu redor?
Quero pendurar minhas chuteiras jogar tudo para o alto!

Alguma vez você usou alguma dessas expressões? Eu já!



Os sinais de Deus
Deus poderia tentar, com sinais, prodígios e demonstrações de poder, conquistar nosso coração e nossa fidelidade, contudo, esse não é Seu método hoje. No Antigo Testamento Ele realizou tantos sinais, mas o povo continuava sendo murmurador e incrédulo. Em nossos dias, os milagres são uma consequência de nossa fé e não a isca de Deus para nos atrair.

Muitas vezes queremos um sinal de Deus. Geralmente esse desejo vem quando estamos em crise de fé. É importante saber que João Batista viu o sinal (vindo do céu) no rio Jordão ao batizar Jesus, mas teve sua crise de fé na prisão, quando enviou na surdina seus discípulos para perguntarem a Jesus se Ele era o Messias.


Sobre as dúvidas
Você já se viu em dúvidas quando lia a Bíblia? Já se perguntou por que Jesus não fez nada com Herodes quando este O ameaçou e lançou João na prisão? Por que curou só um homem paralítico no tanque de Betesda e desapareceu, deixando ali cegos, surdos, coxos e doentes? E por que Deus não destruiu Nínive, preferindo duelar com um profeta d’Ele?

Quero que me diga: seria a omissão e o silêncio de Deus fraqueza ou misericórdia? Para responder, imagine se Ele tivesse tirado sua vida quando você pediu! Se tivesse sido rigoroso quando você errou! Se realizasse a sentença de condenação logo que alguém blasfemasse ou se desviasse!

Conselhos
Leia Romanos 2,4-11 para ver o que Deus fala sobre a demora d’Ele em agir. Seus amigos da Bíblia também tiveram vontade de chutar o balde e pendurar a chuteira: Abraão duvidou (24 anos e a promessa não se cumpria); Jó perdeu a paciência (cf. Jó 38-40); Davi adulterou e matou; Noé embebedou-se; Salomão teve mil mulheres; Pedro negou conhecer o Cristo; Elias pediu para morrer…, mas, no final, todos eles se renderam ao amor de Deus!

Você já parou para pensar por que José não se decepcionou com Deus e com o ser humano quando foi traído por seus irmãos, quase apodreceu na prisão egípcia (sem merecer) e foi esquecido pelo colega de cela? Já refletiu na razão que levou Zaqueu a abandonar a vida política, de corrupção, luxo e luxúria? Algo mais forte os motivava.

Deus nos quer. Veja a parábola de ovelha perdida, do filho pródigo E Ele nos quer com intimidade, num relacionamento de amor e fidelidade. Por isso o véu se rasgou e o Senhor é chamado de “Abba” – “Pai”.

Se bater a vontade de chutar tudo para o alto. Calma! Você é gente, é humano, e como muitos homens da Bíblia.

Calma nessa hora e deixe Deus fazer o melhor!

Adriano Gonçalves
Canção Nova

sábado, 18 de março de 2017

Papa indica elementos-chave para um bom confessor

Amizade com Jesus, discernimento e evangelização podem ajudar o confessor em sua missão

O Papa Francisco recebeu nessa sexta-feira (17) os participantes do Curso sobre Foro Interno, promovido pela Penitenciaria Apostólica.

Francisco disse que esse é um tipo de Tribunal que ele realmente gosta por ser o “tribunal da misericórdia”, pois oferece aquele “remédio indispensável” para a alma, que é a misericórdia divina. De modo especial, o Papa falou sobre o tema do Curso, dedicado à formação de bons confessores. Certamente, constatou o Papa, não é possível se tornar bons confessores fazendo um curso, trata-se de uma “longa escola” que dura a vida toda, mas há alguns elementos que podem auxiliar nesta missão.

Amizade
Para Francisco, o “bom confessor” é, antes de tudo, um verdadeiro amigo de Jesus. “Sem esta amizade, será muito difícil amadurecer aquela paternidade tão necessária no ministério da Reconciliação”.

Ser amigo de Jesus, explicou o Papa, significa primeiramente cultivar a oração, seja a oração pessoal com o Senhor, seja a oração específica para o exercício da tarefa de confessor. Na oração, implora-se o dom de um coração ferido para compreender as feridas alheias e pede-se o dom da humildade para evitar atitude de dureza, que inutilmente julga o pecador e não o pecado.

Discernimento
Em segundo lugar, o bom confessor é um homem do Espírito, um homem do discernimento. “A falta de discernimento causa muito mal à Igreja!”, constatou o Papa, mal provocado pela falta da escuta humilde do Espírito Santo e da vontade de Deus.

O confessor não faz a própria vontade e não ensina uma doutrina própria, mas é chamado sempre e somente a fazer a vontade de Deus. O discernimento permite distinguir e educa o olhar e o coração. No confessionário, o sacerdote deve ser capaz de identificar inclusive os distúrbios espirituais dos fiéis e cabe ao confessor contatar, se necessário, os encarregados por exorcismos.

Evangelização
Por fim, o confessionário é um local de evangelização. “De fato, não existe evangelização mais autêntica do que o encontro com o Deus da misericórdia”. No confessionário, às vezes, torna-se necessário anunciar novamente as verdades de fé mais elementares; às vezes, trata-se de indicar os fundamentos da vida moral.

O confessor, concluiu o Papa, é chamado a ir cotidianamente às “periferias do mal e do pecado”, e a sua obra representa uma autêntica prioridade pastoral. “Rezem sempre pelos irmãos e irmãs que se aproximam do Sacramento do perdão. E, por favor, rezem por mim”, finalizou Francisco.

Canção Nova - Rádio Vaticano

sábado, 4 de março de 2017

Paróquia começa a se preparar para a Festa do Padroeiro

Aconteceu na noite da última quinta-feira (02), na Igreja Matriz, o primeiro encontro do nosso pároco, padre Lucas Mendes, com os integrantes de pastorais e movimentos para tratar dos festejos do padroeiro de São Francisco de Itabapoana, São Francisco de Paula. Este ano, será realizado novenário que começará no próximo dia 24. Dentro da programação, estão atividades que já participaram da festa há alguns e estarão de volta, mas também haverá novidade. 

Durante a reunião, que contou com mais de 50 paroquianos, toda programação foi apresentada. Padre Lucas ressaltou que é preciso "respirar fundo, nos fortalecer através da oração e trabalharmos bastante". Segundo ele, "tudo foi pensado com muito carinho". 
Como sempre, cada pastoral e movimento terá sua função, que estará disponível segunda-feira (06) na Secretaria Paroquial. Os respectivos coordenadores deverão comparecer no local e desde então começarem a trabalhar. 

Uma segunda reunião já está marcada para conferir o andamento dos trabalhos. O encontro ocorrerá após a Santa Missa das 20h do dia 16. 

Novidade e tradição
Como novidade, o primeiro domingo dos festejos contará com o Pedal do Padroeiro, um passeio ciclístico pelas ruas do município. 

Relembrando as tradicionais festas de São Francisco de Paula estão programadas brincadeiras com as crianças e a alvorada, junto com café comunitário, esta última iniciando a programação do dia dois de abril, dia do padroeiro. 

No primeiro final de semana da festa, haverá apresentação dos ministérios Frutos do Espírito e Divino Som nos dias 24 e 25, respectivamente. No segundo e último final de semana, os shows ainda serão definidos. 

Durante todos os dias de festa, a Feira de Artesanato da secretaria municipal de Promoção Social estará montada. 

O novenário e festa de São Francisco de Paula é uma realização da Paróquia São Francisco de Paula com o apoio da Prefeitura de São Francisco de Itabapoana. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Tudo o que um músico precisa saber sobre a Quaresma

A Quaresma compreende o período de cerca de quarenta dias reservado à preparação da Páscoa. A palavra ‘Quaresma’ vem do latim, quadragesima dies (quadragésimo dia). O adjetivo referente a este período é dito quaresmal ou, mais raro, quadragésima. O tempo da Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas (rito latino) até a Missa vespertina da Quinta-feira Santa, iniciando o Tríduo Pascal.

“Trata-se de um número que exprime o tempo da expectativa, da purificação, do regresso ao Senhor e da consciência de que Deus é fiel às suas promessas” Papa Bento XVI (22 de fevereiro de 2012).


Tempo de penitência e conversão, quando se dá atenção ainda maior às práticas de jejum, esmola e oração, conforme o Evangelho de Mateus (Mt 6,1-6.16-18), proclamado na Quarta-feira de Cinzas.


“A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a Missa, que expressam a conversão com relação a si mesmo, com relação a Deus e aos demais. Junto à purificação radical operada pelo batismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação pela salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade, “porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pedro, 4,8.).” (Catecismo Igreja Católica, n. 1434).


O que não cantamos

Neste tempo, no rito latino, suprimimos o hino do Aleluia (IGMR 62) – cantado ou recitado. O hino do Glória (IGMR - Instrução Geral do Missal Romano 53) é suprimido, salvo em caso de solenidade ou festa, podendo então ser cantado ou recitado normalmente. As solenidades dos calendários, como a Anunciação do Senhor e de São José, são transferidas apenas em caso de coincidirem com algum domingo de Quaresma.

A cor litúrgica do Tempo da Quaresma é o roxo. Para o 4º domingo, chamado domingo da alegria, o Domingo Laetare, assim chamado pela primeira palavra do introito em latim: Laetare Jerusalem (Alegra-te, Jerusalém!), é permitido o uso da cor rosa. No Domingo de Ramos, a cor das vestes litúrgicas do celebrante é a vermelha (IGMR, n. 346)

Sobre a ornamentação o IGMR nos diz:

“Haja moderação na ornamentação do altar. No tempo do Advento, ornamente-se o altar com flores, com a moderação que convém à índole deste tempo, de modo a não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor. No tempo da Quaresma, não é permitido adornar o altar com flores. Excetuam-se, porém, o domingo Laetare (IV da Quaresma), as solenidades e as festas. A ornamentação com flores deve ser sempre sóbria e, em vez de as pôr sobre a mesa do altar, disponham-se junto dele.” (IGMR, n. 305)

Essa sobriedade também é indicada na música:
“No tempo da Quaresma, só é permitido o toque do órgão e dos outros instrumentos musicais para sustentar o canto” (IGMR 313)


Sobre o silêncio

O silêncio na Quaresma pode ser observado com maior cuidado. “No Ato Penitencial e a seguir no convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior. A seguir, as leituras ou a homilia é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças”. É o que nós diz a IGMR no nº45.

Outra sugestão é suprimir o canto das ofertas (apresentação dos dons), pois este “é um canto suplementar, essa categoria inclui os cantos para os quais não há textos específicos previstos. A rigor, são elementos facultativos da celebração, e nem precisam ser falados ou cantados”. (Documentos da Igreja sobre música litúrgica Paulus, 3.411.3., p. 327).


A espiritualidade de cada domingo da Quaresma
Ano A (Mateus):
1º Domingo: Deserto
2º Domingo: Transfiguração
3º Domingo: Samaritana
4º Domingo: Cego de Nascença
5º Domingo: Lázaro


“A Quaresma é um tempo de jejum e penitência, instituído pela Igreja por tradição apostólica” (São Pio X, Catecismo Maior, 35)

Canção Nova

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Saiba como escolher sua penitência na Quaresma

A Quaresma está aí e você ainda não sabe qual penitência irá fazer? Diante desse dilema, temos sempre que recordar que somos convidados a celebrar uma reconciliação com Deus.

Alguns optam por não consumir alguns alimentos, como chocolate, refrigerantes e doces, outros deixam de frequentar lugares que gostam. Mas, também, podemos escolher mudar nossas atitudes, como fazer o controle da língua e dos pensamentos, mudar o modo de viver com a família, exercitar o treinamento da paciência e do perdão, entre outros.

Não nos abstemos de algo para sermos "diferentões", mas para que possamos ser um sinal do amor e da misericórdia de Deus a muitos outros jovens que ainda não conseguiram se sentir abraçados a essa misericórdia abundante. E, lembre-se que a penitência não é algo que fazemos para vivenciar apenas em quarenta dias, mas é uma oportunidade que nos prepara para todo o ano que vem pela frente.

Para te ajudar, vamos listar alguns itens importantes para o discernimento da escolha:

Você não é super-herói
O primeiro cuidado que devemos tomar é se vamos cumprir a penitência. Não podemos exigir de nós a capacidade de algo que não vamos conseguir fazer. Devemos estar sempre atentos para que a abstenção que se faz nesses quarenta dias gere uma mudança profunda, não apenas uma questão externa.

Não a torne uma obrigação
O gesto é algo que brota de forma espontânea no nosso coração, de um desejo de transformação. Deixamos, por exemplo, de comer algo que gostamos para que possamos doar ao outro. Isso, não porque simplesmente é Quaresma, mas para que por meio desse ato entendamos os valores que depositamos nas coisas.

Reze!
Você deve se colocar em oração. Ela nos dá um olhar divino e nos ajuda a contemplar o meio que vivemos com uma esperança lá no futuro. É importante colocar-se em diálogo com Deus, não só para falar, mas, também, para ouvir.

Pratique a caridade
A oração nos faz sensíveis com aqueles que são próximos de nós ou aqueles que muitas vezes são anônimos, mas precisam da nossa ajuda. Por isso, movimente-se em favor do próximo.

Opte pelo jejum
Ele não é uma forma de abster de um alimento por questão estética, mas para nos sensibilizarmos com o outro. É um exercício da prática do controle dos nossos desejos, que ajudará no seu discernimento.

Jovens de Maria
A12.com

Entenda a homília do Papa Francisco que condena a vida dupla


Nessa quinta-feira (23), jornais de todas as emissoras anunciaram que o Papa Francisco “teria sugerido” que é melhor ser ateu do que católico hipócrita. Ora irmãos, a ironia está na hipocrisia dessas notícias, que visam nada mais do que obter audiência por meio do escândalo, exatamente o oposto do que pregava o Santo Papa. De fato, o Papa comentava o Evangelho do dia, onde Jesus Cristo ensinava aos Seus discípulos: “E se alguém escandalizar um desses pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço” (Mc 9,42).

Na leitura do Evangelho, encontramos orientações de Jesus Cristo sobre a simplicidade da fé. Devemos nos atentar por nossas ações cotidianas, as quais nos levam ao pecado. Jesus nos ensina que é melhor entrar no Reino dos Céus sem uma das mãos, sem um dos pés ou sem um dos olhos, se estes nos fazem pecar, do que sermos jogados por inteiro no inferno. Se um de seus membros o leva a pecar, corta-o. O Papa Francisco nos ensina essa passagem citando que manter os membros que nos levam ao pecado é o escândalo. Propõe o Santo Papa que reflitamos sobre se há algo de vida dupla em nós e nos convertermos desde já, em vez de persistir no pecado sobre a ideia de que “O Senhor me perdoará tudo”, pois isso não é bom.

O Papa nos ensina que se vivermos uma vida dupla, frequentando a Missa, entregando ofertas e participando de grupos, mas nos mantivermos no pecado em nossa vida particular, aproveitando-nos dos pequenos, não cumprindo com nossas obrigações, ao bater na porta dos céus, Jesus não nos reconhecerá, pois somos, de fato, pecadores e não os bons católicos como nos apresentamos à comunidade. Jesus Cristo conhece-nos profundamente. Para concluir dessa forma, o Santo Papa utiliza-se do exemplo de um empresário católico, que estava de férias no Oriente Médio, enquanto seus funcionários ameaçavam iniciar uma greve justa por não ter dinheiro para arcar com as despesas cotidianas, pois não recebiam o salário.

É certo que o Santo Papa não deixou de citar que “Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes que ‘ser católico como aquele, melhor ser ateu’”. Sejamos sensatos, irmãos, pois o que nos foi noticiado foram essas palavras como próprias do Sumo Pontífice, e não como o exemplo de palavras que ouvimos pelo mundo, como de fato foram utilizadas na homilia. Anunciar as palavras do Santo Papa sem o compromisso de evangelizar é ameaçador aos ouvidos dos fiéis desatentos pelas ocupações do dia a dia.

Saibamos nós que é este, irmãos, o ensinamento do Santo Papa: “Não escandalizar os pequeninos com a vida dupla, porque o escândalo destrói”.

Na homília da Missa matutina celebrada, nessa quinta-feira, 23, na Casa Santa Marta, a reflexão se faz por meio do Evangelho de Marcos. Atentos, não nos deixemos levar pelo sensacionalismo das mídias que anunciam as palavras do Santo Papa sem qualquer compromisso com a missão de evangelizar, mas sim buscando audiência por meio do escândalo. Em sua homília, Papa Francisco ainda ensina: “Os jornais noticiam vários escândalos e fazem publicidade de escândalos. Com os escândalos se destrói”. Não nos deixemos destruir, mas antes busquemos com fidelidade a Liturgia, entendamos pela fé as palavras do Sumo Pontífice e a Liturgia do Senhor. 

Canção Nova

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O que significa fazer o sinal da cruz?

Os católicos são criticados por fazer o Sinal da Santa Cruz. Mas há sólido fundamento nessa prática, como veremos.

A Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz no dia 14 de setembro. Essa festa origina-se nos primórdios da cristandade, porque a Morte do Senhor sobre a Cruz é o ponto culminante da Redenção da humanidade. A glorificação de Cristo e a nossa salvação passam pelo suplício da Cruz. Cristo, encarnado na Sua realidade concreta humano-divina, se submete voluntariamente à humilde condição de escravo (a cruz era o tormento reservado para os escravos) e o suplício infame transformou-se em glória perene.

Os Apóstolos resumiam sua pregação no Cristo crucificado e ressuscitado dos mortos, de quem provém a justificação e a salvação de cada um. São Paulo dizia que Cristo cancelou “o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na Cruz” (Cl 2,14). É por isso que cantamos na celebração da adoração da santa Cruz na Sexta-feira Santa: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo: Vinde! Adoremos!”.

O caminho da cruz, da humilhação e da obediência foi o que Deus escolheu para nos salvar. Por isso, amamos e exaltamos a santa Cruz.
São Paulo resumiu tudo, dizendo aos filipenses: “sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente” (Fl 2,6-9). Se o Senhor passou por esse caminho de obediência, humilhação e crucificação, será que, para nós, cristãos (imitadores de Cristo!), haverá outro caminho de salvação?

Somente pela cruz, que significa morte ao próprio eu, à própria vontade, para acatar com fé, alegria e ação de graças a vontade de Deus, poderemos nos salvar. E é o próprio Senhor quem nos diz isso muito claramente: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9,23). “Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24b). Cada um tem a sua cruz!

É pela cruz de cada dia, que cada um carrega, que Deus nos santifica (cf. Hb 12,10), fazendo-nos morrer para todas as más inclinações do nosso espírito. É pela cruz que chegaremos à glorificação, como o Senhor Jesus. É por isso que exaltamos a santa Cruz. E é por meio dessa Cruz de cada dia (doenças, aborrecimentos, penúrias, humilhações, cansaços, injustiças, incompreensões) que temos a graça e a honra de poder completar em nossa carne o que falta à Paixão do Senhor no seu Corpo, a Igreja (Cl 1,24).
O escritor cristão, Tertuliano († 220), atesta o amplo uso que do Sinal da Cruz faziam os fiéis nas mais variadas contingências da vida humana no segundo século:

“Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas as nossas demais atividades, persignamo-nos a testa com o sinal da cruz” (De corona militis, 3).

Diz Santo Hipólito de Roma (†235), descrevendo as práticas dos cristãos do século III:

“Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o cordeiro verdadeiro; ao fazer o sinal da cruz na fronte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos, 42).

Estes testemunhos dão a ver que o Sinal da Cruz já no início do século III estava muito difundido entre os cristãos, de tal modo que, as suas origens se identificam com as dos primórdios do Cristianismo.

Felipe Aquino
Canção Nova 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Apresentação do Senhor

Maria e José cumpriram as prescrições da Torah, Lei Judaica e permitiram que a Salvação acontecesse na História.

Apresentar alguém é fazer com que esta pessoa seja conhecida. Todos já foram apresentados e receberam apresentações. Pense em um casal que, com alegria e orgulho, vai até a casa dos pais para apresentar o filho recém-nascido. Quantas expectativas nos braços daqueles pais indo aos avós de sua criança!

O Novo Testamento nos narra um fato semelhante, com Maria, José e Jesus. O menino Jesus, apenas nascido, é levado ao Templo por seus pais e é apresentado, dado a conhecer. E aqui acontecem fatos e são ditas palavras interessantes. Lemos isso em Lucas 2,22–40.

Apresentação do Senhor ao seu Povo
Enquanto Jesus é apresentado no Templo, cumprindo Torah, a Lei do Antigo Testamento (o Pentateuco de nossas Bíblias), quem recebe a apresentação, na realidade, é quem vai aceitá-lo como Senhor e Salvador. Em Lucas 2,29–31, o Cântico de Simeão, se afirma: “Agora, Soberano Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque meus olhos viram tua salvação, que preparaste em face de todos os povos, luz para iluminar as nações, e glória de teu povo, Israel”. Esta “luz para iluminar as nações todas” é uma passagem de Isaías 42,1–9 (é o versículo 6), o chamado Primeiro Canto do Servo; é também uma citação de Isaías 49,1–7 (também está no versículo 6), o Segundo Canto do Servo. Ora, o “Servo” é o Senhor Jesus. E quem recebe a apresentação não é Deus, que já conhece seu Filho, mas seu povo e todas as nações que podem aceita-lo.

O que se destaca aqui é a dedicação de Maria e José, pais de Jesus, em cumprir as prescrições da Fé que professavam. As “nações” são todos os povos à exceção de Israel. Este era o Povo de Deus, as nações eram os pagãos, os que, mesmo sem esperar o Salvador como os Judeus esperavam, acabam por recebê-lo em Jesus.

Simeão e Ana: zelosos das Profecias
Simeão era um justo e piedoso homem que habitava Jerusalém, como se lê em Lucas 2,25. Ele esperava a revelação do Messias ou Cristo. Vai ao Templo e o encontra com Maria e José.

Simeão também fez aquele anúncio a Maria: “…uma espada transpassará a tua alma!” (Lucas 2,35). Foi um anúncio de sofrimento para Maria, prevendo a Paixão e Morte de Jesus. É parte da profecia do Servo Sofredor, uma imagem muito forte de Jesus. Já a profetiza Ana, idosa senhora que servia no Templo, é sinal da dedicação sincera dos pequenos à causa de Deus. Simão e Ana são a marca do zelo pelas Profecias que devia animar os fiéis judeus. Mas que nem todos entendiam.

Maria e José: o sinal da Fé
Nesta situação toda encontram-se José, esposo de Maria, e ela, a Mãe do Salvador. Eles cumprem a Torah, observam tudo, assimilam as palavras e os sinais, para compreender o sentido da História. Mas ele será compreendido somente na Ressurreição, o que exige também a Paixão e a Morte. José e Maria estão no tempo da Fé. Precisam da luz que vem de seu Filho, o Salvador. Por isso usamos as velas para celebrar esta solenidade.

Uma Solenidade Cristológica
Até a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II a Apresentação do Senhor, celebrada com velas, acentuava a presença de Maria que oferecia seu Filho ao Senhor. Era a festa de Nossa Senhora das Candeias ou da Candelária. De fato, “candeia” é um modo dizer “vela”. Candelária seria o conjunto das velas. Mas isto é um pouco parcial. De fato, quem apresenta Jesus é Maria e José, os Santos Esposos. Depois, o ato principal não é apenas a apresentação em si, mas o que ela significa. Jesus Cristo, o Servo do Senhor, é a luz para iluminar as nações todas.

Maria, a Mãe, e José, o Pai, podem nos ajudar a compreender mais este Mistério.