sexta-feira, 25 de maio de 2018

Os dogmas marianos: conheça as verdades de fé sobre Nossa Senhora

Hoje, os cristãos necessitam conhecer os dogmas marianos. A formação mariana requer o estudo dos dogmas marianos, tanto em seu conteúdo, como também em seu significado na vida cristã.

Os dogmas marianos manifestam a importância que a Igreja dá à Maria, a Mãe de Jesus Cristo. “Os dogmas marianos glorificam Maria. Ela é exaltada precisamente em sua insignificância e simplicidade e é por intermédio dos insignificantes, dos pobres – como Maria e os que ela declara libertados – que o Reino se torna realidade entre nós. Em toda a longa tradição cristã, os dogmas marianos concentram nossa atenção na glória de Deus que brilha sobre a mãe de Jesus” (Kahleen Coyle, missionária e escritora mariana).

O que são Dogmas Marianos
O termo “dogma” provém da língua grega, “dógma”, que significa “opinião” e “decisão”.

O termo “dogma” provém da língua grega, “dógma”, que significa “opinião” e “decisão”. No Novo Testamento, é empregado no sentido de decisão comum sobre uma questão, tomada pelos apóstolos (cf. At 15,28). Os Padres da Igreja, antigos escritores eclesiásticos, usavam dogma para designar o conjunto dos ensinamentos e das normas de Jesus e também uma decisão da Igreja.

Paulatinamente, a Igreja, com o auxílio dos teólogos e pensadores cristãos, precisou e esclareceu o sentido de dogma. “Na linguagem atual do Magistério e da Teologia, o ‘dogma’ é uma doutrina na qual a Igreja, quer com um juízo solene, quer mediante o magistério ordinário e universal, propõe de maneira definitiva uma verdade revelada, em uma forma que obriga o povo cristão em sua totalidade, de modo que sua negação é repelida como heresia e estigmatizada com anátema” (Marcelo Semeraro, professor de teologia).

Definidos pelo magistério da Igreja de maneira clara e definitiva, os dogmas são verdades de fé, contidas na Bíblia e na Tradição. “O magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária” (Catecismo da Igreja Católica, no. 88).

Na Igreja os dogmas são importantes porque ajudam os cristãos a se manterem fiéis na fé genuína do cristianismo. “Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a gente a se manter no rumo do Santuário vivo, que é Jesus” (CNBB. Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. p. 81).

Referentes à Maria, a Igreja propõe quatro dogmas: Maternidade Divina, Virgindade Perpétua, Imaculada Conceição e Assunção. Constituem verdades que os cristãos aceitam, aprofundam e vivenciam na comunidade de fé.

Mãe de Deus
Aos 22 de junho de 431, o Concílio de Éfeso definiu explicitamente a maternidade divina de Nossa Senhora. Assim o Concílio se expressou: “Que seja excomungado quem não professar que Emanuel é verdadeiramente Deus e, portanto, que a Virgem Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois deu à luz segundo a carne aquele que é o Verbo de Deus”.

A intenção do Concílio de Éfeso era a de afirmar a unidade da pessoa de Cristo. Reconhecer Maria como mãe de Deus (“Theotokos”) significa, na verdade, professar que Cristo, filho da Virgem Santíssima segundo a geração humana, é Filho de Deus. O povo se alegrou tanto que levou os bispos do Concílio para suas casas e festejaram a proclamação do dogma mariano. A maternidade divina de Nossa Senhora é peça-mestra da teologia marial.

Virgindade perpétua 
Conferindo as Sagradas Escrituras e os escritos dos Santos Padres, o Concílio de Latrão preconizou como verdade a Virgindade Perpétua de Maria, no ano 649. Durante o Concílio, o Papa Martinho I assim afirmou: “Se alguém não confessa de acordo com os Santos Padres, propriamente e segundo a verdade, como Mãe de Deus, a santa, sempre virgem e imaculada Maria, por haver concebido, nos últimos tempos, do Espírito Santo e sem concurso viril gerado incorruptívelmente o mesmo Verbo de Deus, especial e verdadeiramente, permanecendo indestruída, ainda depois do parto, sua virgindade, seja condenado”.

Nossa Senhora foi sempre Virgem, isto é, antes do parto, no parto e depois do parto. Os diversos credos e concílios antigos retomaram e afirmaram esta verdade. Santo Inácio de Alexandria, São Justino, Santo Irineu, Santo Epifrânio, Santo Efrém, Santo Ambrósio, São Jerônimo e Santo Agostinho foram os exímios defensores da Virgindade de Maria. A Virgindade Perpétua de Maria faz parte integrante da fé cristã.

Imaculada Conceição
Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX definiu o terceiro dogma mariano: Imaculada Conceição de Maria. Em sua Bula “Ineffabilis Deus”, o Pontífice declarou a doutrina que ensina ter sido Nossa Senhora imune de toda mancha de pecado original, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em vista dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano. Duns Scott (1266-1308) foi o teólogo que argumentou, historicamente, em favor do privilégio mariano, baseando-se na redenção preventiva.

O dogma da Imaculada Conceição nos ensina que, em Maria, começa o processo de renovação e purificação de todo o povo. Ela “é toda de Deus, protótipo do que somos chamados a ser. Em Maria e em nós age a mesma graça de Deus. Se nela Deus pôde realizar seu projeto, poderá realizá-lo em nós também” (Dom Murilo S. R. Krieger, bispo e escritor mariano).

Assunção de Maria
A Assunção de Maria foi o último dogma a ser proclamado, por obra de Papa Pio XII, a 01 de novembro de 1950. Na Constituição Apostólica “Munificentíssimus Deus” o Pontífice afirmou que, depois de terminar o curso terreno de sua vida, ela foi assunta de corpo e alma à glória celeste. Mais de 200 teólogos, em todas as partes da Igreja, demonstraram interesse e entusiasmo pela definição dogmática.

Imaculada e assunta aos céus, Maria é a realização perfeita do projeto de Deus sobre a humanidade. “A Assunção manifesta o destino do corpo santificado pela graça, a criação material participando do corpo ressuscitado de Cristo, e a integridade humana, corpo e alma, reinando após a peregrinação da história” (CNBB. Catequese Renovada, nº. 235).

Os dogmas marianos iluminam a vida espiritual dos cristãos. “Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé, que o iluminam e o tornam seguro” (Catecismo da Igreja Católica, no. 90).

Academia Marial - A12.com

Santíssima Trindade: mistério central da fé e da vida cristã

“Celebrar a Santíssima Trindade representa para a Igreja celebrar a fonte de onde ela emana”, diz o bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Carlos Cipollini.

Esse mistério central da fé cristã é ressaltado no concílio Vaticano II: a Igreja brota da Trindade. Outra definição bem didática foi escrita pelo bispo teólogo de Ilhéus (BA), já falecido, dom Valfredo Tepe, “o Pai projeta a Igreja, Jesus a funda e o Espírito Santo a administra”.

Neste domingo, 27 de maio, a Igreja celebra a solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três pessoas e um só Deus verdadeiro. Esta celebração convida os cristãos a rezar e a agradecer o convite que Jesus faz para voltar com ele ressuscitado, para sua pátria: a Trindade.

“Esta celebração nos convida a celebrar a criação que é obra da Trindade, celebrar a humanidade vocacionada à fraternidade e solidariedade: um só é vosso Pai! E eu e o Pai somos um”, destaca dom Cipollini.

Ainda segundo o bispo, de junto do Pai Jesus ressuscitado envia o Espírito Santo que nos santifica e nos torna santificadores deste mundo. “Espírito de Verdade e amor derramado em nossos corações para compreendermos que Jesus é o enviado do Pai e crermos nele, ouvindo e vivendo o que ele nos ensinou”.

O mistério da Trindade que não pode ser entendido porque é um mistério está nas origens da fé viva da Igreja, principalmente através do Batismo. “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13; cf. 1Cor 12,4-6; Ef 4,4-6) já pronunciavam os Apóstolos.

Santo Agostinho dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade, 15,26,47).

“Trazemos para nossa vida o mistério da Trindade quando conhecemos Jesus que nos revela este mistério e é o caminho para adentrarmos nele. Quando brota em nós a paixão para a unidade e o amor vividos na busca continua da Verdade que se revela em Jesus, aí então o Mistério da Trindade se torna realidade para nós”.

Dom Cipollini ressalta que é preciso aprender a viver a unidade na diversidade unidos pelo amor. “Viver a Trindade é a partir da fé abater tudo o que divide e construir pontes que integram”.

CNBB

Papa Francisco: o matrimônio é a beleza cristã

"Que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimônio há a imagem e a semelhança de Deus”, disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta.


A beleza do matrimônio foi o tema homilia do Papa Francisco na missa celebrada na manhã de sexta-feira (25) na capela da Casa Santa Marta. Entre os fiéis, havia sete casais que celebravam 50 e 25 anos de casamento.

O trecho do Evangelho segundo São Marcos fala da intenção dos fariseus de colocar Jesus à prova fazendo-lhe uma pergunta que o Papa define “casística”, isto é, quando se reduz a fé a “um sim ou um não”. E explica:

Não o grande "sim" ou o grande "não" dos quais ouvimos falar, que é Deus. Não: se pode ou não se pode. E a vida cristã, a vida segundo Deus, segundo essas pessoas, está sempre no ‘se pode’ e ‘não se pode’.

A pergunta diz respeito ao matrimônio, querem saber se é lícito ou não que um marido repudie a própria mulher. Mas, afirma Francisco, Jesus vai além, eleva o nível e “chega até a Criação e fala do matrimônio que é talvez a coisa mais bela” que o Senhor criou naqueles sete dias.

A desgraça da separação
‘Desde o início da criação [Deus] os fez homem e mulher; o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne’. “É forte o que diz o Senhor”, comenta o Papa, fala de “uma carne” que não se pode dividir. Jesus “deixa o problema da divisão e vai à beleza do casal que deve caminhar como um só”. Francisco destaca que o homem e a mulher devem abandonar aquilo que eram antes “para começar uma nova estrada, um novo caminho”. E depois toda a vida realizam este caminho de “ir avante juntos: não dois, um”. O Papa então recomenda: “Não devemos nos deter, como esses doutores, num ‘se pode’ ou ‘não se pode’ dividir um matrimônio. Às vezes, acontece a desgraça de não funcionar e é melhor se separar para evitar uma guerra mundial, mas isso é uma desgraça. Devemos ver o positivo”.

Francisco citou um casal que festejava 60 anos de casamento e, diante da pergunta se eram felizes, os dois se olharam nos olhos, que ficaram repletos de lágrimas pela comoção, e responderam: "Somos apaixonados!”.

É verdade que existem dificuldades, que existem problemas dos filhos ou do próprio matrimônio, do próprio casal, discussões, brigas... mas o importante é que a carne permaneça uma e superam, superam, superam isso. E este não é somente um sacramento para eles, mas também para a Igreja, como se fosse um sacramento que chama a atenção, que atrai a atenção: “Mas olhem que o amor é possível!”. E o amor é capaz de fazer viver apaixonados toda uma vida: na alegria e na dor, com o problema dos filhos e os próprios problemas... mas ir sempre avante. Na saúde e na doença, mas ir sempre avante. Esta é a beleza.

O matrimônio feliz não é notícia
O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus e o próprio matrimônio se torna assim Sua imagem. E é por isso, afirma o Papa, que é tão bonito: “O matrimônio é uma pregação silenciosa a todos os outros, uma pregação de todos os dias”.

É doloroso quando isso não faz notícia: os jornais, os telejornais não veem isso como notícia. Aquele casal tantos anos juntos.. não é notícia. Sim, a notícia é o escândalo, o divórcio ou que se separam – às vezes se devem separar, como disse, para evitar um mal maior... Mas a imagem de Deus não é notícia. E esta é a beleza do matrimônio. São a imagem e a semelhança de Deus. E esta é a nossa notícia, a notícia cristã.

Francisco repete que a vida matrimonial e familiar não é fácil, e cita a Primeira Leitura extraída da carta de São Tiago Apóstolo, que fala da paciência. Diz que talvez seja a virtude mais importante no casal – seja do homem, seja da mulher – e conclui com uma oração ao Senhor “para que dê à Igreja e à sociedade uma consciência mais profunda, mais bela do matrimônio, que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimônio há a imagem e a semelhança de Deus”.

VaticanNews

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Papa: evitar a intriga para caminhar na verdadeira unidade

Na missa matutina, Francisco condenou a intriga como método utilizado ainda hoje para dividir, seja na Igreja, seja na vida política.

Na missa celebrada desta quinta-feira (17) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao tema da unidade, inspirando-se na Liturgia da Palavra.

Existem dois tipos de unidade, comentou o Pontífice. A primeira é a verdadeira unidade de que fala Jesus no Evangelho, a unidade que Ele tem com o Pai e que quer trazer também a nós. Trata-se de uma “unidade de salvação”, “que faz a Igreja”, uma unidade que vai rumo à eternidade. “Quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou”, disse Francisco.

A falsa unidade divide
Porém, há uma “falsa unidade”, como aquela dos acusadores de São Paulo na Primeira Leitura. Inicialmente, eles se apresentam como um bloco único para acusá-lo. Mas Paulo, que era “sagaz”, isto é, tinha uma sabedoria humana e também a sabedoria do Espírito Santo, lança a “pedra da divisão”, dizendo estar sendo julgado pela esperança na ressurreição dos mortos”.

Uma parte desta falsa unidade, de fato, era composta por saduceus, que diziam não existir “ressurreição nem anjo nem espírito”, enquanto os fariseus professavam esses conceitos. Paulo então consegue destruir esta falsa unidade porque eclode um conflito e a assembleia que o acusava se divide.

De povo a massa anônima
Em outras perseguições sofridas por São Paulo, se vê que o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e são “os dirigentes” que sugerem o que gritar:

Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: “Crucifiquem-no”. O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.

Intrigar: um método usado também hoje
“Criam-se condições obscuras” para condenar a pessoa, explicou o Papa, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. E Francisco citou como exemplo “a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”: “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”. Depois chega a justiça, “as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”. Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

A fofoca é uma atitude assassina
O elo da corrente para se chegar a esta condenação é um “ambiente de falsa unidade”, destacou Francisco.

Numa medida mais restrita, acontece o mesmo também nas nossas comunidades paroquiais, por exemplo, quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro… E fazem uma falsa unidade para condená-lo; sentem-se seguros e o condenam. O condenam mentalmente, como atitude; depois se separam e falam mal um contra o outro, porque estão divididos. Por isso a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a “reputação” das pessoas.

Caminhar na estrada da verdadeira unidade
“A intriga” foi usada contra Jesus para desacreditá-lo e, uma vez desacreditado, eliminá-lo:

Pensemos na grande vocação à qual fomos chamados: a unidade com Jesus, o Pai. E este caminho devemos seguir, homens e mulheres que se unem e buscam sempre prosseguir no caminho da unidade. E não as falsas unidades, que não têm substância, e servem somente para dar um passo a mais e condenar as pessoas, e levar avante interesses que não são os nossos: interesses do príncipe deste mundo, que é a destruição. Que o Senhor nos dê a graça de caminhar sempre na estrada da verdadeira unidade.

VaticanNews

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Fake News: Veja quatro conselhos do Papa e se livre delas

No domingo, dia 13 de maio, a Igreja comemora e reflete sobre o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Neste ano de 2018, o Papa lançou uma mensagem bastante atual e repleta de aspectos relevantes para levar para o nosso dia a dia, principalmente por estarmos em meio a uma mudança de época em que a comunicação e a tecnologia transbordam por todos os lugares. O Portal A12 listou pontos importantes para você ficar por dentro sobre a mensagem do Santo Padre.


1. Que há de falso nas notícias falsas?
* As famosas Fake News trazem informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos.

* Elas também capturam facilmente a atenção, estereótipos e preconceitos generalizados que geram emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração.

* As vezes ganham tanta visibilidade que causam danos irreversíveis.

* A lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação, revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio.

2. Como podemos reconhecê-las ?
* De fato, está em jogo a nossa avidez. Seja esperto, desconfie, pesquise, compare. 

*As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável, não tanto pela lógica de partilha que carateriza os meios de comunicação social como sobretudo pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As próprias motivações econômicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder. 

3. A verdade vos tornará livres
* O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade.

* Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceitual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. A verdade não é apenas trazer à luz coisas obscuras, como faz pensar o termo que a designa em grego: aletheia, de a-lethès, «não escondido». A verdade tem a ver com a vida inteira. Na Bíblia, reúne os significados de apoio, solidez, confiança.

* A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único «verdadeiro» é o Deus vivo.

* Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem, ao invés de, isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal; mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca.

4. A paz é a verdadeira notícia
* Para o Papa Francisco, o melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias. No mundo atual, ele não desempenha apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz.

* Promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo bonzinho, que negue a existência de problemas graves. Pelo contrário, na mensagem o Papa pensa num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação através do aviamento de processos virtuosos.

Papa: nosso destino é viver como amigos de Jesus

"Todos nós cristãos recebemos este dom: a abertura, o acesso ao coração de Jesus, à amizade de Jesus. Recebemos na sorte o dom da sua amizade. O nosso destino é ser seus amigos", disse Francisco na homilia na Casa Santa Marta.

Recebemos como “destino” e não “casualmente” a amizade com Jesus e a nossa vocação é justamente permanecer amigos do Senhor. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na manhã de segunda-feira (14) na Casa Santa Marta. A reflexão do Pontífice foi inspirada na Liturgia do dia, em que várias vezes aparece a palavra “sorte”.

Nosso destino é viver como amigos de Jesus
Nós recebemos este dom como destino, a amizade do Senhor, esta é a nossa vocação: viver amigos do Senhor, amigos do Senhor. E o mesmo receberam os apóstolos, mais forte ainda, mas o mesmo. Todos nós cristãos recebemos este dom: a abertura, o acesso ao coração de Jesus, à amizade de Jesus. Recebemos na sorte o dom da sua amizade. O nosso destino é ser seus amigos. É um dom que o Senhor mantém sempre e Ele é fiel a este dom.

Jesus não renega a sua amizade nem mesmo com quem trai
Muitas vezes, porém, nós não agimos como amigos e nos afastamos “com os nossos pecados, com as nossas teimosias”, mas “Ele é fiel à amizade”. Como recorda o Evangelho de hoje (Jo 15,9-17), Jesus não nos chama mais “servos”, mas “amigos” e mantém esta palavra até o fim porque é fiel. Até mesmo com Judas: a última palavra que dirige a ele, antes da traição, é “amigo”, não lhe diz “vai embora”:

Jesus é o nosso amigo. E Judas, como diz aqui, seguiu sua nova sorte, seu destino que ele mesmo escolheu livremente, se afastou de Jesus. E a apostasia é isso: afastar-se de Jesus. Um amigo que se torna inimigo ou um amigo que se torna indiferente ou um amigo que se torna traidor.

Permanecer na amizade com Jesus
Como narra a Primeira Leitura (At 1,15-17.20-26), no lugar de Judas a sorte caiu em Matias “para ser testemunha da Ressurreição”, “testemunha deste dom de amor”. “O amigo – recordou o Papa – é quem compartilha os próprios segredos” com o outro. “Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai”, diz de fato Jesus no Evangelho. Trata-se, portanto, de uma amizade que “recebemos como sorte, isto é, como destino”, como a receberam Judas e Matias:

Pensemos nisto, Ele não renega este dom, não nos renega, nos espera até o fim. E quando nós pela nossa fraqueza nos afastamos Dele, Ele espera, Ele espera, Ele continua dizendo: “Amigo, eu o espero. Amigo o que quer? Amigo, por que você me trai com um beijo?”. Ele é fiel na amizade e nós devemos pedir-Lhe esta graça de permanecer no seu amor, permanecer na sua amizade, aquela amizade que nós recebemos como dom na sorte por Ele.

VaticanNews

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Crescendo na Fé: não vou à Igreja porque não gosto das pessoas

É verdade que ir à Igreja pode não ser a mais agradável das experiências algumas vezes. Muitas coisas podem não nos agradar. Desde as músicas ou certo estilo de celebração para quem está em um primeiro contato, até certas desconfianças, conhecimento das imperfeições e certas desavenças experimentadas por quem já está um pouco mais comprometido. Mas quais dessas razões seriam suficientes para deixar de ir à Igreja?

Em primeiro lugar, se qualquer razão nos leva ao afastamento de Deus, precisamos ligar um alerta para saber se, na verdade, não estamos nos deixando cair em alguma espécie de tentação. Afinal, em última instância, o que buscamos na Igreja senão a Deus? E as dificuldades que possamos experimentar, nunca serão um obstáculo intransponível para alguém que, de verdade, está em busca de uma vida cristã autêntica. Jó é um exemplo sempre lembrado de que as dificuldades não nos afastam necessariamente do Senhor. E dificilmente as experiências negativas que temos na Igreja se assemelham àquelas que encontramos na vida de Jó.

Por outro lado, não se pode negar que as vezes as situações são tão difíceis que para cada um pode ser difícil suportar ou se comprometer a ponto de mudar. Entenda-se bem o que quero dizer. Com a Graça de Deus, tudo é possível, todos os obstáculos e dificuldades podem ser superadas, mas seria muito fácil dizer então que sempre é preciso aguentar aquilo que não está bem, confiando que o problema será solucionado. A resposta, me parece, é mais complicada que isso.

Retornamos a uma questão que é, basicamente, moral. Coloquemos um outro exemplo para tentar clarificar o pensamento. Conhecemos o mandamento de não matar. E não devemos matar. A não ser que seja em uma situação de legítima defesa, por exemplo. Nesse caso, existe um dever para com a própria vida que parece ser anterior ao mandamento. Isso simplesmente ilustra que a vida cristã não é uma simples aplicação de regras frias em todos os indivíduos que são considerados como igualmente capazes de responder a essas regras. Pelo contrário, moralmente falando, a vida cristã passa justamente a ser o esforço de cada pessoa, auxiliado pela graça divina, de se aproximar cada vez mais do modelo de homem pleno que é Jesus.

Parece, mas não nos desviamos do assunto. Retornemos agora ao problema de ir ou não a Igreja por causa das pessoas que me enfadam por qualquer razão. Uma pessoa pode reagir a isso dizendo que se experimenta chamada a carregar aquela cruz, a resolver o problema, a se esforçar por superar aquela situação. Ótimo! Mas isso não quer dizer que todo mundo precise reagir dessa forma. Outro pode dizer: “Para mim, nesse momento da minha vida, me é impossível, por tais e tais motivos, superar essa situação”. Se é um discernimento verdadeiro e não uma fuga dos problemas, isso também é vontade de Deus. E agindo de acordo com isso, pode buscar um lugar que o ajude a melhor crescer em sua vida cristã e, quem sabe, mais tarde não volte com renovadas forças para ajudar na primeira situação. A vida cristã exige um constante discernimento. E muito facilmente caímos em normas frias que decidem a vida por nós.

Por último, pensemos em Jesus. Ele veio ao mundo porque nos ama. Mas merecemos esse amor? E se a sua atitude tivesse sido a de “não ir ao mundo porque não gosto das pessoas”? Meio estranho pensar isso, mas o chamado a amar inclusive e especialmente os inimigos está aí, feito por Jesus. Por isso, façamos sempre o exercício de olhar para os outros com amor, por mais difícil que isso possa parecer em um primeiro momento. E esse olhar passa, também, por amar aquele que não responde da forma como eu gostaria que ele respondesse.

João Antônio Johas
Jovens de Maria - A12.com

Maio de Maria, mãe e mestra, de mil nomes

Perfume doce de flores do andor; cortejos de crianças vestidas como anjinhos; orações, ladainhas e cânticos populares; pétalas de rosas pelo chão; toalhas, cortinas, rendas e mantos azuis e brancos; sinos e procissões; terços ou velas às mãos e lágrimas nos olhos... Assim é, para muitas de nossas comunidades, o mês tradicional de maio, mês de Maria, a Quem coroamos como Senhora e a Quem assim nos dirigimos neste tempo pascal: “Regina Coeli” - Rainha do céu... E Rainha de todos os povos da terra!

As manifestações de devoção que a piedade popular presta a Maria alcançam seu ápice neste mês mariano com as coroações das imagens da Virgem, comumente no dia 31, Festa Litúrgica da Visitação de Nossa Senhora. O gesto da coroação, repleto de sentimento e afeição, não é meramente ingênuo e infundado. A coroação de Maria, por traz do simbolismo, que evoca a Mulher do Apocalipse (Ap 12,1-2), é uma prestação de devido reconhecimento Àquela que pelo Deus Libertador foi preservada da mancha do pecado em previsão dos méritos de Cristo, de Quem tornou-se Mãe e fiel Colaboradora no plano divino da salvação. Elevada aos céus de corpo e alma, Maria nos permite antever o prêmio da eterna glória. Filha, Esposa e Mãe do Deus Uno e Trino, a Senhora recebe a coroa esplendorosa da glória celestial.

Ao fazermos memória desse mistério nas cerimônias de coroação de Maria, reconhecemo-La não apenas como Rainha dos céus, mas Rainha das nações todas, que encontram Nela um sinal da proteção do Alto. Nesse sentido, as variadas etnias atribuem a Ela um sem-fim de títulos, invocações e nomes que evidenciam sua missão como Mãe da Igreja, bendita herança que o Cristo nos deixou antes de sua morte (Jo 19,26-27).

Esses títulos, com tantas e distintas formas de representações iconográficas, designam a mesma Mãe de Deus e nossa, podendo fazer referência geográfica alusiva ao desenvolvimento da devoção em questão (como em Nossa Senhora de Fátima, de Lourdes, de Nazaré, do Monte Carmelo, de Guadalupe, da Penha); referência a alguma característica pessoal da Senhora (a partir de analogias, inclusive) ou a algum atributo que Ela apresenta (como em do Perpétuo Socorro, do Divino Amor, Auxiliadora, Porto da Eterna Salvação, da Rosa Mística, do Rosário, da Candelária, das Graças ou da Medalha Milagrosa, da Escada); referência a episódios bíblicos da caminhada terrena de Maria ou a pontos dogmáticos (como em Imaculada Conceição, Mãe de Deus – “Theotokos”, da Anunciação, da Expectação do Ó, do Bom Parto, do Leite, do Desterro, da Boa Morte, da Assunção, das Dores, Rainha dos Apóstolos); referência a alguma necessidade da Igreja e da humanidade (como da Saúde, do Bom Conselho, da Boa Viagem, do Bom Sucesso, do Patrocínio, do Trabalho, dos Navegantes, da Ajuda, da Defesa); ou, ainda, referência à maneira como se deu a aparição/manifestação da Virgem (como Aparecida, Achiropita), além de outras formas possíveis de categorização dessas invocações. Obviamente, alguns títulos marianos se enquadram, simultaneamente, em duas ou mais dessas categorias, que dialogam entre si.

Em todo lugar, situação ou época histórica em que a vida se esvai e as trevas doridas da escravidão, da penúria, da carestia, dos desastres naturais, da opressão, da peste, da desolação, da guerra, da enfermidade, da perseguição, da crise social e política e de outras tantas intempéries se abatem sobre os povos, Maria torna atual seu Magnificat, evidenciando a predileção divina pelos pequenos e dando sentido e concretude à sua missão de Mãe da Igreja.

Providencialmente, nesses momentos cruciais e críticos da História da humanidade, Ela se manifesta em aparições, imagens ou inspirações que principiam as devoções e os títulos marianos, os quais trazem alento e, tal como nas Bodas de Caná, o Vinho Novo da Alegria, Jesus Cristo, aplacando todas as vicissitudes. Cabe a nós, assim, render graças, porque a majestade servidora de Maria nos permite chamá-la, antes de Rainha, “Mãezinha do céu”, como muitos cantamos, filialmente, nas noites plácidas de coroação deste maio festivo.

Leonardo C. de Almeida
Academia Marial de Aparecida - A12.com

Papa: franqueza e perseverança para ir avante

Na cidade onde nasceu a "Obra de Maria", os focolarinos ouviram um longo e bem humarado discurso do Papa Francisco, que respondeu a três perguntas dos moradores da cidade fundada por Chiara Lubich.

Depois de Nomadélfia, o Papa Francisco foi até Loppiano, “pequena cidade que nasceu do Evangelho”, como definiu o próprio Pontífice, por ser a sede principal do Movimento dos Focolares por inspiração de Chiara Lubich.

Em Loppiano, o Papa foi acolhido pelo bispo de Fiesole, Dom Mario Meini, e pela presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce.

Música e festa aguardavam o Pontífice, que assim que chegou fez um breve momento de oração no Santuário Maria Theotokos. Na sequência, diante do mesmo Santuário, se realizou o encontro com a Comunidade baseado em forma de diálogo.

Maria Voce fez sua saudação e os habitantes de Loppiano dirigiram três perguntas ao Pontífice relativas aos desafios que o Movimente enfrenta hoje passados 50 anos de sua fundação.

Francisco agradeceu aos “pioneiros” do Movimento e fez acréscimos improvisados para exemplificar melhor o discurso preparado.

Franqueza, perseverança e memória
O Papa os encorajou a serem “francos” e “perseverantes”, duas palavras-chave do caminho da comunidade cristã para ter “memória”.

“É preciso pedir ao Espírito Santo a franqueza – sempre unida ao respeito e à ternura – em testemunhar as grandes e belas obras que Deus realiza em nós e em meio a nós. E também nas relações dentro da comunidade é preciso ser sempre sinceros, abertos, francos, e não medrosos nem preguiçosos nem hipócritos. Não ficar de lado para semear cizânia e murmurar, mas se esforçar para viver como discípulos sinceros e corajosos em caridade e verdade.”

“Quem vive de fofoca é um terrorista”, recordou. Pelo contrário, é preciso pedir o senso de humor, “a atitude humana que mais se aproxima de Deus”.

Francisco recordou o início do Movimento, quando Chiara se inspirou na abadia benedetina de Einsiedeln para criar algo semelhante em Loppiano, de forma nova e moderna, em sintonia com o Concílio Vaticano II, a partir do carisma da unidade: um esboço de cidade nova no espírito do Evangelho, para ressaltar a beleza do povo de Deus na riqueza e variedade dos seus membros. Em síntese, “plasmar uma nova face da cidade dos homens segundo o desenho de amor de Deus”.

“Loppiano é chamada a ser isso”, disse o Papa e o pode se tornar, com confiança e realismo, a ser sempre melhor.

Em Loppiano não existem periferias
Em Loppiano, acrescentou, se vive a experiência da caminhar juntos, com estilo sinodal. E esta é a base sólida e indispensável de tudo: a escola do Povo de Deus onde quem ensina e guia é o único Mestre. Daqui derivam as “escolas de formação” típicas do local: formação ao trabalho, ao agir econômico e político, ao diálogo ecumênico e inter-religioso, formação cultural e eclesial, sobretudo a quem é relegado às periferias da existência.

“Loppiano cidade aberta, Loppiano cidade em saída. Em Loppiano não existem periferias”, ressaltou o Papa, pedindo um novo ímpeto a essas escolas de formação, abrindo-as a horizontes mais vastos e projetando-as nas fronteiras através de um novo “pacto formativo”.

Numa época de transformação, continuou o Papa, o desafio é o da fidelidade criativa, isto é, “ser fiéis à inspiração originária e, juntos, estar abertos ao sopro do Espírito Santo e empreender com coragem as novas vias que Ele sugere. “Ele”, reiterou Francisco, “e não o nosso bom senso, as nossas capacidades pragmáticas, não os nossos modos de ver sempre limitados.

Discernimento comunitário
Para isso, é necessário o discernimento comunitário. “È necessário escuta de Deus até ouvir com Ele o clamor do Povo e é preciso escuta do Povo até respirar a vontade à qual Deus nos chama. Os discípulos de Jesus devem ser contemplativos da Palavra e contemplativos do Povo de Deus.” O Papa então concluiu:

“Somos chamados todos a se tornar artesãos do discernimento comunitário. Este é o caminho para que também Loppiano descubra e siga passo a passo a via de Deus a serviço da Igreja e da sociedade.”

Francisco encerrou seu discurso falando de Maria, “uma leiga”, e que inspirou a Comunidade dos Focolares, cujo nome oficial é “Obra de Maria”.

“Eu os convido a olhar para Maria, mulher da fecundidade, da paciência, da coragem, de suportar as coisas. Olhem para esta leiga, primeira discípula, e vejam como reagiu em todos os passos conflituais da vida de seu filho.”

VaticanNews

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Papa: Deus jamais renega seus filhos. A marca do Batismo é indelével

Na Audiência Geral desta quarta-feira (09), o Papa Francisco fez sua quinta catequese sobre o tema do Batismo, falando de modo especial sobre seu momento central, a imersão na pia batismal.

A regeneração pelo Batismo foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira.

A Praça São Pedro acolheu cerca de vinte mil fiéis, apesar do mau tempo na capital italiana.

Os peregrinos ouviram o Pontífice explicar o rito central do Batismo, isto é, a imersão na pia batismal.

“O Batismo nos abre a uma vida de ressurreição, não a uma vida mundana. A fonte batismal é o local em que se faz a Páscoa com Cristo!”, disse o Papa. O renascimento do homem novo exige que seja reduzida a pó a criatura velha. As imagens do túmulo e do ventre materno referidas à fonte são incisivas para expressar a grandeza dos simples gestos do Batismo.

A Igreja é mãe
“A Igreja é mãe através do Batismo. Assim como os nossos pais nos geraram à vida terrena, a Igreja nos regenerou para a vida eterna no Batismo. Nós nos tornamos filhos no Filho Jesus”, explicou ainda Francisco.

Também sobre cada um de nós, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, o Pai celeste faz ouvir a sua voz: "Tu és o meu filho muito amado". Esta voz paterna é perceptível não pelos ouvidos, mas pelo coração de quem crê; e acompanha-nos por toda a vida.

O Batismo é indelével
Renascidos filhos de Deus, o seremos para sempre, sem jamais nos abandonar. De fato, o Batismo não se repete, porque imprime uma marca espiritual indelével. Nenhum pecado o pode apagar, embora impeça o Batismo de produzir frutos de salvação. Mesmo alguém se tornando guerrilheiro, disse o Papa, a marca do Batismo não desaparece.

“Deus jamais renega os seus filhos”, afirmou Francisco de maneira contundente, pedindo que os fiéis repetissem esta frase mais de uma vez.

Mediante a ação do Espírito Santo, o Batismo purifica, santifica, justifica, para formar em Cristo um só corpo. Isso é expresso pela unção crismal, quando o ministro diz unge a cabeça e diz: "Unjo-te com o crisma da salvação para que, reunida ao seu povo, permaneças eternamente membro de Cristo sacerdote, profeta e rei".

Viver unidos a Cristo
O Papa então concluiu: “Queridos irmãos e irmãs, esta é a vocação cristã: viver unidos a Cristo na Santa Igreja, participando da mesma unção para realizar a mesma missão, produzindo frutos que durem para sempre. Isso significa tornar a vida uma oferta agradável a Deus, prestar-Lhe testemunho com uma vida de fé e de caridade e pôr a vida ao serviço dos outros, seguindo o exemplo do Senhor Jesus.”

Síria
Ao saudar o grupo de língua árabe, Francisco recordou que o mês de maio é dedicado a Nossa Senhora e convidou a rezar de modo especial pela paz na Síria e no mundo inteiro.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O pecado envelhece o coração, mas Cristo nos renova, diz Francisco

Encontrando os fiéis da Paróquia de São Paulo da Cruz, no bairro Corviale, o Papa Francisco encoraja para que a verdade de Cristo entre no nosso coração. Estimula a comunidade para que seja alegre com a fé e o encontro com Jesus ressuscitado .

Pedimos a graça de acreditar que “Cristo está vivo, ressuscitou”. Esta é a oração do Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Paróquia São Paulo da Cruz, naquela que foi sua 16ª visita pastoral a uma Paróquia romana.

No coração da paróquia da periferia romana, as palavras do Papa assumem um significado particular entre os moradores de um bairro que muitas vezes é relacionado a problemas de marginalização, delinquência e pobreza, como refere o pároco Pe. Roberto Cassano.

Deixar entrar no coração a “verdade de Cristo”
Nas dificuldades do dia a dia, o Pontífice encoraja a deixar entrar “no coração” a verdade de Cristo.

Meditando sobre as Leituras e o Evangelho do domingo, que ainda ressoam o clima de alegria pascal pela ressurreição de Jesus, Francisco recorda como os discípulos, quando viram Jesus depois da Ressurreição, tinham duvidado, porque aquela verdade ainda não tinha “entrado no coração”: é “menos perigoso” – observa – ter uma verdade “na mente” do que “tê-la no coração”. Eles “pela alegria não podiam crer” mas - observa o Papa - no fim “acreditaram”:

E essa, é a renovada juventude que recebemos do Senhor. Na Oração da Coleta falamos: a renovada juventude. Somos acostumados a envelhecer com o pecado… E o pecado envelhece o coração, sempre. Deixa o coração duro, velho e cansado. O pecado cansa o coração e perdemos um pouco da fé em Cristo Ressuscitado.

“Não, não penso. Isso seria muita alegria. Sim, sim, está vivo, mas está no Céu com seus negócios”. Mas os seus negócios sou eu! Cada um de nós!

A força de Jesus ressuscitado
Diante do nosso pecado, prossegue Francisco, temos “um advogado junto do Pai”:

Não tenham medo, Ele perdoa. Ele nos aproxima. O pecado nos envelhece, mas Jesus, ressuscitado, vivo, nos renova. Esta é a força de Jesus ressuscitado. Quando nos aproximamos do sacramento da penitência é para sermos renovados, para rejuvenescer. É isso que faz Jesus ressuscitado.

O encontro com quem sofre
A nossa “verdadeira juventude” é portanto “a vitória de Cristo sobre a morte, a vitória de Cristo sobre o pecado”:

Peçamos ao Senhor a graça que a alegria não nos impeça de crer, a graça de tocar Jesus ressuscitado, tocá-lo no encontro com a oração, no encontro nos Sacramentos, no encontro com o seu perdão que é a renovada juventude da Igreja, no encontro com os doentes, quando vamos visitá-los, com os encarcerados, com os mais necessitados, com as crianças e com os idosos. Se sentimos vontade de fazer o bem, é Jesus que nos leva a esta ação. É sempre a alegria; a alegria que nos faz jovens. Peçamos a graça de ser uma comunidade alegre, porque cada um de nós é seguro, tem fé e encontrou o Cristo ressuscitado.

Saudação final
Enfim, no final da celebração, diante da igreja o Papa fez uma saudação aos moradores do bairro Corviale, repetindo que “todos precisamos uns dos outros”. Um motivo para irmos adiante “juntos”.

VaticanNews

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Papa: o testemunho cristão incomoda e não conhece "meio-termo"

Na homilia na Casa Santa Marta, Francisco falou de três características do cristão para viver a alegria pascal: obediência, testemunho e concretude.

O Papa Francisco retomou as celebrações matutinas na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia da última quinta-feira (12), o Pontífice se inspirou na alegria pascal para ressaltar três características: obediência, testemunho e concretude.

Os 50 dias do tempo pascal foram para os apóstolos um “tempo de alegria” pela Ressurreição de Cristo. Uma alegria verdadeira, mas ainda duvidosa, temerária, enquanto depois, com a descida do Espírito Santo, a alegria se tornou “corajosa”: antes “entendiam porque viam o Senhor, mas não entendiam tudo”, estavam felizes mas não conseguiam entender. “Foi o Espírito Santo que os fez entender tudo”, afirmou o Papa.

Obediência
Como narra a primeira leitura extraída dos Atos (At 5,27-33), os Apóstolos são levados diante do Sinédrio, onde o sumo sacerdote lhes recorda a proibição de ensinar em nome de Jesus. “É preciso obedecer a Deus ao invés do que aos homens”: é a resposta de Pedro. A palavra “obediência” retorna também no Evangelho do dia (Jo 3,31-36).

E o Papa a destaca que “uma vida de obediência” é aquela que caracteriza os apóstolos que receberam o Espírito Santo. Obediência para seguir a estrada de Jesus, que “obedeceu até ao fim” como no Monte das Oliveiras. Obediência que consiste em fazer a vontade de Deus. A obediência é o caminho que o Filho “nos abriu”, disse Francisco, e o cristão, portanto, “obedece a Deus”, assim como fizeram os apóstolos.

Ao invés, os sacerdotes queriam comandar e resolver tudo com uma gorjeta: “a propina chegou até ao Sepulcro”. Assim se resolvem as coisas do mundo, disse o Papa, isto é, “com coisas mundanas”. A primeira é “o dinheiro”, do qual o diabo é o senhor, e sobre o qual o próprio Jesus diz que não se pode servir a dois senhores.

Testemunho
A segunda característica dos apóstolos é “o testemunho”: “o testemunho cristão incomoda”, afirmou o Papa. Um pouco talvez procuramos um “meio-termo” entre o mundo e nós, mas o testemunho cristão não conhece “meio-termo”. “Conhece a paciência de acompanhar as pessoas que não compartilham o nosso modo de pensar, a nossa fé, de tolerar, mas jamais de vender a verdade”, reiterou:

"Primeiro, obediência. Segundo, testemunho, que incomoda tanto. E todas as perseguições que existem, daquela época até hoje... Pensem nos cristãos perseguidos na África, no Oriente Médio… Mas existem mais do que nos primeiros tempos, na prisão, degolados, enforcados por confessar Jesus. Testemunho até o fim".

Concretude
A concretude dos apóstolos é, enfim, o terceiro aspecto sobre o qual reflete o Papa: falavam de coisas concretas, “não de fábulas”. Assim como os apóstolos viram e tocaram, cada um de nós, disse ainda Francisco, “tocou Jesus na própria vida”:

"Acontece que muitas vezes os pecados, os comprometimentos, o medo, nos fazem esquecer este primeiro encontro, do encontro que nos mudou a vida. Eh sim, nos remete a uma lembrança, mas a uma lembrança aguada; nos faz cristãos mas como 'colônia de rosas'. Aguados, superficiais. Pedir sempre a graça ao Espírito Santo da concretude. Jesus passou pela minha vida, pelo meu coração. O Espírito entrou em mim. Talvez, depois, tenha esquecido, mas a graça da memória do primeiro encontro".

Portanto, é tempo de pedir a alegria pascal.

"Vamos pedi-la uns aos outros, mas aquela verdadeira alegria que vem do Espírito Santo, que dá o Espírito Santo: a alegria da obediência pascal, a alegria do testemunho pascal e a alegria da concretude pascal".

VaticanNews

Papa Francisco: o Batismo "cristifica" o fiel

“As promessas batismais devem ser reavivadas todos os dias para que o Batismo 'cristifique' quem o recebeu, tornando-o realmente outro Cristo”, disse Francisco em sua catequese

Na audiência geral da última quarta-feira (11), o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses, ao concluir semana passada as reflexões sobre a Santa Missa.

O novo tema escolhido pelo Santo Padre é o Batismo, o fundamento da vida cristã. Trata-se do primeiro dos Sacramentos, enquanto é a porta que permite a Cristo Senhor fixar morada na nossa pessoa e, a nós, de nos imergir no seu Mistério.

O verbo grego “batizar” significa “imergir” (cfr CCC, 1214). Banhar-se com água é um rito comum a várias crenças para expressar a passagem de uma condição a outra, sinal de purificação para um novo início.

“Mas para nós cristãos não deve passar desapercebido que se é o corpo a ser imergido na água, é a alma a ser imersa em Cristo para receber o perdão do pecado e resplandecer de luz”, explicou o Papa, citando o escritor romano Tertuliano.

Novo aniversário
Como em outras ocasiões, o Papa perguntou aos fiéis quem sabe a data do próprio batismo, dando uma "lição de casa" a todos: perguntar aos familiares a data em que Cristo entrou em nossa vida. "É outro aniversário", disse Francisco, é o aniversário do renascimento, que também deve ser comemorado agradecendo ao Senhor.

Regeneração
Através do lavacro batismal, quem crê em Cristo é imerso na própria vida da Trindade. A água do batismo, prosseguiu Francisco, não é uma água qualquer, mas a água sobre a qual o Espírito é invocado. Por isso, o batismo é chamado também “regeneração”: acreditamos que Deus nos salvou por sua misericórdia, com uma água que regenera e renova no Espírito.

Por isso, o batismo é sinal eficaz de renascimento, para caminhar em novidade de vida. Imergindo-nos em Cristo, o Batismo nos torna também membro do seu Corpo, que é a Igreja, e partícipes da sua missão no mundo.

Este Sacramento, acrescentou o Papa, permite a Cristo viver em nós e a nós viver unidos a Ele, para colaborar na Igreja, cada um segundo a própria condição, para a transformação do mundo. Recebido uma única vez, o Batismo ilumina a nossa vida, guiando os nossos passos até a Jerusalém do Céu.

Um marco
“Há um antes e um depois do Batismo”, frisou Francisco.

O Sacramento supõe um caminho de fé, que chamamos catecumenato, evidente quando é um adulto a pedir o Batismo. Mas também as crianças, desde a antiguidade, são batizadas na fé dos pais. A este ponto, o Pontífice respondeu a quem questiona o porquê batizar as crianças e não esperar que, uma vez adultas, sejam elas mesmas a pedir o Sacramento. "Isso significa não ter confiança no Espírito Santo", respondeu, porque é Ele que faz crescer e amadurecer as virtudes cristãs. Todos devem ter esta oportunidade, "não esqueçam de batizar as crianças", recomendou o Papa.

"Cristificar"
“Ninguém merece o Batismo”, explicou ainda o Pontífice, pois é sempre um dom gratuito para todos, adultos e recém-nascidos. “As promessas batismais que todos os anos renovamos na Vigília Pascal devem ser reavivadas todos os dias para que o Batismo “cristifique” quem o recebeu, tornando-o realmente outro Cristo.”

VaticanNews

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Papa e a santidade: uma chamada para todos e não para os “super-heróis”

Com o anúncio da publicação da Exortação do Papa “Gaudete et Exsultate” sobre o chamado à santidade no mundo de hoje, o site Vatican News promoveu alguns pronunciamentos significativos do Pontiífice sobre a santidade

A Igreja precisa de Santos, não de super-heróis. Papa Francisco, desde a sua eleição à Cátedra de Pedro deu grande importância à santidade na Igreja e, em várias ocasiões falou sobre o que distingue o ser Santo, assim como indicou o que não é ser Santo. Em 2 de outubro de 2013, em uma das audiências gerais do seu primeiro ano de Pontificado, evidenciou que a Igreja “oferece a todos a possibilidade de percorrer o caminho da santidade, que é o caminho do cristão”, para o encontro com Jesus. A Igreja, observa, “não rejeita os pecadores”, acolhe-os e convida-os para que se deixem “contagiar pela santidade de Deus”. No final da catequese, o Papa citou o escritor francês Léon Bloy que nos últimos momentos da sua vida, dizia: “só existe uma tristeza na vida, a de não ser santo”.

Os Santos não são super-heróis, mas amigos de Deus
Em 1º de novembro de 2013, na primeira Festa de Todos os Santos como Papa, Francisco sublinha que os Santos são “os amigos de Deus”, porque nas suas vidas, “viveram em comunhão profunda com Deus”. Portanto o Santo Padre traça um perfil dos Santos, explicando logo que “não são super-heróis, nem nasceram perfeitos”. Os Santos, continua o Papa, “são como nós, como cada um de nós”, “viveram uma vida normal”, mas “conheceram o amor de Deus” e o “seguiram com todo o coração, sem condições e hipocrisias”. Portanto como se reconhece esta santidade? “Os Santos – responde o Papa – são homens e mulheres que têm a alegria no coração e a transmitem aos outros”. A alegria, é o que distingue os Santos, ao contrário dos cristãos com “cara de funeral” que, como repete muitas vezes, são características dos que não vivem bem a sua fé.

Todos os cristãos são chamados à santidade, sem excluir ninguém
Outra característica dos Santos é a humildade. Na homilia matutina na Casa Santa Marta, em 9 de maio de 2014, Francisco recorda São João Paulo II. E observa que “o grande atleta de Deus” acabou aniquilado pela doença, humilhado como Jesus”. O testemunho de Karol Wojtyla, mostra que a regra da santidade “é diminuir a fim de que o Senhor cresça” e por isso é preciso “a nossa humilhação”. Portanto, bem longe da imagem de pessoas com “superpoderes”. “A diferença entre os heróis e os Santos – explica ainda na homilia – é o testemunho, a imitação de Jesus Cristo: percorrer o caminho de Jesus”. Para o Pontífice há também outro tema muito importante: “a vocação universal à santidade” sobre o qual falou na audiência geral de 19 de novembro de 2014. “Todos os cristãos, enquanto batizados – sublinha – têm igual dignidade diante do Senhor e são irmanados pela mesma vocação que é a santidade”. “A santidade é um dom - continua o Papa – oferecido a todos, sem excluir ninguém, por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão”. E acrescenta “para ser Santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso”, “não, todos somos chamados a ser Santos”.

Os Santos também têm seus pecados, mas sabem arrepender-se e pedir perdão
Papa Francisco alerta à ideia dos Santos com “cara de santinho”. É algo muito mais profundo e alimentado por gestos, “muitos pequenos passos”, que cada um pode cumprir no lugar onde vive e trabalha. “Cada condição de vida – são suas palavras – leva à santidade, sempre!”. Um ano depois, em 1º de novembro de 2015, na Missa celebrada no Cemitério de Verano, fala sobre “o caminho para chegar à verdadeira felicidade”, a santidade. E observa que os santos são mansos e pacientes. Um caminho, o da mansidão e paciência, que foi percorrido por Jesus. Em 2016 volta a falar sobre o tema nas missas na Casa Santa Marta. Em 19 de janeiro, falando na homilia sobre Davi, observa que também na vida dos santos há tentações e pecados. A vida do rei de Israel é eloquente sobre isso: Santo e pecador. Tinha os seus pecados, “foi até um assassino”, mas no fim os reconhece e pede perdão. O Papa conclui, uma história que faz pensar que “não existe algum santo sem passado, mas nem pecador sem futuro”. Enquanto que na missa de 24 de maio, adverte que “a santidade não se pode comprar e nem vender”. É um dom a ser acolhido. Um dom e um caminho. “A santidade – sublinha Francisco – é um caminho na presença de Deus” e “não pode ser feita por alguém em meu nome”. “Um caminho – diz ainda – a percorrer com coragem, esperança e com a disponibilidade de receber esta graça”.

Não tenham o medo de ser Santos, evidencia também no Twitter
Os Santos são também “testemunhas e companheiros de esperança”. São palavras do Papa na audiência geral de 21 de junho de 2017. Na ocasião, explicou que para ser santos “não precisa rezar o dia todo”. A santidade está também “na doença e no sofrimento”, no trabalho e na “proteção dos filhos”. “Que o Senhor nos dê a esperança de ser Santos – foi a sua invocação – e não pensemos que é algo difícil, é mais fácil sermos delinquentes do que Santos! Não. Podemos ser Santos porque o Senhor nos ajuda”. O Papa fala de santidade também pelas redes sociais. No Twitter de 1º de novembro do ano passado evidencia que “o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade”. E não devemos “ter medo” de caminhar no caminho da santidade , que é dos humildes e não dos arrogantes.

O Motu proprio sobre a oferta da vida, caminho de santidade
Uma chamada e uma exortação que ressoa também nas 15 cerimônias de canonizações celebradas por Francisco, a partir de Madre Teresa, João XXIII e João Paulo II. Também na beatificação de Paulo VI, quando Francisco chama a atenção principalmente para a sua humildade, virtude própria das testemunhas e não dos “super-homens”. De modo significativo Francisco abre o caminho da beatificação, também aos que, levados pela caridade, ofereceram a própria vida pelo próximo. É a temática do Motu proprio intitulado Maiorem hac dilectionem, publicado em julho de 2017 que inicia com as palavras de Jesus tiradas do Evangelho de João: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos”. Eis a visão de Francisco sobre a Santidade: ser amigos de Deus e do próximo até a dom da vida.

Vatican News

sexta-feira, 23 de março de 2018

Papa Francisco: “o coração da Igreja é jovem”

Desde o dia 19 até o próximo dia 24, cerca de 300 jovens de todo o mundo participam de uma reunião em Roma que prepara o Sínodo da juventude. Nesse período, os participantes (católicos, de outras religiões e até ateus) debatem as temáticas propostas pela Igreja, além de contar com a opinião de milhares de jovens por meio das redes sociais.

Na segunda-feira (19), o Papa Francisco esteve no Pontifício Colégio Internacional “Maria Mater Ecclesiae” na abertura da reunião e disse que “os jovens devem ser levados a sério”.“Falem com coragem, digam o que vocês gostariam de dizer. Se alguém se sentir ofendido, peçam perdão e continuem (...). Parece-me que estamos rodeados por uma cultura que, por um lado, idolatra a juventude, tentando não deixá-la passar jamais, de outro, exclui tantos jovens de serem protagonistas”.

O Santo Padre ainda acrescentou que todo jovem tem uma vocação:

“Deus ama cada um e a cada um faz pessoalmente um chamado. É um presente que, quando é descoberto, enche de alegria. Estejam certos: Deus tem confiança em vocês, ele os ama e os chama. (...) Ele faz a vocês a pergunta que um dia Ele fez aos primeiros discípulos: “O que vocês estão procurando?”. Ele convida vocês a partilhar a busca da vida com Ele, a caminhar juntos. E nós, como Igreja, desejamos fazer o mesmo, porque não podemos deixar de partilhar com entusiasmo a busca pela verdadeira alegria de cada um”.

Lendo também e-mails de jovens enviados para o Sínodo, o papa se mostrou surpreso de que a juventude tem sentido falta e pedido de uma presença mais próxima de adultos.

“Uma jovem observou que aos jovens faltam pontos de referência e que ninguém os encoraja a ativar os recursos que possuem. Então, ao lado dos aspectos positivos do mundo juvenil, ela destacou os perigos, entre os quais o álcool, as drogas, uma sexualidade vivida de modo consumista.

E concluiu quase com um grito: “Ajudem o nosso mundo juvenil que se desmorona cada vez mais”. Não sei se o mundo juvenil se desmorona cada vez mais. Mas eu sinto que o grito dessa jovem é sincero e requer atenção. Também na Igreja devemos aprender novas formas de presença e proximidade”, alertou o Pontífice.

E finalizando, Francisco disse que a Igreja precisa recuperar o entusiasmo da fé e o gosto da busca e que isso pode ser ofertado por meio da juventude.

“Queridos jovens, o coração da Igreja é jovem precisamente porque o Evangelho é como uma linfa vital que a regenera continuamente. Cabe a nós ser dóceis e cooperar nesta fecundidade (...).

Devemos arriscar, porque o amor sabe arriscar; sem arriscar, um jovem envelhece, e a Igreja também envelhece. Portanto, precisamos de vocês, pedras vivas de uma Igreja com um rosto jovem, mas não maquiado: não artificialmente rejuvenescido, mas reavivado de dentro”.
A12.com - Jovens de Maria