quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A conversão de São Paulo

São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, vai apresentar a conversão de São Paulo em três momentos: (At 9,3-19; 22,6-16; 26,12-18). Nestes textos encontramos a narração da conversão daquele que mudou não apenas o próprio nome, mas o rumo da história de sua vida. De Saulo de Tarso, tornou-se Paulo de Cristo, o grande apóstolo dos gentios.

A cidade de Tarso se encontra onde hoje é a Turquia. Era uma cidade colônia do Império Romano. Paulo era judeu descendente da tribo de Benjamim, totalmente enraizado nas tradições judaicas. Ele estudou em Jerusalém na escola de Gamaliel, foi onde conheceu a existência dos cristãos e tornou-se inimigo dos seguidores de Cristo. Tanto que fez questão de estar presente na morte de Santo Estevão, o primeiro mártir cristão.

Por achar que estava sendo fiel às tradições da lei judaica, colocou-se a serviço do império romano e recebeu autonomia para identificar, perseguir, prender e matar todos os que professavam a fé em Jesus de Nazaré. Mas como vemos no relato dos Atos dos Apóstolos, um dia a caminho de Damasco, com certeza perseguindo cristãos, Paulo tem o encontro com o Ressuscitado. A luz que o atinge faz com que ele caia por terra, e uma voz fala forte dentro de si: “Saulo, Saulo, porque me persegues?”. Neste momento ele faz uma profunda experiência de encontro com Cristo e a partir daquele momento se abre para a fé, impondo a si mesmo a missão de Anunciar o Evangelho com a própria vida: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (1Cor 9,17).

No relato da conversão de São Paulo, aparecem vários elementos que atestam seu encontro com a Pessoa do Cristo Ressuscitado. Primeiro, Paulo está caminho de Damasco e numa certa altura da viagem ele é envolvido por uma luz que o faz cai por terra. Em seguida ele ouve uma voz que o interroga e que o chama pelo nome. Paulo faz uma pergunta de quem seria a voz que ele escuta, e rapidamente vem a afirmação que é Jesus quem está falando com ele, o Cristo a quem ele perseguia. Após este diálogo entre Jesus e Paulo, segue uma ordem do Ressuscitado para que ele entre em Damasco, onde lhe será dito o que fazer, e imediatamente Paulo começa a anunciar Jesus como Filho de Deus.

Paulo, em seu bonito processo de conversão, passará da postura de perseguidor, a um fiel seguidor de Jesus e um intrépido pregador do Evangelho. Como a graça de Deus age no coração e na vida das pessoas, Paulo que antes queria destruir a mensagem de Jesus matando os que acreditavam em sua Palavra, se tornará alguém que não consegue mais viver sem proclamar em todos os momentos e para todas as pessoas o Evangelho da Salvação.

Paulo é chamado de Apóstolo das Nações, e a ele são atribuídas 13 cartas no Novo Testamento, cartas onde ele procurava animar os cristãos das comunidades nascentes, levando-os a perseverar na vivência do Evangelho e na fé em Cristo, mesmo diante das perseguições: “Quem vai nos separar do amor de Cristo?” (Rom 8,35). São Paulo vai dizer que foi alcançado por Deus (Fl 3,12), pois não existem limites para a ação do amor misericordioso de Deus no coração da pessoa. Em 1Cor 15, 8, Paulo vai afirmar: “Eu vi o Senhor”, isso mostra que em sua conversão ele experimentou o Cristo Ressuscitado, a semelhança de Madalena (Jo 20,14) e de Tomé (JO, 20-28) e de outros apóstolos que viram o Senhor.

Por isso, celebrar a Conversão de São Paulo é celebrar o chamado que Jesus faz a todos nós de, no encontro com Ele, mudar a direção da vida, fazendo do Evangelho a Palavra que ilumina todas as nossas escolhas.


A12

Nenhum comentário:

Postar um comentário