sexta-feira, 5 de abril de 2019

Catequese: o que é indulgência?

Neste artigo, abordaremos mais especificamente a questão da indulgência: “O que é?”, “Quais são as modalidades de indulgências que existem?”, “O que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre elas?”. Além disso, apresentaremos alguns apontamentos feitos pelo Código de Direito Canônico sobre as indulgências.

Antigamente, a expressão latina “indulgentia” (indulgência) era usada como sinônimo de outras expressões como indulto, remissão, perdão, abrandamento e absolvição. Somente a partir do século XIII veio a adquirir um significado mais “técnico” do ponto de vista eclesiástico (GRILLO, 2016).

Segundo o Código de Direito Canônico, no cânon 992, “indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa”, no Sacramento da Penitência. A remissão dessa pena é obtida pelo fiel mediante a ação da Igreja, que, enquanto dispensadora da redenção e detentora de toda autoridade dada por Deus, distribui, com imensa alegria aos seus fiéis, todos os tesouros de Cristo e dos santos. Assim, existe uma ligação deveras estreita entre a prática das indulgências e os efeitos do sacramento da Penitência.

Diferença entre a indulgência parcial e a plenária
A Igreja compreende duas formas de indulgências, isto é, a parcial e a plenária. Ainda no Código de Direito Canônico, o cânon 993, é apresentada a distinção entre essas duas modalidades indulgenciais. A parcial, conforme já indicado pelo nome, libera o fiel, em parte, da pena temporal devida pelos pecados. Já a plenária apaga totalmente essas penas. As indulgências são lucradas pelos fiéis devidamente dispostos e em “certas e determinadas condições” (cf. Cân. 993).

A Santa Madre Igreja, por meio do Concílio de Trento, ensina-nos que as penas devidas aos pecados cometidos não devem ser consideradas como uma espécie de vingança infligida por Deus, senão uma consequência da própria natureza do pecado. Ela ensina ainda que “o cristão deve esforçar-se por aceitar, como uma graça, essas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as provações de toda a espécie” (cf. CIC 1473).

Alguns apontamentos dados pelo Código de Direito Canônico
Da parte dos que podem conceder as indulgências, o Código de Direito Canônico, no cânon 995, afirma que nenhuma autoridade inferior ao Romano Pontífice pode conferir a outrem o poder de conceder indulgências, ou seja, somente a autoridade suprema da Igreja e aqueles aos quais receberam a autorização expressa do Romano Pontífice podem conferir indulgências.

Com relação àqueles que lucram nas indulgências, o cânon 996 estabelece que, para alguém lucrar indulgências, deve ter a intenção de ganhá-las. Além disso, cumprir as obras prescritas no tempo estabelecido e do modo devido. Assim, é de extrema necessidade a compreensão de que essa prática não deve ser cumprida numa perspectiva meramente mecânica. O fiel, ao cumprir a obra indulgenciada, deve trazer consigo um profundo amor a Deus e uma real aversão ao pecado. Sem isso, não se ganha a indulgência. Assim como o Sacramento da Penitência, as indulgências não possuem a finalidade de alívio da consciência, caso contrário, pode se tornar abuso.

De modo geral, o Código de Direito Canônico salienta que o fiel pode lucrar indulgência para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos (cf. Cân. 994). Para alguém ser capaz de lucrar indulgências, deve ser batizado, não estar excomungado e encontrar-se em estado de graça (cf. Cân. 996).

Para concluir, gostaria de incentivar você ao aprofundamento dos temas caros à Igreja. Com relação ao assunto “indulgência”, além do Catecismo da Igreja Católica e do Código de Direito Canônico, sugiro a leitura da Constituição Apostólica “Indulgentiarum Doctrina”, do Papa Paulo VI e a Exortação Apostólica pós-sinodal “Reconciliatio Et Paenitentia” de São João Paulo II. Todos esses documentos podem ser encontrados no site do Vaticano em língua portuguesa.

Canção Nova

Quaresma, Semana Santa, Páscoa: núcleo da espiritualidade cristã

Estão, mais uma vez, no itinerário de nosso viver em Cristo, a Quaresma, Campanha da fraternidade, Semana Santa e Páscoa. Talvez o convívio social rotineiro não favoreça o desejável envolvimento espiritual. Mas o povo, fiel ao Deus de Jesus Cristo, vive suas tradições na fé com piedade e convicções. Igrejas lotadas. Cerimônias e procissões concorridas. A Sexta-feira Santa é sempre marcante, a despeito das reclamações hostis do “estado laico” e dos acomodados na indiferença, descrença ou no consumismo do feriadão. O direito constitucional ampara manifestações religiosas públicas. A procissão do Senhor Morto espraia-se nas ruas. A Semana Santa resgata, todos os anos, também no calendário civil, a espiritualidade cristã, que vem forjando a história brasileira.

Junto ao Cristo, o servo sofredor, profetizado por Isaías, a imagem de Nossa Senhora das Dores projeta a figura exemplar daquela mulher bíblica, a nova Eva, ao lado do novo Adão, na via humilde da fé e da confiança em Deus. A agonia e morte de Jesus, a descida do cadáver da cruz, seu sepultamento às pressas, os três dias no túmulo exigiram de Maria o auge da entrega a Deus. Ela atingiu a plenitude do sim, que dera como noiva-donzela, em resposta ao misterioso anúncio do Arcanjo Gabriel. Quando teve a revelação particular em Nazaré, Maria foi sócia única de Deus gerando o Verbo em seu seio virginal. Aos pés da cruz, foi sócia na solidão extrema de Jesus. Acolhendo o cadáver dele em seu regaço, a mãe chegou ao máximo grau de solidariedade com a missão do Filho, ambos em obediência ao Projeto do Senhor. Mulher bíblica da salvação, nova Eva, Maria viveu, no sim do Calvário e na soledade, após o enterro de Jesus, a expulsão do paraíso. A espada de dor rasgou seu coração; o sim da fé o curou!

Com seu auxílio maternal, a Semana Santa nos dá a chance de confrontar os aspectos éticos perturbadores da convivência moderna com os valores do Evangelho. Como vivemos? Estamos interessados em atualizar a história e acolher os frutos de nossa salvação em Cristo? Atualizar significa fazer valer, avaliar a importância real da vida espiritual em relação às demais ocupações e tarefas do dia a dia. Ressuscitar com ele! A Campanha da Fraternidade nos ajuda a concretizar isso com o tema: Fraternidade e Políticas Públicas. Toca em feridas coletivas: por que o Brasil convive, historicamente, com tantas carências de bens e serviços básicos indispensáveis à vida, à cidadania, à democracia? Qual é o sentido de se falar em justiça social?

Maria, a discípula primeira, encontrou na peregrinação da fé a suprema razão de viver e é ícone de uma igreja-solidária. Igreja que passa das dores às alegrias da Páscoa do Senhor. Aleluia!

Jornal Santuário - A12.com

O que a Doutrina Social da Igreja nos ensina sobre Políticas Públicas?

“É claro que o Estado é uma obra da natureza e que o homem é por natureza um ser que forma o Estado” (Aristóteles)


É assim que o DOCAT (Doutrina Social da Igreja Católica para a Juventude) começa seu oitavo capítulo, intitulado “Poder e Moral: a comunidade política”. E foi exatamente nessas páginas do documento que fomos buscar mais conteúdo para nos ajudar a entender a Campanha da Fraternidade 2019.

A primeira coisa importantíssima de ressaltarmos sobre o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” é que a ideia não é falar sobre política partidária, mas sim sobre programas e ações desenvolvidos pelo Estado que devem garantir os direitos da população previstos pela Lei.

E o que isso tem a ver com a Igreja? Tudo! Em sua Doutrina Social, a Igreja se diz “perita em humanidade”. Então, se o homem é naturalmente um “ser político”, como diz Aristóteles, a Igreja também se preocupa com essa sua condição.

Segundo a pergunta 197 do DOCAT:

Para os cristãos, o “Estado” vem sempre depois da pessoa, ou seja, da comunidade de pessoas que hoje designamos como “sociedade civil”. Em primeiro lugar, o homem encontra-se a si mesmo e a sua dignidade na relação com Deus, depois realiza-se na relação com os seus semelhantes (relação social). Estas duas dimensões estão intimamente relacionadas entre si. Em todo o caso, deve vir em primeiro lugar o direito da pessoa, a seguir a sociedade e, finalmente, a organização política do Estado.

O escritor romano ainda da Era Antiga, Marco Túlio Cícero, certa vez disse que “o serviço do Estado deve ser feito em benefício daqueles que o confiaram e não daqueles aos quais foi confiado” (DOCAT, pág. 186).

Mas não é bem isso que vemos por aí, não é verdade? Porque se assim o fosse, provavelmente teríamos políticas públicas mais assertivas. Por isso, o DOCAT apresenta pra gente a visão da Igreja sobre o que seria o Estado ideal:

Apesar da primazia da pessoa, não se pode passar sem o Estado. Ele tem um sentido subsidiário – por tanto, cuja finalidade é ajudar –, mas é indispensável para criar e garantir ordem na sociedade. (...) O seu instrumento mais importante é o direito. Sem reduzir de um modo arbitrário, ou mais ou menos do que o necessário, a liberdade das pessoas, o Estado de direito cria um regulamento geral que está ao serviço do bem-estar público. Idealmente, o Estado é o espaço mais seguro no qual a pessoa pode desenvolver-se livremente (DOCAT, pergunta 198).

Bem, se você acha que ainda estamos longe de conquistar este Estado ideal, você entendeu o porquê de a CNBB ter escolhido Políticas Públicas como tema para a Campanha da Fraternidade 2019. Mas o que podemos fazer?

Segundo o Texto-Base da CF 2019, “faz-se necessário estimular os jovens a adquirirem mais conhecimentos sobre a elaboração das Políticas Públicas e sobre a participação nesse processo, assumindo seu papel na sociedade” (parágrafo 101).

O DOCAT lembra que “na Antiguidade, era uma questão de honra interessar-se pelas coisas públicas como se fossem próprias” (pergunta 195). Hoje, perdemos esse gosto e, talvez, até a esperança. Mas, não é por acaso que a Campanha da Fraternidade tem início na Quaresma, que é um tempo que nos convida à conversão e à mudança de vida.

Ou seja, fica aí o convite pra você e seu grupo de jovens, de Crisma ou amigos, a procurarem se inteirar mais das políticas públicas de sua cidade e promoverem ações que gerem um maior protagonismo jovem na sociedade.

Jovens de Maria - A12.com

quinta-feira, 28 de março de 2019

Papa: o coração endurecido nos faz perder a fidelidade ao Senhor

Ouvir a voz do Senhor para não deixar que nosso coração endureça: este é o convite do Papa Francisco ao celebrar a missa na capela da Casa Santa Marta.

O Papa Francisco celebrou na manhã de quinta-feira (28) a missa na capela da Casa Santa Marta e em sua homilia fez um forte convite à conversão.

Comentando a liturgia do dia, o Papa advertiu para o risco de se ter um coração que não ouve a voz do Senhor e, indo avante assim por “dias, meses e anos”, se torna como “a terra sem água”, se endurece.

No Evangelho de hoje, Jesus é claro: “Quem não está comigo, está contra mim”. “Ou se tem o coração obediente, ou perdemos a fidelidade”, comentou Francisco.

O risco de perder a fidelidade
“Nós, muitas vezes, somos surdos e não ouvimos a voz do Senhor. Sim, ouvimos o telejornal, as fofocas do bairro: isso sim, ouvimos sempre”.

O Senhor exorta a ouvir a sua voz e não endurecer o coração. A Primeira Leitura, extraída do profeta Jeremias, descreve justamente esta experiência de Deus diante do “povo teimoso, que não quer ouvir”, disse o Papa de maneira vigorosa. Este trecho de Jeremias é, portanto, “um pouco a lamentação do Senhor”: Deus ordena ao povo de ouvir a sua voz relacionando-a com a promessa de que sempre será o seu Deus e “vocês serão o meu povo”.

Mas o povo não o ouviu e não prestou atenção; ao contrário, “seguindo as más inclinações do coração, andaram para trás e não para a frente e ao invés de se dirigirem a mim, me viraram as costas”. O Papa pediu a cada um para refletir se não fez a mesma coisa.

Sempre na Primeira Leitura, Deus recorda que, desde a saída do Egito, enviou “todos os seus servos, os profetas”, mas não foi ouvido. Ao invés, “se obstinaram no erro, procedendo ainda pior que seus pais”. “Se falares todas essas coisas”, diz o Senhor, “eles não te escutarão” e termina com “esta declaração triste” que “é um testemunho de morte”: “a fé morreu”. 

Um povo sem fidelidade, que perdeu o sentido da fidelidade. E esta é a pergunta que hoje a Igreja quer que nós façamos, cada um: “Eu perdi a fidelidade ao Senhor?” – “Não, não, vou todos os domingos à missa …” – “Sim, sim: mas aquela fidelidade do coração: eu perdi aquela fidelidade ou o meu coração está duro, obstinado, surdo, não deixa entrar o Senhor, se vira sozinho com três ou quatro coisas e depois faz o que quer?”. Esta é uma pergunta para cada um de nós: todos devemos conseguir, porque a Quaresma serve para isso, para restabelecer o nosso coração. “Ouça hoje a voz do Senhor” é o convite da Igreja. “Não endureçam o coração”. Quando alguém vive com o coração duro, que não ouve o Senhor, vai além de não ouvi-lo e quando há algo do Senhor que não gosta, deixa-O de lado com algum pretexto, descreditando o Senhor, caluniando e difamando-O.

Jesus diz: quem não está comigo, está contra mim
“Foi o que aconteceu com Jesus e a multidão”, disse o Papa comentando o Evangelho do dia, para explicar o que significa descreditar o Senhor. Jesus fazia milagres, curava os doentes e esses obstinados o que disseram? “É por meio de Belzebu que Ele expulsa os demônios”, recordou Francisco, acrescentando que “descreditar o Senhor” é “o penúltimo passo dessa rejeição”. O “último passo do qual não há volta é a blasfêmia contra o Espírito Santo”, prosseguiu o Papa, recordando as fortes palavras de Jesus no final do Evangelho:

Jesus tenta convencê-los, mas não consegue... E no final, assim como o profeta termina com esta frase clara – “a fé morreu” – Jesus termina com outra frase que pode nos ajudar: “Quem não está comigo, está contra mim”. “Não, não, eu estou com Jesus, mas mantendo certa distância, não me aproximo muito”: não, isso não existe. Ou você está com Jesus ou contra Jesus; ou é fiel ou infiel; ou tem o coração obediente ou perdeu a fidelidade. Cada um de nós pense, hoje, durante a missa e depois durante o dia: pensar um pouco. “Como vai a minha fidelidade? Eu, para rejeitar o Senhor, procuro algum pretexto?”. Não perder a esperança. E essas duas palavras– “a fé morreu” e “quem não está comigo, está contra mim” – ainda deixam espaço para a esperança, inclusive a nós.

Voltar ao Senhor
O Papa conclui a homilia recordando, porém, que somos chamados a regressar ao Senhor, como exorta a fazer a Aclamação ao Evangelho: “Voltai a mim de todo coração”, diz o Senhor, “porque sou misericordioso e piedoso”. “Sim, o seu coração é duro como esta pedra, tantas vezes você me descreditou para não me obedecer, mas ainda há tempo”:

“Voltai a mim de todo o coração”, diz o Senhor, “porque eu sou misericordioso e piedoso: esquecerei tudo. A mim importa que você venha. Isso é o que importa, diz o Senhor. E esquece todo o resto. Este é tempo da misericórdia, da piedade do Senhor: abramos o coração para que Ele venha a nós.
VaticanNews

Papa aboliu o beijo no Anel Papal do protocolo e prefere dar abraços

No Santuário de Loreto, na última terça-feira (26), o Santo Padre, Papa Francisco, recusou que fiéis beijassem o Anel Papal e o vídeo viralizou no mundo inteiro. A imprensa, desesperada, correu para impulsionar uma ideia distorcida, muitas vezes sem considerar o histórico da pessoa do Papa, que tem quebrado protocolos e tradições em nome do amor ao próximo. Ele mesmo já declarou várias vezes que "o Papa, os bispos e padres não são príncipes" e que estão aí para servir ao povo de Deus.

Tal ocorrido foi forte demais e suficiente para sites católicos conservadores do mundo inteiro chamassem a atitude do Papa de “perturbadora”, além de outros adjetivos ótimos para alimentar o ódio daqueles que ficam à espreita, à espera de um assunto que possam usar para promoção própria. Mas o biógrafo papal, Austen Ivereigh, o defendeu, dizendo que ele é o vigário de Cristo, não um imperador romano.

Diante disso, vale lembrar que alguns pontos devem ser destacados em torno desta polêmica:

- O Vaticano não explicou o caso e não deve dar muita atenção ao tema;

- O Anel de Pescador de Francisco não é o mesmo que usaram os papas anteriores (de ouro maciço), mas um novo, de prata coberto de dourado;

- Francisco aboliu o beija-mão do protocolo Vaticano;

- Ele tem preferido substituir a saudação por abraços;

- João Paulo II e Bento XVI, apesar de permitirem, também não gostavam de ter o anel beijado, pelo menos em grandes filas de pessoas - eles evitavam brechas.

O padre jesuíta Russell Pollit se pronunciou sobre o caso: "É hora do hábito de beijar os anéis dos bispos desaparecer por completo. É ridículo e não tem nada a ver com tradição. É uma importação das monarquias. Grande parte da pompa em torno dos bispos deveria ser descartada”.

Na avaliação de James Reynolds, correspondente da BBC em Roma, em matéria publicada recentemente, o vídeo que circula nas redes sociais foi editado e corresponde apenas a uma pequena parte.

O Papa Francisco teria, durante 13 minutos, cumprimentado 113 monges, freiras e paroquianos. Nos primeiros dez minutos, 14 pessoas decidiram apenas cumprimentar o Papa com um aperto de mão, enquanto 41 outras se baixaram para beijar tanto a mão como o anel, sem qualquer protesto da parte do líder da Igreja Católica.

Francisco tem consciência do gesto
Em outras oportunidades, o Papa já foi “flagrado” na situação:

- Jerusalém, em Maio de 2014, quando a mais alta figura do Vaticano tentou beijar a mão do líder da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I de Constantinopla, como um sinal de reconciliação entre as duas igrejas cristãs.

- No início de 2018, quando estava no Peru, prestes a embarcar de volta para Roma, o presidente peruano Pedro Pablo Kuczynki tentou se despedir do Papa Francisco com o “beija-anel”, mas o Santo Padre não permitiu.

História mostra Papas sem frescuras e próximos do povo, mas isso se perdeu com o tempo
Durante vários séculos na história da Igreja, a preocupação maior era sempre com os Ministérios e Serviços. Quem exercia um determinado ofício, o fazia movido pela vontade de servir a comunidade eclesial. Para o missionário redentorista e mestre em História da Igreja, Padre Inácio Medeiros, durante muito tempo, os padres vestiam-se como as demais pessoas do povo. "Não tinha nada que o diferenciasse dos demais membros da comunidade", afirma o sacerdote.

Tanto foi assim, que padres e bispos estavam em pé de igualdade, tanto no serviço que prestavam como também na maneira de viver. Mas isso mudou a partir da oficialização do cristianismo como religião oficial do Império Romano no final da Idade Média. Segundo o Padre Inácio, o clero passou a receber diversos privilégios que eram próprios dos sacerdotes das religiões e dos templos existentes em Roma e nos demais lugares do Império.

Veja:

- Começa a acontecer uma diferenciação entre a vida e as vestimentas dos padres e dos bispos.

- Postos mais altos da Igreja, como episcopado e o cardinalato, passam a ser chamados de "príncipes da Igreja". Nesta evolução, passam a usar mantos, tronos e coroa, como era próprio dos príncipes territoriais.

- Em relação ao papa, esta dinâmica também foi acontecendo. Nesse momento, ao longo do final da Idade Antiga e durante os séculos da Idade Média, o Papa passa a usar certas vestimentas e adornos como o anel pontifício, que passa a ser exclusivo do Pontífice.

- Passa também a usar o título de PAPA. E alguns acrescentam o nome de "Servus servorum Dei", ou seja, "Servo dos servos de Deus".

Padre Inácio explica que foi a partir do Concílio Vaticano II a Igreja buscou uma volta à origem, que lhe permitia se manter nas estradas do Concílio, recuperando o sentido original de sua missão, sendo fiel ao mandato que Cristo lhe conferiu. "Com o papa Francisco, esta busca pela fidelidade cresceu e o faz notar sua preocupação com o testemunho de pobreza, de simplicidade e de desapego. E ele faz isso não para 'aparecer', mas o faz de uma forma autêntica, por acreditar que isso é o correto".

Reações recorrentes
Volta e meia surgem grupos conservadores, que tentam boicotar este modo de ser do Papa, mas Francisco continua usando o seu Anel de Pescador como sinal da unidade da Igreja. "Ele não aceita que isso seja motivo de uma veneração exagerada ou como se seu anel fosse um objeto mágico", acrescenta Padre Inácio.

Ele também destaca pontos importantes do comportamento do Santo Padre:

- Ele inverte a posição, e, ao invés das demais pessoas beijarem as suas mãos ou seu anel, ele é quem toma a dianteira, fazendo este gesto como uma sinal de apreço e de valorização. 

- Faz isso não apenas com autoridades que o visitam, mas com as pessoas mais humildes que se aproximam.

- Mostra simplicidade e seu apego a uma Igreja que, ao estilo do povo, recupera a originalidade de sua missão.

Redes sociais contaminadas de ódio e fake news
Padre Inácio explica que essa postura desmistificar a figura do papa, contradizendo os seus ensinamentos e sua vivência como pastor da Igreja, tem se potencializado com a criação de notícias falsas (as famigeradas "fake news"), que velozmente correm pelas redes sociais, causando desentendimentos e até mesmo dúvidas nas pessoas, inclusive nos próprios cristãos. "O fato do Papa retirar sua mão não quer dizer maus tratos às pessoas e sim uma forma sutil de mostrar uma verdade bem maior".

A12.com

sexta-feira, 22 de março de 2019

Catequese: por que devemos usar a água benta?

Como posso usar a água benta?

A água benta talvez seja um dos sacramentais mais conhecidos da Igreja (cf. o tema “sacramentais”). É usada nos batizados, nas portas das igrejas, para aspergir pessoas, objetos, casas, carros, animais, objetos de devoção (imagens da Virgem Maria e de santos, medalhas, escapulários, crucifixos, estampas etc.). Também pode ser utilizada para a proteção contra o mal.

A água benta, como todo sacramental, leva-nos a invocar, nas diversas circunstâncias da vida, a ajuda do Divino Espírito Santo, para o bem de nossa alma e de nosso corpo. Portanto, “segundo um costume muito antigo, a água é um dos símbolos que a Igreja usa com frequência para abençoar os fiéis. A água ritualmente benzida evoca nos fiéis o mistério de Cristo, que é para nós a plenitude da bênção divina. Ele próprio se apresentou como Água Viva e instituiu para nós o batismo, sacramento da água, como sinal de bênção salvadora” (Ritual Romano. Celebração das bênçãos, no 1085).

Diversas são as formas de usar a água benta, porém, a mais comum é persignar-se com ela. Persignar-se, termo que vem do latim e se refere ao ato de, com o polegar direito, fazer o sinal da cruz na testa, outro na boca e outro no peito, enquanto se pronuncia: “Pelo sinal da santa cruz, livrai-nos Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos”. Outro modo é aspergi-la sobre si mesmo, sobre outras pessoas, lugares ou objetos. Santo Tomás de Aquino escreve destacando a força da água benta contra o demônio: “a água benta é dada contra os assaltos dos demônios que vêm do exterior”.

O que precisa para a água ser benta?
Quem conhece a vida dos santos sabe que muitos deles acreditavam na água benta como um instrumento verdadeiramente eficaz para enfrentar a força do mal. A água benta é um sacramental, e como todos os sacramentais, foi instituído pela Igreja. Para ser verdadeiramente água benta, tem que ser abençoada pelo ministro ordenado (diácono, padre ou bispo). Ao ser abençoada, a água, conforme prescreve a Santa Igreja Católica, torna-se um sacramental, que possui grande eficácia para as pessoas nas diversas realidades da vida.

A água benta não se trata, portanto, de uma superstição, mas de um instrumento extremamente forte e piedoso para quem quer crescer na graça de Deus e se santificar por meio da oração da Igreja. O Catecismo da Igreja Católica (no 2111) lembra que “atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição”.

Por isso, ao benzer-se com a água benta, deve-se sempre professar o ato de fé, de confiança no Senhor e manifestar o desejo de crescer na devoção e amor a Deus. Como afirma Santo Tomás, Oportet nos per aliquasensibilia signa in spiritualiadevenire (“Convém que por sinais sensíveis cheguemos às realidades espirituais”).2

Em muitas Igrejas, encontramos na entrada a água benta. Esta é colocada ali para nos persignarmos (fazer o sinal da cruz) ao entrarmos na Igreja e sermos abençoados por Deus. Assim, entregamos todo o nosso ser e sentidos ao Senhor. Quando entramos na Igreja, devemos pedir ao Espírito Santo que ilumine os nossos corações, nossas mentes, infundindo em nós as graças de que necessitamos. Além disso, costuma ficar na entrada das igrejas, em substituição a uma antiga cerimônia judia em que, antes de entrarem para a oração, os judeus se lavavam e pediam a Deus a sua purificação.

Alguns textos bíblicos que falam sobre a água
Eclo 15,1-6: “Ao que teme o Senhor, ele o saciará com a água da Sabedoria”.
Is 12,1-6: “Com alegria tirareis água das fontes da salvação”.
Is 55,1-11: “Todos que tendes sede, vinde à água”.
Jo 7,37-39: “Se alguém tiver sede, venha a mim”.
Jo 13,3-15: “Vós também estais puros”.
Jo 19, 34: “De seu lado aberto pela lança fez jorrar, com a água e o sangue”.
1Jo 5,1-6: “Ele veio pela água e pelo sangue”.
Ap 7,13-17: “O cordeiro os apascentará, conduzindo-os até as fontes de água da vida”.
Ap 22,1-5: “O rio de água da vida saía do trono de Deus e do cordeiro”.
Sl 41(42),2-3: “Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minha alma por vós, ó Meu
Deus. Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?”.

Oração de bênção da água
Senhor Deus Todo-poderoso, fonte e origem de toda a vida, abençoai esta água que vamos usar confiantes para implorar o perdão dos nossos pecados e alcançar a proteção da vossa graça contra toda doença e cilada do inimigo.

Concedei, ó Deus, que, por vossa misericórdia, jorrem sempre para nós as águas da salvação para que possamos nos aproximar de Vós com o coração puro e evitar todo perigo do corpo e da alma. Por Cristo Nosso Senhor. 

Amém.

Canção Nova

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Papa: o Pai-Nosso educa quem o invoca a não multiplicar palavras vazias

No percurso de redescoberta da oração do Pai-Nosso, Francisco aprofundou com os fiéis a primeira das sete invocações dessa oração: "Santificado seja o vosso nome".

O Papa Francisco prosseguiu o seu ciclo de catequeses sobre o Pai-Nosso, na Audiência Geral desta quarta-feira (27), que contou com a participação de mais de dez mil pessoas, na Praça São Pedro. A catequese de hoje teve como tema “Santificado seja o vosso nome”.

Nesse percurso de redescoberta da oração do Pai-Nosso, o Papa aprofundou com os fiéis a primeira das sete invocações dessa oração.

Francisco ressaltou que as perguntas do Pai-Nosso são sete, divididas em dois grupos. “As primeiras três têm no centro o “Vosso” de Deus Pai. As outras quatro têm no centro o “nós” e as nossas necessidades humanas. Na primeira parte, Jesus nos faz entrar em seus desejos, todos dirigidos ao Pai: “Santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade”. Na segunda parte é Ele que entra em nós e torna-se intérprete de nossas necessidades: o pão nosso de cada dia, o perdão dos pecados, a ajuda na tentação e a libertação do mal”.

Entrega de nós mesmos a Deus
“Aqui está a matriz de toda oração cristã, diria de toda oração humana, que é sempre feita, por um lado, de contemplação de Deus, de seu mistério, de sua beleza e bondade e, por outro lado, de sinceros e corajosos pedidos do que precisamos para viver e viver bem.

“ Assim, em sua simplicidade e essência, o Pai-Nosso educa que o invoca a não multiplicar palavras vazias, porque, como Jesus mesmo disse, o «vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de pedirdes a Ele». ”

“Quando falamos com Deus, não o fazemos para revelar a Ele o que temos em nossos corações: Ele sabe muito melhor do que nós mesmos! Se Deus é um mistério para nós, nós não somos um enigma aos seus olhos. Deus é como aquelas mães que bastam um olhar para entender tudo sobre seus filhos: se estão felizes ou tristes, se são sinceros ou escondem alguma coisa”, disse o Papa.

O primeiro passo da oração cristã é a entrega de nós mesmos a Deus, à sua providência. É como dizer: “Senhor, vós sabeis tudo, não precisa que eu vos conte a minha dor. Peço-vos somente que estejais aqui perto de mim: vós sois a minha esperança”.

Santidade de Deus deve refletir-se em nossas ações
“É interessante notar que Jesus, no discurso da montanha, logo depois de ter ensinado o “Pai-Nosso”, nos exorta a não nos preocupar com as coisas. Parece uma contradição: primeiro, nos ensina a pedir o pão de cada dia e depois nos diz: «Não fiquem preocupados, dizendo: o que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? Mas a contradição é apenas aparente: as perguntas do cristão manifestam a confiança no Pai; e é justamente essa confiança que nos faz pedir o que precisamos sem preocupação e agitação. É por isso que rezamos dizendo: “Santificado seja o vosso nome!”

Segundo o Papa, na primeira pergunta, “se sente a admiração de Jesus pela beleza e grandeza do Pai, e o desejo que todos o reconheçam e o amem por aquilo que realmente é. Ao mesmo tempo, a súplica para que o seu nome seja santificado em nós, em nossa família, em nossa comunidade e no mundo inteiro. É Deus que santifica, que nos transforma com o seu amor, mas ao mesmo tempo nós também, com o nosso testemunho, manifestamos a santidade de Deus no mundo, tornando o seu nome presente”.

“ Deus é santo, mas se nós, se a nossa vida não é santa, há uma grande incoerência! A santidade de Deus deve refletir-se em nossas ações, em nossa vida. ”

"Sou cristão, Deus é santo, mas eu faço coisas feias. Não. Isso não serve. Isso faz mal, escandaliza e não ajuda”, disse ainda Francisco.

A oração afasta o medo
“A santidade de Deus é uma força em expansão, e nós o suplicamos para que quebre rapidamente as barreiras do nosso mundo. Quando Jesus começa a rezar, o primeiro a pagar as consequências é o mal que aflige o mundo. Os espíritos malignos maldizem: «O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o santo de Deus!”

“Nunca se viu uma santidade assim”, frisou o Papa, “não preocupada consigo mesma, mas orientada para fora. Uma santidade que se espalha em círculos concêntricos, como quando se joga uma pedra no lago. O mal tem seus dias contados, o mal não pode mais nos prejudicar: chegou o homem forte que toma posse de sua casa. Esse homem forte é Jesus, que nos dá a força para tomar posse de nossa casa interior”.

O Papa concluiu a sua catequese, dizendo que “a oração afasta todo o medo”. O Pai nos ama, o Filho está ao nosso lado, e o Espírito trabalha em segredo para a redenção do mundo. “Não vacilemos na incerteza. Mas temos uma grande certeza: Deus me ama; Jesus deu sua vida por mim! O Espírito está dentro de mim. Essa é a grande certeza. E o mal? Tem medo.”
VaticanNews

Papa: há a misericórdia de Deus, mas também a sua ira

Não se deixe vencer pelas paixões, não espere para converter seu coração a Deus. O Papa Francisco, na homilia da missa matinal na Casa Santa Marta, convida a fazer todos os dias o exame de consciência, uma breve avaliação das ações que realizamos porque "nenhum de nós tem certeza de como a vida vai acabar".

Parar, tomar consciência dos próprios fracassos, saber que o fim pode vir de um momento para outro e não viver repetindo que a compaixão de Deus é infinita: uma justificativa para fazer o que se quer. O Papa Francisco, na homilia da missa da manhã na Casa Santa Marta, retoma "os conselhos" contido no Livro do Eclesiástico e exorta a mudar o coração, a converter-se ao Senhor.

Domine as paixões
"A sabedoria é algo cotidiano": destaca Francisco, nasce da reflexão sobre a vida e do parar para pensar como vivemos. Vem escutando as sugestões, como as do Eclesiástico, que se assemelham às indicações "de um pai a um filho, de um avô ao neto".

Não siga seus instintos, sua força, seguindo as paixões do seu coração. Todos nós temos paixões. Mas tenha cuidado, domine as paixões. Pegue-as na mão, as paixões não são coisas ruins, são, por assim dizer, o "sangue" para realizar muitas coisas boas, mas se você não for capaz de dominar suas paixões, elas irão dominar você. Pare, pare.

Não adie a sua conversão
O foco do Papa é sobre a relatividade da vida. Ele cita o verso de um salmo que diz: "Ontem eu passei – disse Francisco - e vi um homem; hoje voltei e não estava mais ali". Nós não somos eternos - sublinha o Pontífice - não podemos pensar em fazer o que queremos, confiando na misericórdia infinita de Deus.

Não seja tão imprudente, de arriscar e crer que você vai se dar bem. "Ah, eu me dei bem até agora, eu vou conseguir ...". Não. Você se deu bem, sim, mas agora não sabe... Não diga: "a compaixão de Deus é grande, Ele irá perdoar os meus muitos pecados", e assim eu continuo fazendo o que eu quero. Não diga isso. E o último conselho desse pai, desse "avô", "Não espere para se converter ao Senhor", não espere para se converter, para mudar de vida, para aperfeiçoar a sua vida, para arrancar de você o joio ruim, todos nós temos , devemos arrancá-lo ... "Não espere para se converter ao Senhor e não adiar de dia em dia, porque de repente se manifestará a ira do Senhor ".

Cinco minutos para mudar o coração
"Não espere para se converter": este é o convite do Papa, que exorta a não adiar a mudança de vida, a tocar com as mãos os fracassos e insucessos que cada um tem, a não ter medo, mas a ser "mais soberano", mais capaz de dominar o que nos apaixona.

Façamos este pequeno exame de consciência todos os dias para nos convertermos ao Senhor: "Mas amanhã tentarei fazer com que isso não aconteça mais". Acontecerá, talvez, um pouco menos, mas você conseguiu governar e não ser governado por suas paixões, pelas muitas coisas que nos acontecem, porque nenhum de nós tem certeza de como sua vida terminará e quando terminará. Esses 5 minutos no final do dia nos ajudarão, nos ajudarão muito a pensar e a não adiar a mudança do coração e a conversão ao Senhor. Que o Senhor nos ensine com sua sabedoria a seguir esse caminho.

VaticanNews

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Papa Francisco: escutemos o grito dos pequenos que pedem justiça

O Papa Francisco abriu os trabalhos do encontro sobre "A proteção dos menores na Igreja" que começou nesta quinta-feira (21), no Vaticano, e vai até domingo. A introdução do Pontífice aconteceu logo depois da oração inicial, quando desejou "não simples e evidentes condenações, mas medidas concretas e eficazes a serem realizadas".

No início da manhã desta quinta-feira (21), o Papa Francisco introduziu os trabalhos do primeiro dia do encontro inédito sobre a proteção dos menores dentro da Igreja. A conferência reúne, pela primeira vez, os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo no Vaticano para abordar o tema.

O Papa começou o encontro afirmando do seu forte desejo de responsabilidade em interpelar Patriarcas, Cardeais, Arcebispos, Bispos, Superiores Religiosos e Responsáveis “diante da chaga dos abusos sexuais perpetrados por homens da Igreja em detrimento dos menores”. Todos juntos e “com a docilidade” da condução do Espírito Santo, “escutemos o grito dos pequenos que pedem justiça”.

“ O santo Povo de Deus nos vê e espera de nós não simples e evidentes condenações, mas medidas concretas e eficazes a serem realizadas. ”

Responsabilidade pastoral e eclesial
O Pontífice pediu que o encontro tivesse a incumbência do “peso da responsabilidade pastoral e eclesial que nos obriga a discutir juntos, de maneira sinodal, sincera e aprofundada sobre como enfrentar esse mal que aflige a Igreja e a humanidade. O santo Povo de Deus nos vê e espera de nós não simples e evidentes condenações, mas medidas concretas e eficazes a serem realizadas. São necessárias medidas concretas”, acrescentou Francisco.

O Papa enalteceu, então, que o percurso de todos através desse encontro, no Vaticano, começa “armados da fé e do espírito de máxima parresia, de coragem e concretude”.

Como subsídio, disse Francisco, “me permito compartilhar com vocês alguns importantes critérios, formulados pelas diversas Comissões e Conferências Episcopais que chegaram até nós. São orientações para ajudar a nossa reflexão que serão entregues a vocês. São um simples ponto de partida que veio de vocês e volta para vocês”.

Transformar o mal em consciência e purificação
O Papa Francisco, então, agradeceu a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, a Congregação para a Doutrina da Fé e os membros da Comissão Organizadora pelo “excelente trabalho desenvolvido com grande empenho em preparar este encontro”. E o Pontífice finalizou:

“ Peço ao Espírito Santo de nos sustentar nestes dias e de nos ajudar a transformar esse mal em uma oportunidade de consciência e de purificação. A Virgem Maria nos ilumine para buscar curar as graves feridas que o escândalo da pedofilia causou seja nos pequenos que nos crentes. ”

Ouvir as vozes das vítimas
Os trabalhos do encontro iniciaram com uma oração, durante a qual alguns testemunhos de vítimas foram compartilhados – de quem não pôde falar ou foi silenciado. Os presentes na conferência elevaram as próprias orações para que cada um pudesse ouvir aqueles que “foram violados e feridos, maltratados e abusados”, reconhecendo “as feridas do povo para que seja feita justiça”.


“Não consentir que os nossos fracassos”, foi a oração ao Senhor, “façam os homens perderem a fé em ti e no teu Evangelho”. Um longo e denso silêncio seguiu a uma das experiências que foram lidas:

“Ninguém me escutava; nem os meus pais, nem os meus amigos, nem depois as autoridades eclesiásticas. Não me escutavam e nem mesmo o meu choro. E eu me questiono: por quê? E me questiono por que Deus não me escutou?”
VaticanNews

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Papa: o Senhor nos pergunta onde está o irmão necessitado no nosso coração

À pergunta: “Onde está o teu irmão?”, o Papa Francisco convida a não responder com frases de circunstância. O nosso irmão é o faminto, o doente e o encarcerado.

Assim como a Caim, o Senhor dirige também a nós pessoalmente a pergunta: “Onde está o teu irmão?”. Na homilia da missa na Casa Santa Marta, o Papa exortou a responder pessoalmente, mas não com respostas de circunstância para fugir do problema. Francisco recordou que se trata do irmão doente, encarcerado, faminto, como diz o Evangelho de Mateus no capítulo 25.

O caso de Caim e Abel, proposto pela Primeira Leitura da Liturgia do dia, esteve no centro da reflexão do Papa. Uma leitura que faz parte daquele gênero literário que se repete várias vezes na Bíblia: “podemos chamar de ‘perguntas incômodas’ e respostas de ‘circunstâncias’”. De fato, é “uma pergunta constrangedora” que Deus dirige a Caim: “Onde está o teu irmão?”. E a resposta neste caso é “um pouco de circunstância”, mas também dada para se defender: “Mas o que eu tenho a ver com a vida do meu irmão? Por acaso sou eu o seu custódio? Eu lavo as mãos. E assim Caim tenta escapar do olhar de Deus”, notou o Papa.

Perguntas incômodas
Francisco depois se concentrou nas “perguntas incômodas” que Jesus fez. Muitas vezes as dirigiu a Pedro, por exemplo quando lhe perguntou três vezes: “Me amas?”. Tanto que, no final, Pedro não sabia mais o que responder. Do mesmo modo, perguntou aos discípulos: “O que as pessoas dizem de mim?”. E eles responderam: “um profeta, o Batista ...”. “Mas vós, o que dizeis?”, perguntou Cristo. “Uma pergunta constrangedora.”

Deus a Caim fez outra pergunta: onde está o teu irmão? “Esta é uma pergunta incômoda, disse o Papa, é melhor não fazê-la. E nós conhecemos muitas respostas: mas é a sua vida, eu a respeito, lavo as mãos... eu não me intrometo na vida dos outros”, cada um é livre de escolher a própria estrada... O Papa, com esses exemplos, evidencia que na vida de todos os dias, a essas perguntas incômodas do Senhor, “respondemos um pouco com princípios genéricos que não dizem nada, mas dizem tudo, tudo aquilo que está no coração”.

Respostas de circunstância
Portanto, a cada um de nós o Senhor hoje faz está pergunta: “Onde está o teu irmão?”. Talvez, alguém um pouco mais distraído pode responder que está em casa com a esposa, mas o Papa esclareceu que se trata do irmão doente, faminto, encarcerado, do perseguido pela justiça:

“Onde está o teu irmão?” – “Não sei” – “Mas o teu irmão tem fome!” – “Sim, sim, certamente está almoçando na Caritas da paróquia, sim certamente lhe darão de comer”, e com esta resposta, de circunstância, salvo a minha pele. “Não, o outro, o doente...” – “Certamente está no hospital!” – “Mas não tem lugar no hospital! E os remédios?” – “Mas é uma coisa que diz respeito a ele, eu não posso me intrometer na vida dos outros... terá parentes que lhe darão remédios”, e lavo as mãos. “Onde está o teu irmão, o encarcerado?” – “Ah, está pagando aquilo que merece. Ele cometeu, que pague. Nós estamos cansados de tantos delinquentes na rua: pague”. Mas talvez você nunca vai ouvir esta resposta da boca do Senhor. Onde está o teu irmão? Onde está o teu irmão explorado, que trabalha no mercado informal nove meses por ano para retomar, depois de três meses, outro ano? E assim não existe segurança, não existem férias … “Eh, hoje não existe emprego e se faz aquilo que aparece …”: outra resposta de circunstância .

Com estes exemplos concretos, o Papa pede para que cada um tome esta Palavra do Senhor como se fosse dirigida a cada um de nós pessoalmente:

“O Senhor me pergunta: “onde está o seu irmão?”, e põe o nome dos irmãos que o Senhor nomeia no capítulo 25 de Mateus: o doente, o faminto, o sedento, aquele que não tem roupas, aquele irmão pequenino que não pode ir à escola, o usuário de droga, o encarcerado ... onde está? Onde está o seu irmão em seu coração? Existe espaço para essas pessoas em nosso coração? Ou falamos sim das pessoas e descarregamos a consciência dando uma esmola.”

Mas que essas pessoas não incomodem muito por favor, porque, continua o Papa, “com essas coisas sociais da Igreja”, acaba parecendo “um partido comunista e isso nos faz mal”. Tudo bem, mas o Senhor disse: onde está seu irmão? Não é o partido, é o Senhor”. “Estamos acostumados a dar respostas de ocasião, respostas para fugir do problema, para não ver o problema e não tocar no problema”.

Francisco pede novamente para “fazer uma lista” de todos aqueles que o Senhor nomeia no capítulo 25 de Mateus. Caso contrário, começa a ser criada “uma vida escura”: o pecado está agachado à sua porta, diz o Senhor a Caim, e “quando carregamos esta vida escura sem tomar pela mão o que o Senhor Jesus nos ensinou, à porta está o pecado, agachado, esperando para entrar e nos destruir”, recorda, exortando também a fazer-se outra pergunta contida no livro do Gênesis, aquela que Deus fez a Adão depois do pecado: “Adão, onde você está”?

“E Adão se escondeu de vergonha, de medo. Talvez tenhamos sentido essa vergonha. Onde está o seu irmão? Onde você está? Em que mundo você vive que não percebe essas coisas, esses sofrimentos, essas dores? Onde está o seu irmão?... Onde você está? Não se esconda da realidade. Responda abertamente, com lealdade e com alegria a estas duas perguntas do Senhor.”

VaticanNews

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Papa Francisco: Dom Bosco, portador da alegria do Evangelho

No prefácio do livro "Evangelii gaudium com Dom Bosco", o Papa Francisco enfatiza que a proposta de São João Bosco às periferias sociais e existenciais foi uma medida alta de vida cristã.

"Ele não era um santo com a cara de Sexta-Feira Santa, triste, mas sim" do Domingo de Páscoa ". Ele era um "portador saudável" da "alegria do Evangelho", sempre "alegre, acolhedor, apesar das mil fadigas que tinha todos os dias". Para ele, "a santidade consistia em ser muito feliz". Este é o retrato de Dom Bosco delineado pelo Papa Francisco no prefácio do livro"Evangelii gaudium com Dom Bosco".

O padre dos jovens pobres e abandonados
A mensagem de Dom Bosco, escreve o Papa, era "uma mensagem revolucionária em uma época em que os padres viviam longe da vida do povo". Em Turim, uma cidade industrial "que atraia centenas de jovens em busca de trabalho", ele levava seu impulso missionário à "periferia social e existencial": "saía às ruas, entrava nos canteiros de obras, nas fábricas e nas prisões" e levava a "alegria e o cuidado do verdadeiro educador a todos os jovens que tirava das ruas".

Francisco e os carismas salesianos
O "clima de alegria e de família" em Turim de 1800, ligado à obra de Dom Bosco, foi vivido e desfrutado por muitos jovens formados pelos salesianos. Esta foi também a experiência pessoal do Papa Francisco quando frequentou o sexto ano no 'Colégio Wilfrid Barón de los Santos Angeles', em Ramos Mejía, cidade argentina localizada na província de Buenos Aires. "Os salesianos - escreve o Papa – formaram-me à beleza, ao trabalho e a ser muito feliz". "Eles me ajudaram a crescer sem medo, sem obsessões". "Eles me ajudaram a avançar na alegria e na oração".

Nas periferias do mundo e da história
No prefácio, intitulado "Queridos Salesianos", o Papa Francisco faz em particular uma pergunta: "Que salesiano de Dom Bosco devemos ser para os jovens de hoje?" "Um salesiano que sabe olhar ao seu redor - escreve o Papa - vê situações críticas e os problemas, que as confronta, as analisa e toma decisões corajosas ". "Ele é chamado a ir ao encontro de todas as periferias do mundo e da história, as periferias do trabalho e da família, da cultura e da economia, que precisam ser curadas".

A identidade do salesiano
"O salesiano – lê-se no prefácio do Pontífice - é um educador que abraça as fragilidades dos jovens que vivem marginalizados e sem futuro, se inclina sobre suas feridas e cuida delas como um bom samaritano". O salesiano é também "um otimista por natureza, sabe olhar para os jovens com realismo positivo". "Como ensina ainda hoje Dom Bosco, o salesiano reconhece em cada um deles, mesmo os mais rebeldes e descontrolados," aquele ponto de acesso ao bem sobre o qual trabalhar com paciência e confiança ".

Deus nos ama e nos perdoa
O salesiano, escreve ainda o Papa, é "portador da alegria, da alegria que nasce da notícia que Jesus Cristo ressuscitou e é inclusiva em todas as condições humanas". "Deus não exclui ninguém". "Para nos amar, ele não nos pede para sermos bons". "E ele nos pede permissão para nos amar". "Ele nos ama e nos perdoa". Se nos deixarmos surpreender pela simplicidade daqueles que não têm nada a perder - sublinha Francisco - sentiremos o nosso coração inundado de alegria ". "Quando essas características faltam, eis então os rostos carrancudos e tristes".

VaticanNews

Papa: para amar a Deus, é preciso amar o irmão

Francisco afirmou que o Senhor nos pede concretude no amor.

Para amar a Deus concretamente, é preciso amar os irmãos, isto é, rezar por eles, simpáticos e antipáticos, inclusive pelo inimigo. Na homilia de quinta-feira (10) na capela da Casa Santa Marta, o Papa fez um forte apelo ao amor. Quem nos dá a força para amar assim é a fé, que vence o espírito do mundo.

O espírito do mundo é mentiroso
A reflexão de Francisco se inspirou na Primeira Carta de São João apóstolo (1Jo 4,19 - 5,4) proposta pela Liturgia do dia. O apóstolo João, de fato, fala de “mundanidade”. Quando diz: “Quem foi gerado por Deus é capaz de vencer o mundo” está falando da “luta de todos dias” contra o espírito do mundo, que é “mentiroso”, é um “espírito de aparências, sem consistência”, enquanto “o Espírito de Deus é verdadeiro”.

“O espírito do mundo é o espírito da vaidade, das coisas que não têm força, que não têm fundamento e que acabarão”, destacou Francisco. Como os doces de Carnaval, os crêpes – chamados em dialeto de “mentiras” – não são consistentes, mas “cheios de ar”, isto é, do espírito do mundo.

O espírito do mundo divide sempre
O apóstolo nos oferece o caminho da concretude do espírito de Deus: dizer e fazer são a mesma coisa. “Se você tem o Espírito de Deus” – recordou o Papa –, fará coisas boas. E o apóstolo João diz uma coisa “cotidiana”: “Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê”. “Se você não é capaz de amar algo que vê, como conseguirá amar algo que não vê? Isso é a fantasia”, destacou o Papa, exortando a amar “o que se vê, se pode tocar, que é real. E não as fantasias, que não se veem”.

Se você não é capaz de amar a Deus no concreto, não é verdade que você ama a Deus. E o espírito do mundo é um espírito de divisão e quando se infiltra na família, na comunidade, na sociedade sempre cria divisões: sempre. E as divisões crescem e vêm o ódio e a guerra … João vai além e diz: “Se alguém diz ‘Amo a Deus', mas entretanto odeia o seu irmão, é um mentiroso”, isto é, é filho do espírito do mundo, que é pura mentira, pura aparência. E isso é algo sobre o qual nos fará bem refletir: eu amo a Deus? Mas vamos fazer uma comparação e ver como você ama o seu irmão: vamos ver como você o ama.

O Papa então indicou três sinais que indicam que não amo o irmão. Antes de tudo, Francisco exortou a rezar pelo próximo, também por aquela pessoa que é antipática e sei que não me quer bem, também por aquela que me odeia, pelo inimigo, como disse Jesus. Se não rezo, “é um sinal que você não ama”:

O primeiro sinal, pergunta que todos devemos fazer: eu rezo pelas pessoas? Por todas, concretas, as que são simpáticas e antipáticas, por aquelas amigas e não são amigas. Primeiro. Segundo sinal: quando eu sinto dentro de mim sentimentos de ciúme, de inveja e quero desejar o mal ou não... é um sinal que não ama. Pare ali. Não deixar crescer esses sentimentos: são perigosos. Não deixá-los crescer. E depois o sinal mais cotidiano de que eu não amo o próximo e, portanto, não posso dizer que amo a Deus, é a fofoca. Vamos colocar no coração e na cabeça: se eu faço fofocas, não amo a Deus porque com as fofocas estou destruindo aquela pessoa. As fofocas são como balas de mel, que são saborosas, uma chama a outra e depois o estômago se consuma, com tantas balas... Porque é bom, é “doce” fofocar, parece uma coisa bela, mas destrói. E este é um sinal de que você não ama.

A necessidade da fé
Se uma pessoa deixa de fofocar na sua vida, “eu diria que é muito próxima a Deus”, porque – explicou Francisco – não fofocar “protege o próximo, protege Deus no próximo”.

E o espírito do mundo se vence com este espírito de fé: acreditar que Deus está no meu irmão, na minha irmã. A vitória que venceu o mundo é a nossa fé. Somente com tanta fé é possível percorrer esta estrada, não com pensamentos humanos de bom senso … não, não: não são necessários. Ajudam, mas não servem nesta luta. Somente a fé nos dará a força para não fofocar, para rezar por todos, inclusive pelos inimigos e de não deixar crescer os sentimentos de ciúme e de inveja. O Senhor, com este trecho da Primeira Carta de São João apóstolo, nos pede concretude no amor. Amar a Deus: mas se você não ama seu irmão, não pode amar a Deus. E se você diz amar o seu irmão, mas na verdade não o ama, o odeia, você é um mentiroso.

VaticanNews

Juventude floco de neve ou raiz?

A juventude precisa ser forte para se tornar madura 

Como você definiria o jovem de hoje? Perguntei nas redes sociais e as respostas vieram de várias formas, e algumas demonstraram conflitos. Na verdade, a juventude em si é a fase de inconstâncias e transbordantes emoções.

Gostaria de fazer uma pergunta para vocês refletirem: como vocês são conhecidos na sua realidade? Quais são as recomendações que você daria de si mesmo?

Hoje, os jovens são considerados a Geração Y, ou seja, a geração conectada, que nasceu no meio digital, que não tolera muitas frustrações. Existem estudiosos que dizem que é a geração “Floco de Neve”, ou seja, que se derrete por qualquer coisa! No ambiente digital, são fortes, mas quando confrontados pessoalmente, os argumentos são fracos.

Deus o faz forte
Muitos jovens procuram Deus para ficar de boa e ter um bem-estar psicológico. O cristianismo, no entanto, é a cruz, ou seja, é amar sem esperar nada em troca, porque a eternidade nos espera.

Papa Francisco nos diz que a juventude é uma fase que precisa acabar, ou seja, precisamos passar por ela e viver um processo de amadurecimento.

A infância é o período dos alicerces e valores, já a juventude é a fase das construções e projetos que estarão no futuro para a consolidação da fase adulta.

Lidando com os sentimentos
Os sentimentos não são tudo isso que achamos que ele é, porque, depois que a euforia e a serotonina baixam, pode até vir uma sensação de depressão ao ver que nada mudou, mas é preciso se lembrar desses sentimentos bons e ter coragem para mudar.

Devemos aprender a ordenar os nossos sentimentos e não deixar que eles controlem as nossas ações.

Comprometimento
Quais são as batalhas que vamos travar e quais são os seus pontos fracos? O que é mais desafiador na sua vida? Os meios e as ações que fazemos justificam nossas ações para alcançarmos o céu, por isso precisamos potencializar o bem na nossa vida.

A juventude precisa se comprometer, ou seja, precisa ser melhor naquilo que está fazendo.

Geração forte em Cristo
Os jovens precisam ser virtuosos, e a Palavra de Deus diz para a juventude por meio do autor sagrado João: “Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, porque sois fortes, e a Palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno”.

Se você se abre para a graça de Deus e faz o seu esforço, vencerá qualquer coisa! E a maior batalha que você tem de vencer é contra si mesmo.

Tenha a disposição de assumir a Palavra de Deus em sua vida. Seja forte! Não seja geração “floco de neve”. Seja forte!

Adriano Gonçalves
Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Papa diz que devemos insistir na oração, Deus atende sempre

"Rezar é desde agora a vitória sobre a solidão e o desespero. É como ver cada fragmento da criação que fervilha no torpor de uma história que às vezes não entendemos o por quê. Mas está em movimento, no caminho, e no final de cada estrada há um Pai que espera por tudo e todos com os braços bem abertos”. Deus sempre responde à nossa oração, disse o Papa em sua catequese.

“Podemos estar certos de que Deus responderá. Talvez tenhamos que insistir por toda a vida, mas Ele responderá.” Dando sequência à sua série de catequeses sobre o Pai Nosso, o Papa falou na Audiência Geral desta quarta-feira sobre a oração perseverante, inspirando-se na passagem de São Lucas 11, 9-13: “Batei e vos será aberto”.

Dirigindo-se aos 7 mil peregrinos presentes na Sala Paulo VI, Francisco começa recordando que o evangelista descreve “a figura de Cristo em uma atmosfera densa de oração. Nele estão contidos os três hinos que marcam ao longo do dia a oração da Igreja: o Benedictus, o Magnificat e o Nunc dimittis”.

“ Jesus é sobretudo um orante ”

“Na catequese sobre o Pai Nosso vemos Jesus como orante. Jesus reza", enfatiza o Pontífice. Cada passo na sua vida “é como que movido pelo sopro do Espírito que o guia em todas as suas ações”. E o Papa recorda a Transfiguração, o batismo no Jordão, a intercessão por Pedro. Nas decisões mais importantes – observa - Jesus “retira-se frequentemente para a solidão, para rezar. Até a morte do Messias está mergulhada em um clima de oração, tanto que as horas da Paixão parecem marcadas por uma calma surpreendente.”

Jesus consola as mulheres, reza pelos que o crucificam, promete o Paraíso ao bom ladrão, expira dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”:

“ A oração de Jesus parece abranda as emoções mais violentas, os desejos de vingança, reconcilia o homem com seu mais amargo inimigo: a morte ”

Dirigir-se a Deus como Pai
É no Evangelho de Lucas – chama a atenção o Papa – que um de seus discípulos pede que o próprio Jesus os ensine a rezar (...). Também nós podemos dizer isto ao Senhor: ensina-me a rezar, para que também eu possa rezar".

E deste pedido dos discípulos – explica – “nasce um ensinamento bastante extenso, através do qual Jesus explica aos seus com que palavras e com que sentimentos devem dirigir-se a Deus”. E “a primeira parte deste ensinamento é justamente a oração ao Pai (...). O cristão dirige-se a Deus chamando-o antes de tudo de 'Pai'". Nós podemos estar em oração "somente com esta palavra, Pai, e sentir que temos um Pai, não um patrão, nem um padrinho, mas um pai".

Mas neste ensinamento que Jesus dá aos seus discípulos – prossegue Francisco - é interessante insistir em algumas instruções que coroam o texto da oração. Para dar confiança à oração, Jesus explica algumas coisas: “Elas insistem nas atitudes do crente que reza”.

E ilustra isso com “a parábola do amigo inoportuno que vai perturbar toda uma família que dorme, porque de forma inesperada uma pessoa chegou de uma viagem e não tem pão para oferecer a ela. Jesus explica que se ele não se levantar para dar o pão porque é seu amigo, ao menos se levantará por causa da importunação. "Com isto, Jesus quer ensinar a rezar, a insistir na oração". E ilustra também com “o exemplo de um pai que tem um filho faminto: "Qual pai entre vós - pergunta Jesus - se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra em vez de peixe?".

A oração sempre transforma a realidade
Com estas parábolas – diz o Papa – Jesus faz entender que Deus responde sempre, que nenhuma oração fica sem ser ouvida, “que Ele é Pai e não esquece seus filhos que sofrem”:

“Certamente, essas afirmações nos colocam em crise, porque muitas das nossas orações parecem não ter resultado algum. Quantas vezes pedimos e não obtemos - todos temos experiência disto - batemos e encontramos uma porta fechada? Jesus recomenda a nós, nesses momentos, para insistir e a não nos darmos por vencidos. A oração sempre transforma a realidade, a oração sempre transforma, sempre, transforma a realidade: se não mudam as coisas à nossa volta, pelo menos muda a nós, muda o nosso coração. Jesus prometeu o dom do Espírito Santo a todo homem e mulher que reza”.

Perseverar na oração, Deus responde sempre
“Podemos estar certos – diz o Francisco - de que Deus responderá. A única incerteza – ressalta - é devida aos tempos, mas não duvidamos que Ele responderá”:

“Talvez tenhamos que insistir por toda a vida, mas Ele responderá. Ele o prometeu: Ele não é como um pai que dá uma serpente em vez de um peixe. Não há nada de mais certo: o desejo de felicidade que todos nós trazemos no coração, um dia se cumprirá. Jesus diz: "Não fará Deus justiça aos seus eleitos, que clamam dia e noite a ele?" Sim, fará justiça, nos escutará. Que dia de glória e ressurreição será!”

“ Rezar é desde agora a vitória sobre a solidão e o desespero ”

"É como ver cada fragmento da criação que fervilha no torpor de uma história que às vezes não entendemos o por quê. Mas está em movimento, no caminho, e no final de cada estrada, da coração, de um tempo que estamos rezando, ao fim da vida, há um Pai que espera por tudo e todos com os braços bem abertos. Olhemos para este Pai”.
VaticanNews