quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dízimo: Manutenção da fé

Nós buscamos um relacionamento sincero com Deus através da oração, do cuidado com o templo, com o zelo pelos mais pobres, e de muitas outras maneiras. No entanto, por vezes trabalhamos de forma isolada, com doações dominicais e algumas ações esporádicas dentro das comunidades.

Todas as comunidades precisam crescer tanto em espiritualidade como em organização para proporcionar aos seus membros possibilidades de criar um relacionamento fraterno, com locais que facilitem o aprendizado, a oração e também o divertimento.

Os espaços precisam ser mantidos, ampliados e se tornar mais aconchegantes de maneira que todos possam ser bem atendidos na casa de Deus. Assim também nós precisamos crescer na Fé, tornando-nos mais responsáveis com a comunidade em que vivemos e que nos acolhe.

O Dízimo é uma ferramenta importantíssima para o nosso crescimento no exercício da Fé, pois nos permite transformar em ato concreto todo nosso desejo de crescimento espiritual e desapego das coisas materiais. Através do Dízimo nossas comunidades podem se organizar, planejar e desenvolver aquilo que desejam e necessitam, pois todos colaboram de forma organizada e sistemática.

Uma tomada de consciência de que nosso Dízimo trazido na comunidade vai amparar, cuidar e promover a vida levará todos os seus membros a um grande desejo de viver intensamente a partilha.

Enfim, podemos promover a manutenção da nossa Fé também através de atos concretos dentro e fora de nossas comunidades, proporcionando o nosso crescimento e de nossos irmãos.

O que a Igreja diz sobre purgatório?

Se quem já morreu não pode fazer nada por si mesmo, o que os vivos poderão fazer por quem já se foi?

Se temos uma certeza a respeito da vida é que a morte um dia virá, ela é certa; cedo ou tarde nós nos depararemos com ela. O que nos consola como cristãos é a nossa fé na ressurreição. Jesus ressuscitou e com Ele todo aquele que n’Ele crer ressuscitará. Talvez, você já tenha se perguntado: “O que vai ser daquele meu parente ou amigo que faleceu? Ele era gente boa, porém, tinha uns pecados. Ele vai para o céu? E se eu morrer, mas não estiver “tão em Deus”, o que vai ser de mim?”.

O ideal é que morramos em Deus, sem pecados, e que tenhamos vivido a reconciliação com todos com amor e gratidão. Enfim, se morrermos em Jesus Cristo, na pureza e sem pecado, com certeza o céu será o nosso destino final, pois lá é a morada dos santos. Devemos, dia após dia, viver o anúncio de Jesus Salvador para alcançarmos a pátria eterna que, por misericórdia, Ele concede aos Seus filhos.

Parece impossível, não é? Mas muitos santos conseguiram, e eles eram pessoas como nós. De qualquer forma, se morrermos não tão santos ou com alguns pecados, a Igreja nos ensina sobre o Purgatório, o lugar da purificação final dos eleitos, daqueles que morreram em Deus, mas ainda precisam de purificação para chegar à glória dos céus.

Foi no Concílio de Florença e de Trento que se desenvolveu a fé no purgatório. Na Bíblia, há algumas passagens que falam desse fogo que purifica (I Cor 3,15; I Pd 1,7). O segundo livro do Macabeus 12,46 fala de Judas, que ofereceu sacrifícios em expiação dos pecados de falecidos. Quando se menciona Purgatório, não diz respeito aos condenados ao céu ou ao inferno, não se trata ainda de um lugar, mas de um estado onde é possível a purificação. Assim, como em nossas orações, preces, Missas e em nossos jejuns somos purificados, quem já morreu não pode fazer mais nada por si mesmo.

Se quem já morreu não pode fazer nada por si mesmo, o que os vivos poderão fazer por quem já se foi? Cremos na comunhão dos santos e no batismo que nos une a Cristo. Por meio de orações, sacrifícios e, principalmente, pela celebração da Santa Eucaristia pedimos pelos falecidos, por aqueles que partiram.

Por fim, irmãos, essa é a nossa fé católica. Vamos com muita confiança viver nossa vida cristã na busca constante e perseverante pela santidade. Vamos, com muita garra, anunciar Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e orar por aqueles que partiram, por parentes e amigos falecidos. Vamos rezar também por aqueles que morreram esquecidos, perdidos ou abandonados, para que também sejam purificados pelo fogo do Senhor e cheguem ao Seu Reino.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Todas as gerações são necessárias para a Igreja

A edificação da Igreja é obra perene, e o acabamento da imensa obra espiritual só acontecerá na Jerusalém celeste

A Liturgia da Igreja tem um rito altamente significativo, a Dedicação do Templo e do Altar, com o qual os edifícios destinados ao uso do culto são “separados”, “consagrados”. Na ocasião, a celebração se inicia com a entrega do templo ao Bispo, que faz a Dedicação e o devolve ao uso da Comunidade a que se destina. Anualmente celebra-se a festa alusiva a este gesto sagrado, para que cresça a consciência da vocação cristã e o sentido de pertença à Igreja. Dentre todos os templos edificados pelo mundo afora, ganha destaque a Basílica do Santíssimo Salvador em São João de Latrão, também chamada de Catedral de Roma, a Sede que preside à caridade, onde o Papa toma posse de sua missão como “Bispo de Roma”. Porque é Bispo de Roma é que lhe cabe o primado na Igreja. Anualmente, no dia nove de novembro, a Dedicação da Basílica do Latrão é comemorada solenemente e oferece bela oportunidade para um conhecimento maior da própria Igreja.

Nossas grandes cidades assistem ao crescimento urbano desafiador, que exige uma atenção especial de todas as pessoas que se sentem responsáveis pela Igreja. Impressiona fortemente a dedicação de homens e mulheres que se organizam, conduzidos pela liderança de tantos dedicados sacerdotes, para a construção das igrejas e Capelas. Edifica-me ver as muitas ofertas semelhantes às duas moedas da viúva pobre elogiada por Jesus no Evangelho (Cf. Mc 12, 42-43). De vez em quando escuto observações de pessoas sobre as construções de nossos templos: “Obra de Igreja não termina nunca!” E é verdade, pois os muitos mutirões, coletas, campanhas de todo tipo, tudo é feito com boa vontade, especialmente dos mais pobres! Prolongado o tempo para a construção, magnífico aprendizado que se realiza!

E aqui está a primeira das muitas lições: a edificação da Igreja é obra perene, e o acabamento da imensa obra espiritual só acontecerá na Jerusalém celeste. Quem entra na Igreja, chega para participar de uma imensa tarefa, que envolve a todos, pois Igreja é missão! As portas que desejamos abertas, de todas as igrejas e capelas, sejam o sinal daquele que é a porta das ovelhas, o próprio Senhor Jesus Cristo (Cf. Jo 10, 7). Para que todos os homens e mulheres venham a passar por ele, o olhar dos cristãos que já o encontraram deverá ampliar-se para alcançar a todos. Certamente os cristãos leigos e leigas têm à disposição um imenso leque aberto de contatos, oportunidades de diálogo e evangelização direta, muito mais do que os Bispos e Padres. É que seu campo de ação e seu desafio é o imenso mundo das profissões, do relacionamento social de todo tipo, o corpo a corpo do diálogo com as diversas estruturas do mundo. Igreja é convocação, chamado universal à salvação.

O fundamento da missão da Igreja se encontra no Sacramento do Batismo, no qual todos recebemos uma tríplice tarefa: profetas, para anunciar a Palavra da verdade; sacerdotes, com a graça para oferecer tudo a Deus, como sacrifício agradável; reis e pastores do reinado de Cristo, para edificar na caridade o relacionamento fraterno em todo lugar. Daqui nasce a igualdade fundamental na dignidade e na responsabilidade, com a qual todos se sentem membros vivos da Igreja de Cristo. Não dá para imaginar um cristão de verdade que se acomode na passividade diante dos problemas de nosso tempo.

Quem vai à missa aos domingos, ali escuta a Palavra de Deus e se alimenta da Eucaristia, sai da Igreja-templo para construir a Igreja-Corpo de Cristo, vivendo o ensinamento do Apóstolo: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de conhecimento segundo o mesmo Espírito. A outro é dada a fé, pelo mesmo Espírito. A outro são dados dons de cura, pelo mesmo Espírito. A outro, o poder de fazer milagres. A outro, a profecia. A outro, o discernimento dos espíritos. A outro, a diversidade de línguas. A outro, o dom de as interpretar. Todas essas coisas as realiza um mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer” (1 Cor 12, 4-11).

Acolhendo a missão, prontos a edificar a Igreja, os cristãos abrem braços e corações para todos. Como numa família, saberão dar atenção a cada pessoa, levando em conta sua história. Na Igreja encontrem seu lugar os que se aproximam da fé, tocados pela Palavra de Deus e pelo testemunho dos fiéis. Não é discriminação oferecer-lhes o alimento espiritual que são capazes de absorver. Sejam amados e acompanhados os catecúmenos, admitidos ao processo de iniciação cristã. O tempo que lhes é dado para a formação, antes dos Sacramentos da Iniciação cristã, é fecundo da graça de Deus. Não faz bem precipitar os passos a serem dados, inclusive para respeitar seu amadurecimento pessoal. Cabem na Comunidade Eclesial as pessoas que estão num processo de conversão e penitência, quem sabe depois de estradas nem sempre bonitas, percorridas pelo mistério da liberdade humana. Acolhê-los e acompanhá-los com paciência, valorizando as descobertas da graça do Senhor, da prática dos mandamentos e os frutos de uma escuta amorosa da Palavra de Deus, é o caminho pedagógico suscitado pelo amor de Cristo por eles. Trabalhe-se fervorosamente para que encontrem decididamente a estada da vida nova!

Que dizer das famílias, Igreja Doméstica, na graça de ser esposo e esposa, pai, mãe, filhos e filhas, irmãos e irmãs? Deus seja louvado por estas porções preciosas do Corpo de Cristo, presentes no recesso do lar, estrelas que brilham e apontam a todos o caminho do amor. É olhando para elas que os cristãos se animam a acompanhar com caridade ao mesmo tempo forte e cheia de ternura misericordiosa, as famílias em situação particular, tantas delas sem a graça do Sacramento do Matrimônio, mas lares a serem amados e valorizados, a fim de encontrarem o espaço de carinho e dedicação da Igreja. A verdade sobre o ideal da família santificada pela graça sacramental não as desanime, mas as conduza aos caminhos possíveis a cada situação.

E a Igreja se edifica com a contribuição das várias gerações. Igreja e sociedade sem crianças são privadas de vitalidade. Os casais que se abrem ao dom do filho, e filho é bênção (Cf. Sl 127, 1-5) constroem a Igreja do futuro! E mais dois polos da vida social e da Igreja encontrem seu lugar. Com a palavra o Papa Francisco: “Olhem! Eu penso que, neste momento, a civilização mundial ultrapassou os limites, ultrapassou os limites porque criou um tal culto do ‘deus’ dinheiro, que estamos na presença de uma filosofia e uma prática de exclusão dos dois polos da vida que constituem as promessas dos povos. A exclusão dos idosos, obviamente: alguém poderia ser levado a pensar que nisso exista, oculta, uma espécie de eutanásia, isto é, não se cuida dos idosos; mas há também uma eutanásia cultural, porque não se lhes deixa falar, não se lhes deixa agir. E a exclusão dos jovens: a percentagem que temos de jovens sem trabalho, sem emprego, é muito alta e temos uma geração que não tem experiência da dignidade ganha com o trabalho. Assim, esta civilização nos levou a excluir os dois vértices que são o nosso futuro. Por isso os jovens devem irromper, devem fazer-se valer; os jovens devem sair para lutar pelos valores, lutar por estes valores; e os idosos devem tomar a palavra, tomar a palavra e ensinar-nos! Que eles nos transmitam a sabedoria dos povos!” (Cf. Encontro com os jovens argentinos, na Jornada Mundial da Juventude).

Igreja, Povo de Deus! Venham todos a ajudarem na edificação da Igreja, Corpo de Cristo. Há lugar para todos no regaço amoroso do amor do Pai, na força do Espírito Santo que conduz a Igreja pelos caminhos do mundo, rumo à eternidade.

É preciso mais entrega, esperteza e paixão na prática do bem

Falta habilidade, entrega e paixão, falta imersão na sagacidade para o bem. Nós, chamados a fazer parte desta Luz maravilhosa que é Jesus, somos passivos demais, somos sem vibração, sem sabor e sem gosto.

“Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz” (Lucas 16,8).
Num primeiro momento, pode parecer meio contraditório e até difícil entender essa Palavra, porque o senhor, responsável pelo negócio, elogiou seu administrador desonesto, porque este agiu com esperteza quando sabia que seria demitido. Então, antes de prestar contas daquilo que fez em sua administração, combinou com cada um daqueles que deviam para o seu patrão e negociou a dívida para menos, para aliviar a barra de quem devia, pois sabia que mais tarde poderia precisar deles.

Deixe-me explicar a você: não é que a Palavra de Deus seja usada para exaltar, enaltecer ou valorizar a desonestidade; muito pelo contrário, ela está mostrando a esperteza, a sagacidade que aqueles que vivem neste mundo sabem usar para as coisas e os negócios do mundo. Sim, eles são espertos, são vivos!

É como se Jesus dissesse: “Os filhos deste mundo são muito mais espertos, sagazes, inteligentes, têm muito mais paixão, muito mais garra para fazer os seus negócios do que os filhos da luz”. Porque, muitas vezes, nós, que fomos chamados a fazer parte desta luz maravilhosa, que é Jesus, somos passivos demais, somos sem vibração, sem sabor, sem gosto. É assim que nos comportamos para fazer e cuidar das coisas do Senhor.

Quando cantores famosos vêm ao Brasil, muitas pessoas ficam cinco, seis dias numa fila para conseguir um ingresso. Há torcedores fanáticos que fazem loucuras pelo seu time de futebol, pessoas que para defender o seu negócio dão tudo de si. Mas, para as coisas de Deus, são moles, são devagar e, muitas vezes, chegam a dizer: “Quando der”, “Vou ver se posso”.

Falta habilidade, entrega e paixão, falta imersão na sagacidade para o bem, porque os que fazem o mal sabem ser aplicados para fazê-lo, mas os que querem viver o bem não têm a mesma aplicação, a mesma entrega, o mesmo dinamismo que o outro tem. Por isso, o mal se difunde com mais facilidade, ele se propaga com maior êxito, porque quem sabe fazer o bem, muitas vezes, não o faz com inteligência e aplicação necessária. Agora, aqueles que fazem o mal sabem ser muito mais espertos do que nós! Por isso as coisas do mundo crescem com mais facilidade; e nós, em nossa timidez, deixamos de expandir o Reino, a Boa Nova, a bondade, a generosidade, porque não nos aplicamos para valer para fazer às coisas do Senhor.

Deus abençoe você!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Por que devemos ter um santo de devoção?

É dogma de nossa fé católica que as pessoas que morreram perfeitamente santas vão para o céu imediatamente; e na comunhão com Deus “intercedem por nós sem cessar”, como diz a Oração Eucarística.

Nos primórdios do Cristianismo os cristãos já celebravam a Santa Missa sobre o túmulo dos mártires, nas catacumbas, para suplicar-lhes a intercessão. Mesmo no Antigo Testamento já encontramos uma base bíblica sobre a intercessão dos que já estão na glória de Deus; fato descrito no segundo livro de Macabeus, no capítulo 15, versículos de 11 a 15. O povo judeu estava em guerra contra os gentios, liderados por Judas Macabeu. Para levantar o ânimo dos guerreiros, Judas contou-lhes a visão que tivera, na qual Onias, sumo sacerdote já falecido, e Jeremias, intercediam por eles: "Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu. Em seguida havia aparecido do mesmo modo um homem com os cabelos todos brancos, de aparência muito venerável. Então, tomando a palavra, disse-lhe Onias: 'Eis o amigo de seus irmãos, aquele que reza muito pelo povo e pela cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus'" (2 Mac 15, 11-15).

O Catecismo da Igreja Católica confirma isso no número §956: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Portanto, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (Lumen Gentium 49).

São Domingos de Gusmão, na hora da morte, pede a seus irmãos: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. Santa Teresinha do Menino Jesus afirma antes de morrer: “Passarei meu céu fazendo o bem na terra”. Como o povo ama a “Novena das Rosas” desta santa!

O número 29 do “Manual das Indulgências”, do Vaticano, enriquece com indulgências as orações, ladainhas, novenas aos santos, entre outros. O número 54 das Orações indulgenciadas revela: “Concede-se indulgência parcial ao fiel que, no dia da celebração litúrgica de qualquer santo, recitar em sua honra a oração tomada do Missal ou outra aprovada pela autoridade da eclesiástica” (“O que são as indulgências”, pag. 91, Editora Cléofas).

A Tradição da Igreja está repleta de confirmações sobre a intercessão dos santos. São Jerônimo (340-420), doutor da Igreja, disse: “Se os Apóstolos e mártires, enquanto estavam em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos” (Adv. Vigil. 6). Santo Hilário de Poitiers (310-367), bispo e doutor da Igreja, garantia que: “Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”. São Cirilo de Jerusalém (315-386): bispo de Jerusalém e doutor da Igreja, afirmava: “Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: Patriarcas, profetas, Apóstolos e mártires; para que Deus, por sua intercessão e orações, se digne receber as nossas”.

O Concílio de Trento (1545-1563), em sua 25ª Sessão, confirmou que: “Os santos que reinam agora com Cristo, oram a Deus pelos homens. É bom e proveitoso invocá-los suplicantemente e recorrer às suas orações e intercessões, para que vos obtenham benefícios de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, único Redentor e Salvador nosso.

Por tudo isso é que a Igreja ensina que devemos suplicar a intercessão dos santos. Essa intercessão, e especialmente a de Nossa Senhora, que é a mais poderosa de todas as intercessões, não substitui a mediação única de Cristo; ao contrário, a reforça, pois, sem a mediação única e indispensável de Cristo, nenhuma outra intercessão teria valor, já que todas são feitas “por intermédio” de Jesus Cristo. Por isso a Igreja não teme invocar os santos e suas preces por nós diante de Deus. É por essa razão também que a Igreja recomenda que os pais coloquem nomes de santos em seus filhos a fim de que tenham, desde pequenos, um patrono no céu.

Os santos, durante sua vida, foram devotos de outros santos. Santa Teresa de Ávila tinha devoção profunda a São José e a Santo Agostinho. São João Bosco era devoto de São Francisco de Sales, etc. Por isso a Igreja nos aconselha vivamente que nos recomendemos à intercessão deles. Neste sentido, o Papa proclama determinados santos protetores das profissões, países, cidades e contra as doenças. Santa Luzia é protetora dos olhos e da visão; Santa Teresa é patrona dos professores; São Lucas, dos médicos, etc.

Os santos conseguem interceder por nós junto a Deus porque estão em comunhão com Ele em vista dos seus méritos conquistados na Terra. Cada fiel deve ter um ou mais santos de sua devoção; especialmente aquele que leva o seu nome de batismo.

O cristão pode participar do Halloween?

O cristão pode participar dela ou trata-se apenas de uma prática cultural inofensiva?

O Halloween é uma festa comemorada no dia 31 de outubro, véspera do Dia de Todos os Santos. Ela é realizada em grande parte nos países ocidentais, sendo mais forte nos Estados Unidos, para onde foi levada por imigrantes irlandeses em meados do século XIX. Na valorização da cultura americana, especialmente nas escolas de inglês e nos filmes de Hollywood, essa festa tem se espalhado pelo mundo.

A prática do Halloween vem do povo celta, o qual acreditava que, no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saíam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos, visitar as famílias e levar as pessoas ao mundo dos mortos. Sacerdotes druístas (religião celta) atuavam como médiuns evocando os mortos. Parece que, para espantar esses fantasmas, os celtas tinham o costume de colocar objetos assustadores nas casas, como caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros. O termo “Halloween” surge mais tarde, no contato da cultura celta com o Cristianismo. Da contração do termo escocês “Allhallow-eve” (véspera do Dia de Todos os Santos), que era a noite das bruxas, surge o “Halloween”.

É aí que surge a dúvida: hoje essa festa tem algum significado espiritual? O cristão pode participar dela ou trata-se apenas de uma prática cultural inofensiva?

São Paulo diz: “Não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef 6,12). O apóstolo também exorta: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1Pd 5,8). Embora não os vejamos, os espíritos malignos são seres inteligentes que agem tentando perder as almas. Não os vemos, mas sofremos suas investidas. Isso é Doutrina da Igreja Católica.

Será que uma festa pagã, que praticava um ato abominável por Deus – a evocação dos mortos (Dt 18,10-11) –, enculturada hoje, não tem significado espiritual nenhum? É difícil que não tenha! Mas onde está o maligno nessa brincadeira de criança? Nós não o vemos, assim como não vemos o vírus ebola que começa a apavorar o mundo hoje. Você faria uma festa numa região que pode estar contaminada com esse vírus? Uma doença que pode roubar sua vida temporal? Eu não! Da mesma forma, e com muito mais razão, é questionável envolver-se numa festa que possa nos deixar sujeitos a um “vírus” que pode roubar nossa vida eterna. Na dúvida, eu me resguardo. Bem, mas essa é uma reflexão para quem tem fé católica e procura ser coerente com ela.

Outra pergunta que me faço é se o contato e a identificação com imagens horríveis de bruxas e monstros não tem significado algum na formação dos jovens. Desconsiderando a expressão de um satanismo evidente, mas indo para reflexão mais cultural, aí também não acredito que o Halloween seja tão inofensivo.

O ser humano é chamado a contemplar o belo, porque é manifestação da harmonia de tudo que é bom e verdadeiro. Deus é belo, mas o ser humano tem uma estranha atração pelo mórbido, o oculto e suas expressões naquilo que tem de horrível. Não tenha dúvida que educar uma pessoa humana significa, dentre tantas outras coisas, ensinar a apreciar, valorizar e identificar o belo com o bom. Não seria o Halloween mais uma forma, dentre tantas outras hoje em dia, de roubar a referência do belo, do verdadeiro, do bom e do honesto? Será que o mal e o monstruoso, quando viram brincadeira, são tão inofensivos à cultura e aos valores do ser humano?

Até o “doces ou travessuras” não surgiu de forma muito pura. Parece que sua origem está na época em que os países anglo-saxônicos se tornaram protestantes, e as crianças protestantes iam às casas das famílias católicas, oprimidas pelo governo, impor suas exigências. Em um mundo onde os jovens diariamente curtem nas roupas, nos filmes e nas festas o mórbido das caveiras e dos zumbis, o horrível dos monstros e das bruxas, é fácil entender uma sociedade tão pobre em cultura e tão abundante em violência e promiscuidade. Se a expressão do mal é brincadeira e moda, que mal faz torná-lo coisa séria?

Voltando ao lado religioso, é curioso que o Halloween se avizinhe da festa católica de Todos os Santos. Não parece que alguém, tão incomodado com os santos, resolveu festejar os demônios?

Não se trata de supervalorizar do mal em detrimento do bem. Menos ainda de uma visão puritana das coisas deste mundo. O mundo é maravilhoso, a vida é bela. O cristão precisa saber acolher essa maravilha, valorizar a vida do homem e cultivar a alegria da criança e do jovem. Contudo, para semear a vida e colher a alegria é preciso saber: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma” (1Cor 6,12).

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Papa Francisco: o diabo não é mito e deve ser combatido com a verdade

A vida cristã é um “combate” contra o demônio, o mundo e as paixões da carne. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 30, na Casa Santa Marta. Comentando um trecho da Carta de São Paulo aos Efésios, o Santo Padre reiterou que o diabo existe e é preciso lutar contra ele com a armadura da verdade.

Força e coragem. A homilia do Pontífice se concentrou nas palavras de São Paulo que, dirigindo-se aos Efésios, desenvolve em uma “linguagem militar” a vida cristã. Francisco destacou a necessidade de defender a vida em Deus para levá-la adiante e, para isso, é preciso ter força e coragem para resistir e anunciar.

Para seguir adiante na vida espiritual, disse, é preciso combater. E não se trata de um simples confronto, mas de um combate contínuo. O Papa citou os três inimigos da vida cristã: o demônio, o mundo e a carne. Ele recordou que a salvação dada por Jesus é gratuita, mas há o chamado para defendê-la.

“De quem devo me defender? O que devo fazer? ‘Vestir a armadura de Deus’, nos diz Paulo, isto é, aquilo que é de Deus nos ajuda a resistir às armadilhas do diabo. Não se pode pensar em uma vida espiritual, em uma vida cristã sem resistir às tentações, sem lutar contra o diabo, sem vestir essa armadura do Senhor, que nos dá forças e nos defende.”

São Paulo destaca que a batalha do homem não é contra coisas pequenas, mas contra o diabo e os seus. O Santo Padre explicou que fizeram muitas gerações acreditar que o inimigo fosse um mito, uma ideia do mal, mas ele existe e é preciso lutar contra ele. E a armadura de Deus, que deve ser usada nesse combate, à qual São Paulo se refere, é a verdade.

O diabo é mentiroso, disse o Papa, então, precisamos ter ao nosso lado a verdade, nos vestirmos com a couraça da justiça. O que ajudaria nesse processo, segundo Francisco, é cada um se perguntar sobre a própria crença, pois sem fé não se pode seguir adiante. Todos precisam desse escudo da fé. O Pontífice pediu, então, que os fiéis peguem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e rezem constantemente.

“A vida é uma milícia, a vida cristã é uma luta belíssima. Quando o Senhor vence, em cada passo da nossa vida, dá-nos uma alegria, uma felicidade grande: aquela alegria que o Senhor venceu em nós, com a Sua gratuidade de salvação. Mas, sim, todos somos um pouco preguiçosos na luta, e nos deixamos levar adiante pela paixão, por algumas tentações. É porque somos pecadores, todos! Mas não desanimemos! Coragem e força, porque o Senhor está conosco”.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Papa Francisco recorda exemplo de São João Paulo II e fala sobre unidade da Igreja

A Igreja Católica celebra nesta quarta-feira, 22, pela primeira vez, a memória litúrgica de São João Paulo II (1920-2005), o pontífice polaco canonizado em abril deste ano, no Vaticano.

“Hoje celebramos a memória litúrgica de São João Paulo II, o qual convidou todos a abrir as portas a Cristo. Na sua primeira visita à vossa pátria, invocou o Espírito Santo para que descesse a renovar a terra da Polônia. Recordou em todo o mundo o mistério da Divina Misericórdia”, lembrou Papa Francisco na catequese semanal na Praça de São Pedro.

“Que a sua herança espiritual não seja esquecida, mas nos leve à reflexão e ao agir concreto pelo bem da Igreja, da família e da sociedade”, sublinhou.

A data assinala o dia de início de pontificado de Karol Wojtyla, em 1978, pouco depois de ter sido eleito Papa. Entre os seus principais documentos, contam-se 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas e 45 cartas apostólicas.

A Igreja Corpo de Cristo
A catequese do Papa neste dia foi centrada no tema “A Igreja Corpo de Cristo” e frisou a unidade entre os seus membros.

Papa Francisco explicou que o corpo é um bom exemplo para demonstrar a unidade de vários elementos, e que a partir de São Paulo Apóstolo essa expressão foi aplicada à Igreja e reconhecida como o seu “traço distintivo mais profundo e mais belo”.

“Hoje, então, podemos perguntar: em que sentido a Igreja forma um corpo? E por que é que é definida ‘Corpo de Cristo’”?, indagou propondo uma reflexão.

Francisco destacou então a passagem bíblica da visão do Profeta Ezequiel, quando diante de ossos ressequidos e espalhados recebeu a ordem de Deus, para invocar sobre estes, o Espírito do Senhor para que eles formassem um corpo cheio de vida. Com esse relato, o Santo Padre identificou a ação do Espírito Santo que infunde em cada pessoa a “vida nova do Ressuscitado” e que os une em um só “corpo edificado na comunhão e no amor”.

“Assim é a Igreja, um corpo vivificado pelo Espírito Santo que infunde em cada batizado a vida nova de Jesus Ressuscitado. Ele constantemente nos cobre com o seu amor e nos faz participantes da sua Paixão redentora. Por isso, podemos estar certos de que nada nem ninguém nos pode separar de Cristo”, enfatizou

Por fim, o Santo Padre afirmou que a certeza do amor de Cristo pela sua Igreja faz crescer nos cristãos o desejo de corresponder a esse amor, superando divisões, invejas e incompreensões que ferem o Corpo do Senhor.

domingo, 12 de outubro de 2014

Dom Roberto Francisco Ferreria divulga artigo sobre 2º Turno das eleições para governador

Eleições 2014, segundo turno no Rio de Janeiro 
Uma questão de tolerância 

Analisando o segundo turno das eleições 2014, desde a perspectiva da educação, desponta claramente diante dos dois projetos vencedores no primeiro turno, uma questão de tolerância. Isto significa que face a uma sociedade pluralista, democrática e laica (porém não laicista), não há lugar para o discurso exclusivista e intolerante que é representado pelo candidato da Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo Marcelo Crivella. Muito embora ele argumente que existe separação de Igreja e Estado desde o diploma 19 A de 1891, sabemos que esta agrupação religiosa tem confessadas intenções de dirigir o Estado como atesta nitidamente o livro do fundador Edir Macedo sobre a política. Mais, conselhos tutelares, presídios, e obras assistenciais tem sido usadas como aparelho desta instituição. Não é casual que quando no Brasil se fala de intolerância vem imediatamente a data do 21 de janeiro (dia nacional de luta contra a intolerância religiosa), dia que morreu a Babalorixá Gilda, após ter o seu retrato estampado na Folha da Igreja Universal de 02 de outubro de 1999, com o título: macumbeiros que exploram o povo; fato que levou a depredação total do seu terreiro na Bahia. Todos vimos também quando no dia 12 de outubro de 1995 o Bispo da IURD, Von Helde chutou 22 vezes a imagem de Nossa Senhora Aparecida, sendo punido por este ato. O ministério público federal da Bahia requisitou o livro de Edir Macedo sobre orixás e caboclos por demonizar os cultos afro-brasileiros, e incitar a violência contra as religiões africanas. Além destes casos quantos irmãos brasileiros tiveram guias arrancadas pela força, imagens quebradas, Igrejas pichadas, Terreiros depredados? O próprio candidato mostra sua incapacidade de juízo independente quando defende que todos os homosexuais pelo fato de sê-lo estão em situação de pecado. A educação afirmava Paulo Freire, visa a verdadeira tolerância que se constrói no diálogo e reconhecimento das diferenças, na esperança cristã, e no amor incondicional a dignidade da pessoa humana. Uma educação integral do ser humano tem que ter uma janela para o transcendente, impulsionando o respeito, a liberdade religiosa e uma autêntica laicidade que promova um relacionamento de autonomia e colaboração entre a Igreja e o Estado. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz 

Bispo Diocesano de Campos 

Campos dos Goytacazes, 10 de Outubro de 2014.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Catequese: O significado de cada parte da Ave-Maria

Cada parte da oração da Ave-Maria tem um significado baseado nas Sagradas Escrituras e na Tradição

A Ave-Maria é uma das orações mais queridas do povo católico. É a mais antiga oração que conhecemos dirigida a Nossa Senhora, nossa Mãe, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja. Ela está na própria Bíblia, revelação de Deus.

Na Anunciação, o Anjo a saudou: “Ave, cheia de graça”. Maria foi a única que achou graça diante de Deus, porque foi a única “concebida sem o pecado original”. Nas aparições a Santa Catarina Labouré, na França, em 1830, ela pediu que fosse cunhada o que ficou sendo chamada de “Medalha milagrosa”. Em letras de ouro, Catarina viu escrita a bela frase: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!”.

O Senhor é convosco”, disse-lhe o Arcanjo Gabriel. Maria tem uma intimidade profunda com Deus. Diz o nosso Catecismo que “desde toda eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, ‘uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria’ (Lc 1,26-27)”. Ela é Filha do Pai, é a Mãe do Filho, e é a Esposa do Espírito Santo. Está em plena unidade com a Santíssima Trindade. Numa única mulher Deus tem Mãe, Filha e Esposa.

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Foi assim que Santa Isabel saudou a Virgem, “em alta voz” e “cheia do Espírito Santo”. E o menino João Batista estremeceu em seu seio. Isabel deixou claro por que Maria é “bendita entre todas as mulheres”: “Donde me vem a honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?” (v.43). E Isabel completa: “Bem-aventurada és tu que creste…” (v.44).

O bendito fruto do seu ventre é o próprio Deus, Filho de Deus, encarnado em seu seio virginal: Jesus. Ela é a Mãe de Deus. Quando o herege Nestório, patriarca de Constantinopla, quis negar essa verdade, o povo se revoltou, e o Concílio de Nicéia, em 431, confirmou a maternidade divina de Maria: (Theotókos). “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48), por isso a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão.

Depois de saudar a Virgem Maria, Mãe de Deus, com essas palavras que desceram do céu, a oração da Ave-Maria nos leva a implorar as graças do Senhor pela intercessão daquela a quem Deus nada pode negar.

Santa Maria, Mãe de Deus”. O que não consegue a Mãe do Altíssimo? O que não pode conseguir, diante do trono da graça, aquela que é Sua Mãe, Esposa e Filha? O milagre das Bodas de Caná (João 2) diz tudo, mostra o grande poder intercessor da Mãe diante do Filho. Por isso, a Igreja sempre nos ensinou: “Peça à Mãe que o Filho atende!”. O bom filho nada nega à sua mãe, por isso São Bernardo de Claraval, doutor da Igreja, a chamava de “Onipotência suplicante”. Consegue tudo, por graça, o que Deus pode por natureza.

E nós pecadores lhe imploramos: “Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”. Consegue do Rei os grandes benefícios aqueles que estão perto d’Ele, aqueles que têm intimidade com Ele. Quem mais do que Maria tem intimidade com Deus? Quantas pessoas me pedem para mediar um pedido junto a monsenhor Jonas Abib, porque sabem que tenho intimidade com ele! O mesmo acontece com Deus. Esse é o poder da intercessão.

A Mãe Santíssima diante do seu Filho roga por nós sem cessar. Disse o Concílio Vaticano II que “assunta aos céus (…), por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (…) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora e medianeira.” (n.969).

“A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (…) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, baseia-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força.” (n.970)

A nossa Mãe roga por nós a cada momento, mesmo que não tenhamos consciência disso; especialmente protege aqueles que lhe são consagrados fervorosamente. De modo especial, defende-nos na hora da morte. Quantas almas a Virgem Maria salva na hora da morte! Especialmente aqueles que lhe são consagrados. São Bernardo dizia que não é possível que se perca um bom filho de Maria. Por isso, pedimos insistentemente que ela rogue por nós, sobretudo na hora decisiva de nossa morte. Quando rezamos o Santo Rosário, a ela oferecemos rosas espirituais que ela leva a Deus por nós. Ela não as retém para si, pois o rosário é a meditação de toda a vida de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Recordar os pecados na oração é glorificar Deus, diz Papa Francisco

Santo Padre falou da necessidade de fazer memória da história de aliança com Deus

Francisco diz que é preciso fazer memória da história de aliança com Deus
Quando rezamos, não esquecemos nossa história, disse o Papa Francisco, na Missa desta terça-feira, 7, na Casa Santa Marta. Ele convidou os fiéis a não se deixarem levar pelas distrações do cotidiano, o que acaba fazendo a pessoa se esquecer de rezar.

Recordando que Deus escolheu o Seu povo e sempre o acompanhou, o Santo Padre se concentrou na Primeira Leitura, em que São Paulo faz memória da sua vida sem esconder os seus pecados. Segundo Francisco, o fato de o cristão ter sido escolhido é uma graça de amor, e Paulo faz memória dessa realidade, reconhecendo-se pecador.

“Esse hábito de fazer memória da nossa vida não é muito comum entre nós. Esquecemos as coisas, vivemos no momento e depois esquecemos a história. E cada um de nós tem uma história de graça, de pecado, de caminho, tantas coisas… E faz bem rezar com a nossa história. Paulo faz isso, conta um pedaço da sua vida, mas, em geral, diz: ‘Ele me escolheu! Ele me chamou! Ele me salvou! Ele foi meu companheiro de caminho’”.

Francisco destacou ainda que fazer memória da própria vida e dos próprios pecados é dar glória a Deus. Por isso São Paulo diz que se vangloria apenas de duas coisas: dos seus pecados e da graça de Deus Crucificado. Paulo reconheceu seus pecados e admitiu que foi Cristo quem o salvou. Essa é a recordação que os cristãos são convidados a fazer.

“Quando Jesus diz a Marta: ‘Você se aflige e se agita por muitas coisas. Maria escolheu a melhor parte’. O que é? Ouvir o Senhor e fazer memória. Não se pode rezar todos os dias como se nós não tivéssemos história. Cada um de nós tem a sua. E com ela no coração, seguimos na oração como Maria. Mas tantas vezes somos distraídos, como Marta, pelo trabalho, pelo cotidiano, por fazer as coisas que devemos, e esquecemos nossa história”.

A relação do homem com Deus, segundo o Papa, não começa no dia do batismo – aí ela é selada –, mas no coração de Deus, quando Ele, da eternidade, olhou para o homem e o escolheu. Então, é preciso lembrar-se dessa escolha, desse caminho de aliança.

O Papa concluiu a homilia com o convite a rezarmos o Salmo 138: “Senhor, vós me perscrutais e me conheceis. Sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos”.

“Isto é rezar, é fazer memória diante de Deus da nossa história, porque esta é a história do seu amor para conosco”.

Façamos da nossa família uma Igreja Doméstica

São Lucas Evangelista é minucioso ao narrar a história de Jesus Cristo antes de Sua vida pública. Quando o Senhor começou Sua vida pública, Ele já havia estado no Templo diversas vezes, pois é um costume dos judeus ir, pelo menos, três vezes por ano a Jerusalém. São Lucas retrata que Maria e José educaram Cristo na fé.

A Sagrada Família é "sacra", ou seja, "sagrada", porque ela era fiel a Deus. A exemplo dela, devemos fazer da nossa família uma Igreja Doméstica.

A criança aprende a rezar desde pequena. Os avós têm de zelar pela fé de seus netos desde cedo. Temos levado nossos filhos para a catequese, o crisma, para uma intimidade com Deus? Os padrinhos têm a função de continuar o papel dos pais e conduzir seus afilhados nos caminhos do Senhor. Muitas famílias têm o desejo de imitar a Sagrada Família, porém não querem se comprometer com uma vida de oração e intimidade com Deus.

O que vivemos em nossa casa conjugalmente José e Maria também viveram. Imaginemos o desespero deles ao perceber que Jesus não estava na caravana que o conduzia de volta para casa após visitarem o Templo. Com toda certeza, muitas coisas passaram na cabeça desses pais: “O Menino sumiu. E agora? Como não vimos que Ele sumiu?” ou “Você não estava olhando Jesus?”. Nesse instante, a humanidade de José e Maria deve ter falado mais alto.

Por que eles foram procurar o Menino no Templo? Porque, quando educamos nossos filhos no caminhos de Deus, sabemos onde eles estão. O que aprendemos na nossa infância fica para sempre em nosso coração.

Jesus estava no Templo, e quando Seus pais O viram, ficaram comovidos. Cristo, Filho de Deus, era obediente a Seus pais, e voltou com junto com eles para Nazaré. Quantos são desobedientes dentro de suas casas! Alguns acham que só porque já constituíram uma família não devem respeito a seus pais.

Quando vivemos no regaço acolhedor de uma mãe, queremos sempre voltar ao seu colo. A idade nos amadurece, e não podemos olhar para traz e nos culpar pelas coisas que aconteceram. Os pais também têm esse mesmo sentimento, pois com o passar dos anos, eles percebem que determinadas atitudes não seriam repetidas. Tenhamos a coragem de nos levantar e seguir em frente. 

Que a Sagrada Família visite todos os lares, levando benção a todas as famílias. Que, pela intercessão de São José, todos os homens sejam tocados por Jesus Cristo, e que, por meio desse toque, o senhor mude o coração desses homens e os ensine a amar suas famílias. Que Maria Santíssima toque no coração de todas as mulheres e transforme sua maneira de ser mãe, esposa, filha e avó. Que o Menino Deus vá ao encontro de todos os filhos que não tiveram carinho, de todos os órfãos de pai e de mãe, que tiveram de amadurecer antes do tempo, crianças que tiveram sua infância roubada.

Senhor, abençoe nossas famílias pela intercessão da Sagrada Família de Nazaré!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Encontram-se abertas as inscrições para o Reino de Deus!

Em todas as celebrações eucarísticas ouvimos a proclamação da Igreja, que ressoa a Escritura: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor” (Cf. Ap19, 9). E é grande a alegria por saber que o chamado de Deus quer incluir a todos. Na oração do Rosário, o terceiro mistério luminoso nos faz contemplar justamente o chamado à conversão, que ocorre com o anúncio do Reino de Deus. É que da parte do Senhor existe a clara vontade de salvar a todos, envolvendo as diversas gerações e situações humanas. Ao se tratar de uma grande consolação, resulta igualmente provocante a responsabilidade entregue à liberdade humana, pois Deus não impõe, mas convoca e convida. Conversando com um jovem em recuperação na “Fazenda da Esperança”, Comunidade Terapêutica presente em tantas partes de nosso país e do mundo, ouvi uma afirmação surpreendente. Dizia ele que seu drama maior era uma porteira aberta, por saber que, se quisesse, poderia ir embora. Sabia que o maior presente dado por Deus era entrar pelos umbrais da liberdade que o conduziam, pela estrada do Evangelho, a uma vida nova!

Jesus estabeleceu contato com todas as classes de pessoas, pelo que escandalizava a muitos. Era uma multidão de estropiados, rejeitados da sociedade, doentes de toda ordem, gente solitária, publicanos, pecadores de qualquer classificação. O Evangelho apenas permite entrever os dramas humanos que se apresentavam ao Senhor. Não muito diferente das imagens oferecidas ao vivo e a cores em nossos dias, com pessoas sofrendo toda espécie de miséria. As guerras localizadas ou espalhadas por nossas cidades pela violência e a miséria mostram um mundo machucado e desorientado, carente de encontrar aberta a porta do Reino de Deus! Que seja uma imensa procissão em busca de Deus! Que a meta seja o regaço misericordioso daquele que veio para os pecadores!

Também nossa história pessoal é repleta de idas e vindas, marcadas pelo mistério do pecado, malgrado o desejo de acertar esteja presente, pela própria vontade de Deus que nos criou. Muitas vezes damos nossa resposta positiva aos apelos de Deus e depois seguimos por outra estrada, cedendo ao egoísmo, turrões, cabeças duras que pretendem ser donas da verdade. Podemos ser também como o filho pirracento do primeiro momento que depois se converte e obedece ao Pai. “Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de atitude e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu:‘ Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi” (Mt 21, 28-30). Cada pessoa sabe de sua aventura humana de liberdade, quedas, arrependimento, coragem para recomeçar, pedidos de perdão aos milhares, encontros com a misericórdia de Deus. Escute a palavra de Deus: “Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e faz o que é direito e justo, conservará a própria vida. Arrependendo-se de todos os crimes que cometeu, ele certamente viverá, não morrerá” (Ez 18, 27-28)

O contato de Jesus com as pessoas é marcado pelo chamado constante à conversão. O início de sua pregação resume a proposta que faz à humanidade: “Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia, proclamando a Boa Nova de Deus: Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc 1, 14-15). Os cobradores de impostos convertidos e as prostitutas que acreditaram em Jesus, mudando radicalmente sua vida, são referências da possibilidade de transformação inscrita por Deus no coração humano (Cf. Mt 21, 28-32).

Os publicanos, cobradores de impostos, traidores do povo por trabalharem para os romanos, manipulavam a fonte permanente de tentação para o ser humano, o dinheiro! A malversação das verbas públicas e as torneiras abertas, pelas quais passam milhões e bilhões, ainda estão expostas diante de nossos olhos, nos dias que vivemos. Multiplicam-se os escândalos, revelam-se operações fraudulentas, mas o “deus dinheiro” continua atraindo as pessoas, traindo-as mesmo quando, confrontadas com acusações e provas dizem não saber de nada. A conversão passa pelo bolso, pois exige um uso dos bens segundo o plano de Deus, fundamentado na partilha e na comunhão. Chamem-se Mateus ou Zaqueu, ou quem sabe estejam no templo orando ao lado de um fariseu, é possível e desejável que os homens e mulheres, todos nós, mudemos o modo de usar os bens da terra!

Outro campo delicado é o da afetividade e da sexualidade e a degradação do uso de tais realidades, sob o título de prostituição. O corpo continua a ser vendido, não só nas zonas de prostituição de nossas cidades. Há outras formas de negociá-lo! Até se enfeita mais este comércio, justificando-o com a falsa liberdade de expor a intimidade das pessoas. Entretanto, o Evangelho de todos os tempos dará nome de Mulher adúltera, ou Samaritana, Prostituta ou outros qualificativos e profissões, a muitas pessoas que creem em Jesus Salvador e a Ele se convertem, mesmo depois de uma vida de miséria e sofrimento.

Com os publicanos e as prostitutas, amplie-se o horizonte para se sentirem envolvidos no chamado à conversão todos os homens e mulheres de nosso tempo, cada um de nós em primeiro lugar, seja qual for o nosso currículo! Encontram-se abertas as portas e as inscrições! Para entrar no Reino de Deus, as condições são o reconhecimento sincero da condição de pecadores, a coragem do arrependimento, a força para recomeçar quantas vezes for necessário, a sinceridade do olhar que se encontra com a misericórdia de Deus. Vale ainda olhar ao nosso redor e fazer festa com aqueles muitos que, também pecadores, são nossos companheiros, irmãos e irmãs que peregrinam na estrada da conversão, sem julgá-los ou pretender excluí-los.

É tempo de pedir com sinceridade: “Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais”.

Que os Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael intercedam por nós

Os três Arcanjos, que celebramos hoje, nos convidam a refletir sobre o modo como Deus intervém em nossa vida e como nós precisamos desses companheiros para a nossa caminhada!


“Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (João 1, 51).

A Igreja nos dá hoje a alegria de celebrar a festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Na verdade, esses arcanjos são os grandes mensageiros da ordem divina, da vontade de Deus para a humanidade. Os anjos são presenças amorosas de Deus na nossa vida e para toda a humanidade! Os três arcanjos, que celebramos hoje, nos convidam a refletir sobre o modo como Deus intervém em nossa vida e como nós precisamos desses companheiros para a nossa caminhada!

O primeiro deles é Miguel: “Quem como Deus”, é o grande batalhador e vencedor do maligno e das forças do mal. Nós, que, muitas vezes, vemos o mal triunfar, vencer e entrar em nossa casa, como precisamos da força, da luz, da graça, da intercessão de São Miguel Arcanjo, o grande arcanjo divino, para que ele nos ajude a combater as forças do demônio.

Deixe-me dizer a você: onde São Miguel Arcanjo guarda, o inimigo não tem vez nem voz! Ele tem o poder divino, a graça divina para vencer as artimanhas do inimigo, para vencer os deboches do diabo e do inferno; é ele quem nos guarda. Por isso, se quisermos vencer o mal em nossa vida, precisaremos nos tornar amigos de São Miguel Arcanjo e invocar a sua intercessão sobre nós, sobre nossas casas e sobre nossas famílias.

O Anjo Gabriel: “A força de Deus” ou o grande comunicador de Deus. É ele quem revela os grandes planos divinos, é ele quem falou para Zacarias sobre o nascimento de João Batista, e é ele quem visitou Maria para anunciar a Boa Nova, que é o nascimento de Jesus Cristo.

Muitos males na humanidade, em nossa vida, em nossas convivências, acontecem infelizmente porque faltam e falham as comunicações entre nós. Precisamos primeiro estabelecer a comunicação entre nós e depois deixar que Deus nos comunique o Seu amor, a Sua bondade. E, aonde nós não conseguimos chegar, nós precisamos desse auxílio de São Gabriel. Que Ele realmente nos traga força para comunicar a mensagem de Deus para o mundo!

São Rafael: “Deus cura”, a cura de Deus, a proteção de Deus para os males, para as enfermidades, para as doenças, está no Arcanjo São Rafael. Invocado nas grandes epidemias, pandemias, o arcanjo veio ao mundo como poderoso auxílio divino para salvar a humanidade de tantos males.

Eu especialmente tenho pedido a São Rafael que ajude a medicina; ilumine os nossos médicos, ilumine os profissionais da saúde, da pesquisas científicas, para que encontrem realmente a cura para tantos males, doenças, que infelizmente atormentam a humanidade, como é o caso do câncer. Como nós precisamos de um avanço na medicina para combater o câncer, para ajudar no tratamento de tantas pessoas que sofrem deste mal!

No entanto, nós não podemos pedir a intercessão de Deus só quando alguém aparece enfermo ou doente, não! A humanidade inteira padece de tantos males, doenças, enfermidades e outros “cânceres”. O que nós precisamos é invocar a força de São Rafael, para que venha iluminar a humanidade e trazer a cura de Deus para o meio de nós.

Que a proteção dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael ilumine os nossos caminhos!

Deus abençoe você!

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate!

Houve então uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão

Talvez entre os três arcanjos, Rafael, Gabriel e Miguel, este último seja o mais invocado pelos cristãos. Existe até mesmo a devoção da “Quaresma de São Miguel”, com início no dia 15 de agosto, Dia da Assunção de Nossa Senhora, e término em 28 de setembro, véspera da festa dos santos arcanjos.

O Arcanjo Miguel sempre foi muito amado e venerado pelo povo de Deus. Diante de algumas passagens da Sagrada Escritura a Igreja foi entendendo melhor o papel e a missão que ele tem, junto ao Senhor, em favor dos homens, como, por exemplo, no Livro do Profeta Daniel: “Naquele dia vai prevalecer Miguel, o grande comandante, sempre de pé ao lado do teu povo” (Dn 12, 1). Daí sabemos que o Senhor o constituiu guarda e protetor da Igreja.

A tradição o vê também como guardião dos agonizantes, aquele que leva as almas ao Trono de Deus para o julgamento, invocado como nosso advogado na vida e na hora da morte (cf. Jd 1, 9).

Nas artes, ele é representado vestindo armadura, de espada em punho e atacando o diabo, que está derrotado aos seus pés. Praticamente visualizamos esta imagem em suas palavras ao demônio: “Que o Senhor te repreenda” na Epístola de São Judas 1, 9, e em Apocalipse 12, 7-8: “Houve então uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou, juntamente com seus anjos, mas foi derrotado, e eles perderam seu lugar no céu”.

Contudo, sua maior virtude vem da decisão e atitude anterior a todos esses feitos e exercícios ministeriais, em que diante da loucura de uma criatura que desejava ser comparada ao Senhor, Miguel declara: “Quem como Deus?”. Seu nome é uma alusão ao alto grau de convicção e fidelidade que este arcanjo tem ao Altíssimo. “Miguel” significa “Quem como Deus?”, exatamente na forma de pergunta, dada em resposta à arrogância de satanás.

“Deus resiste aos soberbos, mas concede a graça aos humildes” (Tg 4, 6). A força do arcanjo Miguel vem desta sua certeza e docilidade ao Senhor, por isso ele vence a serpente orgulhosa.

Num mundo tão competitivo, muitas vezes, não percebemos o quanto estamos impregnados de arrogância quando queremos defender nossos direitos, nossa vez e voz e exaltamos a nós mesmos numa luta ferrenha por reconhecimento.

Palavras que significam pecados e também a pretensão de superioridade para com outras pessoas, como “ostentação”, “ambição” e “vaidade”, se tornaram sinônimos de “coisas boas”, estão na moda e nós as absorvemos em nossas atitudes.

Talvez a grande graça que devamos pedir ao Arcanjo Miguel e o que mais podemos aprender dele seja derrotar todo resquício de altivez em nós.

A humildade atrai o favor do Senhor e nos torna agradáveis ao Seu coração. “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3). A soberba é a raiz de todos os pecados e pode nos privar do destino de eterna felicidade “para não acontecer que se ensoberbeça e incorra na mesma condenação que atingiu o diabo” (I Tm 3, 6).

Que pela intercessão de Maria, “a mais humilde das criaturas” (cf. CIC n. 722), e de São Miguel – aliados não somente no Dia da Assunção, 15 de agosto, mas para sempre no Reino de Deus – possamos nos esforçar e chegar ao nosso lugar no céu vivendo a virtude da humildade aqui nesta terra.

Rezemos: Levanta-se Deus pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, de São Miguel Arcanjo, e de todas as milícias celestes, que sejam dispersos seus inimigos e fujam de Sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

São Miguel Arcanjo, rogai por nós!